Este subcapítulo tem como objetivo fornecer a resposta para o quadro de hipóteses representado pelas tabelas 2, 3 e 4, através da apresentação da frequência das respostas das empresas à escala de avaliação do grau de importância dos fatores que favorecem a competitividade internacional e a respetiva caraterização à luz do modelo do tripé estratégico. Foram analisados 8 fatores pertencentes às três visões do modelo do tripé estratégico (tabela 7), sendo que o objetivo passou pela avaliação de cada um desses fatores, no sentido de identificar os mais importantes para o incremento da competitividade internacional das empresas tecnológicas que operam a partir de Portugal.
Após a etapa inicial de internacionalização, as empresas devem garantir níveis de competitividade suficientes que lhes permitam ter sucesso no mercado onde atuam, daí a relevância de analisar os fatores que incentivam a internacionalização, em paralelo, com os fatores que favorecem a competitividade internacional das empresas.
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Tabela 7 - Matriz de correspondência das questões do inquérito com as hipóteses (fatores que favorecem a competitividade internacional) – grau de importância
Tripé Estratégico Questão/Fator Hipótese
INDÚSTRIA
Diversificação/Adaptação geográfica do
produto/solução Hipótese 5
Intensificação das interações com clientes e
parceiros Hipótese 6
RECURSOS
Habilidade/capacidade para se relacionar com
clientes e parceiros internacionais Hipótese 7
Experiência internacional dos
profissionais/colaboradores Hipótese 8
Conhecimento/competências específico/as da
empresa Hipótese 9
Capacidade de inovação da empresa
Hipótese 11
INSTITUIÇÕES
Empregar recursos humanos locais nos
mercados externos Hipótese 12
Criação/desenvolvimento de redes e relacionamentos internacionais
(formais/informais) Hipótese 13
De acordo com os resultados obtidos (tabela 29, Anexo 2), tendo em consideração o percurso da empresa nos mercados internacionais, os fatores são apresentados por ordem decrescente do grau de importância que lhes é atribuído para a competitividade internacional das empresas:
1) Habilidade/capacidade para se relacionar com clientes e parceiros internacionais tem um grau de importância muito elevado, 94.1% das empresas sinalizam “4” ou “5” (com 52.9% das empresas a assinalar “5”) e, portanto, confirma-se a hipótese 7.
2) Capacidade de inovação da empresa tem um grau de importância muito elevado, 91.2% das empresas sinalizam “4” ou “5”, e note-se que “5” representa 50% das empresas pelo que se considera aceite a hipótese 11.
40 3) Intensificação das interações com clientes e parceiros tem um grau de importância elevado, “4” e “5” representam em conjunto 88.3% das empresas pelo que se considera que a hipótese 6 é confirmada.
4) Conhecimento/competências específico/as da empresa é um fator com um grau de importância elevado e idêntico ao anterior, “4” e “5” representam em conjunto 88.2% das empresas pelo que se considera que a hipótese 9 é aceite.
5) Criação/desenvolvimento de redes e relacionamentos internacionais
(formais/informais) é outro fator com grau de importância elevado, “4” e “5” representam
em conjunto 85.3% das empresas pelo que se considera que a hipótese 13 é aceite.
6) Diversificação/adaptação geográfica do produto/solução também apresenta uma importância elevada, “4” e “5” em conjunto foram sinalizados por 82.3% das empresas (“5” é a opção de 44.1% das empresas) pelo que se considera que a hipótese 5 é confirmada. 7) Experiência internacional dos profissionais/colaboradores ainda apresenta um grau de importância elevado, “4” e “5” em conjunto representam 76.5% das empresas, pelo que se considera que a hipótese 8 é confirmada.
