2. Teoretisk rammeverk: brevteori og diskursanalyse
2.2 Mikro- og makronivå i diskursanalyse
A análise dos dados obtidos das entrevistas semi-estruturadas foi realizada utilizando-se da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) proposta por Lefèvre e Lefèvre (2000). Essa estratégia foi desenvolvida como alternativa metodológica de análise de discursos extraídos de entrevistas semi-estruturadas e também de outras fontes que tenham em si a expressão do que pensa ou acha determinada população sobre um tema específico.
A técnica tem por objetivo esclarecer determinada representação social por meio de um discurso único construído a partir de partes de depoimentos de um grupo sobre um tema específico. Pode-se dizer que o DSC é uma agregação discursiva, ou seja, ela não reúne discursos iguais e sim pedaços diferentes dos discursos individuais considerados complementares entre si. Essa construção seria capaz de resgatar o imaginário da população estudada sobre determinado tema, sendo, portanto, a representação de seu pensamento. Sua estratégia de análise procura “resgatar o discurso como signo de conhecimentos dos próprios discursos” (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2000, p.19).
Lefèvre e Lefèvre (2003) descrevem quatro figuras metodológicas presentes na construção dos DSCs: As expressões-chave (ECH) que são citações literais de partes do depoimento do participante onde pode ser identificado o conteúdo essencial do depoimento; as Idéias Centrais (IC) que são afirmações sugeridas pelo analisador que traduzem o que há de
essencial no conteúdo de cada depoimento; a Ancoragem (AC) que é a manifestação lingüística explícita de uma dada teoria; e o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) que são os discursos–síntese representativos de um determinado grupo social composto pelas ECH que têm a mesma IC ou AC.
As etapas realizadas para a construção dos DSCs, segundo instruções dos autores, iniciaram-se pela transcrição de todas as entrevistas em sua íntegra e pela leitura de cada uma delas para que a pesquisadora pudesse apreender o conteúdo geral dos depoimentos (LEFÈVRE; LEFÈVRE, 2000). Em seguida, foram extraídas as respostas dadas pelas participantes para cada questão do roteiro de entrevista.
A partir do depoimento de cada um dos três grupos, foram tiradas as ECHs e as ICs. Foram encontradas ECHs e ICs semelhantes e/ou complementares e divergentes. As ECHs e ICs semelhantes e/ou complementares foram agrupadas para formar um DSC. Isso significa que para a mesma questão, em algumas situações, formaram-se mais de um DSC.
Com o objetivo de facilitar a compreensão de como são construídos os DSCs, foi elaborado um exemplo que contém cada um dos procedimentos que foram adotados.
A primeira etapa consiste em separar para cada questão os depoimentos de todas as mães do grupo a ser analisado. Como exemplo foi selecionada a questão: Em sua opinião, seu filho precisa de algum outro tipo de tratamento? Quais?
Verificam-se no Quadro 10 os depoimentos das mães do GM1 para esta questão, em sua íntegra.
QUADRO 10 – Depoimentos do GM1
M1: Não. Acho que no momento acho que tá bom viu. Acho que ela tá evoluindo bem. Ela melhorou bastante depois que ela foi pra Instituição de Tratamento. Antes ela ia pro Centro de Atendimento Municipal, com a moça lá. Mas depois que ela foi pra Instituição de Tratamento ela melhorou bem mais. Depois da cirurgia que ela fez agora no começo do ano, ela teve uma evolução assim até... tá evoluindo bem mais rápido. Nos últimos dois meses aí ela tá evoluindo bem. Tá mais com vontade né, de andar, de fazer as coisa. Tá entendendo bem mais as coisas. Não sei se tem alguma coisa a ver, alguma coisa com a outra, mas...
M2: Ah... ele precisava. Precisava fazer equo, piscina. Ele tava fazendo piscina, mas eu parei porque ele fez botox, né. Agora com esse frio ele está com uma gripe, daí parei um pouco. M3: Ah, ele precisaria sim de uma TO... e eu acho que fono também, porque ele faz fono, mas a fono dele é pra deglutição, pra se alimentar, né. E precisaria fazer também. Eu não sei como
é que faz. Não sei se é fono...pra ele começar a querer falar, porque tem hora que ele quer falar, mas acho que ele não consegue, ele não sabe ainda. Porque quando ele quer pronunciar, ele pronuncia algumas palavras. Eu acho que precisaria de uma ajuda mais.
