5. Forundersøkelses -, lete - og utbyggingsfasen
5.2 Metoder for balanse – og kostnadsføring
Como citado anteriormente, atualmente vive-se a terceira fase, surgida após 1989, é considerada a globalização recente, sendo esta a de maior impacto no setor calçadista, tendo em vista que ela tem como uma de suas principais características o predomínio da mais avançada evolução tecnológica em busca de maior obtenção de
lucros através da exploração dos países periféricos e a sua mão-de-obra barata, conforme observam Engler, Moura e Beordo (2010).
Nesse novo ambiente competitivo, as firmas têm de desenvolver a qualidade e a adaptabilidade dos produtos às mudanças dos mercados, conforme explica Silva (2003) que afirma: “[...] Ser competitivo adquiriu uma condição de credo universal - uma ideologia [...]” (SILVA, 2003, p. 3).
Muito além da internacionalização e da multinacionalização, o autor especifica que a globalização econômica envolve um processo de reestruturação da atividade produtiva que afeta todos os países, o qual tem aumentado o grau de exposição das economias local e nacional à competitividade internacional.
[...] As mudanças em curso vêm criando um novo padrão de especialização produtiva, em nível espacial, afetando tanto as economias nacionais, quanto as regiões dentro de cada país. Tais mudanças têm provocado alterações no próprio conceito de região e redefinido o seu papel na nova ordem institucional em gestação [...] (SILVA, 2003).
A partir desta realidade, criaram-se novas estruturas para as sociedades e o processo produtivo. Alguns dos aspectos que merecem atenção seriam os que englobam os mercados consumidores e trabalhistas que, conforme os autores, deixaram de ser locais e adquiriram características globais. Não é à toa que Engler, Moura e Beordo (2010) avaliam que o cenário atual do setor calçadista brasileiro é típico de quem passou e passa por todas estas nuances da globalização e tenta se reerguer com a realização de reestruturação produtiva intensa aumentando a exploração do trabalho humano (ENGLER; MOURA; BEORDO, 2010, p. 225).
Além disso, podemos listar diversos aspectos relacionados à influência da globalização no setor industrial do país e que apresentam características distintas, ou até mesmo específicas, em se tratando do setor calçadista. Exemplo disso seria o investimento em novas tecnologias que, por sua vez, também ocupa um lugar relevante neste novo cenário. Conforme Piccinini (1995) “[...] a globalização dos mercados e a competição internacional obriga as indústrias a investirem em novas tecnologias [...]” (PIVVININI, 1995, p. 1). No entanto, segundo a autora, a indústria calçadista apresentou um movimento consideravelmente peculiar frente à nova realidade.
[...] As empresas calçadista preferem utilizar Novas Tecnologias Organizacionais, menos dispendiosas, como o trabalho em grupo, a diminuição dos níveis hierárquicos e a flexibilização das tarefas, mas com reflexos sobre a qualificação e satisfação do trabalhador. Estas consequências não estão sendo adequadamente contempladas pelos dirigentes das empresas [...] (PICCININI, 1995, p. 1).
Produtividade e competitividade também são termos recorrentes. Para Piccinini (1995), quando se fala em globalização é praticamente inevitável de se falar em tecnologia, mesmo tratando-se da indústria calçadista que sempre apresentou, e em alguns casos ainda apresenta, um baixo desenvolvimento tecnológico em função de determinados condicionantes tais como: o baixo preço da mão-de-obra, o alto preço de tecnologias como CNC (Controle Numérico Computadorizado), CAD (Computer Aided Design), CAM (Computer Aided Manufacturing) e CIM (Computer Integrated Manufacturing), e fatores como a baixa escala de produção da maior parte das empresas calçadistas e aspectos tais como a cultura industrial do setor (PICCININI, 1995, p. 2).
Com relação aos avanços tecnológicos no setor calçadista, Carvalho e Carvalho (2006) fazem um contraponto, trazendo dados mais atualizados. Elas consideram a indústria calçadista altamente heterogênea, com características diferenciadas por segmentos de produtos e tipo de mercado. De acordo com as autoras, em muitos países ainda subsiste um grande número de empresas desse setor que utilizam tecnologia tradicional, embora a utilização tecnológica dos equipamentos esteja ganhando cada vez mais importância como fator de competitividade porque aumentam a eficiência e diminuem os custos, uma vez que reduzem o tempo para a realização das diversas etapas produtivas.
