• No results found

verde, então o Inquérito a Arquitetura Popular vai abafá-lo de vez. O que condiciona contágios por uma nova consciência que nascia impregnada de dúvidas e preocupações e que o inquérito ainda dificulta e os divide mais. E por outro, a arquitetura e urbanismo que constituíam modelos foi desligada dos seus fins autênticos o que torna mais distante a integração do indivíduo. Trata-se da utilização de aspetos meramente físicos que o enredo daqueles anos tendeu a rutura da arquitetura com o utilizador, em aspetos construtivos, pela ilusão plástica que foi encontrada como única saída pela abstratização, racionalidade e funcionalismo da Arquitetura e Urbanismo do Movimento Moderno.

Abordados os dois primeiros objetivos durante o desenvolvimento da dissertação, é feita uma reflexão geral sobre os mesmos, constituindo assim respostas ao terceiro, o que permite referenciar de forma antagónica, a arquitetura de autor, crítica ao movimento moderno, a identificada nos Complexos da Hidroelétrica do Douro Internacional, não procura uma rutura tão radical como no passado, como aconteceu na era da máquina, mas um futuro otimista na conceção do espaço e na perceção do espaço que requere um sentido de responsabilidade social, de uma resposta a uma sociedade específica e não generalizada.

A democratização da arquitetura traduz nos arquitetos uma nova consciência social, obrigando-os ao alargamento do papel que desempenham, o que opera um salto qualitativo no discurso e prática dos mesmos, defendem novos ideais comuns tomados na produção do urbanismo e arquitetura.

A produção é assimilada do debate e revisão europeia e nas aspirações de correntes dos sistemas de industrialização, no pressuposto do progresso científico, tecnológico, e social, sendo deste modo uma característica internacional da 2ª era da máquina, tende à interpretação e subjetividade, formalmente individual e suporta-se nos 8 indicadores referenciados anteriormente. Esta visão específica abrange todos os âmbitos das valências modernas (em todas as escalas) possíveis de interferir nas vivências pela criação de formas contextualizadas com o indivíduo específico, mas modernas, sem esquecer os seus programas inerentes à sua cultura. Cria-se uma simbiose que é trabalhada numa linha de continuidade com a cultura local e não de total rutura, influências verificadas em algumas arquiteturas emergentes Europeias (os nórdicos) presentes na revisão própria do Movimento Moderno. São estes postulados de ideologia internacional que tem reflexo na arquitetura Portuguesa que procura também ela uma grande vontade de atualização, vai beber a estes países do Norte da Europa alguns ensinamentos ambas as periferias não tinham uma industrialização forte que permitisse à arquitetura a saída através dela, desta forma justifica-se para os multicasos a saída pela articulação do novo e velho material e técnica construtiva que se ajusta à realidade produtiva e social do seu país, nomeadamente mais de pedreiro e carpinteiro, apoiados nos valores da artesania.

Como sintaxe, apresenta-se o cruzamento da produção prática do novo e velho, uma construção de um método que engloba o novo e velho sistema e material de construção na forma de conceber. É um modo de projetar que privilegia a racionalidade e funcionalidade, mas num compromisso simultâneo com a representatividade cultural e a tectónica construtiva tradicional. Aqui ao debate é respondido com a mudança da estética da máquina com os benefícios culturais, locais e individuais do utilizador específico.

São factos que nos Casos de Estudo originam a transição do modelo ortodoxo a heterodoxo, onde se configura um discurso de revisão estética e técnica dos modelos de organização funcional e racional, cruzando a necessidade da procura das relações universais, técnicas e estéticas modernas, com a adaptação a um contexto cultural singular como parâmetro fundamental no processo de intervenção e clarificação disciplinar do projeto moderno na realidade Portuguesa de recursos e tecnologias escassas.

Pode-se referir de modo sintético que a prática Urbana e Arquitetónica vagueia entre o entendimento do Movimento Moderno Internacional e é indissociável do confronto com a realidade vernácula do país, uma dialética reforçada e bem presente nos Casos de Estudo. Formalmente presentes, os paradigmas do Movimento Moderno são utilizados com total liberdade, indutivamente transformados ou perturbados, caracterizam cada edifício (evidenciam um pragmatismo recorrente) valorizando a expressão que é determinada de certa forma pelo programa.

