A biblioteca da Escola Estadual Brasílio Machado, conforme nos foi informado, estava fechada e desativada quando a Ong Trapézio, por meio de sua coordenadora, Isabel Moreira Ferreira, começou a implementar, desde 2004, o projeto Espaço de Leitura na Escola na Biblioteca de Escola Estadual Brasílio Machado.
A biblioteca da escola fica no primeiro andar do prédio localizado no Alto de Pinheiros, em São Paulo. O espaço é muito amplo, mostrando uma biblioteca espaçosa e clara, em que pese algum barulho, pois suas janelas dão para a quadra de esporte da escola. Além das estantes de aço, ela possui mesas e cadeiras em número suficiente para acomodar, de uma só vez, alunos de uma turma inteira.
Seu acervo de literatura infanto-juvenil é constituído por obras doadas pelo governo federal, por intermédio do Programa Nacional de Biblioteca Escolar, PNBE e pela iniciativa privada. A doação feita pelo governo é anual e acrescenta ao acervo da Escola cerca de cento e vinte livros paradidáticos, segundo informação recebida.
Consideramos que essa biblioteca possui um bom acervo de literatura infantil uma vez que conta com títulos e autores de qualidade, tanto nacionais, como estrangeiros, e livros em excelente estado de conservação.
A presença da ONG Trapézio acrescenta à Escola um diferencial, na medida em que seu projeto de biblioteca tem como objetivo principal ressaltar e significar a importância da leitura junto aos alunos. Esse projeto começou em 2004, quando um grupo composto de duas voluntárias da escola e sete voluntárias da Ong Trapézio organizou um mutirão para a recuperação do espaço da biblioteca, além da recuperação e catalogação do acervo. A ONG conseguiu também um computador e um software para a biblioteca.
O contato com a ONG Trapézio permitiu nossa entrada na Escola Estadual Brasílio Machado, em 2006, para o desenvolvimento da pesquisa de leitura
mediada, e assim, viabilizou nosso propósito de tentar realizar, numa escola pública, parte dos trabalhos que desenvolvemos na Escola Vera Cruz.
Durante o desenvolvimento do projeto, todo ele em parceria com a Ong Trapézio, demos aulas de leitura mediada na biblioteca para os alunos de duas classes de 4ª séries do Ensino Fundamental e trabalhamos com a direção e os educadores no tempo reservado nas escolas estaduais de São Paulo, denominado HTPC (Horário de Trabalho Pedagógico Coletivo). Vale esclarecer que esses encontros, HTPC, eram realizados na própria biblioteca da escola.
Participamos de três HTPC. No primeiro, apresentamos nossa pesquisa, justificamos nossa preferência em trabalhar com uma classe de 4ª série por serem eles os mais maduros da escola. Perguntamos se alguém, voluntariamente, abriria um espaço em sua sala de aula para o desenvolvimento de nosso projeto.
Prontamente, a professora da 4ªB, ofereceu sua classe para a realização dos encontros. Ficou combinado também, que a professora assistiria a nossas aulas, para poder, inclusive, socializar o trabalho com o grupo de professores, em momentos de HTPC. Os professores de outras classes e séries, que estivessem livres nos horários dos encontros, também poderiam assistir à aula, fato este que não ocorreu nenhuma vez durante o período que estivemos na escola.
Uma outra sala da mesma série, a 4ªA, passou a fazer parte de pesquisa também, pelo grande interesse demonstrado pela professora por nossa proposta de trabalho. Sua adesão efetiva ocorreu no dia 10/04/06, quando realizamos uma leitura mediada em sua sala, como forma de agradecimento por seus alunos terem participado da aplicação do questionário 1 ( Anexo 1).
O segundo HTPC em que estivemos presente, ocorreu após vários encontros de leitura mediada com as duas salas de 4ª série. Embora os professores estivessem mais informados sobre o projeto, não apresentaram um maior envolvimento com nosso trabalho. Nessa reunião, a professora da 4ª série A, deu um depoimento bastante positivo sobre o trabalho desenvolvido em sua classe, comentando diferentes aspectos do crescimento de seus alunos, tanto em relação ao avanço que observou na produção escrita deles, como também no clima de trabalho melhor e mais respeitoso durante as atividades do grupo.
