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Finalizada a revisão teórica, esta seção tem o objetivo de esclarecer o conjunto de conceitos que norteiam a execução deste trabalho.

A cooperação U-E aparece na literatura como uma importante oportunidade de geração de inovações, principalmente tecnológicas. A interação entre empresa e universidade faz com que a pesquisa básica seja transmitida ao ambiente empresarial, alimentando um fluxo de desenvolvimentos dirigidos ao consumidor. Nesse contexto, a universidade não precisa se desvincular da sua função de formação e pesquisa básica, mas sim buscar encontrar um equilíbrio entre suas atividades, permitindo-se atuar em conjunto com as empresas.

Existem vários instrumentos e formas de cooperação, desde relações pessoais informais até a criação de estruturas físicas conjuntas, mas a revisão teórica não apresentou um consenso sobre todas estas tipologias. Bonnacorsi e Piccaluga (1994) realizaram uma tentativa nesse sentido que, quando aliada à visão de Plonski (1999), forma um panorama interessante desse tema.

Nesse cenário, o governo aparece como um importante ente de estímulo à aproximação academia e empresa. Falar em cooperação U-E implica a consideração de quanto o ambiente político e as condições de fomento propiciam essa aproximação. No Brasil, a Lei de Inovação de 2004 é uma das mais recentes iniciativas nesse sentido.

Sobre os tipos de inovações, estas podem ser de produto, processo, organizacionais, de marketing e tecnológicas, dentre outras. A classificação apresentada pela OECD (2005) sobre esse tema parece ser adequada, na medida em que abrange a maioria dos conceitos apresentados pelos demais autores. Já o grau de novidade, este pode variar de incremental a radical segundo Tidd, Bessant e Pavitt (2001). Em relação a esse tema, é importante

considerar os benefícios, citados por Stal (1999), da cooperação U-E para as inovações nas empresas.

Apesar da importância da cooperação, essa aproximação não aparece como algo fácil de ser realizado. Estudos demonstraram a existência de diversas barreiras que dificultam a compatibilização das necessidades da empresa com os objetivos da universidade.

Uma alternativa para a minimização desses entraves são as estruturas de interface. Em geral, essas estruturas estão intimamente conectadas às universidades, mas possuem uma equipe própria. Suas atividades envolvem desde aspectos jurídicos até o acompanhamento dos projetos, sendo um fator importante o conhecimento das motivações e barreiras de todas as partes. Conforme mencionado pelos autores, as contribuições das estruturas de interface variam da interlocução, passando pela intermediação profissional e especializada à introdução de um paradigma empreendedor na academia.

Após esse panorama, segue na Figura 1 o referencial definitivo, com os autores e conceitos-chave utilizados por este estudo.

Figura 1 – Síntese do referencial teórico do estudo

Cooperação U-E Estrutura de Interface Inovação

Instrumentos e Formas das relações

Plonski e Vedovello (1990), Bonnacorsi e Piccaluga (1994),

Brisolla et al. (1997), Lima (1999), Plonski (1999), Macpherson (2002), Segatto-

Mendes e Sbragia (2002), Pavitt (2006), Segatto-Mendes e Mendes (2006), Lotufo, Santos e

Todedo (2009). Contribuição do governo Bonnacorsi e Piccaluga (1994), Fonseca (2001), OECD (2001), Segatto-Mendes e Sbragia (2002), Filho (2005), Kruglianskas; Matias-Pereira (2005), Arruda, Hollanda e Velmulm (2006), Mowery e Sampat (2006) e Lei de Inovação

de 2004 (BRASIL, 2007a).

Características

Branscomb e Keller (1998), Sbragia (2006), Alves, Marques e Saur-Amaral (2007), Lei de Inovação de 2004

(BRASIL, 2007a).

Atividades

Uller (1990), Segatto-Mendes e Sbragia (2002), Segatto-Mendes e Rocha (2005), Cabral et al. (2006), Lei de Inovação de 2004

(BRASIL, 2007a) e Philbin (2008).

Contribuição para cooperação

Etzkowitz et al. (2000), Fassin (2000), Costa e Cunha (2001),

Terra (2001), Friedman e Silberman (2003), Alves, Marques e Saur-Amaral (2007),

Siegel, Veugelers, e Wright (2007) , Wolson (2007), AUTM

(2008) e Byrne, O’Gorman e Pandya (2008).

Tipologia

Stal (1999), Tidd, Bessant e Pavitt (2001) e OECD (2005).

3.3.1 Modelo teórico do estudo

A partir do referencial deste estudo, foi possível elaborar um modelo teórico que serviu como um guia para toda a análise (Figura 2).

Figura 2 – Modelo teórico do estudo

Fonte: Elaborado pela autora.

O objetivo desse modelo foi destacar, de forma ilustrativa, os principais conceitos trazidos pelo referencial teórico:

 Existem inúmeros instrumentos e formas de cooperação entre universidades e empresas;

 O governo atua estimulando toda a cooperação;

 Existem barreiras às interações U-E que implicam a necessidade de existência de uma estrutura de interface;

 As estruturas de interface geralmente estão ligadas às universidades e atuam na fronteira contribuindo de diversas formas para que as cooperações U-E aconteçam com maior frequência e de forma mais organizada.

Sobre a figura acima, pode-se dizer que o governo envolveu toda a cooperação U-E, pois ele influencia e incentiva esses relacionamentos seja por meio da universidade, da empresa ou da estrutura de interface.

Dentro do conceito da cooperação ficaram todos os relacionamentos U-E intermediados ou não pela estrutura de interface, que está ao centro e nitidamente ligada à universidade. O nome “estrutura de interface” está em negrito para destacar o nível de análise deste estudo.

A linha dos instrumentos e formas de cooperação ficou maior que o limite da estrutura de interface, pois não foram encontradas na literatura evidências de que os ETLT/NITs sejam responsáveis por intermediar todos os tipos de relacionamentos. O contorno pontilhado teve o objetivo de diferenciá-los da empresa, da estrutura de interface e da universidade, que são organizações. Além disso, a inovação foi ligada diretamente aos instrumentos e formas, pois é a partir das interações que surgem as inovações.

Por fim, as setas horizontais com a cor gradualmente mais clara ao centro buscaram ilustrar as barreiras e as contribuições das estruturas de interface foram representadas por uma linha contínua, como uma “barra de sustentação horizontal”, capaz de suportar as cooperações U-E minimizando as barreiras.

4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A seguir será descrita a metodologia que foi utilizada para a realização desta pesquisa, que inclui a definição dos casos, como foram feitas a coleta e a análise dos dados.