6.2 Factors Influencing the Production of ARD
6.2.1 Mineral Content, Rock Texture and Geochemistry
Durante as aulas de Matemática é comum ouvirmos perguntas do tipo: — Professor, onde uso isso?
— Para que serve essa coisa? — Tem que decorar?
— Tem fórmula?
— Quem teve a ideia de fazer isso?
Também ouvimos com frequência afirmações como: — Nossa! Que coisa complicada.
— Não entendo essa coisa.
— Eu sempre tive dificuldade com matemática. — Não adianta, nunca vou tirar nota.
— Até hoje não sei como eu passei de ano.
Em todos os cursos ou reuniões de professores sempre ouço meus colegas comentarem que os alunos fazem esse tipo de questionamento, eles também não gostariam de ouvir essas frases, mas, nem sempre é possível evitá-las. Essas colocações nos levam a concluir que os alunos não conseguem perceber qual a utilidade e a importância dessa ―Matemática‖ que é apresentada na escola. Esforços são feitos para tornar as aulas mais agradáveis, com questões interessantes e que despertem o aluno para o aprendizado, contudo, parece que nada adianta. Não basta colocarmos questões simples para que o aluno consiga fazê-las sem muita dificuldade, ele percebe a facilidade e pouco a pouco perde o interesse. Ainda me lembro de uma orientação que me foi dada na faculdade: “É necessário que o aluno compreenda o que está fazendo. Evite usar fórmulas sem justificativa. Prove as afirmações que fizer. O que você ensinar deve ter significado para o aluno, evite „decoreba‟”.
Conversando com colegas, percebi que eles partilham da mesma opinião, concordam que as orientações que recebi são parecidas com as que eles receberam, que também procuram fazer com que o aluno compreenda, contudo, não obtém sucesso e o aprendizado deixa muito a desejar. Muito do que ensinamos hoje não tem significado algum e, aprender é, justamente, atribuir significados.
Comecei a lecionar matemática em 1971 no antigo ensino de 1º grau e em 1972 no 2º grau diurno e noturno. Nesses meus trinta e nove anos como professor, principalmente quando lecionava Física, tenho observado que o interesse dos alunos aumentava quando eram realizados experimentos, principalmente no curso noturno. Os alunos apresentavam grande dificuldade no trato com expressões algébricas e a determinação das expressões que forneciam a variação da velocidade ou do espaço em função do tempo, apesar de aceitas como verdade, pois eram deduzidas, eram de difícil compreensão. Alguns experimentos, na época, minimizaram essas dificuldades. Em 1975 quando lecionava Física tive a grata satisfação de
me deparar com a coleção de livros de Física do projeto FAI (Física Auto Instrutiva) idealizado pelo GETEF – Grupo de Estudos em Tecnologia de Ensino de Física e publicado pela Editora Saraiva. Os livros foram adotados nas três séries do 2º grau. O sucesso foi imediato, pois sendo os livros de instrução programada cada aluno trabalhava em seu próprio ritmo. Quase todos os experimentos constantes nos cinco livros foram realizados com participação efetiva dos alunos. Felizmente, naquela época, no ―Instituto de Educação Prof. Henrique Morato‖ hoje EE Prof. Henrique Morato, havia um laboratório bem montado, incluindo até um ―marcador de tempo‖, uma ―cuba de onda‖, resistores, amperímetros e voltímetros, etc. Como, na época, eu também lecionava matemática, ficava fácil estabelecer a relação entre as duas disciplinas. Na EE José Inocêncio da Costa, lecionando Matemática no 1º grau alguns experimentos também foram realizados. Uma atividade realizada com alunos das sétimas e oitavas séries e que trouxe muitas alegrias foi o cálculo de áreas de figuras planas utilizando papel quadriculado, milimetrado e balança. Cada grupo de alunos construía sua própria balança e a calibrava. A Matemática e a Física, que eram ministradas nas aulas de Ciências, andavam de mãos dadas.
Os questionamentos colocados nos parágrafos anteriores nos levaram, inicialmente, a pensar em realizar atividades e ou experimentos tendo como base a resolução de problemas e modelagem; a diferença é que minha experiência e a de meus alunos se constituíram em simplesmente aplicar os conhecimentos adquiridos na resolução de problemas ou comprovar experimentalmente as verdades físicas existentes. Hoje percebo que poderia ter feito o contrário, ou seja, usando modelagem poderíamos ter construído com o aluno, algum conhecimento. Agora, no mestrado profissional, surgiu a oportunidade de reparar o deslize ocorrido no início da carreira docente.
Como leciono no Ensino Médio e lecionei Física por pelo menos 15 anos, o professor Roberto Paterlini e o professor Ivo Machado me sugeriram realizar um experimento envolvendo escoamento de um líquido, para obter a melhor função que o modela.
Acreditamos que a determinação experimental da função que modela o escoamento de um líquido permite ao aluno se comportar como um cientista que quer explicar um fenômeno físico. Durante o processo esperamos que ele perceba que para que um fenômeno seja estudado alguns rigores científicos precisam ser observados. Poderá perceber que para a obtenção de resultados confiáveis o experimento não pode ser feito de qualquer maneira e que alguns cuidados devem ser tomados. Como a atividade será em grupo, espera- se que o próprio grupo perceba os cuidados que deverão ter, como por exemplo:
verificar se o local onde a garrafa será colocada é plano; verificar se a fita ou papel milimetrado está bem colado;
usar caneta de ponta porosa fina, ou lápis bem apontado se a fita de papel for colada diretamente sobre a garrafa;
verificar se a região do furo interna e externamente foi bem lixada; não apertar a garrafa ao fazer a marca;
não apoiar a mão sobre a garrafa;
manter silêncio e não se distrair com conversas;
testar o cronômetro ou outro instrumento antes de marcar o tempo; fazer um teste antes das medições e marcações definitivas e;
repetir o experimento usando outros dois integrantes do grupo e comparar os resultados caso haja suspeita de algum erro.
Ao realizarmos o experimento tomamos esses cuidados e acreditamos que os grupos também os tomarão; se não os tomarem, ao plotarem os pontos num sistema cartesiano e fizerem o gráfico das diferenças sucessivas perceberão que algo não está muito certo. Nesse caso o experimento deverá ser refeito.
O escoamento de líquidos e suas leis é conhecimento importante para as questões do dia-a-dia, ainda assim, tal assunto é (geralmente) negligenciado no ensino médio. Com o presente experimento pretendemos mostrar a importância da matemática e sua relação com outras ciências, além de dar significado prático ao que fazemos em aula.