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O tema inovação é atualmente discutido em diferentes contextos, desde os mais gerais (indústria, comércio e outros) e também em contextos pedagógicos educacionais.

Como foco mais central deste trabalho reside no aspecto pedagógico do tema, abordaremos a inovação educativa no processo ensino- aprendizagem, contexto em que as mudanças intencionais acontecem e objetivam romper com determinada situação.

Quando o assunto é inovação na organização curricular, a abordagem é sempre relacionada à flexibilização, à interdisciplinaridade, aos métodos e metodologia de ensinar e aprender, com ênfase no conhecimento. Nesse contexto, o currículo aparece como uma das dimensões privilegiadas da inovação. Certamente, este é um dos campos fundamentais de análise e transformação sobre o qual recai um número relevante de decisões e de inúmeras variáveis. Nesta linha, Tavares (2003) expõe que o currículo é um lugar para onde tudo converge e se articula, configurando-se como um instrumento de formação.

Os aspectos inovadores educativos no que diz respeito às questões curriculares serão aprofundados quando apresentarmos, no próximo capítulo, nosso estudo sobre a proposta do novo Projeto Pedagógico do curso de Pedagogia – Licenciatura da PUC-SP, objeto de análise desta investigação.

Abordaremos, nessa etapa, a inovação curricular na esfera metodológica, tomando-se por base as opiniões dos autores Hernandez et al. (2000), Carbonell (2002), Masetto (2004, 2008) e Rigal (2000). Esses autores identificam como características comuns às proposições metodológicas o seguinte aspecto: a participação ativa do aluno, assim como a relação professor versus aluno, objetivando a colaboração na construção do saber. Com base nessa afirmativa, na esfera metodológica, inovar seria, portanto, o mesmo que estruturar as atividades de ensino que exigem do aluno um direto envolvimento tanto no planejar como realizar as atividades propostas. Significa substituir o molde tradicional de ensinar, isto é, trocar as aulas expositivas por outro modelo que torne a aula mais atraente e que o aluno seja convidado a fazer descobertas e traçar o seu percurso dentro do curso.

Inovar, metodologicamente, significa também estruturar os métodos de ensino, as práticas de avaliação do ensino-aprendizagem de forma que propicie,

sobretudo, a integração de conteúdos, ensino a distância e uso das tecnologias de informação e comunicação (TICs). A mudança metodológica explora novas maneiras de ensinar e aprender.

Como dito anteriormente, os papéis e as relações entre professor e aluno também sofrem alteração numa proposta inovadora. Nela, o professor deixa de ser apenas um transmissor de conhecimento e passa a exercer o papel de mediador. Esse movimento resulta num processo de ensino-aprendizagem parceiro, em que o trabalho em equipe é destacado.

Ao considerarmos as mudanças nas dimensões: organização curricular, nas metodologias e nas relações humanas e, portanto, mudança dos papéis dos protagonistas do processo, faz-se necessário operar modificações no uso de materiais e recursos (constitui-se também como dimensão) para que uma proposta inovadora seja implantada com êxito. Esse uso de materiais e recursos favorece uma nova dimensão educativa, a das novas tecnologias de informação e comunicação, como a educação a distância, apoiadas na Internet, plataformas educacionais, multimídia e informática. Essa dimensão requer também o uso de recursos humanos, como a presença de consultores, monitores e tutores para contribuir no desenvolvimento dos cursos, uma vez que essa dimensão privilegia a realização de atividades curriculares fora do espaço tradicional da sala de aula.

Carbonell (2002) acredita que as novas tecnologias de comunicação devem colaborar com a leitura e entendimento da realidade; contribuir e assimilar a tradição cultural herdada e também ajudar a compreender as expressões culturais emergentes e mutáveis. Há outros pensadores que também defendem a ideia de que essa modalidade de ensino deva ser destacada, dado que um novo paradigma é visto, no qual homem e máquina firmam uma relação salutar quer seja na direção de solução de problemas quer num processo de construção de aprendizagens.