8) Empregar recursos humanos locais nos mercados externos foi o fator sinalizado com um grau de importância mais reduzido/moderado, “4” e “5” foi sinalizado por apenas 50% das empresas pelo que a hipótese 12 é moderadamente confirmada pelos respondentes. A tabela 8 expõe os 8 fatores distribuídos por ordem decrescente de importância. Para a verificação das hipóteses, consideraram-se válidas as hipóteses cuja soma das percentagens das respostas “4” e “5” foi igual ou superior a 50% (inclusive) e, consideraram-se rejeitadas as hipóteses em que a soma das percentagens das respostas “4” e “5” foi inferior a 50%.
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Tabela 8 - Fatores que favorecem a competitividade internacional e verificação das hipóteses – grau de importância
Fator Hipótese importânciaGrau de 5 Análise das Hipóteses
Habilidade/capacidade para se relacionar com clientes e parceiros internacionais
Hipótese 7 94.1% - Muito
elevado Aceita-se a hipótese 7 Capacidade de inovação da empresa Hipótese 11 91.2% - Muito Elevado hipótese 11 Aceita-se a Intensificação das interações com
clientes e parceiros Hipótese 6 88.3% - Elevado Aceita-se a hipótese 6 Conhecimento/competências
específico/as da empresa Hipótese 9 88.2% - Elevado Aceita-se a hipótese 9 Criação/desenvolvimento de redes e
relacionamentos internacionais
(formais/informais) Hipótese 13 85.3% - Elevado
Aceita-se a hipótese 13 Diversificação/Adaptação geográfica
do produto/solução Hipótese 5 82.3% - Elevado Aceita-se a hipótese 5 Experiência internacional dos
profissionais/colaboradores Hipótese 8 76.5% - Elevado Aceita-se a hipótese 8 Empregar recursos humanos locais
nos mercados externos Hipótese 12 50% - Moderado
Aceita-se a hipótese 12
5 Grau de importância com base na soma das percentagens das respostas “4” e “5”: até 49% (Importância
Reduzida); entre 50% e 69% (Importância Moderada); entre 70% e 89% (Importância Elevada), entre 90% e 100% (Importância muito elevada).
42 A tabela 8 bem como a figura 7 constatam que os fatores relacionados com a visão baseada nos recursos foram, e são, os que mais contribuem para o aumento da competitividade das empresas tecnológicas no mercado internacional. Em números, a soma das percentagens das respostas “4” e “5” associadas à visão baseada nos recursos é de 87.5%6, isto é, 87.5% das empresas considera que este tipo de fatores são os mais importantes para o incremento da competitividade internacional. Por sua vez, a soma das percentagens das respostas “4” e “5” dos fatores relacionados com a visão baseada na indústria exprime 85.3%7 das empresas enquanto que a soma das percentagens das respostas “4” e “5” dos fatores relacionados com
6Média das respostas “4” e “5” referentes à visão baseada nos recursos 7Média das respostas “4” e “5” referentes à visão baseada na indústria
Figura 7 - Somas das percentagens das respostas "4" e "5" por visão do tripé estratégico
82,3 88,3 94,1 76,5 88,2 91,2 50,0 85,3 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 A H5 B H6 C H7 D H8 E H9 F H11 G H12 H H13
Indústria Recursos Instituições
43 a visão baseada nas instituições representa 67.7%8 das empresas. De facto, conclui-se que os fatores pertencentes às três visões são importantes para o favorecimento da competitividade internacional das empresas, mas quer os fatores associadas à visão baseada na indústria quer os fatores relacionados com a visão baseada nos recursos apresentam níveis de importância elevada, enquanto que os fatores relacionados com a visão baseada nas instituições apresentam níveis de importância moderada.
Em termos globais, agrupando todos os fatores identificados para a internacionalização de uma empresa tecnológica a partir de Portugal, depreende-se que a visão baseada na indústria tem uma relevância crucial na primeira etapa, como fator impulsionador/de incentivo à internacionalização enquanto que a visão baseada nos recursos ganha preponderância no que diz respeito à competitividade que é necessária e, fundamental, para se competir com sucesso no mercado internacional.