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Miljørisikoanalyse

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9 Miljørisiko og beredskap

9.9 Miljørisikoanalyse

Tal como referido no início deste documento, do conjunto de doenças respiratórias a pneumonia representa a principal causa de morte e internamento em Portugal constituindo assim, um sério problema, como tem vindo a alertar a FPP. Deste modo, é necessário tentar perceber a sua evolução e algumas das suas características.

Os Dashboards implementados para compreender os dois fenómenos em análise, podem ser divididos em dois grupos: um grupo que permite a partir de gráficos estudar padrões de incidência segundo alguns indicadores relevantes (Figura 4.1) e outro grupo que permite uma análise geográfica de indicadores que caracterizam a incidência de pneumonias e ocorrência de incêndios, recorrendo a mapas (Figura 4.2).

As análises apresentadas neste documento, representam um subconjunto de um conjunto mais vasto de análises efetuadas. Todas as análises efetuadas podem ser acedidas a partir dos Dashboards implementados.

Na janela de apresentação dos Dashboards existe um separador denominado Dashboard, como é possível verificar na Figura 4.1 e Figura 4.2 (à esquerda da janela), onde o utilizador pode selecionar o/os gráficos ou mapas que pretende analisar a partir do conjunto implementado. Mais à frente neste documento, são dadas algumas informações acerca da solução utilizada na construção dos mapas, bem como algumas métricas utilizadas.

Figura 4.1: Dashboard para a análise de incidência de pneumonias.

Figura 4.2: Dashboard para a caracterização geo-espacial das pneumonias e dos incêndios em Portugal Continental.

Começando por analisar um conjunto de gráficos relativos às análises efetuadas aos dados das pneumonias, a Figura 4.3 mostra um aumento relativamente linear de casos de pneumonia registados entre 2002 e 2011, resultando também num aumento do número de mortes como se pode observar na Figura 4.4. Em 2002, foram registados 31 257 casos de pneumonias, e em 2011, 41 847 casos, verificando-se um aumento de 33,9%, o que representa 10 590 novos casos. Ao nível das vítimas mortais, este aumento é ainda mais significativo, passando de 4 995 para 8 259 vítimas, representando um aumento de 65%.

Figura 4.3: Evolução da incidência de pneumonias entre 2002 e 2011.

Figura 4.4: Evolução da incidência de vítimas mortais derivada de pneumonia entre 2002 e 2011.

De forma a perceber se o aumento de vítimas mortais segue alguma tendência tendo em conta alguns indicadores relativos aos pacientes, foram desenvolvidas as análises seguintes. A Figura 4.5 mostra a incidência de vítimas mortais de pacientes portadores de pneumonia por género. A partir da Figura é possível observar que morrem mais pacientes com pneumonia do sexo masculino do que pacientes do sexo feminino.

Figura 4.5: Distribuição da incidência de vítimas mortais por género.

Por outro lado, a Figura 4.6 mostra a incidência de mortes por classe de idade, de onde é possível concluir que a classe mais afetada é a [65+] seguida da classe [25-64].

Figura 4.6: Distribuição da incidência de vítimas mortais por classe de idades.

Curiosamente, a Figura 4.7 mostra que a incidência de vítimas mortais tanto em pacientes do sexo masculino como feminino é muito similar desde a classe [0-4] à classe [20- 24], ao contrário do que ocorre nas classes [25-64] e [65+] onde se verifica uma discrepância significativa entre os dois géneros.

Figura 4.7: Distribuição da incidência de vítimas mortais por sexo e classe de idades.

Em seguida são apresentados alguns indicadores analíticos relativamente à incidência de pneumonias de forma a compreender-se melhor o seu comportamento e evolução identificando alguns padrões de incidência.

A Figura 4.8 mostra a distribuição da incidência de pneumonias em pacientes do sexo masculino e do sexo feminino, onde é possível verificar a existência de uma incidência maior no sexo masculino do que no sexo feminino, apesar do número de incidências no sexo feminino ter vindo a aumentar.

