Cuidado:
adj (part de cuidar) 1 Pensado, meditado, refletido: Gesto cuidado. 2 Bem
trabalhado, bem feito, apurado: Cabelo cuidado. Antôn: descuidado. sm 1 Desvelo, diligência, solicitude, atenção. 2 Precaução, vigilância, atenção: Cuidado com os
automóveis. 3 Conta, incumbência, responsabilidade: Pode deixá-lo ao meu cuidado.
4 Inquietação de espírito; preocupação. 5 Pessoa ou coisa objeto de desvelos, precauções ou inquietações. interj Atenção! cautela! Ao(s) cuidado(s) de: usado abreviadamente (A/C) nas remessas postais feitas ao destinatário por intermédio de outra pessoa a quem se envia a correspondência e à qual se solicita o obséquio de entregar-lhe. Estar com cuidado: estar inquieto, preocupado. Ter cuidado com: tratar ou manejar com precaução. Tomar cuidado: precaver-se; ter cautela. (http://michaelis.uol.com.br/).
Humanizar:
(humano+ar2) vtd 1 Tornar humano, tornar benévolo, tornar afável, dar a condição de homem a. vpr 2 Tornar-se humano, afável; humanizar-se. vtd 3 Civilizar. Var:
humanizar. (http://michaelis.uol.com.br/)
O trabalho dos profissionais de Saúde, de um modo geral, envolve um encontro subjetivo, com diferenças entre os sujeitos envolvidos no que diz respeito a valores, expectativas, desejos, julgamentos, que podem ou não promover aceitação, cumplicidade, confiança, acolhida, e o estabelecimento de um vínculo. “É próprio das relações humanas a contínua mobilização de afetos. A afetividade nos coloca em contato com o outro, a quem podemos amar, admirar, desejar, temer e odiar sendo, portanto, o ponto de partida para uma troca intersubjetiva” (REGO, 2007, p. 77).
Enquanto para o profissional o contato se inicia a partir de uma demanda por parte do paciente, que implica em um trabalho de sua parte em atender, por outro lado, o usuário procura soluções para resolver seus problemas de saúde, o que se configura em uma relação de complementaridade. Neste sentido, a relação entre o psicólogo e o paciente não poderia ser diferente, ou seja, enquanto um está trabalhando para atender, o usuário tem expectativas com relação ao tratamento e cura. Neste contexto, o cuidado é essencial para o atendimento, para
que o paciente se sinta acolhido, seguro, e com isso acabe mais mobilizado ao tratamento. Ao psicólogo cabe o “cuidado à alma”, o acolhimento e escuta do paciente (ESSLINGER, 2003)
A prestação de cuidados exige tanto a expressão de afeto quanto a obrigatoriedade de uma postura profissional. Com toda certeza, a promoção de Saúde, a cura, e a prevenção de novas crises trazem enorme satisfação para o profissional, mas também trazem desajustes e tensões. Por se tratarem de atividades que exigem um contato próximo com pessoas, leva os profissionais da Saúde a ficarem mais suscetíveis a fatores de risco inerentes ao trabalho.
No dicionário, cuidado significa atenção, cautela. “Cuidado diz respeito a uma atitude de preocupação, responsabilização e envolvimento afetivo que revelam a natureza humana, a forma mais concreta de ser humano” (REGO, 2007, p. 88). Assim, quando o psicólogo se propõe a cuidar, interage com o outro, compartilha e participa, deixando-se tocar pelo outro.
Para Ayres (2004), em todas as ações de Saúde, o cuidado consiste em uma interação entre os sujeitos, que visa o alívio de um sofrimento ou alcance de um bem-estar. Para Merhy (2002), o trabalho nessa área é fundamentalmente a oferta do cuidado, ou seja, seu objeto não é somente a cura e a proteção da Saúde, mas também a produção de um cuidado que as favoreça.
