6. Diskusjon
6.1. Metodediskusjon
A aplicação do modelo de caracterização mostrou que um recurso energético somente obtém um bom desempenho quando possui aspectos favoráveis em todas as quatro dimensões. Assim, recursos como bagaço de cana, coletores solares, cascas de arroz, dejetos animais e PCH’s obtiveram notas similares ou superiores a 8, o que corresponde a um custo global baixo e, portanto, atrativo. Por outro lado, recursos economicamente viáveis como diesel, óleo combustível e gás natural obtiveram notas próximas a 5, o que equivale a um desempenho apenas regular. Isso é devido a aspectos políticos (caso do gás natural, com a indefinição nas políticas de preço e expansão da rede) e sócio-ambientais (caso do óleo combustível e diesel). Atualmente esses recursos encontram espaço na matriz energética da região, mas, com a crescente preocupação ambiental e a mobilização política de grupos organizados, os custos globais desses recursos tendem a ser considerados mais cuidadosamente no processo decisório.
6.4.2 Cenários de adoção
Os cenários de adoção dos recursos mostram que, mesmo sob uma perspectiva econômica, alguns recursos renováveis, hoje pouco atrativos, tornar-se- ão atraentes aos investidores, ainda que os recursos tradicionais, fósseis, continuem sendo a base da expansão energética.
O cenário limpo, por sua vez, indica que os recursos hoje ambientalmente atraentes tenderão a sê-lo também no futuro; os recursos não-renováveis, por sua vez, devem se tornar cada vez menos interessantes. Uma pequena ressalva pode ser feita quanto ao gás natural o qual, dentro das próximas décadas, se configura como uma opção que despertará o interesse por seu baixo impacto ambiental, quando comparado a outras opções fósseis.
Oposto aos outros cenários está aquele baseado no PIR, que é o que mais se aproxima da realidade, quando entendida no contexto amplo de toda a sociedade, não apenas de grupos de En-In. A longo prazo, ele é o que melhor representa a busca por um desenvolvimento sustentável, visto que este depende não apenas da adoção de recursos limpos, mas também da adequação dos mesmos do ponto de vista social, político e técnico-econômico.
Finalmente, deve-se observar que tais cenários indicam a atratividade dos recursos avaliados, o que não significa que o recurso será o mais utilizado, mas sim que será o mais implantado no momento. O uso geral depende também da base instalada pregressa.
Capítulo 7
Conclusões
Dois fatores justificam, por si só, a necessidade de uma abordagem mais abrangente da questão energética. Em primeiro lugar, a crescente preocupação com a degradação ambiental, a qual vem atingindo níveis alarmantes; em segundo, a democratização da discussão e da tomada de decisão no setor energético. Esses dois fatores, unidos, tornam necessária a busca de um novo paradigma de planejamento energético, baseado em análises sistêmicas da questão. Em vista disso, este trabalho sugere um modelo para a condução dessas análises para os recursos de oferta energética. No entanto, mais importante que a adoção do modelo, é a percepção de seus propósitos. A aplicação bem sucedida do modelo depende disso; caso contrário, ela incorporará vieses para uma ou outra dimensão. É por esse motivo que a adoção do modelo deve ser conduzida por uma equipe multidisciplinar e munida de informações detalhadas sobre as necessidades e potencialidades da região de análise.
A seguir são apresentados aspectos relevantes existentes no processo de adoção do modelo de caracterização.
Compreensão e contabilização de atributos
Existe uma dificuldade natural em se identificar alguns dos fatores subjetivos e/ou indiretos envolvidos na análise dos recursos energéticos. O uso do processo de internalização, ainda que meticuloso, não minimiza tal dificuldade, à medida que ele constitui-se em uma abordagem para transformar as subjetividades, e não torná-las objetivas; SÖDERHOLM e SUNDQVIST (2003) mostram que o processo de internalização pode chegar a conclusões muito diversas. Ainda assim, o processo de internalização, focado na atribuição de valores econômicos (monetarização) aos impactos, apresenta certo atrativo, à medida que utiliza uma base comum a diversos aspectos importantes à avaliação do recurso.
A seleção dos atributos de análise deve englobar, de forma sistemática, todas as dimensões; os fatores relacionados à sustentabilidade social e ambiental são muito importantes, ainda que de difícil avaliação. Sem isso, não é possível obter um panorama realista da atratividade de cada recurso; seria ingênuo acreditar que as partes desfavorecidas no processo de adoção de um recurso iriam abrir mão de seus interesses sem contrapartidas.
