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O Grupo Cuiabá representa rochas de derivação glácio-marinha e detrítica, metamorfizadas em fácies xisto-verde de grau baixo, deformadas por dobras e cavalgamentos (Tokashiki e Saes 2008). Estas rochas afloram na porção SE da Faixa Paraguai Norte (Figura 14) e foram estudadas em cortes de estrada ao longo das rodovias BR-163, BR-070, MT-240 e MT-060, nas proximidades de Poconé, Cuiabá, Nobres e Planalto da Serra (MT).

Compreendem filitos, metadiamictitos, metaritmitos, metapelitos e metarenitos, de granulação fina e metarenitos conglomeráticos de granulação média a grossa (Figura 15). É consenso que as rochas do Grupo Cuiabá teriam se depositado predominantemente em mar profundo com influência glacial, com canais submarinos de alta energia (Tokashiki e Saes 2008).

Estas rochas são compostas por quartzo, plagioclásio, feldspato, muscovita, fengita, biotita, epidoto em proporções acessórias e matriz formada por argilominerais. Localmente, estas rochas apresentam clastos de quartzo, feldspato e fragmentos de rochas (granito, gnaisse, rochas vulcânicas básicas e quartzito).

Estudos geocronológicos em zircão detrítico indicam idades mínimas mesoproterozóicas para as possíveis áreas fonte, que podem corresponder a rochas do Cráton Amazônico, adjacente (Tokashiki e Saes op. cit.).

As rochas do Grupo Cuiabá geralmente apresentam camadas de direções preferenciais NE-SW, com mergulhos moderados a altos para NW e SE e ENE-WSW com mergulhos baixos a moderados para N, S e subverticais.

Registram estruturas tectônicas a exemplo de zonas de cisalhamento NE-SW, foliação contínua fina e foliação milonítica com direção NE-SW, dobras flexurais com eixos de caimentos rasos NE e SW; cavalgamentos dúcteis-rúpteis NE-SW; e bandas de cisalhamento NE-SW tardias. As rochas são cortadas por veios de quartzo de larguras centimétricas a milimétricas e comprimentos métricos, de diferentes gerações com geometria tabular,

subconcordantes e discordantes à trama dúctil. Mais detalhes sobre estas estruturas estão apresentadas no Capítulo 5.

Figura 15: Rochas do Grupo Cuiabá expostas nas proximidades de Cuiabá, Poconé, Jangada, Nobres e Planalto da Serra (MT). (A) metapelitos compostos por argilominerais, micas, quartzo e fragmentos de rochas graníticas e areníticas; (B) metadiamictitos de granulação média a grossa com matriz argilosa a arenítica de coloração arroxeada com seixos e matacões de granitos, gnaisses, arenitos e quartzo angulosos e; (C) filitos micas, quartzo e fragmentos de feldspato, cortados por veios de quartzo e (D) metarenitos de granulação média a grossa associados à metarenitos conglomeráticos com seixos e matacões de quartzo e fragmentos de rocha.

4.1.1.1 Filitos

Os filitos pertencentes ao Grupo Cuiabá afloram na porção central e S da região estudada (Figura 14), nas proximidades de Poconé e Cuiabá (MT). Estão em contato com metarenitos e metadiamictitos.

Macroscopicamente estas rochas apresentam cores que variam de amarela a branca- acinzentada, granulação muito fina, com registro de níveis de fragmentos líticos de quartzo, feldspato, granito, gnaisse, quartzito, e ocasionalmente de rocha vulcânica básica com dimensões centimétricas e decamétricas.

Ao microscópio os filitos apresentam textura predominantemente lepidoblástica e localmente granoblástica, e granulação muito fina a média. São compostos por micas (fengita, muscovita e ocasionalmente biotita), argilominerais, quartzo, feldspato alterado para epidoto e sericita e carbonato (Figura 16).

As micas (fengita, muscovita e biotita) perfazem 50-60% da rocha, apresentam granulação muito fina e apresentam alterações para argilominerais. Os cristais desta rocha são achatados e orientados definindo uma trama planar contínua fina, com direção preferencial NE-SW (Capítulo 5, item 5.2.2).

Os demais componentes mineralógicos são representados por agregados de quartzo e feldspato com granulação média a fina, subédricos a anédricos. O quartzo apresenta feições lamelares, cristais policristalinos e ocasionalmente fitados. Os cristais de feldspato estão localmente fraturados.

Os filitos exibem acamamento preservado e dobrado com geometria cilíndrica, com dobras recumbentes a moderadamente inclinadas, com eixos de caimentos suaves para NE e SW (Capítulo 5, item 5.2.3).

Este conjunto de rochas é cortado por vênulas de quartzo e veios de quartzo, com geometria tabular, largura milimétrica a centimétrica e comprimentos centimétricos, com direções NW-SE, N-S, E-W e NE-SW (Capítulo 5, item 5.3.4).

Figura 16: (A) Filitos de granulação fina com foliação com direção preferencial NE-SW e cortados por fraturas de direção NW-SE. (B) São compostos de muscovita, fengita e argilominerais, com textura lepidoblástica e presença de porfiroclastos de quartzo e feldspato. Ao microscópio os cristais de mica orientados e de quartzo fitado policristalino definem planos de foliação contínua fina nestas rochas.

4.1.1.2 Metadiamictitos

Os metadiamictitos que integram o Grupo Cuiabá, foram mapeados nas porções N e NE da área estudada (Figura 14), nas proximidades de Nobres e Planalto da Serra (MT).

Macroscopicamente os metadiamictitos apresentam matriz de cor arroxeada, de granulação fina e composição areno-argilosa, com quartzo e argilominerais. A matriz suporta seixos e matacões de quartzo e fragmentos de rochas graníticas, vulcânicas e sedimentares, por vezes fraturados e orientados na direção NE-SW (Figura 17).

