• No results found

1 INNLEDNING

1.3 METODISKE UTFORDRINGER

Na data da entrevista em história oral temática, P1 estava com um ano e cinco meses. C1 afirma que ela nasceu com 30 semanas, pesando 1.300 gramas e, após o nascimento, permaneceu internada por 33 dias em um hospital de Divinópolis. C1 afirma ter 27 anos, ter finalizado o segundo grau, fez o pré-natal no Posto de Saúde e a gravidez foi planejada. C1 relata que o parto foi prematuro, porque ela teve pressão alta. A análise do

testemunho revela que P1, C1 e seu marido residem em uma chácara em um bairro de Divinópolis e a renda familiar é de três salários mínimos.

A análise do testemunho de C1 evidencia que cuidar da sua filha nascida prematuramente (P1) no domicílio, após a alta hospitalar, foi, inicialmente, preocupante. Assumir a responsabilidade de cuidar da filha, ação que, anteriormente, era realizada pela equipe de profissionais da unidade neonatal, foi evidente na fala da cuidadora quando esta afirma que: na hora que ganha alta parece que a gente ganhou ela naquele momento. Antes no hospital era assim, se passava mal, se a gente via alguma coisa a gente falava, em casa a gente tinha que tomar a responsabilidade tudo dela pra gente. Atitudes de dedicação, responsabilização e atenção foram evidenciadas na análise do testemunho desta colaboradora, assim como a indecisão e o medo. A colaboradora afirma que é muito cuidado mesmo! Fiquei só por conta dela o tempo inteiro. Eu fiquei meio que obsecada com ela, mas aos pouquinhos parece que a gente vai desenvolvendo igual a ela. Neste contexto de dedicação evidenciado pela análise do testemunho, C1 afirma que precisou sair do trabalho para cuidar de P1.

Durante o período em que estava em casa, logo após a alta, a cuidadora relata que sua filha apresentou intercorrências como: perda de peso, dificuldades de amamentação e alterações respiratórias (apneia). A cuidadora revela que passar por estas experiências é muito difícil, conforme evidenciado em sua afirmativa: Eu fiquei doida! E ela começou a dar umas apneia também quando ela mamava. Nossa isso foi muito difícil para mim, eu ficava com muito medo. Apesar de todos estes sentimentos e experiências a cuidadora afirma que foi um período de adaptação em que ela foi desenvolvendo como sua filha.

O atendimento à saúde de P1, após a alta, foi descrito pela cuidadora como um processo muito bom, eu levei na pediatra e ela me deu encaminhamento pra tudo, foi muito rápido. A análise sinaliza que, após a alta hospitalar, a cuidadora foi encaminhada à unidade de APS/SUS (Centro de Saúde) e, neste local, recebeu do pediatra os encaminhamentos necessários para a continuidade do cuidado no núcleo de estimulação em seu município e para especialidades médicas (oftalmologia e neurologia). Paralelamente a estes encaminhamentos, ficou evidenciado, na análise, que as consultas pediátricas pelo convênio são também utilizadas para o acompanhamento de sua filha.

A dificuldade de acesso à especialidade de neurologia foi relatada pela cuidadora e evidencia que a estratégia que ela desencadeou, para garantir o acesso de sua filha a este atendimento, foi marcar esta especialidade pelo plano de saúde. A colaboradora pondera que fez o plano de saúde para a filha, exatamente, para essas áreas que são mais difíceis de acesso no SUS.

A análise do testemunho sinaliza que a cuidadora C1 realiza agenciamentos da atenção à saúde de sua filha. Esses agenciamentos podem ser visualizados nos movimentos desejantes, nas iniciativas e tomadas de decisão da cuidadora, para favorecer a resolutividade da assistência. Mesmo diante de uma rede de atenção, com serviços e profissionais disponíveis, no SUS e plano de saúde, são necessários (re)arranjos, para que as demandas por cuidados tenham um desfecho resolutivo. Um exemplo relatado pela cuidadora, que permite esta inferência, foi o atendimento não resolutivo do serviço de pediatria do plano de saúde e, diante disso, ela mostrou um “protagonismo” ao ter a iniciativa de acessar o atendimento da APS/SUS e, foi neste serviço, que C1 encontrou resolutividade.

A facilidade de acesso a serviços do SUS, exceto especialidades, é visualizada na análise do testemunho de C1 que relata ser bem acolhida na APS/SUS e ser bem fácil marcar o atendimento pediátrico da filha. A análise do testemunho revela que o acesso a consultas pelo plano nem sempre é possível quando aparece uma demanda. Mesmo identificando que o acesso imediato ao atendimento acontece na APS/SUS, a cuidadora pondera que o pediatra do plano é quem ela considera referência no atendimento de sua filha. A análise permite inferir que é com este profissional, que a cuidadora realiza um cuidado dialógico, constitui vínculo e confiança. A cuidadora afirma que ele (pediatra do convênio) me ajudou muito e qualquer coisinha que ela (P1) tinha ele me explicava tudo o que ela tem e o quê que eu tinha que fazer pra não dar isso mais, me explicava com detalhes. Isso que não tem no Posto, lá a gente fala o quê que tem, ela passa o remédio, nem explica direito o quê que tem. A partir dessa afirmativa, a análise evidencia que o atendimento pela APS/SUS é descrito como de “fácil acesso”, contudo não é identificado como um encontro no qual há uma efetiva interação.

A análise dos registros (peso, estatura e perímetro cefálico) da Caderneta da Criança revela uma continuidade do acompanhamento do crescimento de P1 e que este corresponde ao esperado para sua idade gestacional corrigida. A análise da observação de P1 e as informações de C1 sinalizam que o desenvolvimento de P1 também corresponde ao esperado considerando sua idade gestacional corrigida.

A história de C1 evidencia um processo de superação do medo inicial. A cuidadora protagoniza a atenção ao seu filho, toma decisões e tem iniciativas que favoreceram uma assistência resolutiva e contínua.

A partir da análise do testemunho de C1, pode-se inferir que o desfecho da atenção à esta criança é potencial para a “produção da vida”, considerando que existem serviços disponíveis, agenciamentos para garantir a assistência, a resolutividade e a presença

de elementos, como o vínculo e o acesso, que contribuem para a continuidade da atenção e autonomia de C1 para lidar com questões relativas à prematuridade.