Definiciones y aclaraciones
1. Visión del periódico Granma acerca del derrumbe (1989-1992) derrumbe (1989-1992)
1.2 Metodología empleada para las fuentes escritas
Para a classificação da família utiliza-se a classificação de Barnhil (1979) em que sucintamente é referida a distinção entre as famílias saudáveis e as disfuncionais, através de vários critérios, sendo estes os constituintes apontados no Quadro 3 e no Quadro 4. Pela análise das famílias de origem e de procriação identificam-se um conjunto de factos principais a nível do conjunto, para cada uma das dimensões em análise. A importância da análise da família de procriação, logo após a família de origem, reside na identificação dos padrões de repetição ou das preocupações de mudança de cada geração.
Quadro 3 - Classificação Familiar (Família de Origem) Frequência Processo de identidade Individualismo 8 Emaranhamento 4 Reciprocidade 8 Isolamento 4 Mudança Flexibilidade 7 Rigidez 5 Estabilidade 3 Desorganização 9 Processamento da Informação Percepções claras 3
Percepções confusas / distorcidas 9
Papéis bem definidos 4
Papéis mal definidos / conflitos de papeis 8
Quadro 4 - Classificação Familiar (Família de Procriação) Frequência Processo de identidade Individualismo 10 Emaranhamento 1 Reciprocidade 6 Isolamento 5 Mudança Flexibilidade 8 Rigidez 3 Estabilidade 4 Desorganização 7 Processamento da Informação Percepções claras 3
Percepções confusas / distorcidas 8
Papéis bem definidos 5
Papéis mal definidos / conflitos de papeis 6
Processo de identidade
Nota-se que, no que respeita ao processo de identidade, impera o individualismo e a reciprocidade, o que por si só constituem factores positivos para o desenvolvimento da personalidade e da própria identidade segundo Barnhill (1979), Gimeno (2001) e Minuchin (1974). No entanto, olhando para o cruzamento das duas dimensões,
verifica-se que apenas três dos indivíduos reúnem o crescimento numa família em que há simultaneamente o respeito pelo individualismo necessário à formação da personalidade e a reciprocidade importante para a vivência em conjunto e uma maior integração social, como se pode ver no Quadro 5.
Quadro 5 – Processo de Identidade (Família de Origem) Nomes1 Natureza AL LA CA AN PA CL IS AM MI LU IB GO TOTAL Individualismo x x x x x x x x x 9 Emaranhamento x 1 Reciprocidade x x x 3 Isolamento x x x x x x x x x 9
Verifica-se também que para alguns dos casos analisados, o individualismo é excessivo, levando a que a família se torna desagregada, indo de encontro ao referido por Minuchin (1990). Encontram-se neste caso as D. Alcina, Laurinda, Anunciação, Palmira, Clara, Isabel e Isabelinha, em que se cultivava na família de origem o individualismo excessivo, mais numa perspectiva de não fomentar as relações psico- afectivas com os filhos do que propriamente procurar que os filhos crescessem num ambiente individualizado e formador do processo de identidade. Seguem-se algumas citações, retiradas das entrevistas, que apontam para estes factos.
“Contam-se as vezes que fui a Lamego; não me puxava nada, porque detestava viajar. Também não havia grande preocupação por parte deles; também nunca me visitaram. Eu, no Natal e na Páscoa ia lá, mas vinha logo embora ao outro dia.” (D. Laurinda)
“A minha mãe, como já disse, era uma pessoa muito difícil de temperamento. Andava sempre incomodada com tudo: com os empregados, com a roupa, tudo era uma aflição para ela, menos os outros dois filhos.” (D. Clara)
Por outro lado, a família do Sr. Amândio é emaranhada, levando a que a excessiva fusão comprometa a capacidade de individualização, tal como refere Withaker (1981), estando este visível pelo facto de o pai não o deixar autonomizar-se na sua vida profissional, e o obrigar a trabalhar para as empresas dele, apesar de ser contra a sua vontade.
1 AL-Alcina, LA-Laurinda, CA-Carolina, AN-Anunciação, PA-Palmira, CL-Clara, IS-Isabel, AM- Amândio, GO-Gorete, MI-Miquelina, LU-Lucília, IB-Isabelinha.
No que se refere às famílias de origem, que apenas um dos doze entrevistados foi educado numa família que levou em conta a individualização e a reciprocidade, sendo ele a D. Miquelina.
