• No results found

A mixed methods approach (Study 3)

4. Research Design and Methods

4.1 Research design

4.1.3 A mixed methods approach (Study 3)

princípio enunciado e apresenta-se como o principal constituinte da ciência na esfera do humano, com enfoque especial na liberdade de criação. O princípio do humanismo esclarece a diferença essencial entre as ciências objectivas que estudam a natureza circunscrita no perímetro das leis da necessidade e causalidade, e as ciências humanas que estudam o que o homem cria como sujeito livre universal. Este princípio visa directamente o conceito filosófico da liberdade, entendida na essência criativa do ser humano:

“A liberdade entende-se aqui no sentido filosófico do termo, i.e.: uma actividade livre é

uma actividade cujo objecto é infinito, um objecto que é criado continuamente e não tem limites anteriormente estabelecidos.”526

A liberdade é própria do espírito criador e manifesta-se na actividade de criação como tal, ao nível da dýnamis de várias competências e técnicas de criação. A liberdade criativa não se reduz à substância, à matéria ou às condições externas do sujeito criador. Sem liberdade não se pode conceber a linguagem como energueia que torna inesgotável o objecto criado, tal como todas as actividades livres do homem de manifestação da

525 “Ne opunem deci ideii unei ştiinţe care ar fi ştiinţă pentru noi, pentru un anumit timp sau pentru o

anumită situaţie socială şi politică.” Ibidem.

526 “Libertatea se înţelege aici în sensul filosofic al termenului, anume: o activitate liberă este o

activitate al cărei obiect este infinit, un obiect care se creează în mod continuu, care nu-şi are graniţele stabilite dinainte.” Ibidem, p. 13.

energueia quer na arte, na religião, na ciência ou na filosofia. A liberdade de criação tem um duplo sentido: o homem, criando o objecto, cria-se continuamente e humaniza o mundo. A unidade complexa da língua e pensamento constante no ser humano em tudo o que realiza, justifica a escolha da linguística entendida como filosofia da linguagem na base da cultura, uma vez que considera o homem como sujeito relativamente ao que cria. Cada falante entende o que é a religião como sujeito crente, assim como entende o que é que a arte, a filosofia e a ciência, adquire os universos semânticos ao nível da consciência da língua falada. Uma vez que fala, conhece. A língua é o conhecimento originário criado e recriado, nunca terminado.

“O problema do homem de ciência é passar dum nível de conhecimento paro outro

nível de conhecimento, do nível de conhecimento que tem o falante como um nível intuitivo, não explicado e não justificado, mas contudo certo para o falante, ao nível do conhecimento justificado dum conhecimento fundado, dum conhecimento explicado, i. e. a passagem que Hegel denominava bekannt para erkannt.”527

A passagem do conhecimento intuitivo para o reflexivo não propõe uma classificação do conhecimento em um superior e outro inferior, geral ou especializado ou outras distinções funcionais, tem uma outra funcionalidade e arquitectura teórica. Coseriu menciona o célebre estudo de Leibniz sobre a teoria do conhecimento Meditationes de cognitione, veritate ac ideis, que estabelece os diversos graus de conhecimento. Cognitio confusa, conhecimento certo mas não justificado e cognitio clara que pode ser não só confusa mas também cognitio clara adequata, no sentido de conhecimento adequado como um conhecimento fundado, justificado, ao qual aspiram todas as ciências. O princípio do humanismo apresentado por Coseriu consciencializa a base do fenómeno cultural:

“Tudo o que interpretamos no domínio humano tem uma base teórica, um

conhecimento universal que nós já temos, pelo menos numa forma intuitiva. E se temos este conhecimento numa forma intuitiva, significa que temos sempre uma teoria, mesmo quando pensamos que não temos nenhuma.”528

527 “Problema noastră, problema omului de ştiinţă este să treacă de la un nivel de cunoaştere la alt nivel

de cunoaştere, de la nivelul de cunoaştere pe care îl are în cazul nostru vorbitorul, anume nivelul intuitiv, nivelul neexplicat şi nejustificat, însă cu totul sigur al vorbitorului, la alt nivel, la nivelul unei cunoaşteri justificate, al unei cunoaşteri fondate, al unei cunoaşteri aplicate, adică trecerea de la ceea ce Hegel numea bekannt la ceea ce acelaşi Hegel numea erkannt.” Ibidem.

528 “Tot ceea ce interpretăm în domeniul uman are o bază teoretică, o cunoaştere universală pe care o

avem deja, cel puţin într-o formă intuitivă. Şi, dacă avem într-o formă intuitivă această cunoaştere, înseamnă că avem o teorie, totdeauna, chiar atunci când credem că nu avem niciuna.” Ibidem, p. 14.

