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Partindo-se da hipótese, que para avaliar o GRAU DE SATISFAÇÃO de um indivíduo ou de uma população, melhor seria verificar, qual o elenco de questões que (se resolvidas) as tornariam mais satisfeitas, optou-se por iniciar a pesquisa com a aplicação de uma única pergunta:

O que te agrada e incomoda no bairro em que vive?

Para tanto, elegeu-se um bairro de formação muito jovem de nome Bairro Antenor Garcia (aproximadamente 15 anos) da periferia da cidade de São Carlos – SP, com a peculiaridade principal de ser habitado basicamente por cortadores de cana-de-açúcar, apanhadores de laranja e catadores de frango.

A consulta inicial (aplicação da única pergunta) foi efetuada de forma aleatória pelo bairro, em uma amostra total de 174 moradores, (Quadro 4.1.1).

Quadro 4.1.1 – Número total de pessoas consultadas com a pergunta “O que te agrada e incomoda no bairro em que vive?” e respectivos Estados de origem. SP PR PE BA PB MT RJ MG SE ∑ MULHERES 31 25 - 2 1 - 2 4 3 68 HOMENS 49 41 1 2 2 8 - 3 - 106 Total 80 66 1 4 3 8 2 7 3 174 % 46 38 0,5 2,3 1,7 4,6 1,2 4 1,7 100 Org: o autor (2006)

As respostas obtidas foram agrupadas em seis temas abrangentes, resultando em seis Variáveis conforme apresentado no APÊNDICE A – Resumo dos aspectos que agradam e incomodam os moradores do bairro Antenor Garcia subdivididos em seis variáveis, que compreendem parâmetros relacionados ao bem estar dos cidadãos do bairro: HABITAÇÃO E AMBIENTE; SAÚDE; EDUCAÇÃO E LAZER; TRANSPORTES; SEGURANÇA e SOCIAL.

As respostas pertinentes a cada uma das seis Variáveis estabelecidas foram reescritas e transformadas em questões afirmativas ou negativas, resultando em um banco de dados denominado questionário abrangente, perfazendo um total de 76 questões (APÊNDICE B – Questionário abrangente para classificação das variáveis do grau de satisfação no bairro Antenor Garcia em São Carlos).

A quantificação amostral além de basear-se na proposta de Sanathanan (1972) considerando-se 5 categorias de respostas, também verificou o número total de chefes de família, o total de casas no bairro (1.024 casas) e aqueles moradores (excetuando) menores de 15 anos. Neste trabalho foi possível amostrar 365 pessoas distribuídas aleatoriamente por todo o bairro que, no início da aplicação dos questionários – setembro de 2004 – era constituído por 3.927 moradores. O ANEXO B – Determinação do tamanho da amostra (A) considerando-se o tamanho da população multinominal (N) com 5 categorias de respostas (k=5) apresenta o resultado da proposta de Sanathanan (op. cit., p. 152).

A análise das respostas resultantes da aplicação do questionário abrangente para o bairro Antenor Garcia, possibilitou “medir” a opinião ou a atitude (termo utilizado em pesquisa de marketing) dos moradores do bairro em termos do grau de concordância e discordância às questões então formuladas pelos próprios moradores do bairro.

Entretanto, em todo processo de medida há a necessidade de se definir a escala que se está trabalhando. Como estamos trabalhando com o componente afetivo da atitude – já que o quê se quer avaliar é a satisfação do morador em relação às qualidades das variáveis – optou-se pela construção de uma escala de avaliação verbal.

Dessa forma, foram apresentadas aos moradores as opções de respostas, desde o extremo mais favorável até o extremo mais desfavorável, pela identificação e ordenação das categorias por meio de expressões verbais. O embasamento teórico para construção desta escala, foi baseado na proposta de Osgood (1969) denominada “Escala de Diferencial Semântico”, a qual foi parcialmente modificada neste trabalho, em termos de não exibir aos entrevistados uma escala de valores numéricos atrelada às categorias de respostas, bem como utilizar um número menor que sete categorias de respostas para cada questão.

