• No results found

Levere/prototype

4.12 Klikkbar prototype

4.12.2 Min side

Como afirmam Bogdan e Biklen (1994), a pesquisa qualitativa pretende entender as ações no contexto em que estão inseridas, de forma complexa e minuciosa, visto que ela inicia-se sem questões prévias a serem respondidas. Há uma ideia do que se pretende fazer. A objetividade é definida, partindo-se dos critérios que o pesquisador irá definir com base na relação com os problemas que está investigando (MARTINS, 2004).

Essa forma de pesquisa tem um plano flexível, que evolui, conforme a familiarização com o ambiente pesquisado. O pesquisador procede tomando por base hipóteses teóricas e formas de coleta de dados tradicionais (BOGDAN; BIKLEN, 1994), que devem ser escolhidas com base na adequação às ideias iniciais e podem variar ao longo do processo: notas de campo, fotografia, entrevista, vídeos.

Desde o início, a documentação na perspectiva da abordagem italiana foi definida como objeto central do estudo; porém, após a escolha do CEI em que se realizou a pesquisa, as perguntas iniciais foram reformuladas e a estratégia de ação do terceiro momento da pesquisa, descrito mais adiante, definido.

De acordo com Martins (2004), ao utilizarmos a metodologia qualitativa não deve haver preocupação com a generalização, pois sua característica é a profundidade na explicação do caso, não perdendo de vista a parcialidade das observações. A influência que a subjetividade pode ter nos dados produzidos é um questionamento relevante a essa metodologia; porém, “os investigadores tentam estudar objetivamente os estados subjetivos de seus sujeitos.” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p.67).

Conforme os autores citados, é preciso estar atento para construir conhecimentos com base nos dados recolhidos e não emitir opiniões sobre os contextos observados.

Desse modo, com o intuito de validar os objetivos, realizamos uma triangulação, buscando estratégias que não dependessem de intuição ou boas intenções no momento da interpretação dos dados (STAKE, 2007). Essa triangulação foi feita através do uso de diferentes fontes de dados para realizar uma revisão na interpretação dos dados recolhidos. Para configurá-la, utilizamos registros fotográficos, entrevistas semiestruturadas, conversas com as crianças, gravações de áudio e vídeo de diferentes situações do dia a dia.

Assim, a pesquisa configurou-se como um estudo de caso de duas salas de um Centro de Educação Infantil. Conforme Stake,

[...] é provável que o caso constitua um objetivo que tenha incluso uma ‘personalidade’. O caso é um sistema integrado. Não é necessário que as partes funcionem bem, os objetivos podem ser irracionais, mas são um sistema. Por isso, as pessoas e os programas constituem casos evidentes. (STAKE, 2007, p.16).

Temos conhecimento de escolas de Educação Infantil das redes pública e privada do Município de São Paulo que se utilizam da documentação, como prática para formação de professores e estratégia para tornar visíveis os processos de ensino e aprendizagem das crianças. Mas, a escolha do CEI para a realização desta pesquisa não foi pautada na investigação de locais que, de alguma forma, já traçaram caminhos para inserir a documentação em seu cotidiano. Dado o percurso histórico descrito na seção 3, julgamos que seria significativo conhecer um CEI, que atende crianças de 0 a 3 anos, por suas conquistas legislativas recentes em relação à sua realidade como espaço de educação. Estas conquistas aparecem traduzidas na prática? De que forma as crianças são vistas e ouvidas na instituição? Elas são respeitadas em seus tempos, necessidades e desejos? Há intencionalidade e/ou realização de um trabalho pedagógico com as crianças pequenas? Há um trabalho de documentação ou das etapas que a constituem, mesmo com denominações diferentes?

Assim, iniciamos as observações, no primeiro momento da pesquisa, buscando registrar todos os detalhes relacionados aos processos estabelecidos na rotina da instituição, sem um roteiro predefinido, para evidenciar as complexas relações existentes em cada sala (STAKE, 2007). Dado o objetivo da pesquisa, despendemos especial atenção à ação dos professores com o intuito de buscar entender sua forma de relacionar-se com as crianças e com o trabalho pedagógico, uma vez que para entender

a documentação, é preciso enxergar a prática como algo “vivo” que vai além dos registros e planejamentos de aula feitos de maneira burocrática.

Desde o início do estudo, deixamos claro, para a direção e, especialmente, as professoras envolvidas na pesquisa, que não havia nenhum objetivo de julgá-las ou avaliá-las, e sim conhecer sua forma de trabalho nas diferentes situações vividas em uma sala de Educação Infantil. Também solicitamos a autorização, formal e informalmente, para anotar, fotografar e filmar as situações observadas, assegurando a privacidade de todos os envolvidos – assim, os nomes apresentados nesta pesquisa são fictícios e as imagens com pessoas foram modificadas, para que não fosse possível identificá-las. Outra preocupação foi com a forma da coleta de dados: independente do instrumento utilizado, buscamos não realizá-la de forma intrusiva, evitando, por exemplo, o uso de flash nas fotografias.

Estabelecendo um contato próximo e intenso, criamos uma relação empática, afetiva e de confiança com os sujeitos envolvidos (BOGDAN; BIKLEN, 1994; MARTINS, 2004). Conforme fomos conhecendo as pessoas da escola, especialmente, professoras e crianças, conseguimos deixá-las cada vez mais à vontade em nossa presença. Embora em alguns momentos tenham buscado um maior envolvimento da pesquisadora nas práticas do dia a dia, participamos de forma limitada, ajudando-as na realização de suas obrigações, com objetivo de aproximação e alcance dos objetivos da pesquisa, mas evitando ocupar o espaço ou a função das professoras (BOGDAN; BIKLEN, 1994).