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Kapittel 4. Konstruksjon av identitet

4.3 Minna si rolle for identitetskonstruksjonen

A identidade fluida e integrada está intimamente ligada com uma transformação na identidade do indivíduo, tornando-se mais dinâmica (Meleis et al, 2000). A rutura com a realidade anterior exige uma reorganização e reconstrução da identidade que comporta novas atitudes e comportamentos. Esta reformulação deriva da integração no país de acolhimento, na procura de um equilíbrio através da mudança no seu modo de viver, pelo ajustamento nos papéis desempenhados pelo indivíduo e pela inserção no novo contexto. Este estado de equilíbrio atinge-se normalmente no final da transição, e embora seja tendencialmente estável, no caso da transição migração, tende a ser mais inconstante. Este

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aspeto é evidenciado nas respostas dadas pelos entrevistados, uma vez que, tanto sentem bem-estar como desconforto relativamente à nova situação. No entanto, a maioria refere que a vivência desta transição trouxe mudanças e diferenças na sua maneira de ser e de estar, tendo-os moldado como pessoas: “vais ter que ser mais forte porque sabes que estás

longe da tua família durante muito tempo e é diferente de estar em Portugal, não é? Também te tornas mais independente. Acho que por um lado te tornas mais forte mas também mais fraca em termos emocionais. Porque acabas por te sentir se calhar mais triste e sozinha mais vezes. Mas são sacrifícios que tens de fazer…” (E1); “Acho que neste momento, há certas situações… certas coisas que eu considerava extremamente importantes, ou que eu na altura se calhar ficava mais aborrecida ou mais sentida com algumas situações, que agora não fico. Desvalorizo. Porque tenho tão pouco tempo para aproveitar com as pessoas com quem estou (família), que há certas situações que desvalorizo completamente. E se calhar deixou-me, em certa medida, um bocado mais insensível. Porque se calhar para defesa, por estar longe e por me faltarem os meus pais e os meus amigos, tive que ser um bocado mais fria em algumas situações, para proteção. E acho que às vezes sou um bocado mais fria.” (E2); “ Mudou-me imenso … temos uma visão diferente das coisas agora, do que tínhamos. Porque são muitas culturas diferentes, muitas formas de ver diferentes. E tu acabas por olhar para a tua vida de uma maneira diferente. (…) E acaba também por criar uma barreira. Nem todos os dias são bons, tens que te adaptar a tudo, estás num país estrangeiro, e acaba por mudar a forma como te comportas.” (E4); “Sim, mudou-me. Para já, é assim, eu também sinto isto cá, mas também senti quando fiz Erasmus. Valorizo muito mais os aspetos positivos do meu país. Porque muita gente tem ideia que lá fora é que é bom, mas não! Os portugueses têm muito essa ideia. Por isso é que Portugal podia estar bem, e não está. O que nós temos falta em Portugal é autoconfiança! (…) Mudou-me a nível social. Sou uma pessoa mais solitária. Muito mais solitária. Sou um bocadinho mais realista em certos aspetos. Sinto-me satisfeita por conseguir ser independente. E sinto-me orgulhosa nesse aspeto. Mas sinto que não estou completa, sinto que me falta viver uma vida plena. Não tenho alguns aspetos essenciais. Para mim qualidade de vida que é pelo menos ter sol… e nem isso tenho.” (E5);

“Agora tenho uma mente mais aberta. O facto de conviver com culturas diferentes, em

Portugal nunca teria essa experiência. Tornei-me mais crítico em relação a outros colegas de trabalho de outras nacionalidades.” (E7); “Acho que me tornei mais maduro, mais pragmático em relação à vida... Fui um bocado… obrigado a crescer quando vim para cá, porque passei a ter muito mais responsabilidades, e a lidar com coisas que antes eram os meus pais que tratavam, e eu nem ligava a isso. Não só em relação a contas para pagar,