O último HTPC, do qual participamos, foi realizado no segundo semestre, quando nossa pesquisa na escola já havia sido encerrada, mas a parceria com a ONG Trapézio continuava. Nesse encontro, fizemos uma Leitura Mediada de um conto do Ítalo Calvino, O Nariz de Prata, com o qual os professores se envolveram. Esse foi o HTPC que mais os sensibilizou para o nosso trabalho e para a leitura. Acreditamos que esse fato ocorreu por termos aplicado a nossa modalidade de Leitura Mediada junto aos próprios docentes, explicitando a nossa prática e justificando-a na medida do possível.
Em agosto de 2006 a Escola passou a contar com uma professora de biblioteca entre 11 e 16 horas para supervisionar os empréstimos e recolocar os livros nas estantes.
Para que a biblioteca funcionasse melhor, a ONG Trapézio considerou que seria necessário estabelecer um estatuto que contemplasse as regras para seu uso. Convocaram uma assembléia com representantes da comunidade escolar, entre alunos e professores, para criar o estatuto. Discutiram cada ponto polêmico apontado na reunião e decidiram as seguintes regras:
• A biblioteca deve ser utilizada por todos da comunidade escolar, desde que acompanhados de um educador e/ou adulto responsável que possa cuidar para que suas regras sejam respeitadas;
• Não é permitido comer no recinto;
• Deve-se utilizar o livro de tombo para registro do empréstimo e da devolução do livro;
• Após a leitura, o usuário deve devolver o livro na caixa preta para que as voluntárias os recoloquem nas estantes;
• O computador da biblioteca deve ser utilizado apenas para o cadastramento dos livros e consultas sobre o acervo;
• O acervo está dividido em categorias definidas por cores nas etiquetas, da seguinte forma: Literatura Geral (LG), prateado; Literatura Infantil (LI), vermelho; poesia, artes e teatro, azul; Obras de Referências, dourado; Ciências, verde; História e Geografia, branco; Língua Portuguesa, preto; Hemeroteca, laranja.
• As obras de Referência (Enciclopédias/Almanaque/Atlas/Dicionários) e o material da Hemeroteca não podem ser emprestados; apenas serão utilizadas em consulta na própria biblioteca;
• O usuário pode retirar até dois livros por vez e pode ficar com os livros por uma semana. Caso queira renovar o empréstimo por mais uma semana, deve dirigir-se à biblioteca, com o livro, para ser registrada a renovação do empréstimo;
• Caso o usuário não encontre o livro desejado por ele, por já estar emprestado, pode fazer a reserva no caderno de reservas;
• A penalidade para quem estragar ou perder o livro consiste em: comprar outro livro ou exemplar do mesmo livro, ou prestar serviço comunitário na biblioteca durante o recreio sob supervisão de algum professor, inspetor ou voluntário que esteja presente;
• A penalidade para quem não cumprir o prazo da devolução ou da renovação é não poder retirar mais livros enquanto não devolver o já retirado;
• É importante relembrar os cuidados necessários ao manusear os livros: não riscá-los e nem recortá-los.
Sugestões levantadas para a melhoria da biblioteca pelos representantes da comunidade escolar.
• Cada classe deve reservar uma hora por semana para ir à biblioteca com uma educadora que faça mediação de leitura;
• A biblioteca pode ser mais colorida e ter retratos de escritores famosos pendurados nas paredes;
• As janelas podem ter cortinas e/ou tratamento acústico;
• Pode haver um mural para expor trabalhos e resenhas dos alunos sobre os livros lidos.
A ONG Trapézio providenciou um quadro com os horários de uso da biblioteca que foi instalado no mural da sala de professores, convidando-os a reservar um horário para ir à biblioteca e fazer a mediação de leitura, sistematicamente.