Este trabalho consiste em um estudo teórico, de natureza exploratória e descritiva, abordagem quantitativa, e tem como método de pesquisa a bibliometria.
De acordo com Demo (1989) a pesquisa teórica objetiva a elaboração de quadros de referência, definição de conceitos além do estudo das teorias.
A natureza desse estudo é considerada exploratória, definida por Malhotra, Rocha, Laudisio, Altherman e Borges (2005) como o ato de examinar um problema ou situação para proporcionar conhecimento e compreensão além tornar o problema mais explícito com um aprimoramento das ideias, e também descritiva de acordo com a definição apresentada por Malhotra, Rocha, Laudisio, Altherman e Borges (2005) é uma tipologia de pesquisa conclusiva com o objetivo principal de descrever alguma situação, fato ou realidade, considerando a identificação de características relevantes no grupo alvo estudado. Essa natureza será aplicada para permitir uma melhor percepção e identificação dos pontos relevantes ao estudo durante a coleta de informações.
A abordagem dessa pesquisa será quantitativa, conforme a definição de Malhotra, Rocha, Laudisio, Altherman e Borges (2005) busca evidenciar de maneira conclusiva, considerando amostras de grande representatividade, fazendo aplicação da análise estatística. Essa tipologia de abordagem caracteriza-se pela mistura de procedimentos de cunho racional e intuitivo capazes de contribuir para a melhor compreensão dos fenômenos pesquisados.
3.1.1 Leis e Principios Bibliométricos
Dentro do conceito de bibliometria, tem-se como principais leis as de Bradford (Avalia a Produtividade de Periódicos), Lotka (Avalia a produtividade científica de autores) e Zipf (Avalia a frequência de Palavras).
Essa lei atribui uma graduação de relevância aos periódicos de acordo com a área de conhecimento específica, considerando principalmente a quantidade de artigos publicados. (GUEDES, BORSCHIVER, 2013)
Guedes e Borschiver afirmam que essa Lei propõe a ideia de que a medida que os artigos sobre determinado tema são escritos, eles passam por uma seleção, buscando identificar uma espécie de aderência à área de assunto debatida, atraindo dessa forma mais artigos relacionados. Em suma, a Lei de Bradford é importante para identificar o quanto uma área bibliográfica produz de impacto dentro da bibliografia como um todo.
3.1.3 Lei de Lotka
Essa lei parte do pressuposto que os pesquisadores com maior prestígio acadêmico, em menor quantidade, produzem mais do que os com menor reputação acadêmica. (GUEDES, BORSCHIVER, 2013)
Guedes e Borschiver dizem também:
Na gestão da informação, do conhecimento e planejamento científico e tecnológico, sua aplicabilidade se verifica na avaliação da produtividade de pesquisadores, na identificação dos centros de pesquisa mais desenvolvidos, em dada área de assunto, e no reconhecimento da “solidez” de uma área científica. Ou seja, quanto mais solidificada estiver uma ciência, maior probabilidade de seus autores produzirem múltiplos artigos, em dado período de tempo.
3.1.4 Leis de Zipf
Essas leis consideram como conceito principal a frequência de repetição de vocábulos dentro das obras bibliográficas. De acordo com o exemplificado por Guedes e Borschiver () “Zipf observou que, num texto suficientemente longo, existia uma relação entre a frequência que uma dada palavra ocorria e sua posição na lista de palavras ordenadas segundo sua frequência de ocorrência.”
Em suma, esse conceito prevê a elaboração de uma espécie de ranking onde a palavra de maior frequência de ocorrência tenha uma ordem de série 1, e as demais sejam posicionadas sucessivamente. (GUEDES, BORSCHIVER, 2013)
A primeira Lei de Zipf, na prática, consiste no fato de que produto da ordem da série (r) de um vocábulo pela frequência de ocorrência identificada (f) gera uma variável
aproximadamente constante (c), concluindo matematicamente em r . f = c. (GUEDES, BORSCHIVER, 2013)
Já Segunda Lei de Zipf considera que muitas palavras com baixa frequência de ocorrência possuem a mesma frequência. Essa Lei foi modificada por Booth e tem o objetivo identificar o modo comportamental das palavras de baixa frequência de ocorrência, considerando que entre elas existam várias palavras com a mesma frequência. Com isso, pode-se perceber que esses dois pensamentos elaboram uma polarização na distribuição das palavras em duas extremidades, e também a existência de uma região intermediária de transição entre os extremos. (GUEDES, BORSCHIVER, 2013)
De acordo com Goffman (apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 7) “(...)nessa região de transição estariam as palavras de maior conteúdo semântico, de um dado texto.”