Na Figura 4.9 encontra-se a distribuição da incidência de pneumonias pelas classes de idade adotadas neste trabalho. Da distribuição obtida, destaca-se a classe [65+], uma vez que se trata da classe mais fustigada e a classe [0-4] que apesar da percentagem de incidência ter vindo a diminuir requer alguma atenção dado se tratar de uma classe sensível. De realçar que aparentemente todas as classes têm vindo a diminuir a sua incidência ao contrário da classe [65+] que tem aumentado consideravelmente.

Figura 4.9: Distribuição da incidência de pneumonia por idade.

Outro dos indicadores estudados foi a distribuição da incidência de pneumonias pelas classes de internamento: sem internamento, [1-3], [4-6], [7-10], [11-29] e [30+], definidas pela FPP. Como se observa na Figura 4.10 os pacientes portadores de pneumonia normalmente permanecem entre [11-29] dias internamentos. De destacar que apenas uma pequena percentagem permanece internada 30 ou mais dias e que uma percentagem de pacientes ainda menor não necessita de internamento.

Figura 4.10: Distribuição da incidência de pneumonia por tempo de internamento.

Relacionando o indicador relativo às classes de internamento com o atributo Flag_vitima_mortal, obtiveram-se resultados interessantes, nomeadamente o facto do número de vítimas mortais na classe sem internamento ser bastante significativo, como mostra a Figura 4.11.

Figura 4.11: Distribuição da incidência de pneumonia por tempo de internamento.

Relativamente às patologias e à influência que estas podem ter no desenvolvimento ou na gravidade da pneumonia, a Figura 4.12 mostra que as patologias Doença cardíaca crónica e Doença Pulmonar crónica foram as mais encontradas em pacientes com pneumonia. Por outro lado, as patologias Doença pancreática crónica e Doença hepática crónica foram as menos

encontradas nos pacientes. De realçar a Doença renal crónica que até ao ano de 2006 era muito pouco frequente e que tem vindo a ganhar proporções significativas desde então, ao contrário da Doença pulmonar crónica que tem vindo a diminuir.

De notar que as patologias com a designação Não disponível foram excluídas desta análise visto não terem sido consideradas prioritárias nesta fase do estudo.

Figura 4.12:Distribuição da incidência das patologias consideradas em pacientes com pneumonia.

A Figura 4.13 permite analisar a incidência das patologias em análise nos pacientes com pneumonia distribuídos pelas classes de idade consideradas.

Pela análise da figura concluiu-se, entre outras, que a patologia mais encontrada nos pacientes integrados na classe [65+] é a Doença cardíaca crónica bem como a Doença renal crónica. Os pacientes da classe [25-64] são afetados pelas patologias Doença hepática crónica e a Doença pancreática crónica.

Por último, salientar as classes mais jovens, nomeadamente a classe [0-4] onde existe uma incidência significativa da patologia Doença Pulmonar crónica.

Figura 4.13: Distribuição da incidência de determinada patologia em pacientes com pneumonia por classes de idade.

Relativamente à incidência de vítimas mortais, tendo em conta as patologias das quais o paciente é portador, constatou-se que esta é superior em pacientes com pneumonia portadores de Doença renal crónica, registando-se em 27,55% dos casos, seguida da Doença cardíaca crónica com 22,82% dos casos. Por outro lado, a incidência é menor em pacientes portadores de Doença pancreática crónica com 17,10% (Figura 4.14).

De notar que, apesar da incidência de vítimas mortais ser maior em pacientes portadores de Doença renal crónica, esta patologia não é das mais encontradas nos pacientes com pneumonia, tal como já referido, até 2006 esta patologia era muito pouco frequente.

Relativamente à distribuição da incidência de pneumonia por trimestre, a Figura 4.15 mostra que existe uma maior incidência no 1ºtrimestre seguido do 4ºtrimestre, o que corresponde aos meses de Inverno e Outono, respetivamente. O 3ºtrimestre é aquele que regista uma menor incidência.

Figura 4.15: Distribuição da incidência de pneumonias por trimestre.

Apresentados alguns dos exemplos de análises realizadas ao fenómeno das pneumonias são agora expostos exemplos da análise realizada aos dados dos incêndios.

Como se pode observar na Figura 4.16, não existe uma tendência de aumento nem diminuição relativamente à ocorrência de incêndios. Em 2005 registou-se um pico de incêndios em Portugal Continental e posteriormente em 2008 foi o ano com menor ocorrência tendo em conta os 10 anos em análise.