Ao planejador (ou, de modo mais abrangente, o ente condutor dos estudos de PIR) cabe analisar e definir a maneira mais adequada de contabilizar os atributos de análise, considerando-se a região analisada e suas vocações, os grupos de En-In e os recursos energéticos disponíveis. Caso contrário, a avaliação final dos recursos pode ser comprometida, ainda que o processo de definição dos atributos tenha sido conduzido a contento.
Importância dos dados e informações
O modelo de caracterização proposto, assim como a maioria dos processos de planejamento energético, depende muito da obtenção de informações qualificadas. São necessárias informações para a avaliação de três elementos: os recursos energéticos, as necessidades da região e as motivações dos En-In. Esses elementos, não por acaso, são interdependentes; a compreensão dessa interdependência, necessária não apenas para o modelo de caracterização dos recursos, mas para todo o processo de PIR, depende fundamentalmente da análise de dados e informações obtidos na região. O cálculo dos potenciais, teórico e realizável, não pode ser efetuado sem tais informações.
Naturalmente, o grau de profundidade das informações depende da disponibilidade de tempo e de pessoal para sua coleta e sistematização. Caso a quantidade e qualidade dos dados sejam considerados restritos, pode-se valer de estimativas e inferências realizadas pela equipe planejadora. Para maior precisão, é recomendável o uso intensivo de ferramentas de análise de sensibilidade e elaboração de cenários, o que permite um controle mais rigoroso das incertezas, as quais tendem a se intensificar pela falta de dados.
Ente executor da caracterização dos recursos energéticos
Normalmente, a elaboração do PIR fica sob responsabilidade de entes relacionados ao planejamento governamental, seja em nível regional, nacional ou internacional. No entanto, seus princípios – mais especificamente o modelo de
caracterização dos recursos – podem ser empregados por qualquer agente interessado na questão energética, visto que o modelo serve para estabelecer uma compreensão sólida e sistêmica das opções de oferta energética. Assim sendo, pode-se usar o modelo de caracterização para:
- Organizações não-governamentais: elaborar sua própria análise dos recursos mais adequados, permitindo a formulação de críticas e sugestões bem fundamentadas para discussão na sociedade;
- Centros de pesquisa: conduzir análises próprias e independentes para discussão, tanto no meio acadêmico, quanto como participante do debate na sociedade;
- Empresas: avaliar as melhores opções para suprimento de suas próprias necessidades, considerando não apenas os aspectos econômicos, mas também os ambientais e sociais (exigência cada vez maior dos clientes e acionistas), e os políticos, permitindo uma decisão mais consciente dos benefícios e riscos de cada opção energética;
- Investidores do setor energético: complementar o processo de análise tradicional de investimentos; tal ação pode aprimorar a compreensão do investidor, especialmente na percepção de fatores ambientais, sociais e políticos.
Necessidade de avaliar a sustentabilidade dos recursos
É importante notar que a avaliação dos custos globais, proveniente da aplicação do modelo, não define a carteira de recursos a ser implantada no processo de expansão energética. Um recurso (qualquer que seja ele) não pode suprir todas as necessidades energéticas de uma região. Assim, é importante que se adote uma
ferramenta complementar de seleção de carteiras que combine a disponibilidade dos recursos com seus custos, de maneira a oferecer as opções de carteiras que apresentem maior atratividade, permitindo ao tomador de decisão escolhas focadas não apenas no menor custo econômico, mas voltadas ao desenvolvimento sustentável.
O grau de sustentabilidade de um sistema energético, embora possa ser inferido indiretamente a partir dos resultados obtidos pela aplicação do modelo, em especial na avaliação das dimensões social e ambiental, não é suficientemente analisado em tal modelo. Para medição do grau de sustentabilidade, seriam necessárias análises mais abrangentes, envolvendo todo o processo de PIR. Recomendam-se assim o estudo e o desenvolvimento de indicadores de sustentabilidade, fatores essenciais para um novo paradigma de planejamento e expansão energética.
