Uma das mais valias que o estágio curricular de 450 horas na Open Space me proporcionou foi a possibilidade de trabalhar, em conjunto com duas colaboradoras da empresa, na coordenação do projeto de Formação para Pequenas e Médias Empresas (PME) de duas entidades promotoras do distrito de Viana do Castelo: a Associação Empresarial de Ponte de Lima (AEPL) e a Confederação Empresarial do Alto Minho (CEVAL).
“O Programa Formação PME é um projeto conjunto de formação-ação, enquadrado no Sistema de Incentivos às empresas no âmbito da Qualificação e Internacionalização do COMPETE 2020, que pretende contribuir para o reforço de competências dos empresários e gestores para a reorganização e melhoria das capacidades de gestão, assim como os trabalhadores das empresas, apoiadas em temáticas associadas à inovação e mudança, através de:
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• Aumento da qualificação específica dos trabalhadores em domínios relevantes para a estratégia de inovação, internacionalização e modernização das empresas;
• Aumento das capacidades de gestão das empresas para encetar processos de mudança e inovação;
• Promoção de ações de dinamização e sensibilização para a mudança e intercâmbio de boas práticas” (Associação Empresarial de Portugal, 2018).
A intervenção deste projeto é feita segundo o ciclo PDCA (Plan – Do – Check – Act) e tem de respeitar a ordenação lógica de cada etapa de intervenção.
A primeira fase corresponde ao Diagnóstico e Definição do Plano de Desenvolvimento, que é através da qual o consultor, através da consultoria, faz um levantamento de necessidades da empresa. Paralelamente, é efetuado o Diagnóstico e Plano de Ação, onde se faz um enquadramento da empresa e se identificam os objetivos a serem alcançados, bem como são enumeradas as medidas de formação necessárias para a mesma em função da caracterização dos seus recursos humanos.
Passado o primeiro ponto, é preciso organizar as equipas de trabalho para, da melhor forma possível, passar à fase da Implementação do Plano de Desenvolvimento. Nesta fase, tanto os consultores, como os formadores, usam os seus conhecimentos para cumprir o plano definido na fase anterior.
Como todos os projetos precisam de ter um Acompanhamento do Plano de Desenvolvimento, são definidos, ao longo da Implementação, sessões de regulação, para controlar o grau de implementação do projeto, tanto na formação, como na consultoria.
No final do projeto, é então feita uma Avaliação de Resultados/Melhorias Implementadas. Para ser possível avaliar de que forma a empresa evoluiu, é preciso saber se todos os objetivos traçados foram efetivamente alcançados.
Os beneficiários deste projeto são as PME na aceção da Recomendação nº2003/361/CE, da Comissão Europeia de 6 de maio relativa à definição de micro, pequena e média empresa. “Podem beneficiar deste programa empresas até 250 trabalhadores, desde que observem os seguintes requisitos:
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• Cumprir as condições necessárias para o exercício da atividade; • Dispor de contabilidade organizada nos termos da legislação aplicável; • Manter a situação tributária e contributiva regularizada;
• Apresentar situação líquida positiva; • Não ser uma empresa em dificuldade;
• Não ser uma empresa sujeita a uma injunção de recuperação, ainda pendente; • Não ter salários em atraso;
• Ter certificado PME
• Não deter nem ter detido capital numa percentagem superior a 50%, por si ou pelo seu cônjuge, não separado de pessoas e bens, ou pelos seus ascendentes e descendentes até ao 1º grau, bem como por aquele que consigo viva em condições análogas à dos cônjuges, em empresa que não tenha cumprido notificação para devolução de apoios num âmbito de uma operação apoiada por fundos europeus.” (Associação Empresarial de Portugal, 2018).
Segundo o website da Associação Empresarial de Portugal, sabemos que as áreas temáticas para os projetos de formação-ação são as seguintes (Apresentação Formação PME, 2018):
Organização e gestão
Objetivo Qualificar PME para reforçar a sua competitividade e capacidade de resposta no mercado global
Linhas Orientadoras Introdução de novos métodos ou novas filosofias de organização do trabalho, reforço das capacidades de gestão, estudos e projetos, redesenho e melhorias de layout, ações de benchmarking, diagnóstico e planeamento, melhoria das capacidades de desenvolvimento e distribuição de produtos, processos e serviços.
Níveis de Impacto Concretização de inovação organizacional por via da aplicação de um novo método organizacional na prática do negócio ou na organização do local de trabalho.
Público-Alvo Micro, pequenas e médias empresas (Recomendação n.º2003/361/CE de 6 de maio) que se enquadram no âmbito de atuação setorial do OI-AEP.