[...] As maiores inovações no setor calçadista estão nas áreas da microeletrônica e da robótica, onde se destacam a utilização de novos métodos de desenho e manufatura auxiliados por computador como CAD (computer aided design) e o CAM (computer aided manufacturing). Ferraz, Kupfer e Haguenauer (1995) destacam que os diferenciais mais relevantes no setor calçadista localizam-se: na fase de design de novos produtos, na qual os produtos brasileiros são pouco competitivos com relação, por exemplo, aos italianos; e, em fases específicas de montagem, como por exemplo, na fase de corte, onde a difusão de processos eletrônicos e informatizados é mais intensa [...] (CARVALHO; CARVALHO, 2006, p. 276)
A busca por Novas Tecnologias (NT) nas economias do mundo desenvolvido e subdesenvolvido e o estágio de desenvolvimento da pesquisa e utilização de NT, em especial no setor calçadista, ficam igualmente em evidência, pois, sob a ótica da autora, mesmo dispondo de técnicas de origem física (máquinas, peças, componentes) havia, no período de realização de sua pesquisa, uma ênfase em tecnologias gerenciais do tipo JIT (Just-in-Time), RR (Resposta Rápida), Kanban, dentre outros.
Não por acaso, Piccinini (1995) revela que as inovações organizacionais dentro do setor calçadista teriam sido privilegiadas pelo fato de terem sido implantadas com menor dispêndio econômico e oferecerem resultados considerados satisfatórios pelos
seus usuários, “[...] mesmo que isto seja realizado de forma parcial e, muitas vezes, contraditória se levarmos em conta os modelos de produção adotados [...] (PICCININI, 1995, p. 2).
Além disso, é valido enfatizar também a política de comercialização e de pessoal das empresas do setor pesquisado. Segundo Piccinini (1995), este seria um dos aspectos que teria se mostrado mais frágeis, pois só em alguns casos por ela estudados havia-se procurado o desenvolvimento de novas tecnologias associando-se a políticas específicas de preparo de mão-de-obra e da gerência.
Além disso, o foco da argumentação da autora direciona-se também para certos postos de trabalho intermediários que, por sua vez, se mostraram também necessários: “[...] trata-se daqueles onde são colocados trabalhadores não qualificados que preparam ou complementam a tarefa efetuada por um outro posto compreendendo uma máquina e um trabalhador qualificado ou não [...]” (PICCININI, 1995, p. 6). Seguindo a autora, isto se deve ao fato de que o couro necessita, para certas operações, de um tipo de manipulação que dificilmente pode ser realizado pela máquina.
Por isso Piccinini (1995) chama a atenção para o fato de que a fabricação de calçado exige certo nível de exigência da produção industrial, o operário só é verdadeiramente competente após um ou dois anos de experiência.
[...] Geralmente são necessárias de 120 a 130 operações para a confecção de um calçado. Conforme o PBQP (1988), atualmente 70 a 80% dessas operações são mecanizadas. Para o futuro, devem chegar a 95%. Somente para a elaboração de uma sola em couro são necessárias 9 máquinas. Tais equipamentos que podem apresentar diferentes estágios tecnológicos, desde o mais rudimentar até o CNC, são fabricados no Brasil por 80 a 85 empresas, 70% localizadas no Vale dos Sinos [...]. Um dos mais importantes fabricantes de máquinas para calçados estima que as indústrias de máquinas locais respondem a 95% das necessidades das indústrias do setor e de 85 a 90% dos curtumes. Segundo ele, quase 20% dos equipamentos já possuem algum dispositivo eletrônico e 50% das máquinas podendo ser automatizadas já saem das fábricas com um controle numérico. Para o futuro a tendência será de aumentar esta participação, mesmo que presentemente 50 a 60% das máquinas utilizadas na fabricação do calçado sejam convencionais, isto é, não dispõem de dispositivos eletrônicos [...] (PICCININI, 1995, p. 6).
Por tudo o que foi exposto até o momento, entendemos que também seria conveniente colocar nosso foco o nível de desenvolvimento tecnológico do setor, assim como na organização da produção e na preparação dos trabalhadores da indústria do calçado para as mudanças de caráter tecnológico que poderiam, por sua vez, modificar deu nível de qualificação e/ou a organização do trabalho.