Ainda com relação ao tema, é importante falar sobre a humanização. No dicionário, o significado mais geral de humanizar é tornar humano, benévolo, afável. Na área da Saúde, o termo significa particularizar, atender às circunstâncias e necessidades individuais. (ROMANO 1999).
Neste sentido, Minayo (2004) nos leva a um questionamento quanto ao termo humanizar: existe a possibilidade do ser humano praticar um ato desumano? Então, conclui que só ao homem isso é possível, e faz uma revisão histórica sobre a questão.
Durante o humanismo (Renascimento) houve uma primazia dos valores humanos sobre os religiosos, trazendo uma atitude humana individualista e questionadora. Este
movimento sinalizou a crise do racionalismo, e tornou a explicação do homem e sua natureza concebida pela Igreja secundária. Então, retoma a preocupação com o sentido da existência, sedimentando a concepção do homem como ser livre e pensante, concreto em sua singularidade. (MINAYO, 2004). Rego (2007) compreende a humanização a partir da visão de Nogare:
A humanização implica em nos tornar mais humanos pelo reconhecimento da humanidade do outro e por sermos por ele reconhecidos. Não há humanismo sem autonomia. Assim, a humanização conduz ao crescimento, a liberdade de criação e de vida, delimitando as possibilidades de reciprocidade entre os homens com relação a direitos, deveres e condições de bem estar, traduzindo-se em um movimento histórico realizado no cotidiano a fim de alcançar o crescimento, a independência e o desenvolvimento dos indivíduos. (2001, apud. REGO, 2007)
Atualmente, a necessidade da consolidação da humanização da assistência ao usuário vem sendo amplamente discutida, visto que é um dos grandes desafios nos serviços de Saúde. Cada dia, mais tecnologia é alcançada, e o cuidado às pessoas acaba ficando em segundo plano. Deslandes (2004) acredita que para isso é necessário uma “assistência que valorize a qualidade do cuidado do ponto de vista técnico, associada ao reconhecimento dos direitos do paciente, de sua subjetividade e referências culturais. Implica ainda a valorização do profissional e do diálogo intra e inter equipes” (DESLANDES, 2004, p.8).
Para a autora, a humanização da assistência apresenta quatro pilares, que são a humanização como: 1) oposição à violência, 2) capacidade de oferecer atendimento de qualidade articulando os serviços tecnológicos com o bom relacionamento 3) melhoria das condições de trabalho aos cuidadores 4) ampliação do processo comunicacional.
Nesta pesquisa, o foco é o cuidado ao cuidador em Saúde, ao psicólogo mais especificamente. Então, é fundamental entender melhor no que consiste o terceiro pilar. Este representa uma preocupação em ter equipes de trabalho saudáveis, além do “reconhecimento da necessidade de cuidar dos profissionais de Saúde, seja oferecendo melhores condições de trabalho (infra-estrutura adequada, compartilhamento de ações, respeito às especificidades) ou
investindo em qualificação e melhor remuneração” (REGO, 2007, p. 97). Para Esslinger (2003), o cuidado ao cuidador consiste na possibilidade desses profissionais compartilharem experiências e sentimentos despertados durante a interação com o paciente.
A humanização não pode ser pensada apenas do ponto de vista do usuário, embora seja fundamental. Afinal, se o profissional não tiver condições de saúde para prestar um bom atendimento, de nada vai adiantar ter recursos e boa vontade. Neste sentido, o psicólogo, que se depara diariamente com a dor e sofrimento psíquico do outro, precisa cuidar, oferecer acolhimento necessário para auxiliar no processo de cura. Porém, antes de cuidar do outro ele precisa estar bem, e para isso, cuidar de si mesmo.
Não existe apenas um lado, e cada instituição/equipe tem sua forma de conduzir e colocar em prática a humanização de seu serviço. Porém, é fundamental que se valorize e favoreça a autonomia de cada pessoa, seja ele profissional ou usuário.