3. Materialer og metode
3.2 Framgangsmåte
3.2.2 Metodeutvikling
Ao olharmos para a economia do medievo, vemô-la quase totalmente sustentada no mundo rural, pois os espaços urbanos ainda eram poucos. O homem habitava, sobretudo, o campo, e aí ele produzia o alimento e os bens necessários para sua sobrevivência. Do campo também provinham os excedentes dos principais produtos agro-pastoris que eram comercializados com outras regiões e com o estrangeiro. Por isso, era o campo que exercia uma preeminência sobre o espaço urbano, seja sobre as vilas, seja sobre as cidades, as quais se expandiram numa dependência muito grande do mundo rural. No campo, todavia, as mudanças eram lentas. O camponês era e, aliás, ainda é sempre mais conservador, receoso de mudanças, temeroso a respeito do novo, preferindo a segurança do conhecido, do já sabido, não obstante, houvesse uma integração maior entre o homem e a natureza. Eles também estabeleciam relações coletivas mais consistentes, procurando sempre resolver os problemas que eram geralmente comuns entre eles, sobretudo aqueles relacionados ao trabalho, provocados pelas mudanças climáticas sazonais. Se hoje, com todas as técnicas existentes, o homem ainda enfrenta sérios problemas com a natureza, como enchentes, geadas, secas, etc., imaginemos, então, como não deveria ser os problemas enfrentados pelos homens dos século XIII e XIV, e pensemos nas soluções que souberam encontrar para dominar a natureza. Se assim não tivesse sido, ou teriam desaparecido, ou determinados espaços inóspitos teriam sido completamente despovoados.
Em Portugal, aconteceu a mesma coisa. A sociedade rural estava organizada para atender às necessidades de um grupo social que a dominava, os senhores guerreiros.
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Por outro lado, a cidade distinguia-se do campo pela sua população, pelo seus costumes, pelo seu ritmo, pelas relações estabelecidas entre os homens.
“Assim é bom acentuar que certos fenómenos, como as ordens mendicantes, as confrarias, as catedrais, [... ], as escolas, o mercado permanente, as judiarias e mourarias, os banhos públicos, a prostituição, as ruas de mercadores, a divisão do trabalho artesanal, os cambistas, os almocreves e regatões, as forjas e fornos de telha ou cerâmica só existem em povoados com um certo grau de vida urbana.”50
É evidente, portanto, que havia uma relação bastante forte entre o campo e a cidade, em particular, porque estabeleceram relações de mútua dependência. Graças a essa relação, o homem da cidade foi obrigado a facilitar o contato com o homem do campo, para que pudesse chegar aos rincões e adquirir o que desejasse. Assim, os habitantes da cidade preocupavam-se em estabelecer vias de comunicação, “velando os moradores [os das cidades] pela edificação de boas pontes, pela criação de albergarias ao longo desses caminhos que facilitassem as jornadas a almocreves e viajantes, fazendo o escoamento de produtos ou permitindo o abastecimento dos mercados citadinos”.51
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José Mattoso. História de Portugal. A Monarquia Feudal. Lisboa: Editorial Estampa. 1993, p. 210.
51
Saul António Gomes. Mundo rural e mundo urbano.In: M. H. da Cruz Coelho e A. L. de Carvalho Homem. Op., cit., p. 387.
As atividades comerciais desenvolvidas pelos mesteirais nos centros urbanos eram sustentadas pelas matérias-primas que o campo fornecia: as madeiras, fontes de energia encontradas nas terras dos concelhos e dos senhorios; as peles de animais; os couros, etc. “Por todo o país, e com maior desenvolvimento e especialização nas principais cidades, extraíam-se, curtiam-se, tingiam-se e confeccionavam-se couros de animais corpulentos e peles de bichos pequenos, com as mais diversas utilizações: vestuário, alfaias, mobiliário, equipamento, armamento, etc.52
Era ainda nos principais centros urbanos que encontrávamos vários mesteirais ligados a diversas atividades, e tinham um peso sócio-profissional, sobretudo na produção artesanal, bastante destacado.
