• No results found

Metode og data

In document NAV-ytelsene frem mot 2060 (sider 14-18)

Apesar de se ter verificado, ao longo das últimas décadas, algumas mudanças na imagem do idoso, o envelhecimento continua a ser perspetivado como um cenário bastante sombrio, tanto para o próprio idoso, como para a sociedade em geral, uma vez que o idoso ainda é considerado como um peso

17

na economia de um país. Contudo, o envelhecimento “(…) pode ser visto como uma ameaça pelas sociedades, apesar de representar também uma das conquistas da humanidade. O imenso número de pessoas idosas passa a ser considerado um fardo para as que estão na fase ativa do trabalho” (Casagrande, 2013, p.2).

Como resolução a este estigma, surge a necessidade da criação de uma nova perspetiva do envelhecimento - o envelhecimento ativo. O envelhecimento ativo traz um conjunto de benefícios, não só para os idosos, como para toda a sociedade. Na ótica de Casagrande, “permitir que as pessoas permaneçam ativas à medida que envelhecem constitui a chave para enfrentar os desafios do envelhecimento demográfico. A principal resposta política para esse fenómeno, a qual se tem destacada na última década, é conhecida pelo termo «envelhecimento ativo»” (2013, p.2).

A Organização Mundial de Saúde define o envelhecimento ativo como “o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas” (2005, p. 13). E tem como principal objetivo “(…) aumentar a expectativa de uma vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, fisicamente incapacitadas e que requerem cuidados” (OMS, 2005, p. 13). No entanto, a OMS (2005) esclarece que o envelhecimento ativo diz respeito aos indivíduos que se envolvem ativamente em questões culturais, educativas, políticas ou outras que sejam do seu interesse. O envelhecimento ativo pressupõe uma participação e um envolvimento ativo na sociedade e não ser ativo apenas fisicamente. “Um estilo de vida ativo só traz benefícios (físicos, psicológicos e sociais) ao idoso e tornam-no num cidadão mais preocupado consigo e com o que o rodeia, para além, de possibilitar um final de vida mais digno em todas as suas dimensões” (Sousa, 2013, p.33). Assim, é fundamental instigar a autonomia, independência e a participação dos indivíduos para a promoção de um envelhecimento ativo.

Farias e Sousa (2012) referem que a OMS afirma que “o envelhecimento ativo é, portanto, o processo de otimização das oportunidades de saúde, participação e segurança, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida à medida que as pessoas ficam mais velhas” (p.168). Desta forma, pretende aumentar a expectativa de vida saudável garantindo, assim, a qualidade de vida para todos os indivíduos.

De acordo com a OMS a qualidade de vida é

a percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida dentro do contexto de sua cultura e do sistema de valores de onde vive, e em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações. É um conceito muito amplo que incorpora de uma maneira complexa a saúde

18

física de uma pessoa, seu estado psicológico, seu nível de dependência, suas relações sociais, suas crenças e sua relação com características proeminentes no ambiente (OMS, 2005, p 14).

A qualidade de vida da pessoa tem em conta a saúde física e psicológica, o bem-estar social (relações sociais), nível de independência e autonomia, assim como as condições do meio onde habita. Sousa, Galante & Figueiredo (2003) referem a evolução do conceito de qualidade de vida ao longo dos anos. A qualidade de vida começou por estar associada a bens materiais, tais como habitação, alimentação, entre outros. Atualmente, a qualidade de vida é também associada à posse de bens materiais e os vários recursos (água potável, por exemplo), acrescentando o lazer e a oportunidade de “gozar” a vida.

Um envelhecimento ativo e com qualidade de vida, por sua vez, resulta num envelhecimento bem-sucedido. Guiomar (2010) referindo Baltes (1987) citado por Oliveira (2005), refere três grandes categorias de fatores que influenciam um envelhecimento bem-sucedido:

1º Fatores relacionados com a faixa etária (idade biológica e cronológica);

2º Fatores relacionados com o período histórico que o individuo está a viver (designa-se “efeito corte”);

3º Fatores relacionados com a história e acontecimentos da vida de cada individuo;

Não existe um consenso quanto à definição de envelhecimento bem-sucedido, uma vez que muitas variáveis tidas em conta. Há quem considere o envelhecimento bem-sucedido um resultado de teorias biomédicas (ausência de doenças físicas e mentais) e teorias psicossociais (boas relações interpessoais e vida social ativa) e/ou a junção de ambas (Veloso, 2015). Contudo, de maneira geral, o envelhecimento bem-sucedido pode ser associado à “continuação de uma vida ativa na velhice, ou seja a substituição de relações, funções e atividades de meia-idade que foram perdidas, a fim de manter atividades e satisfação com a vida” (Veloso, 2015,p. 11).

Para Sousa, Galante & Figueiredo (2003) “as teorias do envelhecimento bem sucedido vêem o sujeito como pro-activo, regulando a sua qualidade de vida através da definição de objectivos e lutando para os alcançar, acumulando recursos que são úteis na adaptação à mudança e activamente envolvidos na manutenção do bem-estar” (2003, p. 365). Mais uma vez, a qualidade de vida é aliada ao bem-estar no processo de envelhecimento.

Desta forma, o envelhecimento ativo insurge-se contra o papel atribuído aos idosos, dando-lhe uma nova roupagem, esperando que os idosos se tornem mais capazes e ativos no seu processo de reforma. Assim, é fundamental criar espaços que se estimulem o desenvolvimento de aprendizagens e, ao mesmo tempo, valorizem aprendizagens adquiridas anteriormente.

19

Rocha (2009) acrescenta que “esta nova etapa deve ser vista como uma oportunidade para libertar e utilizar energias e capacidades que podem servir como processo de crescimento e desenvolvimento pessoal e social” (p.50). Acrescentando ainda que o envelhecimento ativo

deve então ser perspectivado como um novo paradigma para a velhice, sobretudo se visto como um novo marco que reconhece as pessoas idosos como membros integrantes da sociedade, como cidadãos de pleno direito ao trabalho (se o puderem desenvolver), mas como cidadão de pleno direito ao descanso, à educação lúdica e artística, à sua manutenção física e psicológica, às suas formas de lazer (Rocha, 2009, p.50).

Assim, o conceito de envelhecimento ativo contribui para o bem-estar e qualidade de vida dos idosos. Todavia, também a sociedade em geral beneficia com uma população reformada ativa. Uma vez que, “proporcionar melhores condições de vida aos cidadãos pode reduzir gastos com a saúde e assistência social, assim como pode aumentar a produtividade de bens e serviços, o que evitaria uma crise económica e financeira nos Estados” (Who, 2008, citado por Casagrande, 2013, p. 29).

2.2.3. A Educação de Adultos e a Aprendizagem ao longo da vida como veículos da

In document NAV-ytelsene frem mot 2060 (sider 14-18)