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Implementação de Sistemas de Gestão (Qualidade, Ambiente, Segurança e Saúde no Trabalho ou Outros)
Objetivo Otimizar processos, reduzir não conformidades e ineficiências, aumentar a visibilidade das empresas e credibilizar a sua atuação.
Linhas Orientadoras Contributo para a implementação de sistemas de gestão da qualidade ou de outros sistemas de gestão não incluídos nas demais temáticas, com vista à sua posterior certificação (seja pelo sistema português da qualidade ou por sistemas internacionais de certificação). Níveis de Impacto Aumento da qualidade dos produtos, serviços ou processos de gestão das empresas,
implementação de sistemas de gestão pela qualidade total, redução de não conformidades (processo, produtos), certificação de produtos e serviços com obtenção de marcas. Público-Alvo Micro, pequenas e médias empresas (Recomendação n.º2003/361/CE de 6 de maio) que
se enquadram no âmbito de atuação setorial do OI-AEP.
Internacionalização
Objetivo Desenvolver e aplicar novos modelos empresariais e processos de qualificação das PME para a internacionalização.
Linhas Orientadoras Conhecimento de mercados externos; criação, desenvolvimento e promoção internacional de marcas; prospeção e presença em mercados internacionais; marketing internacional; nova organização das práticas comerciais; novos métodos de relacionamento externo; certificações específicas para os mercados externos.
Níveis de Impacto Aumento das exportações, aumento da presença em mercados internacionais, concretização de inovação organizacional por via da aplicação de um novo método organizacional nas relações externas da empresa.
Público-Alvo Micro, pequenas e médias empresas (Recomendação n.º2003/361/CE de 6 de maio ) que se enquadram no âmbito de atuação setorial do OI-AEP.
Economia Digital
Objetivo Desenvolver e aplicar novos modelos empresariais e processos de qualificação das PME para a internacionalização.
Linhas Orientadoras Desenvolvimento de redes modernas de distribuição e colocação de bens e serviços no mercado; criação e/ou adequação dos modelos de negócios com vista à inserção da PME na economia digital; presença na web; introdução de sistemas de informação aplicados a novos métodos de distribuição e logística.
Níveis de Impacto Utilização de ferramentas sofisticadas de marketing para ampliação da presença no mercado.
Público-Alvo Micro, pequenas e médias empresas (Recomendação n.º2003/361/CE de 6 de maio ) que se enquadram no âmbito de atuação setorial do OI-AEP.
Racionalização/eficiência energética
Objetivo Disseminar os princípios de eco-inovação e promover uma cultura de responsabilidade social e ambiental.
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Linhas Orientadoras Incorporação dos princípios da eco-eficiência e da economia circular; certificações de sistemas, serviços e produtos na área do ambiente; obtenção do Rótulo Ecológico e sistema de ecogestão e auditoria (EMAS).
Níveis de Impacto Utilização mais eficiente dos recursos, redução e reutilização de desperdícios e minimização da extração e do recurso a matérias-primas.
Público-Alvo Micro, pequenas e médias empresas (Recomendação n.º2003/361/CE de 6 de maio ) que se enquadram no âmbito de atuação setorial do OI-AEP.
Gestão Estratégica
Objetivo Capacitar os empresários em novos modelos de negócio e competências de apoio à gestão e à inovação aberta que estimulem as parcerias e a cooperação empresarial.
Linhas Orientadoras Formação em áreas-chave para a modernização dos estilos de liderança e de gestão; de inovação e de cooperação empresarial.
Níveis de Impacto Melhorias visíveis no negócio em função de uma aplicação prática de métodos de gestão adequados ao contexto global.
Público-Alvo Os empresários das PME
Através do trabalho desenvolvido com a CEVAL e a AEPL, foi possível acompanhar este processo de formação em diversas empresas espalhadas pelo norte de Portugal. O meu papel passava, não só pelo lado administrativo do projeto (criação e organização do dossier da consultoria e do dossier técnico-pedagógico, que incluía a preparação dos sumários, das fichas de inscrição dos formandos, inquéritos de satisfação da formação, emissão dos certificados, realização do relatório final da formação, entre outros pontos), como pelo lado de coordenação dos consultores-formadores (fazia a ponte de ligação entre a coordenadora do projeto da entidade promotora e a entidade beneficiária).
Importa também saber o número de empresas por cada entidade promotora. Para isso serve o gráfico que se segue. Relativamente à CEVAL, esta tinha a ser encargo 63 empresas, sejam micro, pequenas ou médias, distribuídas por diversas cidades do norte de Portugal, como por exemplo: Viana do Castelo, Braga, Guimarães e Porto. Já a AEPL levou os seus serviços de consultoria e formação a 32 empresas distribuídas por Ponte de Lima, na sua maioria.
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Gráfico 6 Percentagem de empresas por cada entidade promotora