Na porção NE da área investigada, os metadiamictitos apresentam cor vermelha devido à ação de intemperismo. Apresentam foliação incipiente foliação incipiente e são cortados por veios de quartzo de espessuras centimétricas e direção E-W (Figura 18).

Ao microscópio estas rochas possuem textura granoblástica e mostram duas populações de cristais: (1) A matriz de granulação fina composta de quartzo, argilominerais, feldspato; e (2) porfiroclastos representados por fragmentos líticos de rochas metamórficas, vulcânicas, sedimentares, grãos de quartzo e plagioclásio angulosos a subangulosos, com granulação grossa a muito grossa. Estes clastos exibem discreta orientação NNE-SSW (Figura 17). Os fragmentos de rocha, por vezes apresentam microfraturas de direções N-S e NE-SW.

A hipótese clássica de influência glacial nestes depósitos é sustentada com base na presença de metadiamictitos. Além disso, estas rochas se apresentam deformadas por estruturas tectônicas dúcteis e dúcteis-rúpteis dificultando a identificação de estruturas primárias, assim estas rochas podem também ser relacionadas a depósitos de leques submarinos em ambiente de talude, sem necessariamente a presença de glaciação.

Figura 17: (A) Metadiamictito com matriz de areno-argilosa de granulação muito fina a fina, com fragmentos de cristais de quartzo de granulação média a grossa, fragmentos de rochas, com destaque para vulcânicas, metamórficas e sedimentares. (B) Os fragmentos de rocha e de cristais de quartzo e feldspato são angulosos a subangulosos, apresentam granulação fina e orientação preferencial NE-SW.

Figura 18: (A) Metadiamictitos vermelhos, com foliação incipiente. Apresentam-se cortados por veios de quartzo com espessura centimétrica e com direção E-W. (B) Clasto de granito subangulosos em meio à matriz areno-argilosa, com fraca foliação.

4.1.1.3 Metaritmitos

Os metaritmitos compreendem pacotes de metarenitos e metapelitos intercalados expostos na porção SE da área estudada, nas proximidades da área onde afloram as rochas do Granito São Vicente (Figura 14).

As sequências de metapelitos e metarenitos são granocrescentes no sentido ascendente, apresentam planos de estratificação plano-paralela com marcas onduladas e estruturas de sobrecarga. Os metaritmitos apresentam acamamento preservado com direção NE-SW e mergulhos subverticais. São cortados por fraturas de direção NW-SE subverticais (Figura 19).

Ao microscópio, os metarenitos apresentam bimodalidade, com porções de granulação fina onde predominam cristais de quartzo angulosos a subangulosos, subédricos, argilominerais, biotita e epidoto anédrico (Figura 20A e 20B). Os cristais de quartzo são fitados e se apresentam em agregados de cristais policristalinos.

Nestas rochas ocorrem vênulas de quartzo com larguras milimétricas a centimétricas e comprimentos centimétricos. Porções onde predomina a granulação média a grossa são caracterizadas por cristais de quartzo subarredondados a subangulosos e feldspato anédrico. Estes cristais exibem microfraturas de direção NW-SE (Figura 20C).

Figura 19: Metapelitos intercalados com metarenitos com estratificação plano-paralela, granocrescente ascendente, com marcas onduladas e estruturas de sobrecarga. O acamamento apresenta direção NE-SW e mergulhos altos para NW. Ocorrem fraturas subverticais NW-SE e NE-SW (UTM 644337/8255446).

Figura 20: Fotomicrografia de metapelitos/metarenitos: (A) contatos entre metapelitos e metarenitos granulação muito fina e lentes de argilominerais; (B) contato entre metapelito e metarenito com matriz de granulação muito fina e cristais de quartzo de granulação grossa, fitados NE-SW com discreta cinemática sinistral; (C) metarenito com pouca matriz, cristais de quartzo com granulação média a grossa. Ocorrem microfraturas NW-SE e N-S nos cristais de quartzo; (D) metapelito de granulação muito fina e lamelas de mica branca.

4.1.1.4 Metarenitos conglomeráticos

Os metarenitos conglomeráticos que integram o Grupo Cuiabá afloram na porção N da área de estudo, ao longo da BR-364, entre os municípios de Jangada e Nobres (MT) – (Figura 14).

Esta sequência é caracterizada por intercalações de metarenitos de granulação grossa com metarenitos conglomeráticos. Apresentam matriz de granulação média a grossa, que suporta seixos e matacões subangulosos de quartzo (Figura 21). O conjunto de rochas apresenta estratificação plano-paralela com marcas onduladas e mostra granodecrescência ascendente. Subordinadamente ocorrem lentes de metapelitos intercalados.

Apresentam acamamento preservado, com direção NE-SW e mergulhos altos para NW. São cortados por veios e vênulas de quartzo de espessuras centimétricas de direção NW- SE e mergulhos subverticais. Possuem clivagem de fratura subconcordante ao acamamento (Figura 22).

Figura 21: (A) Metarenitos conglomeráticos intercalados com metarenitos de granulação média, cortados por veio de quartzo de direção NW-SE. As camadas mostram mergulhos subverticais de direção NE-SW; (B) detalhe de metaconglomerados com matriz composta de metarenito de granulação grossa com seixos de quartzo subangulosos.

Figura 22: Metarenito conglomerático intercalado com metaconglomerados com lentes metapelíticas subordinadas. Apresentam acamamento NE-SW com mergulhos entre 70-88º para NW. As rochas são cortadas por falhas, clivagens NE-SW, e por feixes de veios de quartzo de direção NW-SE subverticais com arranjo escalonado (UTM 565100/8298706).