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Mitochondrial genome assembly and analysis 159

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2. Mitochondrial genome assembly and analysis 159

O entendimento das redes e sua análise via estruturalismo apresentam distorções em relação à compreensão e extensão do fenômeno, principalmente por causa da lógica binária que impera. Portanto, necessário se faz recorrer à noção de rizoma discutida por Deleuze (1995).

Primordialmente, rizoma é um termo da botânica que indica "caule subterrâneo no todo ou em parte e de crescimento horizontal" e evidencia também o estágio posterior à "forma de raiz" (Michaelis, 1998, p.1850). Nesse sentido e para além dele, Deleuze trabalha

inicialmente no desenvolvimento de um argumento tendo com perspectiva o EU que se

transforma em NÓS em função de termos sido "ajudados, aspirados, multiplicados"

(DELEUZE, 1995, p.11), não ocorrendo então, uma distinção entre um e outro, diferentemente da situação da árvore ou raiz como um "UNO que se torna dois e depois dois

que se tornam quatro".

Por isso, Deleuze compreende que a raiz pivotante12 não contempla a multiplicidade além do que é alcançado pela raiz dicotômica e, conseqüentemente, a lógica binária e as relações biunívocas ainda dominam a psicanálise, a lingüística e o estruturalismo, e até a informática. Eis que um sistema poderia ser chamado de rizoma, pelo fato de a haste subterrânea diferir-se completamente das raízes e radículas, daí os bulbos, os tubérculos serem rizomas, assim como as tocas o são, funcionando como habitat, provisionamento, deslocamento, evasão e ruptura. O rizoma adquire diversas formas, da extensão superficial ramificada em todos os sentidos até suas concreções em bulbos e tubérculos. E para entender melhor o rizoma, Deleuze evidenciou as suas características aproximativas13.

PRIMEIRO E SEGUNDO - princípios de conexão e de heterogeneidade: qualquer ponto de um rizoma pode ser conectado a qualquer outro e deve sê-lo. É muito diferente da árvore ou da raiz que fixam um ponto, uma ordem. Num rizoma, cada traço não remete necessariamente a um traço lingüístico: cadeias semióticas de toda natureza são aí conectadas a modos de codificação muito diversos, cadeias biológicas, políticas, econômicas, etc., colocando em jogo não somente regimes de signos diferentes, mas também estatutos de estados de coisas. Por exemplo, a língua é "uma realidade essencialmente heterogênea", representando o seguinte: um método do tipo rizoma é obrigado a analisar a linguagem, efetuando um descentramento sobre outras dimensões e outros registros; então, pode-se

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PIVOTANTE refere-se à "raiz que é prolongamento direto do caule; que é a principal , ou mestra da planta" (Michaelis, 1998, p.1634).

afirmar que uma língua não se fecha sobre si mesma a não ser em função de impotência, incapacidade.

TERCEIRO - princípio da multiplicidade: é somente quando o múltiplo é efetivamente tratado como substantivo, multiplicidade, que ele não tem mais nenhuma relação com o uno como sujeito ou como objeto, como realidade natural ou espiritual, como imagem e mundo. As multiplicidades são rizomáticas e denunciam as pseudomultiplicidades arborescentes. Uma multiplicidade não tem sujeito nem objeto, mas somente determinações, grandezas, dimensões que não podem crescer sem que mude de natureza. Neste caso, pode-se exemplificar com os fios da marionete, considerados como rizoma ou multiplicidade: não remetem à vontade supostamente una de um artista ou de um operador, mas à multiplicidade das fibras nervosas que formam, por sua vez, uma outra marionete seguindo outras dimensões conectadas às primeiras. É o retorno que modifica o artista e em resposta apresenta novas conexões. Por isso, uma apresentação nunca é igual a outras, há mutabilidade, multiplicidade e interação ambiental. Diferentemente de uma árvore, uma raiz ou uma estrutura, um rizoma não possui pontos ou posições; ele apresenta apenas linhas porque esses pontos estão em constante movimento, sendo mais importante o traçado do que a forma. Porém um rizoma, ou multiplicidade, nunca se permite decodificar, nem apresenta dimensão suplementar à multiplicidade de números ligados a estas linhas, uma vez que as multiplicidades se definem pelo fora: pela linha abstrata, linha de fuga ou de desterritorialização segundo a qual elas mudam de natureza ao se conectarem a outras linhas.