Nas análises realizadas concluiu-se que o tipo de incêndio mais frequente durante o período de tempo em análise foi o Florestal com cerca de 69%, seguido do Agrícola com 14%. Em contrapartida, o tipo de incêndio menos frequente foi a Queimada com 5% (Figura 4.17).

Figura 4.17: Distribuição do tipo de incêndios.

Relativamente ao tipo de causas possíveis para os incêndios ocorridos, concluiu-se pela análise da Figura 4.18, que a grande maioria corresponde a causa desconhecida. Excluindo esta causa, a mais frequente foi a Negligente com 9%, ao contrário da causa Natural que foi a menos registada.

Os incêndios do tipo Agrícola e Florestal para além da causa podem ser classificados quanto aos hectares de área ardida, nomeadamente em Agrícola, Fogacho ou Incêndio.

O Incêndio corresponde a todos os fogos com mais de 1 hectare de área florestal ardida. Agrícola, são ocorrências onde ardeu mais área agrícola do que florestal e onde a área florestal ardida não ultrapassa 1 hectare. Por fim, o Fogacho corresponde a ocorrências nas quais a área ardida florestal e agrícola não excede 1 hectare e onde ardeu mais área florestal do que agrícola. A Figura 4.19 mostra que 56% das ocorrências estão associadas a Fogachos, seguido de Incêndio com cerca de 15%. A menos registada foi a classificação Agrícola com 12%.

Figura 4.19: Distribuição da classificação de incêndios.

Relativamente à distribuição da ocorrência de incêndios por trimestre, a Figura 4.20 mostra que não existem diferenças tão evidentes entre os trimestres tal como acontece com a incidência de pneumonias, em que é notória uma incidência maior no 1º e 4º trimestre e menor nos restantes.

Analisando a figura, identifica-se o 2º e 3º trimestre como os mais afetados pela ocorrência de incêndios, o que corresponde aos meses de Primavera e Verão.

Figura 4.20: Distribuição da ocorrência de incêndios por trimestre

São agora apresentados diversos exemplos das análises geográficas efetuadas com o objetivo de estudar os fenómenos em questão ao nível dos distritos, concelhos e freguesias de Portugal continental, de forma a verificar a distribuição da incidência de pneumonias, bem como a sua evolução ao longo dos dez anos de estudo.

A concretização dos mapas desenvolvidos não se revelou uma tarefa fácil, uma vez que o Tableau funciona perfeitamente ao nível distrito mas ao nível dos concelhos e freguesias torna- se mais complicado pelo facto dos nomes não corresponderem com os do Tableau devido aos acentos, cedilhas entre outros. Por outro lado, o Tableau não permite a importação de ficheiros .shp o que poderia facilitar a concretização dos mapas.

A primeira tentativa efetuada envolveu a utilização de uma ferramenta denominada TabGeoHack que permite importar qualquer nível de detalhe geográfico de qualquer região do mundo, a fim de o usar para a visualização através de filled maps. Apesar de resultar, esta solução não demonstrava ser a mais indicada por diversos fatores, nomeadamente por se caracterizar a solução muito “pesada”, pelo facto de caso quando não existem pneumonias num determinado concelho ou freguesia ele não formar o contorno do respectivo nível geográfico. Entretanto um utilizador ligado à comunidade do Tableau desenvolveu um ficheiro twbx denominado PolygonConverted Extract14 que permite a partir da construção de polígonos obter

mapas para os três níveis geográficos pretendidos relativos a Portugal. Esta solução caracteriza- se por ser menos “pesada” que a anterior, uma vez que basta estabelecer uma relação entre o atributo geográfico pretendido, guardado na tabela local do modelo proposto com a variável correspondente à do PolygonConverted Extract .twbx.

O autor do ficheiro referido utilizou três shapefiles15 relativas a Portugal. Uma referente

aos distritos (PTR_adm1.shp), outra aos concelhos (PTR_adm2.shp) e por fim uma relativa às freguesias (PTR_adm3.shp).

