4 Identitet(er) i personskildringer og i tematikk
4.3 Tematikk
4.3.3 Minner
A qualidade interpretativa do módulo, enquanto núcleo de racionalização dimensional num determinado sistema de coordenação modular, oscila entre uma dualidade de conceitos capaz de redefinir as suas potencialidades num qualquer sistema deste tipo. O módulo pode ser interpretado enquanto fator numérico ou, mais recorrentemente, enquanto unidade de medida.
O fator numérico estabelece um padrão que coordena toda a gama de dimensões pretendidas e tem no “modulor” de Le Corbusier, o seu exemplo mais representativo. O módulo é um fator de multiplicação de todas as medidas preferenciais, o que no caso do “modulor”, seria o valor 1,618 e que age igualmente como princípio unificador da série dimensional formada com a sequência de Fibonacci (Fig. 55). Esta interpretação obriga, portanto, a uma correlação entre um fator normalizado e os valores de uma gama de dimensões, da qual resulta a escala necessária para determinar todas as variações modulares.
“O estabelecimento de um padrão procede da organização de elementos racionais conforme uma linha de conduta igualmente racional.”70
Isto significa que enquanto unidade de medida, o módulo é definido pela primeira medida de uma sequência modular
70
CORBUSIER, Le - Por uma Arquitetura, p. 89.
Fig. 55 A série do ”modulor” desenhada por Le Cobusier.
III.I. APLICAÇÃO RACIONAL DO MÓDULO NO PROGRAMA HABITACIONAL 79 normalizada, cujas medidas que formam essa sequência são
estabelecidas mediante a multiplicação dessa mesma primeira medida sequencial. É o tipo de sistema que se coaduna mais com a racionalidade e a simplificação, transpostas, desde sempre, para as manifestações arquitetónicas.
É sobretudo no período helénico que o módulo enquanto unidade de medida, atinge pela primeira vez grande notoriedade devido à importância das suas características como regulador de harmonia e de proporção (Figs. 56 e 57). É, porém, após a Revolução Industrial que esta posição do módulo atinge a sua maior potencialidade, redefinindo por completo os modelos de produção praticados até então.
Ainda sob o domínio conceitual da unidade de medida, não posso deixar de relembrar a teoria defendida por Bemis do
“módulo cúbico”.71
O mesmo afirmava que o elemento base para compor todas as dimensões de um edifício deveria ser estabelecido por um cubo modular (Fig. 58). Se olharmos para os limites tecnológicos que a Revolução Industrial veio suprimir, aliados à consolidação da perceção tridimensional do espaço, implementada pela Revolução Digital, a questão do “módulo cúbico” atinge um patamar de excelência naquilo que são as verdadeiras considerações da indústria moderna. Este conceito representa, portanto, o exemplo mais elementar de um traçado geométrico base que responde à necessidade de repetir um mesmo padrão tridimensional, tal como é apanágio no exercício da arquitetura - malhas estruturais; composição de espaços interiores; definição dos elementos verticais e horizontais; etc.
Neste contexto, o módulo assegura uma base dimensional comum a todos os elementos normalizados, de maneira que as
71Cf. BEMIS, Albert Farwell - The evolving house, 1936.
Fig. 56 O Partenon da Grécia Antiga é um exemplo de proporção geométrica.
Fig. 57 A ordem arquitetónica da Antiguidade Clássica resultava de um exercício modular.
Fig. 58 Representação esquemática do “módulo cúbico” de Bemis.
III.I. APLICAÇÃO RACIONAL DO MÓDULO NO PROGRAMA HABITACIONAL 80 dimensões de cada um deles se relacionem entre si e seja garantida
uma gama de produtos totalmente estandardizados.
Não obstante, devem ser respeitados dois pontos essenciais para a correta adaptação dessa gama ao mercado atual. O primeiro refere-se a essa mesma correspondência da gama pretendida com a gama de medidas dos produtos atuais, ou seja, dentro da série modular devem ser preservadas medidas suficientes para responder às variações dimensionais de cada componente, em relação às medidas modulares já existentes. O segundo ponto prende-se precisamente com o controlo dessas mesmas variações dimensionais, através da garantia de um intervalo entre as medidas modulares que não deve ser demasiado grande. Significa isto que o módulo-base deve corresponder a um dimensionamento pequeno, fato que é sustentado por alguns estudos que demonstram uma desvantagem do ponto de vista económico quando um módulo supera os 10 cm - valor que se aproxima mais de um número inteiro no sistema imperial (4 polegadas).72
Num cenário de simplificação dimensional, é fundamental que as medidas correspondam a múltiplos inteiros do módulo, ignorando por completo valores fracionários. É ao nível da precisão individual do produto que as questões começam a levantar-se, ou não fosse esse o principal obstáculo criado na definição dimensional do módulo-base.
Embora a coexistência de dois sistemas de medidas seja uma contrapartida no âmbito da industrialização, o seu impacto é menor do que as próprias exigências do sector industrial que obrigam a racionalizar os seus produtos numa perspetiva de inclusão com as normas internacionais. Esta necessária racionalização de um componente relega para segundo plano critérios individuais como, a personalização e a precisão dimensional do mesmo. Para reduzir
72
Cf. MARTIN, Bruce - Modular Design Information Sheet 2, in Architectural Design, Março, 1959.
III.I. APLICAÇÃO RACIONAL DO MÓDULO NO PROGRAMA HABITACIONAL 81 esta inconveniência, o uso do módulo-base assegura uma gama de
medidas modulares capaz de garantir uma flexibilidade e adaptabilidade da maioria dos componentes industriais.
Chegamos à conclusão que podemos diferenciar os elementos modulares dos não modulares por duas razões que se destacam. A primeira tem que ver, naturalmente, com todo um trabalho de dimensionamento que deve ser realizado através de um sistema modular pré-estabelecido. O mesmo é dizer que a dimensão de qualquer elemento modular deve partir sempre de um múltiplo inteiro do módulo-base, para que a sua função se adeque perfeitamente à reticula modular em questão. A segunda razão é consequente da primeira e estabelece a possibilidade de coordenação com outros elementos modulares contíguos, garantindo a concordância, e até a sustentabilidade, do sector industrial. Se estas características forem conservadas num projeto arquitetónico, todos os elementos construtivos – lajes, paredes e vigas - e todos os elementos individuais - móveis, caixilhos, iluminação, etc. - têm a capacidade de responderem eficazmente a todas as questões técnicas, construtivas e arquitetónicas levantadas durante o processo de desenho e de montagem.
Na defesa do bom funcionamento de um projeto modular, é igualmente importante coordenar as partes essenciais do edifício com toda a sua estrutura e instalações, através da retícula modular principal utilizada no desenvolvimento técnico do projeto.