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Middelaldernøtter

In document Klassisk Forum, 1995:2 (sider 81-90)

Esse trabalho é uma tentativa de se estabelecerem classes de palavras a partir de traços distintivos nas estruturas deverbais retiradas do Glossário do “Foro Real – Afonso X”, parte

43 integrante da edição de José de Azevedo Ferreira de 1987, com um foco específico nas estruturas formadas por particípios. A análise dos dados foi feita segundo a Gramática Descritiva do Português (Perini, 1997), e da Gramática da Língua Portuguesa de Mira Mateus et al. (2003).

Esta pesquisa foca, sobretudo, as estruturas nominais formadas a partir de particípios, propondo uma distinção entre substantivos, adjetivos e particípios, ou seja, como se dá a passagem de um elemento com traços verbais para um elemento com traços nominais nesse texto. A distinção entre os tipos de particípios é feita através do contexto sintático.

Esse trabalho é semelhante ao anterior no que tange ao problema de classificação, entretanto, aborda outros tipos de deverbais sob e, sobretudo, a análise é realizado sob o ponto de vista sintático.

Após reportar verbetes, conceitos gramaticais e trabalhos acadêmicos, procederemos a uma análise comparativa com os principais trabalhos acadêmicos citados. Tal análise objetiva a constatação das contribuições e das lacunas em relação ao que já foi realizado na área em questão e, nesse contexto, justificar e apresentar nossas contribuições com esta pesquisa. A Tabela 3 ilustra os trabalhos estudados até agora com o intuito de realizar uma comparação. As pesquisas estão organizadas de acordo com as letras abaixo:

A- Representação sintático-semântica do deverbal em português B- Formações de Palavras no Português Brasileiro

C- Polissemia sistemática em substantivos deverbais

D- Um modelo teórico de formação de palavras e sua aplicação aos deverbais do português

E- Os sufixos -ção e -mento na construção de nomes de ação e de processo: contribuições às práticas lexicográficas

F- Deverbais em um texto português do século XIV: Considerações sobre o étimo G- O estudo de deverbais na carta de Pero Vaz de Caminha

H- Considerações sobre particípios e nomes deverbais no Foro Real I- Este trabalho

Os seguintes campos aparecem na Tabela 3: uso de corpus; tipo de corpus; tamanho do corpus; uso de recursos computacionais; período de análise; dados atestados por dicionários; tema do trabalho; e abordagem teórica.

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Tabela 3: Comparativo entre os trabalhos estudados Uso

de

corpus

Tipo

do corpus Tamanho do corpus Uso de recursos comp. Período de análise Atestação de dicionário Tema do

trabalho Aborda-gem

A Sim contempo râneo 34 obras Não 1955- 1975 Sim Deverbais de ação - Sintático - semânti- ca B Sim contempo râneo

42 jornais Não 1988 Não Formação

de palavras Morfolo- gia C Não - - - Deverbais de ação Semân- tica D - - - Deverbais Fonolo- gia e Semânti ca E Sim contempo râneo

- Não Sim Deverbais

construíd os por sufixação -mento e -ção Lexico- grafia

F Sim Histórico 1 texto Não XIV Sim Deverbais Morfo-

logia e Etimo- logia

G Sim Histórico 1 texto Não XVI Sim Deverbais Morfo-

logia e Etimolo gia

H Sim Histórico 1 texto Não Sim Deverbais Morfo-

logia e Etimolo gia

I Sim Histórico 7 milhões de palavras Sim XVI, XVII, XVIII e parte do XVIX Indiferent e Deverbais de ação Morfo- logia/ Lexicolo gia

45 Para uma breve análise dos dados da Tabela 3, elegemos apenas os trabalhos que utilizam corpora e abarcam todos os processos de formação de deverbais segundo a perspectiva da morfologia derivacional. Portanto, somente A, B e I.

Todos se utilizam de corpus, contudo apresentam metodologias diferentes para a compilação do corpus e extração dos deverbais. Tanto A quanto B não têm o apoio de ferramentas computacionais para tais etapas, por conseguinte, o gasto temporal para se obter os dados - atualmente aspectos como tempo de compilação, de organização e de busca dos dados são determinantes na viabilidade de realização de qualquer pesquisa – é muito grande.

A e B realizam suas análises lexicais sincronicamente, ou seja, analisam o sistema linguístico em funcionamento num determinado momento, sem a perspectiva histórica. I, por sua vez, apesar de partir de regras disponíveis no léxico atual utilizando um modelo sincrônico, por se tratar de um corpus histórico, os dados a serem analisados são diacrônicos. Em relação ao tema, B reporta todos os processos de formação de palavras do português que envolvem os novos vocábulos, por isso acaba tratando as formações deverbais, todavia, de maneira superficial, já que o intuito do trabalho é dar conta de todas as unidades lexicais novas e não explorar somente a categoria deverbal. Em A, apesar da autora tratar, exclusivamente, dos deverbais de ação, a análise é sob a perspectiva sintático-semântica segundo a teoria transformacionalista. E, finalmente I – este trabalho – foca a construção dos deverbais de ação segundo o modelo SILEX que atualmente pode ser considerado quase uma teoria geral do léxico, por pretender dar conta da estrutura e do funcionamento do léxico, incluindo aspectos formais e semânticos.

Sobre a atestação por dicionário, para B é condição fundamental o fato da palavra não estar dicionarizada. Tal procedimento justifica-se pelo fato de o objetivo ser justamente descobrir palavras novas. Em I o fato de uma palavra ser atestada ou não por dicionários é indiferente, pois o que interessa é a produtividade dos mecanismos de construção dos deverbais, pautada na competência dos falantes que é anterior a qualquer intervenção social.27

27

Somos capazes de interpretar e produzir muitas construções lexicais sem saber se elas estão ou não incorporadas no léxico, devido a um conjunto de regras internalizadas. Contudo, na língua em uso, muitas dessas unidades lexicais nem chegam a existir, pois através do principio da economia lexical, se já temos uma palavra que circula na língua para expressar determinado fenômeno, não necessitamos de outra com a mesma função (por exemplo, se já utilizamos a palavra aprimoramento por que deveríamos utilizar também a palavra

aprimoragem? Este é um deverbal possível, mas não necessariamente em uso). Os aspectos sociais que

influenciam para que algumas palavras sejam incorporadas e outras não, são inúmeros, mas não nos compete neste trabalho analisá-los.

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