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Mines and Mine Counter Measures

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3 Developments in Maritime Military Technology

3.7 Mines and Mine Counter Measures

A era neoliberal representou um processo de fragilização e desarticulação das classes trabalhadoras. Fatores como a precarização do trabalho, o desemprego e as novas formas de contratação do tipo terceirização e falsas cooperativas são vistos como motrizes desse fenômeno.

Há ainda outros fatores que dizem respeito à queda nos rendimentos do trabalho; os trabalhadores que auferiam maiores rendas foram alvo do programa de reestruturação produtiva, assim como os servidores públicos, que sofreram com os processos de reforma administrativa.

De forma semelhante, os sindicatos acusaram o golpe quando Collor venceu as eleições e inaugurou a era neoliberal no Brasil. O que se assiste, a partir de então, é o enfraquecimento do movimento sindical, que tinha a CUT como principal insígnia, e a adoção de uma postura de adaptação à nova ordem (FILGUEIRAS; GONÇALVES, 2007).

A chegada de Lula e do PT à presidência da República usou como nunca o processo de cooptação sindical, que, na realidade, serviu como uma espécie de “domesticação” dos movimentos sociais. No que se refere a essa lógica, as considerações feitas por Filgueiras e Gonçalves (2007, p. 188, grifo dos autores) explicam a forma como o governo colocou a cooptação em prática:

A crise de representação é fortemente alimentada pelo governo Lula, ao realizar a amálgama entre governo, partido e sindicato, na mais pura tradição stalinista (“fora do lugar”) de aparelhamento do Estado e transformação das organizações de massa em “correias de transmissão” do governo. O comportamento subserviente da CUT ao governo e a indicação do presidente da entidade para ocupar o cargo de ministro do Trabalho são exemplos paradigmáticos desse fenômeno.

Nesse sentido, as relações sindicais passam a ser burocratizadas e têm o intuito de facilitar esse movimento de cooptação. A estratégia de Lula foi muito ambiciosa, se examinada com parcimônia, pois se entende que ela se baseia no enfraquecimento do movimento dentro do próprio movimento. As relações reproduzidas dentro do movimento indicam a própria direção que o sindicalismo brasileiro toma, ou seja, “[...] reproduzem-se e renovam-se os traços fundamentais

característicos da relação dos setores dominantes com o Estado: o patrimonialismo, o clientelismo e o empreguismo” (FILGUEIRAS; GONÇALVES, 2007, p. 189).

Dada a desorganização política dos trabalhadores comuns, esperava-se que o movimento sindical, especialmente a CUT, fizesse um trabalho de resistência ao modelo neoliberal duramente criticado no passado. Portanto, não houve resistência alguma, pois Lula soube usar a seu favor a máquina pública e silenciou a maior frente sindicalista do país. Todos os eixos da política do governo analisados até agora apontam para uma mesma direção: a continuidade do modelo neoliberal de FHC.

5 Conclusão

O advento da era neoliberal no Brasil, nos anos de 1990, inaugurou o processo de desmonte do Estado e da economia. A eleição da figura caricata de Collor, expressa em sua postura dúbia – que dizia defender o interesse dos descamisados e pés descalços, ao mesmo tempo em que se aliou aos diversos segmentos conservadores da economia –, marcou o inicio da era de desertificação neoliberal18 no Brasil.

(In)felizmente, o impeachment se pôs no meio do caminho e, por isso Collor, não teve oportunidade de continuar com suas reformas liberalizantes, as quais escancaram a economia e começam o desmonte do parque produtivo nacional.

O interregno de Itamar Franco serviu para que outra figura começasse a entrar em cena: Fernando Henrique Cardoso. Este como Ministro da Fazenda convocou uma equipe de economistas, dentre os quais estavam André Lara Resende e Gustavo Franco, para trabalhar na elaboração de um novo plano de estabilização econômica: o Real. O ajuste fiscal, a dolarização da economia e a valorização cambial era o tripé básico de sustentação ao Real. Introduzido o plano (Real) e vistos os resultados “positivos”, pelo menos no que concernia à inflação, a candidatura de Fernando Henrique Cardoso ganhou a liderança nas pesquisas. Apurados os resultados das urnas da eleição presidencial de 1994, Fernando Henrique foi eleito presidente da República.

A partir desse momento, o que se teve foi um processo ainda mais profundo de desmonte e entrega do patrimônio brasileiro a preços extremamente vantajosos para os compradores, os quais contaram com uma série de facilidades, que vão desde o preço subestimado das empresas até a concessão de linhas de créditos do BNDES com juros subsidiados. Se, para os compradores, foi vantajoso, para a população, não foi. A redução da dívida pública e a melhoria dos serviços prestados, justificativas utilizadas, não ocorreram como se prometeu. O país se endividou ainda

18

A expressão “desertificação neoliberal” é utilizada por Ricardo Antunes para descrever o avanço das ideias neoliberais no Brasil, as quais trouxeram consigo um conjunto de transformações econômicas e sociais trágicas; portanto, essa expressão é uma analogia ao total desmonte do Estado Brasileiro ocorrido a partir da década de 1990.

mais, e as empresas privatizadas viraram campeãs de reclamações, por conta de serviços mal prestados. Além disso, as imposições dos organismos financeiros mundiais foram aceitas de maneira tácita. Ao fim da era FHC, quando o modelo adotado parecia estar desgastado, um novo fôlego lhe foi dado por Lula.

A história política de Lula, ligada aos movimentos populares e de resistência à ditadura militar, poderia, mas não foi bem assim, sobrepujar a lógica neoliberal e inaugurar um novo modelo de governo, de caráter democrático e popular, no Brasil. A subserviência afogou de vez o espírito daquele antigo líder sindical. O candidato Lula realizou diversas alianças e acordos, intensa propaganda publicitária – focada na conquista do eleitor comum (desorganizado e desarticulado) –, silenciou parte dos partidários que se posicionavam de maneira contrária aos rumos que o partido tomava e assim realizou o “sonho” de se tornar presidente.

Tratando de “melhorar” o modelo neoliberal herdado, sobretudo do segundo governo FHC, Lula introduziu características populistas, visando controlar politicamente as classes mais frágeis. Ademais, a organização das forças que compõem o bloco do poder sofreu poucas modificações, destacando-se o capital financeiro, os grupos econômico-financeiros nacionais, o capital produtivo multinacional e em uma posição mais subalterna os grupos não financeirizados.

Visto que o modelo adotado por Lula foi o mesmo do segundo mandato de FHC, não se pôde vislumbrar nenhuma mudança do ponto de vista estrutural da economia brasileira. É verdade que houve avanços de caráter conjuntural, devido à melhora nas contas externas do país, sobretudo a redução da dívida externa, mas é verdade também que, em troca disso, a dívida interna cresceu.

Encerrada a era Lula, o balanço que se pode fazer é que não houve, em nenhum momento, sinalização de ruptura com o modelo econômico vigente, mas apenas novas adequações, a fim de dar novo fôlego ao modelo que parecia cambalear.

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