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Um aspecto importante do projeto de ensino de estratégias com os alunos era a possibilidade de se acompanhar seu andamento e sua eficácia, e avaliar os resultados do trabalho, perguntando diretamente a eles, os alunos, sobre os impactos, mudanças e resultados causados. À escola cabia então buscar um instrumento adequado para esse fim.

40 Cf. Anexo B 41

A pouca intimidade com a linguagem escrita que alguns alunos manifestam em sala de aula descartou o uso de diários ou questionários de perguntas abertas, pois poderia causar resistência ou desconforto aos alunos, prejudicando a coleta.

As restrições de tempo e o risco de dispersão dos alunos impossibilitaram o uso de entrevistas.

A observação de aula, usualmente feita pela coordenadora, também não foi considerada uma opção totalmente isenta, uma vez que a presença da coordenação poderia alterar a atuação de alunos e professores, e o ponto de vista relatado seria o da observadora e não o do aprendiz, que era o que mais interessava à escola e aos professores.

Por essa razão, optou-se por fazer um questionário com algumas perguntas de múltipla escolha e algumas poucas perguntas abertas. Ao se elaborar os questionários, sabia-se que eles precisariam de alguma forma investigar as hipóteses geradoras do projeto e levantadas pela escola. As questões principais eram:

 Ser exposto ao ensino de estratégias proposto pelo projeto da escola ajuda o aluno a tomar consciência de seu papel de aluno? Se positivo, em quê?

 Diante das atividades sugeridas pelo projeto, os alunos passam a lançar mão das estratégias com maior freqüência?

 Há alguma alteração na auto-avaliação que fazem de seu desempenho em relação ao grupo? Se positivo, qual/quais?

Nas perguntas de múltipla escolha concentrar-se-iam as informações sobre hábitos (perguntas 7 do pré-questionário e 4 do pós-questionário) e gostos (pergunta 8 do pré- questionário e 5 do pós-questionário) dos alunos no que diz respeito às estratégias para estudar Inglês42. Outro fator importante a ser investigado era a possível alteração na auto- avaliação do aluno do pré para o pós-questionário43 (pergunta 5 do pré-questionário e 3 do pós-questionário).

Dessa forma, mantendo-se algumas perguntas comuns entre os dois questionários seria possível averiguar as mudanças que poderiam indicar a validade ou não do projeto de ensino de estratégias.

Oxford propõe o Strategy Inventory for Language Learning 44 (SILL) (1990, p.294). Este questionário, que deve ser respondido pelo aprendiz de idiomas, tem o objetivo de traçar seu perfil por meio das respostas que ele apresenta sobre questões relacionadas aos seus

42 Cf. Anexo D perguntas 7 e 8, Anexo E perguntas 4 e 5. 43 Cf. Anexo D pergunta 6, Anexo E pergunta 3.

hábitos de estudo, ações que adota em casos de impasse e como administra seus sentimentos enquanto está aprendendo. São frases às quais o aluno deve responder em uma escala de 1 a 5, sendo 1 equivalente à „nunca verdadeiro para mim‟ e 5 „sempre verdadeiro para mim‟. Essas frases descrevem „ações pontuais‟ que esmiúçam para o aluno, de forma didática, praticamente todas as estratégias apresentadas pela autora.

Para a elaboração das perguntas 7 e 8 do pré-questionário e das perguntas 4 e 5 do pós- questionário, a lista que Oxford (1990) propõe foi adaptada levando em consideração as ações pontuais referentes às duas macro-estratégias escolhidas para o projeto.

Segue a lista de atividades agrupadas em cada uma das macro-estratégias e a indicação, entre parênteses, do item a que se referem em ambos os questionários45. Vale lembrar que as atividades listadas não estão redigidas sempre dessa maneira nos questionários, pois dependem do tipo de pergunta feita.

Enxergando o todo e suas relações (ETSR) Praticando com naturalidade (PN)  Classificar o que aprende (listar o que é

vocabulário, gramática, etc.) (item a)  Relacionar as coisas novas que aprende

com aquelas que já conhece. (item b)  Lembrar-se das coisas novas usando

associações mentais com o Português. (item c)

 Fazer seus próprios exemplos para aquilo que aprende e fazer testes consigo mesmo. (item e)

 Fazer resumos e/ou esquemas do material que estuda. (item f)

 Em silêncio e mentalmente, repetir as coisas novas que aprende (item i)

 Aprender a cultura das pessoas e dos países de Língua Inglesa. (item n)

 Usar uma palavra ou frase que signifique a mesma coisa quando não consegue lembrar uma palavra em Inglês (item d)  Adivinhar o que não conhece usando

dicas que lhe ajudem a entender melhor o que ouve ou lê em Inglês (item g)

 Evitar a tradução de cada palavra. (item h no pré-q) / Tentar usar mais o Inglês que o Português nas situações de aprendizado. (item h no pós-q)

 Procurar oportunidades para usar o seu Inglês. (item j)

 Praticar o que aprende com um colega ou um falante nativo. (item k)

 Pedir que a outra pessoa fale mais devagar ou repita se não compreender algo em Inglês. (item l)

 Encorajar-se a falar Inglês, mesmo que esteja com receio de cometer um erro. (item m)

Quadro 1 - Lista de ações estratégicas compreendidas em cada macro-estratégia proposta no projeto

45

É importante ressaltar que, durante a aplicação do pré-questionário e sua tabulação, notou-se que a redação do item h, sobre o uso da tradução, causou ambigüidade de interpretação aos alunos e foi mudada para a ocasião do pós questionário.46

A mesma divisão do quadro 1 foi considerada para efeito da tabulação de dados, agrupando as ações pontuais nas duas macro-estratégias estabelecidas pelo projeto.

Os questionários tinham o objetivo de investigar dentre as atividades que seriam propostas, quais eram aquelas que os alunos já usavam e de quais eles gostavam. Essas atividades mostrariam seus hábitos de estudo e, ao mesmo tempo, indicariam aquilo que eles não fazem ou não gostam de fazer.

A hipótese da escola era a de que essas atividades poderiam ser voluntariamente deixadas de lado pelos alunos por vários fatores, entre eles, o desconhecimento, a falta de hábito ou a crença de que fossem ineficientes ou desagradáveis. Talvez, com o projeto, ao realizarem determinadas atividades com seus professores em sala de aula, essas percepções dos alunos pudessem ser alteradas.

Além disso, no pré-questionário foi também perguntado sobre a motivação e os sentimentos que tinham ao estudar o idioma.47

O pós-questionário, em perguntas abertas, indagava também sobre o conceito que os alunos têm do que é saber Inglês e sobre sua satisfação em estar aprendendo.48

Os questionários foram prioritariamente elaborados como forma de compreender o aprendiz em suas atitudes práticas em relação ao seu aprendizado e serviriam, em primeira instância para a escola, como ferramenta de conhecimento e feedback para adequar as ações em sala de aula. Além disso, a escola pretendia obter inspiração e direção para suas próximas ações não só por meio dos questionários respondidos, mas também a partir da manifestação dos alunos durante o projeto, que seria observada e reportada pelos professores em reunião.

Como já foi mencionado, apenas em um segundo momento, os questionários tornaram-se corpus de análise para esta pesquisa.

46 Cf. Item h é redigido diferentemente no Anexo D perguntas 7 e 8 e no Anexo E perguntas 4 e 5. 47 Cf. Anexo D, perguntas 4, 9, 10 e 11.

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