QUARTO - princípio da ruptura a-significante: ao contrário dos cortes demasiado significantes que separam ou atravessam uma estrutura, um rizoma pode ser rompido, quebrado em um lugar qualquer e ainda retoma segundo uma ou outra de suas linhas e segundo outras linhas, porque todo rizoma compreende linhas de segmentaridade a partir das quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc, mas

compreende também linhas de desterritorialização pelas quais foge sem parar. Há ruptura num rizoma sempre que linhas de segmentaridade explodem numa linha de fuga, mas há de notar-se que a linha de fuga faz parte do rizoma. Traçam-se linhas de fuga, mas corre-se o risco de reencontrar nelas organizações que reestratificam o conjunto, formações que dão o poder a um significante, atribuições que reconstituem um sujeito, ou seja, dentro do próprio

ethos está a linha de fuga que, após constituir-se, depara-se com algo que a colocará como uma das outras linhas do rizoma. O bem e o mal são somente o produto de uma seleção ativa e temporária a ser recomeçada. Isso Deleuze exemplificou com a vespa e a orquídea que fazem rizoma em sua heterogeneidade, podendo-se afirmar que a orquídea imita a vespa cuja imagem se produz de maneira significante, compondo a desterritorialização e reterritorialização em eternos devires por irem cada vez mais longe, deconstruindo e reconstruindo, decompondo e recompondo. Assim, a rede pode também prolongar-se infinitamente por uma constante deconstrução e reconstrução de si mesma. Então, a liderança desse contexto deverá alertar-se para isso, pois exige-se do líder uma eterna recomposição da sua forma de pensar para conseguir conduzir essa rede que se recompõe constantemente.

Segundo Deleuze (1995), o rizoma é antigenealogia14 porque as comunicações transversais entre linhas diferenciadas embaralham as árvores genealógicas, sendo o mesmo com o livro que não é imagem do mundo segundo uma crença enraizada, pelo fato de ele fazer rizoma com o mundo, havendo uma evolução a-paralela do livro e do mundo: o livro assegura desterritorialização do mundo , mas o mundo opera uma reterritorialização do livro, que se desterritorializa por sua vez em si mesmo no mundo. Então o mimetismo é um conceito ruim, por depender de uma lógica binária, para fenômenos de naturezas inteiramente

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GENEALOGIA: "Estudo da ascendência e relações familiares, especialmente nas linhagens nobres; série de progenitores e ascendentes de cada indivíduo; linhagem, estirpe; origem, procedência" (MICHAELIS, 1998, p.1024). "Uma declaração (escrita ou não) da ascendência reconhecida de uma pessoa ou de um grupo. O consenso atual é que as genealogias (especialmente as não escritas) nem sempre são declarações historicamente exatas, mas podem ser modificadas a fim de fornecerem ajuda e validade para os efetivos relacionamentos entre as pessoas que nelas figuram. Na maioria das sociedades, um conhecimento das genealogias é essencial para o entendimento dos sistemas de parentesco" (SILVA, 1987, p.512).

diferentes. A transposição para o nosso objeto de estudo, a liderança, nos diz que o líder ocidental também tem o seu devir-mundo, o que possivelmente deveria levá-lo a buscar uma forma de ser imperceptível, construindo por outras vias uma liderança de caráter mais humanístico e menos programada, porém a necessidade de reconhecimento, conforme veremos no próximo capítulo, impede a construção dessa proposta.

QUINTO - princípio da cartografia: um rizoma não pode ser justificado por nenhum modelo estrutural ou gerativo. Ele é estranho a qualquer idéia de eixo genético ou de estrutura profunda que é como uma seqüência de base decomponível em constituintes imediatos, transformacional e subjetiva.

SEXTO - princípio da decalcomania: consiste em decalcar algo que se dá feito, a partir de uma estrutura que se sobrecodifica ou de um eixo que a sustenta. A árvore articula e hierarquiza os decalques, os decalques são como folhas da árvore.