M4: precisa. Ela precisa de equoterapia que vai ajudar ela no equilíbrio, assim, no controle de tronco. As fisioterapeutas falam pra gente. Precisa de hidroterapia, urgente também. Que ela estava se dando bem só que parou a ONG lá. Precisamos tirar ela, mas só que ela precisa entrar de novo. E precisa de mais fisioterapia também. Mais fisioterapia. Com um profissional. Que ela faz, apesar do tratamento dela, de se tratar bem lá na Instituição de Tratamento., mas ela precisa de um profissional direto com ela. Um profissional mesmo fazendo fisioterapia. Ela fazia, mas a gente teve que parar porque meu marido foi mandado embora do emprego e elas faziam pelo plano de saúde. Não deu pra continuar.
A partir da leitura geral de todos os depoimentos, encontram-se as Idéias Centrais (ICs), que neste caso são: “Não necessita de outros tratamentos” e “Necessita de outros tratamentos”.
Para cada IC são retiradas as Expressões-Chave (ECHs), que são partes do depoimento que realmente contêm o que é essencial na fala do participante, conforme se ilustra nos Quadros 11 e 12.
QUADRO 11 - Idéia Central 1- Não necessita de outros tratamentos
M1 - Acho que no momento acho que está bom viu. Acho que ela está evoluindo bem. Ela melhorou bastante depois que ela foi pra Instituição de Tratamento. Antes ela ia pro Centro de Atendimento Municipal, com a moça lá. Mas depois que ela foi pra Instituição de Tratamento ela melhorou bem mais. Depois da cirurgia que ela fez agora no começo do ano, ela teve uma evolução assim até... está evoluindo bem mais rápido. Nos últimos dois meses aí ela está evoluindo bem. Está mais com vontade né, de andar, de fazer as coisas. Está entendendo bem mais as coisas. Não sei se tem alguma coisa a ver, alguma coisa com a outra, mas...
QUADRO 12 - Idéia Central 2 - Necessita de outros tratamentos
M2 – Ah... ele precisava. Precisava fazer equo, piscina. Ele estava fazendo piscina, mas eu parei porque ele fez botox, né. Agora com esse frio ele está com uma gripe, daí parei um pouco
M3 – Ah, ele precisaria sim de uma TO... e eu acho que fono também, porque ele faz fono, mas a fono dele é pra deglutição, pra se alimentar. E precisaria fazer também. Eu não sei como é que faz. Não sei se é fono...
M4 - precisa. Ela precisa de equoterapia. Precisa de hidroterapia, urgente também. Que ela estava se dando bem só que parou a ONG lá. Precisamos tirar ela, mas só que ela precisa entrar de novo. E precisa de mais fisioterapia também.
Para finalizar, são construídos os Discursos do Sujeito Coletivo (DSC), unindo as ECHs de forma a obter um discurso único representante do pensamento do grupo de mães de crianças com PC grave participantes deste estudo. Seguem-se os discursos construídos:
Em sua opinião, seu filho precisa de algum outro tipo de tratamento? Quais?
• Idéia Central 1 - Não necessita de outros tratamentos
DSC 1: Acho que no momento acho que está bom viu. Acho que ela está evoluindo bem. Está entendendo bem mais as coisas.
• Idéia Central 2 - Necessita de outros tratamentos
DSC 2: Ah... precisava. Ele precisaria sim de uma TO... e eu acho que fono também, precisa de equoterapia. Precisa de hidroterapia, urgente também. E precisa de mais fisioterapia também.
6 RESULTADOS
Serão apresentados, a seguir, os resultados obtidos por meio das análises dos DSCs de cada grupo de mães, sendo o GM1 formado pelas mães de crianças com idade entre 3 e 5 anos, GM2 pelas mães com crianças com idade entre 7 e 10 anos e GM3 pelas mães de crianças com idade entre 11 e 12 anos.
As ECHs obtidas a partir de cada grupo de entrevistas podem ser encontradas nos APÊNDICES 12, 13 e 14.
No sentido de garantir as questões éticas envolvidas no presente trabalho, optou-se por chamar todos os serviços de atendimento onde a pesquisa foi realizada por Instituição de Tratamento. Também optou-se por dar uma denominação comum para todos profissionais envolvidos no tratamento quando havia possibilidade de identificação tanto das mães quanto de profissionais. Deste modo, os profissionais foram agrupados da seguinte forma: terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos foram identificados por profissionais de reabilitação e todas as especialidades médicas por profissionais médicos. Por fim, também foram retirados todos os nomes de serviços que pudessem identificar a cidade onde foi realizada a coleta de dados.