Relativamente à escolha do atributo necessário para estabelecer a relação entre a tabela local e o ficheiro PolygonConverted Extract, os shapefiles que o autor utilizou ofereciam duas possibilidades. A primeira possibilidade era o nome dos distritos, concelhos, ou freguesias, ou então um ID que corresponde a um número inteiro atribuído incrementalmente a cada um dos atributos em questão. Ou seja, os distritos são caracterizados pelo ID_1, os concelhos pelo ID_2 e as freguesias pelo ID3.

Aquando da análise desta solução de forma à sua implementação, foram detetados erros geográficos causados por falhas contidas nos shapefiles utilizados pelo autor, nomeadamente o facto do concelho de Guimarães estar agregado ao concelho de Braga e do concelho de Alcoutim estar agregado ao concelho de Tavira. Relativamente às freguesias também foi detectado um erro, correspondente ao facto da freguesia da Fuseta pertencente ao concelho de Olhão não estar referenciado no PTR_adm3.shp.

Assim, caso fosse escolhido para atributo de relação o nome dos distritos, concelhos, ou freguesias, obrigaria à alteração na tabela local de concelhos como Guimarães e Tavira, pelos erros detetados. Deste modo, optou-se por acrescentar três novas colunas à tabela local para alocar os dados relativos aos atributos ID_1, ID_2 e ID3 não implicando assim qualquer alteração nos dados já guardados na tabela correspondente aos dados do INE.

As análises recorrendo à visualização de mapas permitiram estudar determinados indicadores que caracterizam o fenómeno das pneumonias e a sua incidência pelos três níveis geográficos.

Um dos indicadores analisados foi a média dos dias de internamento, permitindo verificar os concelhos onde os pacientes permanecem mais tempo internamentos e vice versa (Figura 4.21). Destacam-se os concelhos de Aljezur, Arronches, Crato e Seia como os concelhos onde o período de internamento é mais elevado.

Figura 4.21: Média dos dias de internamento distribuída pelos distritos e concelhos de Portugal continental.

Outro dos indicadores analisados foi a média do número de reingressos, permitindo verificar os concelhos onde os pacientes voltam com maior frequência ao hospital para um novo internamento (Figura 4.21).

Neste caso destacam-se os distritos de Setúbal, Faro e Portalegre, como agregando os concelhos com maior número de reingressos.

Figura 4.22: Média do número de reingresso distribuída pelos distritos e concelhos de Portugal continental.

Os resultados obtidos relativamente à análise dos indicadores acima, permitiram um estudo acerca das razões que possam estar por detrás dos mesmos, por parte de entidades interessadas.

Relativamente às análises efetuadas à incidência de pneumonias pelos três níveis geográficos, estas tiveram por base os dados relativos aos censos realizados em Portugal no ano de 2011.

Estes dados permitiram estabelecer comparações entre diferentes regiões, caso contrário tornar-se-ia impossível identificar as regiões onde a incidência foi maior ou menor, sem ter por base a população residente. Ou seja, analisando ao nível do distrito sabemos que o distrito de Lisboa é o que apresenta maior densidade populacional, mas não é possível afirmar que a incidência de pneumonias no distrito de Lisboa é superior em relação aos restantes distritos.

O Dashboard desenvolvido para realização destas análises integra o conjunto de indicadores apresentados na Tabela 3.18 na secção 3.3. Neste documento, são apresentados diversos exemplos das análises efetuadas. As restantes, tal como já foi referido no início desta secção, estão disponíveis ao utilizador a partir do Dashboard correspondente.

Dos mapas desenvolvidos para o estudo dos indicadores relativos à incidência de pneumonias, apresentados na Tabela 3.18 na secção 3.3 foram escolhidos dois exemplos para colocar neste documento.

O primeiro exemplo, representado na Figura 4.24, integra um conjunto de mapas que permitem analisar a distribuição da incidência de pneumonias na população em geral, bem como a sua evolução. Para esta análise procedeu-se ao cálculo de uma métrica denominada incidência_população que divide o número de pneumonias num determinado distrito ou concelho pelo total de habitantes residentes, Figura 4.23.

Figura 4.23: Métrica correspondente ao cálculo da incidência de pneumonia na população residente.

