Como disse no início, o método, o caminho que se faz ao caminhar, se articula com minha trajetória de vida, com minha subjetividade, com a intersubjetividade dos participantes, assim construímos novos caminhos-verdades- provisórias numa dinâmica recursiva, integradora de respeito-reverência e amorosidade cósmica. Construímos caminhos, ressignificamos valores, cada vez mais tornamo-nos conscientes da inteireza humana e de nossa responsabilidade como agentes na construção de uma cultura da paz, sustentabilidade, não-violência, solidariedade e respeito a todas as formas de vida.
A estratégia de observação participativa encontra respaldo para minha presença como integrante da ecologia cognitiva, emocional e energética no ambiente pesquisado, uma vez que, a minha participação, mesmo aparentemente passiva, influencia os fluxos nutridores e energéticos desta realidade eco-sistêmica. Ainda mais, pelo fato de eu ter uma realidade absolutamente singular, enquanto portadora de deficiência física, trabalhadora e pesquisadora.
Entre os integrantes, a dinâmica é relacional, indeterminada, não-linear, difusa e imprevisível. Uma realidade multidimensional, constituída de diferentes níveis, o macrofísico, o microfísico, possuidora de uma natureza complexa e também, transdisciplinar. Dizemos transdisciplinar porque a complexidade deste curso-espaço-relacional é responsável pela tessitura apresentada, que integra e permeia os diferentes níveis de realidade.
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A escolha da pesquisa qualitativa fundamentada no olhar Transdisciplinar sustenta-se porque a realidade em que se dá no decorrer do curso é a tessitura de diferentes fluxos nutridores da vida e de seus processos relacionais, interdependentes e auto-organizadores, (MORAES, 2004).
Nesta pesquisa, há um cuidado com o processo em si e não somente com o produto. Para tanto, torna-se essencial a minha interação como pesquisadora e o grupo pesquisado, proporcionando espaço, onde nós, pessoas falemos por si mesmas, desvelando nossa realidade, interagindo-nos e ensinando-nos mutuamente.
Comenta González Rey (2005) que a pesquisa qualitativa emerge como um elemento para romper com o ponto de vista estreito e opressivo do positivismo.
A epistemologia qualitativa (...) é precisamente o ato de compreender a pesquisa, nas ciências antropossociais, como um processo de comunicação, um processo dialógico que, característica essa particular das ciências antropossociais, já que o homem, permanentemente, se comunica nós diversos espaços sociais em que vive. (ibid, p. 13)
Quando afirmamos que nosso conhecimento linear tem caráter construtivo e interpretativo, estamos tentando manter a ilusão de validade ou a legitimidade de um conhecimento por sua correlação unidimensional com uma realidade.
Esta talvez seja uma construção simplificada a respeito da realidade, ao fragmentá-la unicamente em variações suscetíveis de procedimentos estatísticos de experimentais de verificação para produzir formas de sentido sobre o problema estudado. Este processo de pesquisa linear pode acabar por fim, afastando-se da organização complexa da realidade estudada. (González Rey, 2005).
Segundo este autor,
A produção teórica na pesquisa faz o pesquisador comprometer-se de forma permanente, implicando sua reflexão constante sobre as informações em que aparecem nesse processo. O pesquisador como sujeito não se expressa somente no campo cognitivo, sua produção intelectual. É inseparável do processo de sentido subjetivo marcado por sua história,
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crenças, representação enfim, valores e todos aqueles aspectos em que se expressa sua constituição subjetiva (2005, p. 36)
Assim sendo, a recuperação da teoria não se faz uma abstração, ela passa pela recuperação do pesquisador como sujeito. E, sabemos que um dos elementos definidores de nossa condição de sujeito e a reflexão, isto é, nossa capacidade de produção intelectual permanente no curso da vida, nesse caso, no processo de pesquisa.
Conforme González Rey, (ibid) A pesquisa qualitativa defende o caráter construtivo interpretativo do conhecimento, o que de fato implica compreender o conhecimento como produção e não como apropriação linear de uma realidade que nos apresenta.
A realidade Transdisciplinar é um domínio infinito de campos e inter- relacionados independente de nossas práticas. Contudo, ao nos aproximarmos do complexo sistema por meio de nossas práticas de pesquisa, estaremos formando um novo campo de realidade em que as práticas tornam-se inseparáveis dos aspectos sensíveis da realidade, que são exatamente os aspectos suscetíveis de serem significados em nossa realidade. Portanto, o teórico expressar-se-á em um caminho que tem, em seu centro, a atividade pensante e construtiva do pesquisador. Esta realidade irá nos permitir compreender a pesquisa como processo complexo e dialógico.
Ainda mais, tendo como proposta de observação participativa, os sujeitos que participam da pesquisa não se expressarão por causa da pressão de uma exigência instrumental externa a eles. Todavia, por causa de uma necessidade pessoal que se desenvolverá, crescentemente, no próprio espaço de pesquisa, por meio dos diferentes sistemas de relação constituídos nesse processo.
Os sujeitos inter-relacionados estabelecerão o nível necessário de implicações para expressarem-se em todas suas riquezas e espaços capazes que a complexidade permite, na produção de sentidos subjetivos.
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O inconsciente se anuncia no sentimento antes de poder ser pensado ou considerado reflexivamente. A experiência e os sentidos de nossas necessidades, sensações e afetos, representações e fantasias subjetivas se formam através de uma vinculação com o outro. (ELLIOTT, apud REY, p.22)
A subjetividade presente em uma pesquisa participativa possibilita-nos transcender a fragmentação. Bem como, este tipo de pesquisa comporta a representação de um sistema cujas unidades e desenho principal de sua organização se alimentam de sentidos subjetivos definidos em diversas áreas da atividade humana. Em um espaço relacional transdisciplinar, o sentido subjetivo concebe-se como uma unidade integradora de elementos diferentes que, em sua junção, define o sujeito em sua dimensão integradora, portanto, transdisciplinar.