Nesse contexto, no curso de Pedagogia – Licenciatura da PUCSP, está prevista como uma das modalidades pedagógicas, atividades semipresenciais (EAD)52. Tal modalidade prevê atividades com utilização das mídias interativas como a Medicação Pedagógica no ato de aprender e ensinar.

52

Educação a distância, caracterizada como modalidade educacional institucionalizada por meio do Decreto n. 5622 de 19/12/2005. Consta alteração de alguns dispositivos através do decreto n. 6.303 de 12/12/2007.

Inovação e avaliação

Com base na ideia de Senge (1996), inovação é uma mudança deliberada e não uma simples renovação, requer atitude para aprender, alterar conceitos e ideias e assumir novos comportamentos e atitudes.

Masetto (2004), com base no elemento: pontos-chave e eixos constitutivos da organização do ensino universitário sugere que seja considerada a revisão do conceito de avaliação, entendendo-a como avaliação formativa, como já vimos anteriormente.

Percebemos refletida a posição dos autores, particularmente no curso de Pedagogia – Licenciatura da PUC-SP via seu PPC quando propõe uma avaliação processual, interdisciplinar, inclusive, permanente. O item “avaliação” constante no Projeto Pedagógico do curso de Pedagogia, Licenciatura da PUC-SP foi delineado sob os seguintes aspectos:

Discente

Formativa e somativa;

Caráter processual e contínuo;

Envolverá atividades especificas em cada Módulo, Eixo e Unidade Temática; Predominantemente na forma presencial e outras à distância.

Docente

Pressupõe a formação e aperfeiçoamento continuado dos professores; Autoavaliação;

Avaliação de equipes de trabalho;

Desenvolvimento de atividades de planejamento e pesquisa.

Curso

Contínua e sistemática;

Será orientada pelos trabalhos da CPA - Comissão Própria de Avaliação PUCSP;

Garantia de um caráter compartilhado de reflexão, revisão de ações e aprimoramento de metas;

Delineamentos que serão seguidos:

Avaliação do PPC;

Avaliação Pedagógica dos processos de ensinar e aprender;

Aprimoramento: da gestão acadêmica, do técnico – administrativo, do corpo docente e discente; Acompanhamento em relação à articulação com as várias unidades do conhecimento da universidade;

Condições de infraestrutura; Acompanhamento de egressos

Quadro 15. Proposta de Avaliação discente, docente e do Curso de Pedagogia – Licenciatura da PUC-SP - elaborada pela autora

Neste âmbito, o processo de avaliação constante do projeto é considerado inovador, tendo em vista que se apoia na avaliação formativa e somativa, prevendo a avaliação contínua e sistemática do curso.

Feldmann, Diretora da Faculdade de Educação no período da implantação da reforma do curso, e Brito, coordenadora do curso no período de 2001 a 2004 e membro da comissão de reforma do curso de Pedagogia, comentam, em artigo

publicado em 2009, que foram significativos os encontros semanais do corpo docente sistematicamente planejados em um projeto de formação continuada dos professores, para que por meio da reflexão, espaços de trocas, de forma coletiva e compartilhada serem expressadas as dificuldades, o medo do novo, os desafios, com o intuito de ampliar as interpretações para se produzir conhecimento,com a finalidade de gerar ações para correção de rumos e melhorias no processo de implantação.

O relato das autoras permite-nos avaliar o quão profícuo foram estes momentos de troca, de parceria, enfim uma avaliação contínua do processo, um trabalho de equipe, que é uma das características importantes num processo inovador.

Além dessa característica, retomamos aqui as funções da educação superior, indicadas no documento da UNESCO, comentado nas considerações de Masetto (2004) que são: a ética, autonomia, responsabilidade e prospectivas. Sob este ângulo, é que vislumbramos as possíveis características inovadoras presentes do curso de Pedagogia – Licenciatura da PUCSP, tema que será abordado no próximo capítulo.

5. O CURSO DE PEDAGOGIA – LICENCIATURA DA PUC-SP.