3.1.5 Ponto de Transição (T) de GOFFMAN
Utilizando mais a fundo os conhecimentos produzidos por Goffman (apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 8) identificamos que para se encontrar essa região de transição que contém as palavras de alto conteúdo semântico, é preciso identificar o comportamento típico das palavras de alta frequência dado pela 2ª Lei de Zipf, sendo assim o número de palavras com frequência n tenderia a 1, com n denominando-se como ponto de transição (T) de Goffman. Esse ponto determina de modo gráfico o local de transição das palavras de baixa para as de alta frequência. Em suma, a região desenhada ao redor desse ponto concentra as palavras de alto conteúdo semântico. Para Goffman, o conceito do ponto de transição (T) surge com a possibilidade de decompor um texto sintaticamente, objetivando sua indexação.
Utilizando a abordagem de Rouault (1987 apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 9) sobre os métodos estatísticos de indexação temática automática, apresenta a possibilidade de se delimitar três zonas de ocorrências de palavras sendo que as delimitações entre elas não são muito visíveis, mas são aplicáveis para todos os textos analisados. A primeira dessas zonas possui em sua composição um número elevado de ocorrências, principalmente de palavras relacionadas a sintaxe sendo encontrado uma pequena quantidade de substantivos, adjetivos e verbos. Na segunda zona, há uma maior quantidade de palavras de categorias morfológicas como substantivos, adjetivos e verbos, no entanto, os vocábulos descritos na primeira zona, continuam a ocorrer nessa segunda região, em especial no topo, próximo ao
limite com a primeira zona, sendo esta demarcação limítrofe muito tênue. Já a terceira zona de ocorrência, proposta por esse pensamento, contém formas como termos de indexação e palavras-chave, sendo composta em sua maioria por palavras com ocorrência única e com representatividade frequente de 50% de todas as formas distintas de um texto.
Ao considerarmos esse raciocínio supracitado, deve-se apresentar a ideia do processo de indexação automática, em especial nos meios eletrônicos. As Leis de Zipf possuem aplicação para identificação de estilos de autores na produção científica e tecnológica. Outra utilização frequente desse conceito é o emprego como ferramenta estatística, em diferentes áreas do conhecimento. A evolução dos estudos sobre a frequência de ocorrência das palavras tem proposto o desenvolvimento de algoritmos, buscando uma indexação temática da informação de modo automático.
Para representar de maneira espacial as três principais leis bibliométricas juntamente com os focos de estudo respectivos, apresenta-se a seguir a figura, considerando a inserção dessas leis em um sistema de informação científica e tecnológica, que por sua vez insere-se em um sistema de comunicação científica e tecnológica.
Figura 3 – Principais leis da Bibliometria, seus focos de estudo e suas relações com os sistemas de comunicação e de informação científica e tecnológica.
Fonte: Guedes e Borschiver (2013, p. 10)
Apresenta-se nesse item alguns outros conceitos relevantes relacionados à bibliometria.
3.1.7 Frente de Pesquisa e Colégios Invisíveis
A identificação de frentes de pesquisas de um determinado assunto científico é possível através da análise de citações na literatura recente, revelando assim um padrão ou tendência de estudo sobre a área. Além disso, em meio a esse eixo tendencial existem trabalhos de diversos colaboradores que formam os colégios invisíveis. (GUEDES, BORSCHIVER, 2013)
3.1.8 Fator de Imediatismo ou de Impacto
Segundo Price (1965 apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 11) “A análise de citações é utilizada, ainda, para estimar o Fator de Imediatismo de um artigo publicado, pelo estudo da concentração de citações a esse artigo, em documentos publicados nos últimos quinze anos”. Sugere-se assim que os artigos com frequência maior de citações em determinada área de pesquisa são mais relevantes do que os com menor número de citação. (GUEDES, BORSCHIVER, 2013).
3.1.9 Acoplamento Bibliográfico e Co-citação
Esses conceitos relacionam-se com o fato de que existe um grupo de artigos que citam o mesmo documento, denominado Acoplamento Bibliográfico (Retrospectivo) e um grupo de artigos citado pelos mesmos documentos, denominando-se assim Co-citação (Prospectivo). (GUEDES, BORSCHIVER, 2013).
3.1.10 Obsolescência da Literatura e Vida-Média
De acordo com Line (1970 apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 12) “a Obsolescência da Literatura, no decorrer do tempo, e a Vida-Média é estimada a partir da razão de obsolescência e da razão de crescimento, de um determinado corpo de literatura”.
3.1.11 Lei do Elitismo
Segundo Price (1965 apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 12) “a Lei do Elitismo enuncia que toda população de tamanho N tem uma elite efetiva tamanho √N.
3.1.12 Teoria Epidêmica de Goffman
De acordo com Goffman & Newill (1964 apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 12-13) “A Teoria Epidêmica de Goffman fundamenta-se na analogia entre transmissão de uma doença infecciosa, segundo um processo epidêmico, e a transmissão e desenvolvimento de ideias, informações registradas, em uma comunidade científica.”
3.1.13 Lei dos 80/20
Sobre esta Lei, Trueswell (1969 apud GUEDES, BORSCHIVER, 2013, p. 14) defende que ela “consiste em um fenômeno, inicialmente observado no comércio e na indústria, segundo o qual em sistemas de informação 80% da demanda de informação se satisfaz com 20% do conjunto de fontes de informação”.