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como também estar mais atento a assuntos legais. (…) Porque há muita coisa que funciona de maneira diferente. E eu tive que me desenrascar e aprender por mim mesmo. (…) Agora também reflito mais nas coisas que acontecem. Antes era mais… desligado. Agora noto que sou mais ponderado.” (E8); “Mudou-me muito. Tornou-me numa pessoa mais madura e com outros horizontes. Uma pessoa quando é obrigada a enfrentar dificuldades na vida (…) Às vezes faz-nos bem sair da nossa zona de conforto. Se calhar agora desvalorizo mais problemas menores, coisas a que antes dava muita importância. E aproveito cada minutinho com a minha família, quando vou a Portugal. Dou muito mais valor aos momentos que passamos juntos. Mesmo a nível profissional, apesar de tudo acho que cresci. (…) Aqui há muito racismo, e temos que aprender a proteger-nos para não sofrermos. Isso também foi uma coisa que me mudou. Agora não sou tão expressiva … sou mais fria e reservada, para me proteger a mim própria. Tem mesmo que ser assim. Mas também sou muito mais resiliente, e isso foi uma mudança boa.” (E9); “Sim, penso que sou uma pessoa mais estruturada emocionalmente, com maior capacidade de adaptação a um mundo cada vez mais globalizado. Um aspeto que a emigração acabou por evidenciar na minha personalidade é o desapego físico/emocional da família e amigos. Gosto muito deles mas consigo viver longe (…) o que antes não acontecia, ou pelo menos sofria mais com isso. Parece que é o que se ganha em ser adulto e por viver longe deles.” (E10); “Tu cresces como pessoa. (…) Estás mais preparada para a adversidade. (…) Não quero viver aqui o tempo suficiente para me aculturar. Tenho colegas meus que dizem que gostavam daqui a uns anos sentir-se ingleses, e eu espero nunca me sentir inglês. Nalguns aspetos, obviamente. Porque acho que… é tão má a cultura aqui, que eu espero nunca mudar aquilo que sou. Espero que problemas que a gente tem no trabalho, desde as queixas, desde o facto de perder a cumplicidade com os colegas, desde o facto de perder o pensamento crítico, desde o facto de perceber que para não ter problemas tenho de agir conforme as regras, mesmo que isso vá contra as minhas convicções e contra a minha enfermagem… Tudo isso muda-te. Tudo isso vai contra aquilo que tu és … acho que isso me tornará pior. E já dei por mim a pensar às vezes, que sou mau enfermeiro. Porque não posso ser melhor. Não é porque eu não queria, é porque eu não posso ser melhor. Imagina, tens problemas com o teu chefe, tens problemas com os ingleses, tens problemas com o trabalho, tudo isso vai-te mudar, quer queiramos quer não. E por vezes nem te apercebes. Ou se quiseres estar atenta, tens que refletir bastante para te aperceberes. E onde eu digo que tenho medo que me mude, é que um dia eu esteja a agir pelo menos 20% como um inglês, como o que eu hoje questiono. E tenho a noção que isso pode perfeitamente acontecer. Porque quando estás demasiado tempo num sítio, aculturas-te. Percebes? Sem tu até quereres, tu acabas por te aculturar.

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E… e é isso que às vezes digo, e tenho medo, porque entristecer-me-ia bastante se eu acabasse… lá está… às vezes dares por ti a não te preocupares tanto com os doentes, dares por ti a não te preocupares com os colegas, dares por ti a não… a não dar valor a pequenas coisas, dares por ti a desinteressar-te por tudo e mais alguma coisa. E isso, no fundo, para mim acho que é pior, é negativo. Mas isso acontece. (…) Acabas por fazer o que te é pedido, para não teres problemas. E isso vai contra os teus princípios. E se tu estás a ir contra os teus princípios e não estás a concordar, tu não estás a gostar daquilo que és. Tu não podes estar confortável com essa mudança. Porque isso não é aquilo que tu és. (…).” (E11).