A preocupação com a adequação do projeto de arquitetura com o de interio- res no Bank Boston, relete a intenção da internacionalização dos mercados, além de promover a aproximação da instituição com seus colaboradores - habitantes de determinada região - com sua herança histórica, social e arquitetônica. Esse fato po- de-se dizer, foi precursor no inal do século XX da tendência mundial, em mantendo a imagem corporativa da instituição, promover a integração e identidade de seus colaboradores, conseguindo assim o máximo de sua produtividade, além de cuidar da retenção destes em suas posições de trabalho. Esse fato invade atualmente a es- fera de planejamento estratégico de muitas empresas globais e nacionais. Também pela mudança do comportamento dos colaboradores, aliada ao ingresso de novas gerações no mercado de trabalho, a organização dos espaços corporativos passou a cuidar com nova atenção das relações humanas, como aconteceu na década de 1960, com Mayo e a Teoria das relações Humanas.
No recente livro O Escritório no século XXI, a autora arquiteta Claudia Andrade co- menta que houve evolução do conceito dos escritórios não territoriais, com a chegada da nova geração denominada “Y” e que seu ambiente físico está sendo questionado.
O impacto circundante ocasionado pela implantação do projeto para o Bank Boston às margens do rio Pinheiros, coincide com o mesmo causado quase vinte anos antes, na avenida Paulista, com a implantação do Citibank.
Porte, implantação, inovações na tecnologia da construção do edifício - resul- tando lajes livres para uso dos ambientes corporativos - parece ser além da coin- cidência, vetores de impacto e desenvolvimento para a região, conforme salienta Fernando Serapião:
Há 15 anos, foi construída a sede do Citicorp na avenida Paulista, projetada pelo italo-brasileiro Gian Carlo Gasperini. O porte (40 mil metros quadrados do Boston contra 47 mil do Citi) e o impacto no en- torno - Paulista e Berrini - são semelhantes. O que diferencia os dois trabalhos é a implantação. Também com duas frentes, o generoso terreno da Berrini permitiu dupla abordagem. A implantação, lindeira à marginal do rio Pinheiros, dá aspecto urbano ao prédio. Distante da avenida, permite a leitura na escala do pedestre, no percurso junto ao jardim. A torre apresenta o tradicional embate grelha/não-grelha, padrão em projetos internacionais. Os dois volumes prismáticos, es- calonados, no projeto do SOM são marcados pela dupla grelha nas faces maiores e vão livre nas faces menores, cujas vigas desenham a lexão. No encontro desses dois volumes - no vértice agudo e no obtuso para formar um L em planta - a curva livre arremata a compo-
sição. Curiosamente, o destaque do Citicorp (o embate entre a grelha e as curvas) também é o ponto alto do Boston. (revista Projeto n.269 jul 2002, p. 52)
O que parece diferenciar-se foi o fato de no projeto para o Citibank, o ineditis- mo - à época - da tecnologia da construção do edifício, causou a possibilidade da adoção de um projeto de interiores também inédito. Apesar de já existirem empresas que produziam e comercializavam mobiliário para escritórios, “como a Teperman e a Securit, que produziam e comercializavam o sistema de mobiliário para escritórios panorâmicos.” (Amaral, 1995), o projeto desenvolvido pelo arquiteto Roberto Loeb foi de extrema importância para o desenvolvimento de novos projetos, onde a coerência entre necessidade e recursos tecnológicos de fabricação do mobiliário, alavancaram essa indústria no Brasil, dali em diante.
Era o momento de qualiicação de empresas brasileiras e sediadas no Brasil de se airmarem em equiparado grau de competitividade e desenvolvimento em relação ao mundo. A internacionalização era então quase o sinônimo de máxima evolução e desenvolvimento.
O projeto do edifício para a sede da Philips foi precursor de um segundo momen- to (Fix, 2007), em que a região do rio Pinheiros passa a ser local de investimentos imo- biliários na cidade, atraindo empresas internacionais e globalizadas a ocuparem insta- lações com alto grau de tecnologia. Estes investimentos imobiliários - segundo Mariana Fix - são edifícios do que passou a ser chamado de novo eixo de negócios na marginal do rio Pinheiros, desde a Chácara Julieta até a Vila Leopoldina. (Fix, 2007, p.23)
Diferentemente das torres das décadas anteriores, que izeram da avenida Paulista a sede do capital inanceiro e corporativo da cida- de, esses edifícios são em grande parte construídos como um in- vestimento, para serem alugados. A idéia de “sede própria” perde importância em relação à busca das empresas por maior liquidez e, consequentemente, por menor imobilização de seu patrimônio.” (Fix, 2007, p.23)
Como Amaral comenta sobre a região: a criação de um território inteligente na cidade de São Paulo como em outros lugares do planeta, onde os edifícios se con- vertem em pontos nodais de uma paisagem de rede, onde é possível a comunicação sem o contato direto entre os membros desta rede (Arnold, 2002).
É possível identiicar diferenças e semelhanças entre os três projetos estuda- dos. Todos eles possuíram a intenção de estar em conformidade com o mercado internacional. Foram destaque - na época da construção e após esta - como referên- cias de volumetria, sistemas de construção e acabamentos.
Citibank e Philips foram construídos em uma única torre, de pavimentos tipo com mesma planta e um último pavimento especial, enquanto o Bank Boston - ape- sar de também ser uma única torre - possui pavimentos tipo com 03 tipologias dife- rentes de planta.
O pavimento térreo destinado a serviços e infra-estrutura para os usuários do edifício, aconteceu nos projetos do Citibank e da Philips. No Bank Boston, além do térreo de serviços, foi implantado também um jardim no térreo, permitindo o acesso do público da região.
Os três edifícios foram especialmente projetados para uma empresa, embora Citibank e Philips tiveram alguns pavimentos locados para outras empresas. Estes dois estiveram atentos à globalização mundial enquanto Bank Boston teve sua im- plantação voltada para a atenção às diferenças da regionalidade do lugar.
Quanto à ocupação das lajes destinadas aos escritórios, percebeu-se que - apesar da diferença sequencial cronológica dos três projetos - a implantação do pro- jeto de interiores aconteceu de maneira muito semelhante. A adoção do sistema de ocupação territorial - descrito no capítulo 3, página 44: escritório misto, utilizado por diversas empresas ao redor do planeta, no inal do século XX para entrada no século XXI - onde salas fechadas e ambientes maiores abertos, convivem e interligam-se por caminhos luidos, harmonizando as estações de trabalho em núcleos especiais de trabalho colaborativo e individual, foi uma constante nos três casos. Todos eles usaram a imagem corporativa na linguagem e ocupação dos espaços internos como na construção do edifício.