2. Bakgrund
2.3 Miljöhälsa och tillsynens traditioner i Norden
Na sequência 1 - Explorando a charge em sala de aula, a professora inicia fazendo a apresentação, em data show, de doze charges que seriam trabalhadas. Eram charges sobre um assunto bastante atual à época - a Copa do Mundo de 2014. Terminada a apresentação, a professora pediu que os alunos manifestassem suas impressões sobre os textos partindo de questionamentos como: “Que textos são esses?” “Onde os encontramos?” “Qual é mais significativo para você?” “Os textos são parecidos em quais aspectos, ou não são?” A maioria dos alunos declarou que tinha gostado justificando apenas pela temática tratada – o futebol. Muitas observações feitas por eles desencadearam questões específicas sobre times de futebol pelos quais torciam, sem uma relação mais estreita com as charges apresentadas e com os questionamentos feitos pela professora.
Destacamos, neste momento inicial, o comportamento de muitos alunos em relação à primeira charge apresentada. É uma charge29 que figura no livro didático usado pela turma e assim que a professora fez a exposição das charges, alguns alunos a reconheceram e foram, inclusive, verificar e fazer considerações a partir do livro, demonstrando terem bastante apego ao livro didático.
Percebemos com isso certo distanciamento dos alunos em relação às práticas de linguagem com o gênero charge, ou seja, distanciamento das reais implicações sociais que perpassam ou fazem acontecer o gênero. A indiferença em relação aos aspectos de crítica, de ironia, de denúncia, tematizados na produção das demais charges a partir do tema “Copa do Mundo” denota a dificuldade dos alunos de se apropriarem do gênero neste momento de recepção. Esse comportamento pode ser entendido como reflexo de uma prática de ensino
107
centrada no livro didático (cf. cap. III, p.86). Segundo Barros e Nascimento (2007), em artigo que discorre sobre a abordagem dos livros didáticos, em geral, a grande maioria não possibilita o contato do aluno com o gênero em sua “essência” na forma em que circula na sociedade e em diferentes suportes.
Na sequência, a professora organiza os alunos, em dupla, entrega uma charge dentre as apresentadas, agora na versão impressa, e solicita que, sobre ela, preencham o seguinte quadro:
Quadro 8: Quadro sugestivo para atividade com o gênero charge Gênero textual:
Assunto tratado no texto:
Onde encontramos (ou podemos encontrar esse tipo de texto?): Informação explícita/dita textualmente:
Informação implícita/ “não dita”, mas compreendida:
Ao propor essa atividade, a professora procura situar o aluno nos aspectos gerais do texto e levá-lo a uma primeira contextualização e reação crítica diante do texto, provocando uma leitura para além do que é literalmente dito, possibilitando ao aluno a oportunidade de refletir sobre os recursos imagéticos a partir de suas próprias visões de mundo construídas culturalmente (cf. dimensão contextual do modelo multimodal, p. 66).
Os alunos pareceram não compreender a orientação de informação implícita/ “não dita”, mas compreendida. A fim de sanar as dúvidas, a explicação da professora se valeu de uma exemplificação com a charge a seguir:
108
Figura 14: Charge30“Implícitos na linguagem visual”
Fonte31: Charge coletada usando a ferramenta de pesquisa: Google Imagens
Em linhas gerais, a professora chama atenção para a relação entre a expressão facial expressa pela imagem dos rostos e o texto verbal respectivamente abaixo, para, em seguida chegar ao ápice de sua explicação denominando o que poderia ser compreendido no logo da copa, em suas palavras: “nosso país é uma vergonha”. Argumenta trazendo para a discussão o significado das cores verde e amarela como representativas do país e fez referência ao gesto de colocar a mão no rosto como sinal de vergonha. Trazendo a exemplificação para esses aspectos culturais compartilhados também pelos alunos, não houve dificuldades por parte deles no entendimento da significação construída.
Nas interações com a professora, os alunos colaboram com relatos de fatos da vivência social da comunidade corroborando ainda o sentido apresentado para a charge - o nosso país é uma vergonha e podemos passar vexame com a realização da Copa. Embora a exemplificação da professora tenha oportunizado aos alunos observarem certos aspectos sociais e críticos agregados às charges, sobretudo por meio da imagem, observamos que, ao completarem o quadro solicitado (Quadro 8), demonstraram, ainda, muita dificuldade para responderem ao que foi pedido, alguns, inclusive, deixando em branco.
Mesmo assim, não podemos deixar de considerar que as atividades desenvolvidas nesse momento da aula geraram uma interação entre o posicionamento dos alunos e da professora relativos aos aspectos imagéticos da charge. Os alunos expuseram experiências
30 Esta charge e as demais trabalhadas, nesta sequência de aulas, compõem o conjunto das doze que foram inicialmente apresentadas aos alunos.
31 Todas as charges foram coletadas usando a ferramenta de pesquisa “Google Imagens” durante o mês de maio de 2014.
109
vividas no seu convívio social e motivaram-se para o estudo. A professora pôde reconhecer na contribuição dos alunos aspectos da natureza e do funcionamento do gênero ainda bastante incipientes. Tal dinâmica atende ao objetivo desta etapa inicial do trabalho didático que é expor o gênero a ser trabalhado relacionando-o com a realidade social dos alunos.
Vejamos nossas impressões sobre esse primeiro momento da sequência de aulas, no trecho a seguir:
[...] percebi que os alunos gostaram da aula e, principalmente das charges, embora tenham demonstrado dificuldade para lidar com a natureza imagética do gênero. O maior problema foi justamente perceber os implícitos sugeridos por meio da imagem. [...] gostei da orientação da professora que, com desenvoltura, recorreu a uma charge para exemplificação (não havíamos refletido acerca dessa dificuldade que poderia surgir), de certa forma, ela fez uma adaptação ao planejamento e revelou segurança na abordagem dos aspectos imagéticos.
Notas de campo, 22/05/2014.
Como visto, no primeiro momento desta sequência de aulas, com a abertura para a discussão acerca da multimodalidade, mais do que oportunizar um contato dos alunos com as charges, a professora conseguiu levá-los a refletir a respeito das imagens como comunicadoras de aspectos relevantes das relações sociais, além de fatos, estados de coisas e percepções que o comunicador deseja transmitir (VIEIRA, 2007, p.29).