Com o intuito de incrementar a precisão na medição, facilitando ao entrevistado uma melhor análise das nuanças pró ou contra a cada questão, optou- se pela inclusão do referencial semântico na metodologia desenvolvida por Rensis Likert (1932), conhecida como escala de Likert. Sua proposta compreende uma série de afirmações relacionadas com o objeto pesquisado, onde os entrevistados são solicitados não só a concordarem ou discordarem das afirmações, mas também a informarem o seu grau de concordância/discordância.

Neste contexto, optou-se pela utilização de cinco categorias para respostas às questões, variando entre Concordo Totalmente (CT); Concordo Parcialmente (CP); Sem Opinião (SO); Discordo Parcialmente (DP) e Discordo Totalmente (DT) (APÊNDICE B - Questionário abrangente para classificação das Variáveis do Grau de Satisfação no bairro Antenor Garcia em São Carlos). Foram seguidas as orientações de Mattar (1997, p. 202) que propõe a inclusão da opção neutra “Sem Opinião” (ou “não tenho opinião formada a respeito”), quando da construção de escalas, alegando que: “[...] os respondentes nunca devem ser forçados, sob pena de obtermos respostas viesadas.”

Preliminarmente cada questão foi analisada isoladamente e correlacionado o fato do morador concordar ou discordar da questão expressando seu maior ou menor Grau de Satisfação. Aos vários níveis de concordância/discordância inseridos em cada casela, foram atribuídos valores que refletem a direção da atitude do entrevistado. Neste trabalho, usando-se as premissas de Bussab e Morettin (2002), atribuiu-se valores (+2) para Muito Satisfeito: MS; (+1) para Parcialmente Satisfeito: PS; (0) para Sem Opinião: SO; (-1) para Parcialmente Insatisfeito: PI, e (-2) para Muito Insatisfeito: MI. A utilização desses valores propiciou o reprocessamento dos dados e a redução da dimensionalidade.

A pontuação final para cada questão é a soma das atitudes dos entrevistados vezes seus respectivos valores.

Fato importante para a técnica de aplicação do questionário abrangente foi a proposta de inserção de questões elaboradas alternadamente de forma afirmativa e negativa quanto aos seus assuntos (GOMES, 2004)46. Isto é, o questionário foi composto por questões, ora de natureza afirmativa ora negativa, com as respectivas

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opções de respostas categorizadas também invertidas (ora iniciavam com Concordo Totalmente (CT) e em seguida por Discordo Totalmente (DT)). Dessa maneira foi possível coibir o entrevistado em se influenciar pelo conteúdo das respostas às questões anteriores.

O fato de existir questões alternadas (negativas e afirmativas) exigiu que, na fase da análise das respostas, os níveis de concordância fossem operacionalizados em forma de Grau de Satisfação.

Para comprovar que os dados podem ser interpretados como uma suposta medida real do fenômeno estudado optou-se por medir a consistência ou confiabilidade das diversas correlações entre as respostas, por meio do coeficiente Alfa (∀) de Cronbach (1951).

Dentre as várias opções de rotinas para o processamento dos dados e verificação de sua consistência, decidiu-se pelo programa SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), versão 13.0 for Windows devido sua facilidade de manuseio, bem como seu uso estar consagrado na área da Saúde Pública (PEREIRA, 2001).

Como as variáveis foram medidas por uma escala de Likert, assumiu-se que os intervalos entre as categorias fossem regulares, como também a categoria Sem Opinião (SO) pudesse corresponder a um zero absoluto, fixando-se assim uma premissa de escala proporcional para processamento e análise.

Optou-se por apresentar suas informações começando-se com a a redução de suas medidas sintéticas em forma de representações gráficas, de acordo com Miles e Huberman (1984), dessa forma foi possível aglutinar e apresentar47 os dados dispersos das variáveis valorando as respostas entre +2 e -2.

Tais transformações resultam em valores negativos (negativo significando Menor Grau de Satisfação) e positivos (positivo significando Maior Grau de Satisfação). Para facilitar a visualização, buscando apresentar os valores máximos possíveis de seus sentidos opostos, optou-se por utilizar a representação gráfica, conforme Figuras mostradas no Capítulo 5.

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