A partir da análise da figura percebe-se que a incidência de pneumonia tem vindo a aumentar nos distritos do centro e litoral, tendo por base os três anos em comparação. Para além disso, é possível concluir que os concelhos situados a Norte e Centro são os mais afetados por este fenómeno, destacando-se os concelhos que constituem o distrito de Bragança, que constituem o distrito mais afetado.

Na Figura 4.26 observa-se um conjunto de mapas que permitem analisar a distribuição da incidência de pneumonias na população com 65 ou mais anos de idade, bem como a sua evolução. Para esta análise procedeu-se ao cálculo de uma métrica denominada incidência_população_65+ que divide o número de pneumonias num determinado distrito ou concelho pelo total de habitantes residentes com 65 ou mais anos de idade, Figura 4.25.

Figura 4.25: Métrica correspondente ao cálculo da incidência de pneumonia na população residente com 65 ou mais anos de idade.

O estudo efectuado aos dados das pneumonias demonstrou que a população com 65 ou mais anos de idade é a mais afetada pelas pneumonias. Atendendo à distribuição populacional de Portugal Continental o Interior caracteriza-se por ser mais envelhecido que o Litoral, contudo os concelhos que integram os distritos do Interior, tal como mostra a Figura 4.26, não são os que apresentam maior incidência de pneumonias na população com 65 ou mais anos de idade.

Figura 4.26: Incidência de pneumonias em Portugal continental na população com 65 ou mais anos de idade.

Uma vez que a incidência de pneumonias se trata de uma percentagem e o número de incêndios ou área ardida de um não percentual, procedeu-se à normalização dos dados numa escala de 0 a 1 para permitir comparar os dois fenómenos num determinado concelho, por trimestre ou apenas ano, como mostra a Figura 4.27.

Para tal, procedeu-se ao cálculo de uma métrica denominada normalização (Figura 4.28) que divide um valor, que pode corresponder ao número de incêndios, pneumonias, ou área ardida, pelo valor máximo encontrado, numa determinada freguesia, concelho ou distrito.

Figura 4.28: Métrica correspondente à normalização dos dados.

Quanto ao estudo realizado com o objetivo de averiguar a existência ou não de uma relação de causa-efeito entre o fenómeno das pneumonias e dos incêndios foram utilizadas dois métodos. Inicialmente procedeu-se à análise e comparação visual, recorrendo a dois mapas, um para cada fenómeno, de forma a verificar se o aumento da área ardida numa determinada região se repercutia num aumento do número de casos de pneumonia. Depois percebeu-se que, para além de ser muito difícil realizar esta análise desta forma visual, só por si este método não era suficiente para se chegar a uma conclusão. Posteriormente, este método tornou-se um complemento de um outro método adotado, baseado no cálculo da correlação matemática entre um indicador de cada um dos fenómenos. A escolha da correlação deveu-se ao facto deste método matemático permitir quantificar a força da relação entre duas variáveis.

Uma correlação positiva indica que os dois fenómenos evoluem da mesma forma: quando um aumenta o outro também aumenta. Quando um diminui, o outro também diminui. É isto que a correlação avalia. Se a correlação for negativa, próximo de -1, então significa que têm comportamentos inversos. Quando um aumenta, o outro diminui.

Relativamente aos dados das pneumonias, o indicador selecionado foi o número de pneumonias, enquanto que no caso dos incêndios o indicador selecionado foi a área ardida. A influência que os incêndios podem exercer no fenómeno das pneumonias é resultado do fumo libertado durante o deflagrar dos incêndios. Assim, o concelho onde deflagraram mais incêndios pode não representar o concelho com mais área ardida. Por esta razão, no cálculo da correlação a escolha do indicador relativo aos incêndios recaiu sobre o total quantidade de área ardida e não sobre o número de incêndios. Tendo em conta que o fumo libertado por um incêndio ocorrido num determinado concelho pode afectar regiões vizinhas, a quantidade de área ardida foi dividida pela área territorial do respectivo concelho.

Outro dos aspetos tido em conta no cálculo da correlação foi o desfasamento temporal estabelecido entre os dois fenómenos, que corresponde ao tempo de incubação da doença. Relativamente a essa questão, o concelho científico da FPP apontou 1 mês como tempo de incubação necessário para o aparecimento da pneumonia, apesar de este valor não ser, para já,

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