Deleuze afirma que o rizoma é diferente, é mapa e não, decalque, exemplificando com a orquídea que não reproduz o decalque da vespa, ela compõe um mapa com a vespa no seio de um rizoma. Entretanto, se o mapa se opõe ao decalque é por estar inteiramente voltado para uma experimentação ancorada no real. O mapa não reproduz um inconsciente fechado sobre ele mesmo, ele o constrói. Pode-se caracterizar o mapa como aberto, conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente, podendo ser rasgado, revertido, adaptado a montagens de qualquer natureza, ser preparado por um indivíduo, um grupo, uma formação social. Assim, especulamos que esse possa ser um dos caminhos para as redes de organizações, pela possibilidade de ter sempre múltiplas entradas, assim como a toca animal, segundo Deleuze, comporta muitas vezes uma nítida distinção entre linha de fuga, como corredor de deslocamento, e os estratos de reserva ou de habitação, daí que a necessidade da rede de sempre buscar relações e configurações que extrapolem o esperado, e que saibam aproveitar-se disso. Por esta razão,

Deleuze entendeu que a memória curta compreende o esquecimento como processo; ela não está articulada com o instante, mas com o rizoma coletivo, temporal e nervoso. Já a memória longa (família, raça, sociedade ou civilização) decalca e traduz, porém o que ela traduz continua a agir nela de forma intempestiva e instantânea, independente da distância e do contratempo. E assim Deleuze sintetiza o rizoma:

Um rizoma diferentemente das árvores ou de suas raízes, conecta um ponto qualquer a outro ponto qualquer e cada um de seus traços não remete necessariamente a traços de mesma natureza; o rizoma não se deixa reconduzir nem ao Uno nem ao múltiplo. Ele não é o Uno que se torna dois, nem mesmo que se tornaria diretamente três, quatro ou cinco etc. Ele não é um múltiplo que deriva do Uno, nem ao qual o Uno se acrescentaria. Ele não é feito de unidades, mas de dimensões, ou antes de direções movediças. Ele não tem começo nem fim, mas sempre um meio pelo qual ele cresce e transborda. Ele constitui multiplicidades lineares a n dimensões, sem sujeito nem objeto, exibíveis num plano de consistência e do qual o Uno é sempre subtraído. Oposto a uma estrutura, que se define por um conjunto de pontos e posições, por correlações binárias entre estes pontos e relações biunívocas entre estas posições, o rizoma é feito somente de linhas: linhas de segmentaridade, de estratificação, como dimensões, mas também de fuga ou de desterritorialização como dimensão máxima segundo a qual, em seguindo-a, a multiplicidade se metamorfoseia, mudando de natureza. O rizoma é antigenealogia . É uma memória curta ou uma antimemória. O rizoma procede por variação, expansão, conquista, captura, picada. O oposto ao grafismo, ao desenho ou à fotografia, oposto aos decalques, o rizoma se refere a um mapa que deve ser produzido, construído, sempre desmontado, conectável, reversível, modificável, com múltiplas entradas e saídas, com suas linhas de fuga. O rizoma é uma sistema a-centrado não hierárquico e não significante, sem General, sem memória organizadora ou autômato central, unicamente definido por uma circulação de estados. Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo "ser", mas o rizoma tem como tecido a conjunção "e... e... e...." Há nessa conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo ser. Reverter a ontologia, destituir o fundamento, anular o fim e começo. Elas souberam fazer uma pragmática. É que o meio não é uma média; ao contrário, é o lugar onde as coisas adquirem velocidade (DELEUZE, 1995, p.32,33 e 37).

Em relação aos sistemas centrados, Deleuze se opõe com sistemas a-centrados, uma rede de autômatos finitos, nos quais a comunicação se faz de um vizinho a um vizinho qualquer, em que as hastes ou canais não preexistem, nos quais os indivíduos são todos intercambiáveis e se definem, se configuram somente por um estado em um dado momento, de tal maneira que as operações e ações locais se coordenam, e o resultado final global se sincroniza independentemente de uma entidade central. Essa é a nossa expectativa em relação

às redes de organizações, que elas alcancem um estado de independência e interdependência, no sentido de se tornarem modelos a-centrados.

Essa proposição coloca em questionamento a análise epistemológica das redes apenas pelo estruturalismo, visto que este modelo apresenta dificuldades metodológicas na compreensão de arranjos processados no contexto de cada rede. Apesar disso, não se pode desprezar a forte contribuição do estruturalismo nas ciências humanas e sociais.

