SHORT SUMMARY
8. SFO som en inkluderende og integrerende arena
8.1 Minoritetsspråklige barn
Quando indagadas sobre qual era o público alvo de atuação da equipe na escola, seis das participantes responderam que o trabalho deveria ser abrangente e corresponder ao todo da escola, não se restringindo apenas a um segmento, embora a pedagoga relate que a maior parte de sua atuação era dirigida aos atendimentos individuais ou de pequenos grupos.
Eu acredito que a gente precisa trabalhar como um todo, não adianta eu trabalhar só com professor e só com aluno. Eu procuro sempre estar muito próxima da gestão, principalmente da coordenadora da escola, porque é ela quem vai estar ali no dia a dia
orientando as professoras, revendo as práticas, então eu acho que a gente precisa estar com o discurso bem afinado para que a gente fale a mesma língua. E eu também acredito que as outras pessoas que trabalham na escola como as funcionárias, a merendeira, as meninas que fazem a limpeza, todas são parte de uma grande engrenagem e se todo mundo não funcionar junto essa engrenagem não vai para frente (EIPsico1).
Com o público total da escola. Até mesmo porque quando eu trabalho com o professor eu estou fazendo um trabalho de reflexão, de pensar sobre, porque no próximo ano ele pode não estar naquela escola, ele pode não ter um aluno deficiente nesse ano, mas no próximo ele pode. Então o promover a saúde é dar autonomia e capacidade para que ele consiga realizar as atividades mesmo que eu não esteja na escola (EIFono2). Não fico restrita a nenhum público específico. Trabalho com a gestão, com os professores, com os pais e quando necessário com os alunos em sala de aula. Não tenho um público específico, depende da necessidade da escola (EIPsico2).
Essa posição é coerente com a perspectiva proposta pelos Conselhos Regionais e Federais que regulamentam a atuação de especialistas dentro das escolas. O trabalho dessas equipes deve ser compreendido dentro de um contexto amplo, de coletividade e sem individualizações, caracterizado pelo olhar sobre o contexto e sobre as práticas que permeiam esse espaço.
No entanto, foi observado que o setor da Pedagogia, embora inserido na equipe multiprofissional, tinha sua atuação ainda dirigida aos atendimentos individuais ou em pequenos grupos, conforme orientava a proposta da SME “crianças, no meu caso de Pedagoga, crianças com dificuldades de aprendizagem” (EIPed).
Assim, alunos do PAEE eram atendidos nas SRM, os alunos com dificuldades acentuadas de aprendizagem pela pedagoga e os alunos com defasagens no conteúdo curricular eram contemplados pelo reforço escolar. Todos os alunos eram atendidos, preferencialmente, no contraturno escolar, de duas a três vezes na semana, em pequenos grupos ou individualmente. Justificou-se que o atendimento educacional mais individualizado, com profissional especialista, contribuiria com o avanço na aprendizagem da leitura e escrita dos alunos, diminuindo suas dificuldades específicas.
Faço atendimentos com os alunos que não estão alfabetizados, preferencialmente os que estão no 2º e 3º anos. Mas, às vezes, atendo também alunos do 4º ano, mas o projeto prioriza o ciclo de alfabetização. Proponho atividades mais específicas na minha sala e quando esse aluno atingiu o que é esperado para o ano que frequenta, ou quando se alfabetiza, dou alta e a professora continua o trabalho na sala de aula. Assim, incluo outro aluno que está precisando. Mas é difícil acontecer de dar alta, um ou outro, os alunos apresentam muitas dificuldades (EIPed).
Essas diferentes propostas de trabalho dentro da mesma equipe permitiram identificar que coexistiam duas abordagens de trabalho: uma abordagem tentando desenvolver
um trabalho institucional, voltado ao professor e suas práticas e a outra abordagem com foco no aluno, em atendimentos diretos com a perspectiva de “dar alta” aos mesmos. O entendimento sugere que as compreensões existentes nessas propostas consideram as duas abordagens e que questões voltadas ao processo de leitura e escrita devem ser trabalhadas individualmente, fora da sala de aula.
No Brasil a proposta de atender o aluno, em serviços paralelos aos da sala de aula, está contida na PNEEPEI ao adotar do modelo de SRM para o AEE do PAEE. Nesse modelo o aluno é retirado da sala de aula ou retorna no contraturno do período da sala de aula regular e recebe atendimentos complementares a sua escolarização, individualmente ou em pequenos grupos, com especialistas em Educação Especial, que tem como função, minimizar as desvantagens escolares que esses alunos possam apresentar, na tentativa de melhorar o aluno para que ele se enquadre nos padrões da sala de aula e do ano em que está matriculado.
É uma prática que merece ser refletida para que, primeiramente, o aluno não seja o único responsabilizado pelas suas dificuldades, em segundo, para que não recaia exclusivamente sobre o especialista a responsabilidade pela aprendizagem desses alunos e em terceiro, cabe analisar a real potencialidade que ações isoladas, meramente remediativas, exercem sobre as mudanças necessárias nas práticas em sala de aula e na escola.
Nesse sentido, faz-se necessário "o entendimento do lócus" da escola como lugar coletivo de aprendizagem para muito além da concepção de saúde, como não doença, mas como qualidade nas relações, nas aprendizagens, no ensino ofertado, enfim, na Educação para Todos (SÃO PAULO, 2010a, p. 63).
Defende-se aqui que todos os alunos têm direito aos atendimentos que necessitarem, não descartando a importância do atendimento clínico e dos atendimentos individuais para o desenvolvimento e para a qualidade de vida das pessoas. Entretanto, é preciso cuidado ao se priorizar esses atendimentos na escola, para que, o uso dessa prática não reforce a concepção de que ao atender os alunos individualmente, suas necessidades escolares serão sanadas, como se o aluno precisasse ser "tratado, reabilitado e capacitado para se adaptar a sociedade como ela é" (PICOLLO, 2011, p. 73) e, nesse caso, adaptar-se à sala de aula, como se ela e a escola não precisassem mudar.
Concluindo, foi possível identificar na proposta de trabalho dos profissionais a coexistência de duas abordagens de trabalho: uma focada no aluno, na tentativa de minimizar ou até sanar suas dificuldades e, a outra, voltada à escola e ao contexto da sala de aula.
Em relação ao público alvo, constata-se que, de maneira geral, este era mais amplo do que os alunos do PAEE, englobando também os alunos com dificuldades no processo
de escolarização. Além disso, os dois modelos, clínico e educacional, assumem pressupostos bem diferentes sobre quem é o público alvo da equipe, sendo no primeiro caso o aluno e no segundo caso, todos os atores da instituição escolar, incluindo as famílias.
Abaixo, serão apresentadas as ações da equipe multiprofissional que ocorriam no ambiente escolar com os diferentes grupos apontados pelos participantes da pesquisa, sendo eles o aluno, a gestão, os pais, o professor, entre os especialistas que atuavam na mesma escola, e a própria equipe multiprofissional.