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Anexos
Anexo 1: Avaliações – Cenário BAU Anexo 2: Avaliações – Cenário Limpo
Anexo 3: Avaliações – ACC/Cenário PIR (2005) Anexo 4: Avaliações – Cenário PIR (2020) Anexo 5: Avaliações – Cenário PIR (2035)
Custo/Dificuldade de Manutenção utiliza peças nacionais nacionais importadas lugares
Custo de Geração (US$/MWh) custo < 40 40 <custo< 90 custo > 90 4 0 7,5 2,5 5 2,5 7,5 5 2,5 7,5 5 5 0 0 5 5 5 0 0 0 5 2,5 0 7,5 7,5
Distância entre a Fonte e o centro de Consumo distância <=1 km 1 km<distância<=10 km 10km<distância<=100km 100km<distância<=500km distância > 500km 2 10 10 10 5 10 5 10 0 0 0 0 0 0 2,5 0 0 10 5 5 10 2,5 0 7,5 10 Tempo de Construção tempo<=6 meses 6 meses<tempo<=2 anos tempo > 2 anos 3 10 10 10 5 10 0 5 5 10 5 10 10 10 10 10 10 5 5 5 10 5 5 5 5
Disponibilidade do energético na região Alta Média Baixa 2 10 10 5 0 10 5 5 10 10 10 10 10 10 7,5 10 10 10 10 5 10 10 5 7,5 10
Tempo de Retorno do Investimento tempo<=3 anos 3 anos<tempo<=7 anos 7 anos<tempo<=12 anos 12 anos<tempo<=15 anos 15 anos<tempo 4 0 10 0 2,5 0 0 0 7,5 5 7,5 5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 0 2,5 0 5 5 0 5 5
Domínio da Tecnologia regional regional/nacional nacional nacional/importado importado 1 2,5 10 2,5 2,5 2,5 7,5 7,5 2,5 2,5 0 2,5 7,5 5 5 7,5 5 2,5 2,5 2,5 2,5 10 0 7,5 7,5
Fator de Capacidade FC>=70% 70%>FC>=40% FC<40% 3 5 5 0 2,5 10 5 5 10 10 10 5 10 10 10 10 10 10 10 10 5 5 2,5 5 5
Mecanismos de Incentivo Proinfa/PPA Linhas de Financiamento Subsídios Sobretaxação 2 5 2,5 2,5 10 2,5 10 2,5 7,5 7,5 7,5 5 2,5 2,5 2,5 5 2,5 7,5 2,5 7,5 2,5 5 5 10 10
Potencial de comercialização de excedentes Grande Médio Baixo 1 0 0 0 10 0 10 0 5 5 10 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2,5 0 5 7,5 total ponderado 4,2500 8,3333 3,7500 4,8333 5,0833 5,5833 4,5833 5,7500 6,5833 6,8333 5,5833 5,2500 5,1667 6,5000 6,2500 6,3000 4,4167 4,0833 3,7500 6,0833 5,9167 2,4167 6,5833 7,1667
2020 10 7,5 5 2,5 0 Peso
Custo do Empreendimento (US$/kW) custo < 500 500<custo<= 900 900<custo<= 1500 1500<custo< =2000 custo > 2000 4 0 10 2,5 5 2,5 7,5 5 5 5 10 5 5 5 7,5 5 7,5 0 0 0 5 7,5 5 5 7,5
Suprimento de Combustível Custo regulado Custo livre 2 10 10 10 10 10 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 10 10 10 10 10 0 10 10
Custo/Dificuldade de Manutenção
sem necessidade de manutenção freqüente -
utiliza peças nacionais
manutenção freqüente e com necessidade de peças
nacionais
sem necessidade de manutenção freqüente - utiliza peças importadas
manutenção freqüente e com necessidade de peças
importadas
necessidade de deslocamento da tecnologia para outros
lugares
2 5 10 2,5 5 2,5 10 5 5 5 5 7,5 5 5 10 7,5 7 5 5 5 5 10 5 7,5 10
Custo de Geração (US$/MWh) custo < 40 40 <custo< 90 custo > 90 4 0 7,5 2,5 5 2,5 7,5 5 2,5 7,5 5 5 0 0 5 5 5 0 0 0 5 2,5 0 7,5 7,5
Distância entre a Fonte e o centro de Consumo distância <=1 km 1 km<distância<=10 km 10km<distância<=100km 100km<distância<=500km distância > 500km 2 10 10 10 5 10 5 10 0 0 0 0 0 0 2,5 0 0 10 5 5 10 2,5 0 7,5 10 Tempo de Construção tempo<=6 meses 6 meses<tempo<=2 anos tempo > 2 anos 3 10 10 10 5 10 0 5 5 10 5 10 10 10 10 10 10 5 5 5 10 5 5 5 5
Disponibilidade do energético na região Alta Média Baixa 2 10 10 5 0 10 5 5 10 10 10 10 10 10 7,5 10 10 10 10 5 10 10 5 7,5 10
Tempo de Retorno do Investimento tempo<=3 anos 3 anos<tempo<=7 anos 7 anos<tempo<=12 anos 12 anos<tempo<=15 anos 15 anos<tempo 4 2,5 10 2,5 2,5 2,5 2,5 2,5 7,5 5 7,5 5 7,5 7,5 7,5 7,5 7,5 2,5 2,5 0 7,5 5 0 5 5