Quadro 6 – Processo de Identidade (Família de Procriação) Nomes1 Natureza AL LA CA AN PA CL IS AM MI LU IB GO TOTAL Individualismo x x x x x x x x x x 10 Emaranhamento x 1 Reciprocidade x x x x x x 6 Isolamento x x x x x 5
No que se refere às famílias de procriação, o Quadro 6 faz a revisão das dimensões que contribuem para o processo de identidade. É aqui importante analisar a evolução das famílias da primeira para a segunda geração, rapidamente se concluindo que o padrão se repete para a maioria dos casos. Há no entanto a destacar os casos em que há uma oposição completa à família de origem, como no Sr. Amândio, que passa de uma família emaranhada e recíproca para uma sistema de individualismo e isolamento, em que há mesmo o abandono dos filhos, provocado pelo divórcio da mulher.
Há a referir neste ponto dois casos de excepção que são as D. Carolina e D. Clara, que não tiveram filhos, e como tal a classificação aplicada se refere apenas à diade conjugal. Salienta-se aqui o facto de o isolamento fazer parte da vivência de 5 das famílias analisadas, o que contribui para a não criação de laços afectivos verdadeiros. Este factor, por si só, pode ser a causa do abandono dos pais por parte dos filhos, e respectiva institucionalização. Encontram-se nesta situação Alcina, Anunciação, Isabel, Amândio e Gorete.
“Também tenho de reconhecer que também nuca lhes dei muita atenção porque trabalhava muito” (Alcina);
“…eles ficavam sozinhos; eles lá tomavam conta uns dos outros, que eles entendiam-se muito bem, e ainda hoje são muito unidos…” (Gorete).
1 AL-Alcina, LA-Laurinda, CA-Carolina, AN-Anunciação, PA-Palmira, CL-Clara, IS-Isabel, AM- Amândio, GO-Gorete, MI-Miquelina, LU-Lucília, IB-Isabelinha.
Mudança
Na componente relativa à mudança, os números apontam para uma maioria de casos em que imperam a flexibilidade (7 casos) e a desorganização (9 casos), tal como se pode ver no Quadro 7. De facto, a flexibilidade parece estar intimamente relacionada com desorganização, com a instabilidade e a imprevisibilidade, o que acontece na maioria dos casos (6 casos). Segundo Whitaker (1981) a flexibilidade é uma característica de uma família saudável. No entanto, sendo estes acompanhados de desorganização, leva a uma disfuncionalidade pois a flexibilidade faz com que passe a haver uma perda de capacidade de autocontrolo do sistema familiar (Minuchin, 1990).
“O meu pai, com o vinho, e com o desgosto do meu irmão, foi como se tivesse morrido, ninguém contava com ele para nada” (Anunciação);
“Mudámos de casa doze vezes. A minha mãe nunca estava satisfeita ou era por causa dos vizinhos ou do sítio, ou porque era longe ou era perto” (Clara); “Mas o meu pai começou a suspeitar de alguma coisa e um dia, durante o dia, veio a casa e encontrou-me a trabalhar à beira da estrada. Eu contei-lhe tudo, e ele foi para casa e zangou-se com ela” (Isabel).
Quadro 7 – Mudança (Família de Origem) Nomes1 Natureza AL LA CA AN PA CL IS AM MI LU IB GO TOTAL Flexibilidade x x x x x x x 7 Rigidez x x x x x 5 Estabilidade x x x 3 Desorganização x x x x x x x x x 9
Neste caso, apenas a D. Miquelina provém de uma família que conjuga em si própria a flexibilidade e estabilidade, permitindo encarar os processos de mudança com naturalidade.
”Passei o tempo de criança como todas as outras, não me lembro nada de especial. Brincava com os meus irmãos e nada de especial. Quando tivemos a
1 AL-Alcina, LA-Laurinda, CA-Carolina, AN-Anunciação, PA-Palmira, CL-Clara, IS-Isabel, AM- Amândio, GO-Gorete, MI-Miquelina, LU-Lucília, IB-Isabelinha.
idade de trabalhar, nós fomos ajudar a minha mãe no armazém de frutas” (Miquelina)
Quadro 8 – Mudança (Família de Procriação) Nomes1 Natureza AL LA CA AN PA CL IS AM MI LU IB GO TOTAL Flexibilidade x x x x x x x x 8 Rigidez x x x 3 Estabilidade x x x 3 Desorganização x x x x x x x x 8
Na análise da família de procriação, constante do Quadro 8, constata-se também para a maioria dos casos a continuação do padrão da geração anterior. Mantêm-se como famílias desorganizadas as de Alcina, Carolina, Anunciação, Palmira, Amândio, Miquelina e Gorete. No caso de Alcina, Anunciação e Gorete a rigidez é também uma das características da família, o que ainda aumenta mais o grau de disfuncionalidade da família, fazendo com que os seus membros deixem de ter o sentimento de pertença, deixando de ser satisfeitas as necessidades fusionais, como diz Sampaio e Gameiro (2004). Nestes casos, a desorganização pode ser mais um factor que esteve na génese da decisão da institucionalização.