O princípio do humanismo apresenta o homem como um ser que tem sempre presente uma teoria que pertence à língua que ele próprio fala. A teoria não é senão o conhecimento do universal dado pelo conhecimento linguístico através de factos concretos e não uma construção arbitrária de modelos possíveis, aplicáveis ou não. Estabelecendo esta abertura do conceito de teoria, Coseriu refere-se à etimologia grega da palavra “teoria”, visão ou contemplação de Deus, com o significado de “ver”, “contemplar” nos factos a sua essência universal, isto é, reconhecer a universalidade nos factos.

“Temos que admitir uma unidade permanente entre teoria e estudo empírico. […] Não

existe nenhuma teoria independente ou anterior aos factos, anterior ao estudo empírico porque a própria teoria é o reconhecimento do universal nos factos.”529

Este princípio evidencia a importância de entender a unidade cognitiva permanente entre a teoria e o estudo empírico na formulação de qualquer interpretação que se constrói na base duma teoria assumida, pelo menos implicitamente.

“Sustentemos também este carácter hermenêutico ou esta propriedade hermenêutica

das ciências da cultura. As ciências da cultura são sempre ciências que interpretam, em todos os sentidos.”530

Qualquer discurso interpretativo tem na sua base a língua como conhecimento. Uma simples descrição é de facto uma interpretação com base no conhecimento dos falantes, das formulações explícitas realizadas pelos antepassados, adoptadas pelos seus contemporâneos e transpostas para a memória colectiva dos falantes. Por esta razão, não se pode separar o presente dos factos sincrónicos da diacronicidade dos factos históricos, onde o nosso discurso actualiza na fala a língua dos outros. Um outro aspecto deste princípio é interpretar humanamente os factos históricos, de nos interrogarmos sobre qual seria a nossa reacção perante as mesmas condições e quais as explicações que daríamos para uma ou outra atitude.

“Interrogamo-nos a nós próprios na medida em que, na base da alteridade fundamental

do homem, somos capazes de assumir a personalidade, a maneira de pensar dos outros, mesmo nos tempos totalmente diferentes e longe do nosso tempo.”531

529 “Trebuie să admitem o unitate permanentă între teorie şi studiul empiric. [...] Nu există nici o teorie

independentă sau anterioară faptelor, anterioară studiului empiric, fiindcă teoria însăşi este cunoaşterea universalului în fapte.” Ibidem.

530 “Susţinem deopotrivă acest caracter hermeneutic sau această proprietate hermeneutică a ştiinţelor

culturii. Ştiinţele culturii sunt întotdeauna ştiinţe care interpretează, în toate sensurile.” Ibidem.

531 “Deci, în realitate, ne întrebăm totdeauna pe noi înşine, în măsura în care suntem capabili să

asumăm, pe baza alterităţii fundamentale a omului, să asumăm personalitatea, modul de a gândi al altora, chiar în timpuri cu totul diferite şi îndepărtate de timpul nostru.” Ibidem, p. 15.

O homem nunca pode fazer abstracção dele próprio na vida real. Coseriu opera uma distinção entre a “objectividade externa” e a “objectividade real”. Denomina “objectividade externa” a que se encontra na linguagem comum, tomando-se como ponto de referência a existência dos objectos de estudo em si, considerada por outros como aquela que daria mais garantias de objectividade para a ciência.

“Na realidade, a objectividade externa, ou a explicação através das causas que não

têm nada a ver com a liberdade e com o mundo da liberdade, não só não explica nada, nem mesmo levanta o problema.”532

Coseriu considera a “objectividade real” como a “única possível nas ciências humanas” onde o objecto de estudo e o sujeito investigador é o homem.

“Alguém que levanta o problema pelo menos do ponto de vista da finalidade dos actos

humanos pode dar, sem dúvida, também soluções erradas, mas, pelo menos, levantou na realidade um problema, enquanto os outros nem sequer levantaram o problema, embora aparentemente o propusessem.”533

Tendo em vista a linguagem como o fundamento e ciência originária, o conhecimento originário e certo, desde sempre os homens colocaram as mesmas perguntas sobre as mesmas realidades, os mesmos objectos e, admitindo que os homens foram sempre inteligentes e colocaram os problemas duma maneira genuína, surge o terceiro princípio numa relação lógica dedutiva da objectividade assumida pelo homem e sedimentada culturalmente.