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Metodediskusjon

In document Barn innlagt på sykehus (sider 29-32)

A chegada dos computadores e do uso de informação digital provocou mudanças na maneira como lemos e processamos informação. Em consequência, essa “nova mídia” afetou as práticas sociais. Segundo Manovich (2001), podemos afirmar que existem certos princípios na organização dessa mídia, a saber: a representação numérica; a modularidade; a automaticidade; a variabilidade; e o transcodificação (transcoding). Essa organização foi uma maneira lógica em que o autor procurou juntar alguns princípios da nova mídia, apesar de ele mesmo reconhecer que nem todos esses princípios são válidos para todas as mídias. Procuraremos explicar de forma sucinta a lógica desses princípios

Em linhas gerais, o princípio da representação numérica diz respeito à maneira matemática com que a nova mídia pode ser descrita, i.e., por meio da manipulação algorítmica em que dados são convertidos em uma representação numérica chamada de digitalização. O segundo princípio diz respeito à estrutura fractal da nova mídia. Um fractal é uma representação de uma estrutura em diversas escalas, o que faz com que a estrutura modular do objeto continue a existir. Os elementos da mídia como sons, formas e imagens são representados por amostras ou exemplos (samples) como pixels, voxels e polígonos. Eles formam objetos maiores sem perder a sua identidade original. Monovich (2001) afirma que a própria World Wide Web é modular, consistindo de diversas páginas da web que, por sua vez, são subdivididas em elementos de mídia. Esses dois princípios permitem que a automatização de muitas operações relacionadas com a mídia seja criada, manipulada ou mesmo acessada. Assim, podem ser criados templates com os quais são produzidas novas formas de mídia por meio de filtros usados em muitos softwares disponíveis, como o Photoshop (programa que modifica imagens), por exemplo, onde uma imagem pode ser editada e melhorada. Essa automatização poderia chegar a um nível tão alto que levaria um computador a “entender” os significados dos objetos produzidos, ou seja, a sua semântica, como trabalharia a Web 3.0.

Apesar de ser matematicamente subdividida, a nova mídia e suas características fazem com que o seu objeto não seja fixo, o que nos leva ao quarto princípio, o da variabilidade. Essa variabilidade diz respeito à mutabilidade ou liquidez dos objetos. Nesse sentido, um texto que antes somente poderia ser reproduzido a partir de uma cópia máster para que fosse idêntico ao original, hoje é manipulado, transformado em diversas versões em que o autor humano é, de certa forma, substituído ou modificado pelo computador. A nova mídia é formada de elementos que podem ser decompostos e organizados de maneira diferente, produzindo mais de um objeto.

Essa liquidez nos remete à própria heterogeneidade do sujeito discursivo. É como se, apesar de ser formado pela mesma estrutura (ossos, mente, etc), esse sujeito fosse capaz de se reinventar ou de produzir novos sujeitos, abrindo a possibilidade de novas versões de si em diversas escalas e formatos. Tais versões estão relacionadas aos contextos em que atuamos, causando nossa identificação com outras

representações. Assim, a própria constituição do sujeito se assemelha a um fractal. Apesar de ser formado de uma mesma estrutura (aqui no sentido de base, e não de algo fixo), ele é representado em diversas escalas, ao mesmo tempo o mesmo, porém modificado por outros discursos que o constituem. O sujeito está em constante mudança provocada pelas formações discursivas que o cercam.

A variabilidade transforma os sujeitos pela sua cultura. A lógica da nova mídia transforma a audiência de massa, tornando-a de certa forma individualizada. Como exemplo, citemos o acesso a um website, em que cada sujeito recebe uma versão customizada da página, com o tipo de informação que prefere ver. Esse efeito só pode ser produzido devido ao nível de automatização em que chegamos. Clicar em uma propaganda levaria a máquina a lembrar do tipo de produto que chamou a atenção do sujeito. Seguindo essa mesma lógica, todo leitor de hipertexto produz sua própria versão de texto ao clicar ou seguir caminhos diferentes na tela. O caminho produzido por diferentes sujeitos no seu processo de leitura nos remete à leitura não como decodificação de um sistema, mas como um processo produtivo de geração de ideias e saberes. Nesse sentido, as novas mídias estariam sendo capazes de reproduzir (ou ao menos tentar) um processo que acontecia com os sujeitos durante a leitura. Toda produção também poderia ser modificada se o perfil do sujeito fosse alterado, assim como os personagens de um jogo são modificados de acordo com as escolhas de um jogador, dando “liberdade total de produção” ao sujeito.

Para Manovich (2001) o transcoding é a última parte da sequência lógica da nova mídia. Um exemplo de transcoding seria o MP3, em que dados são gerados a partir da música. Ele diz respeito à tradução de alguma coisa em outro formato, e só é possível graças às camadas da nova mídia, a cultural e a computacional. Uma vez sendo produzida pelo computador, a lógica da nova mídia também afeta a camada cultural e vice-versa. Quando pensamos em leitura no âmbito das novas mídias, esse princípio torna-se relevante, pois ele ressalta como o meio de produção pode influenciar a leitura ao mesmo tempo em que a leitura é transformada por ele. Nesse sentido, as dicotomias “forma e conteúdo” e “forma e meio” são transformadas em “conteúdo e interface” (Manovich, 2001, p.70-71):

As distribution of all forms of culture becomes computer-based, we are increasingly ‘interfacing’ to predominantly cultural data—texts, photographs, films, music, virtual environments. In short, we are no longer interfacing to a computer but to culture encoded in a digital form. (Manovich, 2001, p.70-71)13

Em poucas palavras, somos influenciados pela maneira como a cultura é apresentada por meio do computador, ao mesmo tempo em que podemos influenciar ou redesenhar o que acontece na tela. Estamos tão acostumados às possibilidades multimodais de leitura que procuramos incorporá-las ao nosso uso diário.

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