“Depois o meu marido regressou e veio voltar a trabalhar no mesmo sitio onde trabalhava antes. Continuava o mesmo tipo de pessoa, pouco tolerante e de poucas falas”; (Alcina)
“Fiquei viúva pela terceira vez e fiz jura que não me casava mais, apesar de ainda só ter 47 anos.” (Palmira)
“Eu e o meu marido ficámos com um segredo. Nunca ninguém soube que nós não éramos casados e escondi isso sempre aos meus filhos, não havia necessidade de eles saberem. Mas já a minha filha Lucília já era grandinha e se foi matricular para fazer um curso achou estranho quando levava os meus papéis e dizia lá que eu era divorciada” (Miquelina)
1 AL-Alcina, LA-Laurinda, CA-Carolina, AN-Anunciação, PA-Palmira, CL-Clara, IS-Isabel, AM- Amândio, GO-Gorete, MI-Miquelina, LU-Lucília, IB-Isabelinha.
Processamento da informação
Analisando o Quadro 9 relativo à família de origem, verifica-se que na maioria dos casos analisados há um conflito de papéis ou uma má definição destes, complementando-se ainda as percepções pouco claras sobre o papel de cada membro. Quando os papéis sofrem mutações, o equilíbrio da família pode desaparecer, como indica Tavares(1995). Um dos casos em que tal sucedeu foi na saída da D. Gorete de casa da mãe pelo facto de os pais nunca se interessarem pela seu sucesso escolar, i.e., não cumpriram o papel que a sociedade define para os pais. Pode-se ver este facto em “não estudei por preguiça, não quis, o meu pai também nunca quis saber…a minha mãe, só queria era beber…”.
Quadro 9 – Processamento da Informação (Família de Origem) Nomes1
Natureza AL LA CA AN PA CL IS AM MI LU IB GO TOTAL
Percepções claras x x 2
Percepções confusas /
distorcidas x x x x x x x x 8
Papéis bem definidos x x x x 4
Papéis mal definidos /
conflitos de papéis x x x x x x x x 8
Neste caso, apenas as D. Miquelina, e Lucília provém de uma família que onde os papéis são bem definidos e as percepções são claras.
“Apercebia-se no entanto que eles diante dos filhos sempre impuseram muita educação” (Lucília)
Quadro 10 – Processamento da Informação (Família de Procriação) Nomes1
Natureza AL LA CA AN PA CL IS AM MI LU IB GO TOTAL
Percepções claras x x x 3
Percepções confusas /
distorcidas x x x x x x x x 8
Papéis bem definidos x x x x x x 6
Papéis mal definidos /
conflitos de papéis x x x x x 5
1 AL-Alcina, LA-Laurinda, CA-Carolina, AN-Anunciação, PA-Palmira, CL-Clara, IS-Isabel, AM- Amândio, GO-Gorete, MI-Miquelina, LU-Lucília, IB-Isabelinha.
Pela análise do Quadro 10, referente à família de procriação, apenas as D. Clara, Isabel e Isabelinha foram capazes de constituir uma família que onde os papéis são bem definidos e as percepções são claras. Relembra-se no entanto o facto de a D. Clara não ter filhos.
“Ele era tão compreensivo que tínhamos de dividir o tempo porque ele gostava de praia e eu gostava do campo. Fomos levando assim a vida.” (Clara)
“O meu marido era pedreiro, e era muito trabalhador. Se chegasse primeiro que eu a casa ia buscar a minha filha à ama.” (Isabel)
Pela análise do mesmo quadro, também se constata que o padrão se repete para a maioria das famílias, sendo que também na família de procriação as percepções são confusas em 8 dos casos analisados.
“Nunca esteve presente numa data especial, nunca se lembrava da data de aniversário dos filhos. Então eu passava o tempo só” (Lucília)
“Tive a má ideia de casar com ele. Batia-me, tratava-me mal, mas a minha filha nunca se apercebeu. Ele gostava muito dela.” (Palmira)