A economia portuguesa desse período girou, basicamente, em torno da agricultura, mas havia em determinadas áreas, em particular onde o terreno não era propício a essa atividade, a prática da pecuária. No norte interior, por exemplo, a principal atividade desenvolvida era a criação de gado miúdo, o ovino, o suíno e o caprino, como já dissemos. Criava-se ainda o gado bovino nos vales do Minho e da Beira setentrional. O cavalo, necessário tanto na guerra quanto como meio de transporte, apesar das dificuldades, era criado por todo o país. Ainda como derivados da atividade de criação de gado e do pastoreio, havia a produção de lã e de couro os quais eram vendidos para os artesãos especializados.
Convém ressaltar que todas as atividades que eram desenvolvidas no reinado de D. Dinis tinham o seu imposto regulamentado.
52
Como, v.g. citamos a Carta de Aforamento de Alter do Chão em que o Monarca estabeleceu o foro que os moradores deviam pagar do pescado, da barca do pescado, dos couros dos cervos e das peles dos coelhos,
“(...) dem de foro da vaca. J. dinheiro e do zeuro hüu dinheiro e do çerruo hüu dinheiro e de besta de pescado hüu dinheiro e de barca de pescado, J. dinheiro (...). (...) da carrega do azeyte ou dos coyros dos boys ou dos zeuros ou dos ceruos dem meo morabitino. (...) o coelheyro que for a soieura e ala ficar de hüu fole de coelho e que ficar ala per oyto dias ou mays de hüu coelho com sa pele e os coelheyro de fora de de dizima quantas vezes veer.”53
Os camponeses eram obrigados a pagarem por tudo que conseguiam para sobreviver, mormente porque essas atividades eram desenvolvidas nas propriedades reguengas, ou seja, da Coroa. Quando as terras não pertenciam ao Monarca, eram da Nobreza ou do Clero, e aí também os moradores eram obrigados a paragem os foros a essas Ordens. Dessa forma esses trabalhadores tinham uma vida muito difícil, pois não podiam acumular nada, eram totalmente expropriados da sua produção.
Havia ainda outras atividades, que com toda a certeza possuía o seu foro também, era a criação de galináceos e a caça, complemento natural da alimentação do homem medieval português:
IV. Lisboa. 1987, p. 121.
53
História Florestal, Aquícola e Cinegética. Colêtanea de Documentos Existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo - Chancelarias Reais -. Lisboa, 1980, p. 41.
“Galinhas, patos, gansos estão freqüentemente citados na documentação. Os ovos constituíam complemento habitual na prestação de foros e censos. O coelho, de capoeira ou bravo, fornecia, além de carnes, as peles, muito apreciadas então. A atividade venatória não pode ser minimizada, atenta a maior generalização da caça e o seu papel económico de relevo. Animais de corpulência, como o urso e o javali, animais pequenos, como a lebre ou o coelho, aves de todas as famílias surgem com profusão nos documentos medievais, aproveitados na carne e na pele.”54
No tocante especificamente à produção agrícola em geral, esta não era muito variada, predominavam nas terras de semeadura, os vinhais e os linhares (linho ou sobreiro), bem como o cultivo do trigo, do milho miúdo, do painço, da cevada e do centeio. Esses dois últimos predominavam nas regiões do interior (mais a nordeste). Todavia, a cevada, como era usada para forragem do gado, existia praticamente em todo o país.
“ Outros produtos, todavia, há que registrar. É o caso dos legumes, em especial das favas, substituto freqüente do pão. Das culturas arborícolas, com predomínio da figueira, do castanheiro, ( . . . ) .”55
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A. H. de Oliveira Marques Ensaios da História Medieval Portuguesa. Lisboa: Editorial Vega,