É proposto um novo habitat que se adequa a um homem - individuo especifico e a necessidades muito próprias. Parte-se do contrário que é a generalização, agora o preceito base é a individualidade, assume fluídos compromissos com a natureza do real e do tempo - contemporâneo, que a partir da Revisão da prática Arquitetónica e Urbanista abandona as suas utopias sociais e ortodoxas. A linguagem, prática interpretada e subjetivada, a partir de um modelo muito próprio e específico, converte-se num modelo aberto que procura nas formas espaciais, o valor do contexto das culturas, da identidade de um indivíduo específico. É por isso uma prática da Arquitetura e Urbanismo amadurada pelos arquitetos mais liberais e por sua vez também mais amadurecidos, singulares e sensíveis às solicitações do meio, ambiente, contexto cultural e temporal da crítica arquitetónica e urbanística. Permite caminhar a par com os novos interesses baseados na superioridade dada ao espaço interno da conceção do espaço e não da forma/volume, na integração de aspetos do tecido urbano de características culturais e identificatórias de uma sociedade composta por indivíduos específicos, mais sociológica e humanista nas respostas aos programas dos equipamentos.

Os anos 50 dos complexos das Hidrométricas do Douro Internacional, período que pelos factos apresentados, pode-se apontar como enriquecedor e abastado à época da produção Arquitetónica e Urbanística em Portugal. Obras que põem em discussão e representação, a representatividade da mesma discussão e revisão crítica do Movimento Moderno, mas também na multiplicidade das considerações e observações disciplinares que os arquitetos praticam. Os anos 50 revelam ainda e despertam esta classe profissional comprometida com os factos apresentados anteriormente, um consciente Urbanismo e Arquitetura, é por isso uma prática

amadurecida, para uma civilização individualizada e pouco generalizada.

É uma nova realidade que mais do que escondida parece esquecida, uma realidade de aceitação dos valores específicos, da identidade singular do individuo, é o juízo dos ideais expostos pelos elementos paradigmáticos, do Movimento Moderno que reflete este novo caminho esquecido pela historiografia, onde transparece uma independência na resolução de um novo Movimento Moderno, uma 2ª via. À pureza abstrata da forma, associa-se a identidade local e a individualidade mais humanizada e procura de outras valências anteriormente inconsideráveis, a memória, a espontaneidade, a cultura. A partir do debate crítico iniciado aqui, reivindica-se uma arquitetura mais contextualizada, apropriável, e pragmática, mais diversificada e mais contributiva nos conteúdos e significados do projetado. Apesar de com este

estudo não se alterar o entendimento e compreensão da historiografia internacional, é certamente um caso que permite compreender melhor as realidades esquecidas pela historiografia Nacional. A mesma que refere as obras da sede da Fundação Calouste Gulbenkian e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, como sendo (de forma genérica) as de comprovação da revisão do Movimento Moderno em Portugal, propõe-se com os Casos de Estudo, equacionar para 10 anos antes essa mesma rotulação acerca da prática Arquitetónica. Mas, relativamente ao Urbanismo estudado no Complexos das Hidrolétricas do Douro Internacional, se são escassos a nível internacional, não se conhece em Portugal nenhum caso com as mesmas aplicações.

Não os propondo como um estilo ou um movimento específico, fazem esclarecedoramente parte da revisão do Movimento Moderno, são de facto exemplos de um novo modo de atuação e conceção da forma Urbanística e Arquitetónica que não se conhece, na mesma época, noutras obras do nosso País. Assim, vai-se fazendo a revisão metodológica, mais do que ideológica, da doutrina funcionalista e ortodoxa, estes arquitetos marcam uma nova época, a par do internacional do Pós-Guerra, apoiada numa compreensão mais humanizada do fenómeno social e uma visão mais crítica dos modelos de referência que apenas se conhece nas décadas seguintes.

Desta forma, podem-se caraterizar estes anos de maduros, pela prática de uma Arquitetura e Urbanismo resistente à ortodoxia, em que nestes anos integra os valores do Movimento Moderno em revisão, revê a seleção de conteúdos que de recursos pobres obtém efeitos eficazes, na procura ajustada às vivências específicas comprovada nos 8 indicadores. Nestes maduros anos, produz-se uma consciência e coerência autónoma face às ortodoxias, por isso heterodoxas. Processa-se para estes projetos um método fundamental no caráter abstrato moderno universal, e que utiliza e incorpora a conceção de sentidas faculdades e conhecimentos imaginativos - subjetivos - interpretativos do entendimento cultural do indivíduo específico.

Posto isto, esta dissertação apresenta um novo fragmento de trabalho e compreensão incidente no desenvolvimento Urbano e Arquitetónico que pretende melhorar e contribuir para o conhecimento esquecido (e não escondido) pela historiografia. Não representa o final de um percurso de estudo do Urbanismo e Arquitetura, mas antes, um contributo para uma nova partida.

Bib.