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3.3 Synet på konfliktene i Midtøsten

3.3.4 Mislykket kursendring?

A rotina diária não é apenas uma mais-valia para as crianças, mas também para os adultos, na medida em que os ajuda a organizar o seu tempo com as crianças. Desta forma, os adultos sentem-se livres, uma vez que não têm que gerir as crianças e as suas ações.

A compreensão da rotina diária implementada no jardim de infância revela-se um grande desafio no que concerne à nossa prática. No decorrer da prática, compreendemos que “através de uma rotina comum, focalizada em volta de oportunidades para aprendizagem activa, as crianças e os adultos constroem o sentido de comunidade” (Hohmann, & Weikart, 2011, p8). Além disso, a rotina diária permite que a criança organize o seu tempo para que seja possível fazer as suas escolhas, seguir e expandir os seus próprios interesses e resolver os seus problemas. A forma como está organizada, possibilita que a criança planeie as suas ações ao longo do dia proporcionando-lhe tempo para expressar os seus objetivos e intenções. Além disto, a rotina ajuda a criança a sentir-se segura e autónoma, permitindo compreender a sequência temporal e antecipar os acontecimentos. A rotina diária, presente no modelo High/Scope,

apoia os acontecimentos diários nos contextos de pré-escolaridade. Fornece uma contextualização educacional e social apoiante que é uma alternativa apropriada, quer à estrutura rígida, quer à actividade ao acaso. É uma sequência regular de acontecimentos que define, de forma flexível, o uso do espaço e a forma como adultos e crianças interagem durante o tempo em que estão juntas (Hohmann, & Weikart, 2011, p.226).

A rotina diária da sala de atividades onde desenvolvemos a nossa PES estava organizada de forma estruturada de acordo com os interesses e as necessidades das crianças. Esta rotina englobava momentos de grande grupo, pequeno grupo e do trabalho auto- iniciado, sendo que esta ordem de trabalhado não era fixa, sendo flexível, uma vez que podia ser alterada de acordo com os interesses das crianças. No quadro seguinte ilustramos a rotina diária pela qual se regia a sala de atividades.

Quadro 1. Rotina Diária

PERÍODO DA MANHÃ PERÍODO DA TARDE

09:00 Tempo de trabalho auto-iniciado 14:00 Tempo de planear

09:35 Tempo de arrumar 14:15 Tempo de trabalho auto-iniciado 09:45 Tempo de grande grupo 15:15 Tempo de arrumar

10:00 Lanche / Higiene 15:25 Tempo de rever 10:15 Tempo de pequeno grupo3 15:35 Higiene

11:15 Tempo de arrumar 15:45 Lanche / Higiene 11:20 Tempo de grande grupo 16:30 Recreio

11:35 Higiene

11:45 Almoço / Higiene

12:15 Tempo de descanso (3 anos) Higiene oral (4 e 5 anos)

De forma a existir uma melhor organização do trabalho em pequeno grupo, existia na sala, afixadas na parede 4 listas. Estas estavam organizadas por cores e dias da semana. A segunda-feira (Cor-de-Rosa) contemplava o grupo dos 3 anos; as terças e quartas-feiras (Verde/Amarelo) contemplavam o grupo dos 4 anos e, por fim, a quinta-feira (Azul) contemplava o grupo dos 5 anos.

No 1.º CEB notava-se que a gestão do tempo era bem visível e era uma dimensão pedagógica muito importante, uma vez que era essencial que fossem trabalhadas as diferentes componentes do currículo, tal como se pode observar no quadro seguinte que retrata como essas mesmas componentes estavam distribuídas ao longo do dia e da semana. Quadro 2. Horário do grupo/turma do 1.º CEB (MO5)

Tempos Segunda Terça Quarta Quinta Sexta

09:00 – 9:30

Estudo Meio Matemática Português Português Matemática

9:30 – 10:00 10:00 – 10:30

10:30 – 11:00 Intervalo

11:00 – 11:30

Português Português Matemática Apoio ao Estudo Matemática

11:30 – 12:00 Estudo Meio Português

12:00 – 12:30

12:30 – 14:00 Almoço

14:00 – 14:30 Matemática Estudo Meio Estudo do Meio Matemática

3 As restantes crianças planeavam o seu trabalho nas diferentes áreas – nos dias seguintes essas crianças realizavam outro

14:30 – 15:00 Expressões Artísticas e Físico-Motoras 15:00 – 15:30 Ensino do

Inglês Educação Moral e Religiosa

Educação

Musical Apoio ao Estudo

15:30 – 16:00 16:00 – 16:30 Intervalo 16:30 – 17:00 Atividade Física e Desportiva Reforço da

Aprendizagem Expressões Artísticas e Físico-Motoras Expressões Artísticas e Físico- Motoras Formação Cívica e Cidadania 17:00 – 17:30

Como podemos constatar através dos dados expressos no quadro, no período da manhã, as aulas começavam às 09:00 e prolongavam-se até às 12:30, sendo que entre o período das 10:30 às 11:00 as crianças usufruíam do intervalo, um tempo destinado ao lanche e ao brincar. Quando as condições climatéricas o permitiam, as crianças podiam dirigir-se ao exterior e assim usufruir dos espaços exteriores. Após o almoço, as crianças tinham também a oportunidade de utilizar estes espaços. O período da tarde iniciava-se às 14:00 e terminava às 17:30.

No Decreto-Lei n.º 91/2013 de 10 de julho é possível verificar que os agrupamentos têm a possibilidade de tomada de decisões no que concerne à organização do Apoio ao Estudo e da Oferta Complementar, bem como a gestão dos tempos a lecionar. Deste modo, o Inglês e o Apoio ao Estudo existiam na instituição e eram lecionados por outros professores, em coadjuvação com o professor titular da turma. O horário nem sempre foi seguido tal como se encontra no quadro. Logo no início do estágio, foi algo que ficou acordado com a professora titular. Desde que fossem dadas todas as áreas que estavam presentes no horário escolar, podíamos gerir o tempo como quiséssemos. A forma como estava organizado o horário, compartimentado por disciplinas onde estavam definidos tempos para cada uma das áreas, dificultava a realização de experiências de ensino/aprendizagem integradoras. Este foi um dos maiores obstáculos com que nos deparamos ao longo da PES, pois não foi fácil estabelecer uma ligação entre as diferentes componentes do currículo, uma vez que muitos dos conteúdos trabalhados não tinham qualquer ligação. Neste sentido, concordamos com Mesquita (2011) que, ao sustentar-se em Formosinho, afirma que o “sistema educativo português mantém vincado um formato que no seu plano organizacional é considerado como burocrático e serve esse processo através de um currículo uniforme pronto-a-vestir” (p.25). Desta forma, colocar em prática algo inovador, que fuja à norma, à lógica da conformidade, é visto com alguma renitência e resistência e, assim, surgem as dificuldades em inovar em contexto.