Ao abordarmos a noção de rizoma, elaborada por Deleuze, identificamos a quantidade e gravidade dos equívocos cometidos na caracterização, tipificação e objetivação das redes, sejam elas organizacionais ou não. De tais equívocos decorrem visões e resultados distorcidos, em função da análise construída em bases não tão sólidas, pois o estruturalismo15, assim como outras propostas epistemológicas, eivado de uma ideologia contestadora dos movimentos surrealista e existencialista, carregou na tinta acerca do modo negativista de ver o mundo, apropriando-se e atribuindo ao termo estrutura, anterior a ele, um caráter filosófico de conseqüências severas ao método decorrente. E ancoradas nessa situação, conscientes ou não, diversas análises de redes apresentam, principalmente na contemporaneidade, enormes distorções em relação ao conceito original, bem como às realidades contextualizadas em cada uma delas. Inevitável afirmar a promiscuidade do uso do termo, assim como ocorre com tantos outros, ocasionando uma destruição de um objeto rico em usos próprios e com resultados alentadores. Para isso, contribui uma observação de Deleuze de que

não existe capitalismo universal e, em si, o capitalismo existe no cruzamento de toda sorte de formações, ele é sempre por natureza neocapitalismo, ele inventa para o pior sua face de oriente e de ocidente, além de seu remanejamento dos dois (DELEUZE, 1995, p.31).

15 Segundo Silva (1986, p.430) o estruturalismo nasceu com uma posição globalizante, segundo a qual: a) os fatos sociais são realidades independentes de outros planos da existência humana; b) os fatos sociais são solidários e não podem ser estudados individualmente, como fenômenos isolados; mas c) devem ser analisados a partir de uma totalidade, como um sistema; e d) os fatos sociais devem ser vistos em suas relações uns com os outros.

A articulação entre redes, rizoma e liderança pode evidenciar, pelo rizoma, as dificuldades para um entendimento aproximado da liderança, utilizando-se apenas do funcionalismo, mesmo que tenha considerado as mediações como elementos relevantes no estudo das inter-relações. Mas não é possível privilegiá-lo nem descartá-lo, e sim, resgatar aproximações de teor interpretativo e dialético.

Esta construção sobre rizoma pode surgir como proposta metodológica para o estudo da liderança, uma vez que a literatura tradicional funcionalista, até o momento, apresenta problemas por sustentar-se e concentrar-se apenas no âmbito comportamental, apresentando disfunções que não auxiliam na real conceituação da liderança, pois estão relacionadas apenas ao sentido tipológico e não elucidativo. Logo, as organizações se deparam com indivíduos que exercem ou tentam exercer a liderança seguindo categorizações elaboradas a partir dos resultados de observações pós-facto nas diversas pesquisas sobre o assunto, visto que referem- se sempre a fatos ocorridos. Outras disfunções surgem na abordagem, na tipificação e nas características do líder, implicando a construção de uma imagem distorcida desse personagem e da liderança. Objetivamente é uma literatura orientada para o espírito competitivo e excludente.

Poderíamos partir para o “humanismo radical”, visando ressaltar o ser-humano no líder, retirando-lhe esse desejo de tornar-se um Deus, quando recorre à imortalidade, pois todos os outros indivíduos subordinados são considerados simples mortais disponíveis para a realização do líder, tido como imortal. Nesse momento, costuma-se recuperar a metáfora da organização das formigas, das abelhas ou dos cupins para justificar o reino dos homens, só que estes não admitem a morte ou serem mortos. Trata-se de um desafio que se confronta à ontogênese e à filogênese. Com isso pontua-se e provoca-se uma discussão na direção de desenvolver uma perspectiva que contribua para o aprimoramento da literatura sobre liderança, trazendo novas evidências - como têm tentado outros autores, no sentido de

enxergar mais nitidamente aquilo que está manifesto, interconectando-o a outros fatores influenciadores e influenciados.

O que buscamos com esse capítulo foi: primeiro refletir sobre a importância e o impacto das racionalidades no contexto das organizações e das redes organizacionais, refletindo que essas racionalidades decorrem de escolhas feitas pelos líderes, se for o caso, ou pelos seus membros em coletivo. Discutir as racionalidades, implica dizer que não é possível analisar as redes organizacionais como um bloco monolítico, sem fragmentações, e que isso requer uma abordagem metodológica mais alargada. Segundo, visamos apresentar o rizoma como uma outra forma de analisar as redes organizacionais, uma outra metodologia que se amplia pela própria necessidade das redes de serem estudadas com um outro olhar, o que possibilita elaborar novos conceitos sobre as redes organizacioais e consequentemente sobre a liderança, cujos conceitos também são vítimas das limitações metodológicas.