Entre os principais destaques no estudo dos agregados reciclados está a grande variabilidade nas caraterísticas desses agregados, uma vez que, os agregados naturais apresentam caraterísticas mais constantes. Segundo MEHTA e MONTEIRO (2008), características importantes dos agregados como: porosidade, composição química, granulometria, absorção de água, forma e textura superficial das partículas, resistência à compressão e módulo de elasticidade são fatores que influenciam diretamente no comportamento do
concreto tanto no estado fresco como no estado endurecido. A seguir serão abordadas algumas dessas propriedades.
3.1.1. Porosidade e absorção de água
Para os agregados convencionais, por apresentarem pouca porosidade, a questão da absorção é considerada insignificante, ao passo que, para os agregados reciclados esta característica é imprescindível para a qualidade da mistura, uma vez que estes possuem alta porosidade. Esta influência, para KAZMIERCZAK (2007), está relacionada com a quantidade, dimensão e distribuição dos poros presentes nos agregados, em especial os de origem cerâmica.
As cerâmicas vermelhas são consideradas materiais com elevada porosidade o que lhe confere alta taxa de absorção quando comparadas aos agregados naturais. Porém, apesar da estrutura porosa dos materiais cerâmicos, na maioria dos casos, estes possuem resistência mecânica compatível à exigência que lhe é conferida (DIAS e AGOPYAN, 2004).
Tendo em vista que o agregado reciclado de cerâmica vermelha oferece grande porosidade, e em consequência deste fato a alta absorção de água em seus poros, MACEDO et al. (2008) avaliou o comportamento das argilas utilizadas industrialmente na produção de blocos cerâmicos no estado da Paraíba, o qual verificou-se que as amostras que apresentaram maior absorção.
Por outro lado, as amostras com elevada plasticidade favoreceram a obtenção de peças com menor absorção e, por conseguinte, maior resistência mecânica. Para o autor, este fato está associado não somente a composição mineralógica, mas também ao teor de matéria orgânica o que influenciou na plasticidade, além, do controle de temperatura durante a queima.
Em relação ao percentual de absorção dos agregados reciclados, resultados obtidos por TAM et al. (2006) revelaram que, normalmente, os agregados reciclados de RCC possuem taxa de absorção de água muito maior que os agregados convencionais, variando esta taxa em torno de 3 a 10%, enquanto que os agregados convencionais este percentual varia de 1 a 5 %. Em amostras contendo apenas agregados reciclados cerâmicos, BRITO et al.
(2004), encontrou valores de absorção de água na ordem de 12%, sendo que para os agregados convencionais este percentual foi de 1%.
Este comportamento está relacionado a maior quantidade de poros apresentando fissuras na sua superfície, são menos densos e mais fracos o que lhes conferem alta taxa de absorção de água quando comparados aos agregados naturais. Assim, para a maioria dos pesquisadores é necessário o pré-umedecimento destes agregados antes da sua aplicação (ANDRADE et al., 2004; LEVY, 1997; CABRAL, 2007). Com relação ao pré-umedecimento do agregado reciclado no concreto antes de sua aplicação no concreto, (CARRIJO, 2004; LEITE, 2001 e BUTTLER, 2003) relatam que os agregados reciclados absorvem cerca de 50% da água durante os 10 primeiros minutos de imersão.
É possível perceber que não existe ainda uma unanimidade com relação ao grau de absorção de água ou o tempo aproximado de saturação máxima dos agregados reciclados, tendo em vista, como já foi mencionado anteriormente a grande variabilidade nas características desses agregados. Tal fato, é resultante do método de produção do produto inicial desses agregados antes da reciclagem ou beneficiamento dos mesmos, bem como do próprio processo de adequação deste material para o seu uso como agregado em concretos.
3.1.2. Massa Unitária, Massa Específica, Granulometria.
Para fins de dosagem dos concretos faz-se necessário conhecer a massa específica, que é definida como a massa do material, incluindo os poros internos, por unidade de volume. A massa unitária corresponde a massa das partículas dos agregados que ocupam por unidade de volume, uma vez que o volume é ocupado tanto pelos agregados como pelos vazios entre eles (MEHTA e MONTEIRO, 2008).
CABRAL (2008) ressalta que em geral, os agregados reciclados possuem massa específica e massa unitária menor que as dos agregados naturais. Segundo o autor, este fato é decorrente de algumas características apresentadas pelos agregados reciclados como menor densidade, alta
porosidade, formas irregulares das partículas, além, da sua granulometria. Estes resultados estão de acordo com os obtidos por LEITE e DAL MOLIN (2002) em estudos realizados com agregados reciclados de RCC na produção de concretos, onde foi constatado que as massas específicas e unitárias foram bem menores que a dos agregados naturais. Este fato é confirmado por SIMONETTI e LINTZ (2008) que verificaram que os agregados naturais apresentaram massa específica e unitária maior que os agregados reciclados de RCC.
BRITO et al. (2004) explica que os menores valores obtidos para as massas do RCC, é decorrente da porosidade dos agregados reciclado de cerâmica, este fato influenciou na produção de concretos com menor massa específica no estado fresco, isto ocorreu, à medida que se aumentava a substituição dos agregados convencionais pelos agregados reciclados, apresentando uma correlação quase linear.
BAZUCO (1999), LIMA(1999), BANTHIA e CHAN(2000) e LEITE(2001), afirmam que os agregados reciclados tanto graúdos como os agregados miúdos tendem a apresentar granulometria um pouco mais altas do que os agregados convencionais. Desta forma, o módulo de finura resulta em valores mais altos. Esta característica é influenciada diretamente pelos tipos de resíduos, o tipo de britagem e suas regulagens internas. Para LEITE (2001), quanto maior for módulo de finura dos agregados, maior também é o tamanho das partículas, fator este que segundo o autor, causa diminuição da superfície específica dos agregados, tendo como consequência, menor quantidade de pasta para lubrificar os grãos.
Segundo BARRA (1996), a granulometria exerce influência direta na trabalhabilidade do concreto no estado fresco, e isto está diretamente relacionada com o processo de produção dos agregados. Além disso, segundo COUTINHO (1997), a forma dos agregados exerce influência direta nas propriedades do concreto tanto no estado fresco quanto no estado endurecido.
É interessante ressaltar que na cidade de Belém no estado do Pará são encontrados agregados miúdos naturais com módulo de finura pequeno, quando relacionados aos agregados de outras regiões do país. Este fato é favorável na utilização de frações mais finas do agregado reciclado miúdo para
substituição do agregado miúdo natural no concreto, uma vez que o agregado miúdo natural se encontra cada vez mais escasso na região.
3.2 CARACTERÍSTICAS DOS CONCRETOS COM AGREGADO RECICLADO.