O Manguezal é composto por plantas lenhosas, comumente chamadas de Mangue, algumas espécies herbáceas, epífitas, hemiparasitas, aquáticas típicas, macro e microalgas e liquens (Schaeffer-Novelli, 1995).
O número de espécies que compõe a vegetação do ecossistema Manguezal é considerado reduzido. Ao contrário de outras florestas, estes não são muito ricos em espécies vegetais, porém se destacam pelo grande número de indivíduos/espécie, ou seja, pela abundância das populações que neles vivem (Ambiente e Águas, 2002; Lacerda, 1984).
Lamberti (1966) cita que as “espécies obrigatórias” vivem estritamente no âmbito da ação das marés e sobre solo mais lodoso do que arenoso (diâmetro de partículas variando de 0,002 a 0,02mm, que na escala Atterberg correspondem a argila e limo) e as “espécies facultativas” ou “marginais” são ocasionalmente atingidas pelas marés de grande amplitude e habitam sobre solo cuja composição granulométrica apresenta maior porcentagem de limo e areia fina (diâmetros entre 0,02 e 0,2mm).
Diversidade nos Manguezais do globo
De acordo com Mastaller (1990), ocorrem cerca de 60 espécies de árvores e arbustos que figuram nos bosques de Manguezal espalhados mundialmente, sendo que cerca de 20 ocorrem também em outras formações. A região do sudoeste do Atlântico (com 14 espécies) é mais pobre em espécies que a região do sudeste da Ásia (com 58 espécies).
Diversidade nos Manguezais brasileiros e da região sudeste
A formação vegetal dos Manguezais brasileiros, no que se refere à plantas arbóreas, é constituída basicamente por três gêneros (Rhizophora,
Avicennia e Laguncularia) e seis espécies (R. mangle, R. racemosa, R.
harisonii, A. schaueriana, A. germinans e L. racemosa), com três destas
apresentando ampla distribuição: o Mangue vermelho (R. mangle), o Mangue branco (L. racemosa) e o Mangue siriúba (A. schaueriana). Figuram ainda no Manguezal elementos não típicos como o Conocarpus erecta, Hibiscus tiliaceus e a samambaia Acrosticum aureum (característicos de áreas de transição para o ambiente terrestre). O Manguezal é rico em espécies de algas e líquens, segundo Coelho Jr. (1998); Lacerda (1984) e Schaeffer-Novelli (1989).
Na região sudeste brasileira são encontradas quatro destas espécies:
R. mangle, A. schaueriana, A. germinans e L. racemosa. Mais especificamente
no litoral paulista, onde se insere a Baixada Santista, cita-se o exemplo da flora do Manguezal da Estação Ecológica Juréia-Itatins, típica deste litoral, e onde figuram apenas três: R. mangle, L. racemosa e A. schaueriana, sendo a última bastante mais rara. Os arbustos de H. tiliaceus, a samambaia A. aureum e há
Spartina brasiliensis no estrato herbário.
A presença da Spartina tem sido citada por diversos autores, dentre os quais Leonel & Simões (s/d), que descrevem que a gramínea coloniza a região frontal dos bosques de Manguezal, como a primeira a ocupar os bancos areno- argilosos onde os processos de sedimentação estão se iniciando, possibilitando assim, o acúmulo de lodo que favorece a colonização pelas espécies arbóreas (FEEMA, 1979). Desta forma, conforme citado por Moura et al. (1998), a planta é classificada como uma espécie pioneira dos marismas na costa Atlântica e considerada muito importante pois não sofre competição com nenhuma outra espécie de água salgada, serve à manutenção da morfologia de margens e é precursora de áreas de Manguezal, sendo seu uso sugerido em processos de recuperação de Manguezais degradados.
Caracterização das espécies presentes nos Manguezais da Baixada Santista
Lamberti (1966), Novelli & Lacerda (1994) e Schaeffer-Novelli (1995) descrevem características das pricipais plantas do Manguezal na região:
• Rhizophora mangle Linn.
Sinonímia: Rhizophora americana Nutt., R. racemosa GFW. Família: Rhizophoreae.
Nomes vulgares: Mangue, Mangue vermelho, Mangue verdadeiro, Mangue sapateiro, Mangue de pendão, Mangue preto, Quaparaíba, Apareíba, etc.
Hábito: Arbóreo (árvores com 6m ou mais, muito ramificadas). Florescimento: dezembro e janeiro.
Ocorrência: Litoral da América tropical, oriental e ocidental (no litoral brasileiro até Santa Catarina), Antilhas, México, Flórida, África ocidental.
É em geral encontrada nas franjas dos bosques. As plantas desse gênero toleram salinidades de até 55 ppm, porém crescem melhor quando esses valores se aproximam ou são menores que 35 ppm (salinidade da água do mar). A característica peculiar do gênero é o sistema de sustentação, com raízes-escoras (rizóforos) que partem do tronco, e as raízes adventícias que partem dos galhos. Os frutos germinam ainda presos à árvore-mãe e dão origem a propágulos em forma de lança, cuja viabilidade pode chegar a 12 meses (Novelli & Lacerda, 1994).
• Avicennia schaueriana Stapf & Leechman
Sinonímia: A. tomentosa Jacq. ; A. nitida Jacq. var. trinotensis Moldenke. Família: Verbenaceae.
Nomes vulgares: Siriba, Siriúba, Mangue branco, amarelo ou preto.
Hábito: Arbóreo (árvore com até 10m ou mais ramificações caulinares finas). Florescimento: fevereiro e março.
Ocorrência: Litoral da América tropical, oriental e ocidental, México, Flórida. Ocupa terrenos da zona entremarés. Essas plantas toleram salinidades intersticiais muito mais altas que os demais gêneros de Manguezal, chegando a sobreviver em locais com 90 ppm. Os propágulos permanecem viáveis por cerca de 3 meses (Novelli & Lacerda, 1994).
O sistema radicular é muito ramificado horizontalmente com ramos com mais de 5m de comprimento e profundidade não superior a 0,5m. Dos ramos nascem, em grande número, raízes geotropicamente negativas, de configuração cônica; os pneumatóforos, normalmente apresentam 20-30cm de altura. Essas raízes aéreas são de consistência esponjosa e providas de pequenas lenticelas chamadas pneumatódios. O tecido cortical é provido de um grande número de espaços intercelulares responsáveis não só pelo armazenamento de grande quantidade de ar como também pela consistência esponjosa do órgão.
• Laguncularia racemosa Gaertn
Sinonímia: Conocarpus racemosa Linn. Et Jacq., Bucida buceras Vell.,
Schousboa commuttata Spreng., Laguncularia glabriflora Presl.
Família Combretaceae.
Nomes vulgares: Mangue branco, Mangue manso, Tinteira, Mangue rasteiro, Canapomba, Canapaúba, Siriba, Cereiba, etc.
Hábito: Arbóreo (árvores pequenas, com 4-6m de altura). Florescimento: janeiro e fevereiro.
Ocorrência: América tropical (litoral oriental e ocidental). África tropical ocidental.
O sistema radicular é pouco profundo (não ultrapassa 30cm) e apresenta pneumatóforos (menores e em menor quantidade do que Avicennia), indivisos, bi ou trifurcados. Habita costas banhadas por águas de baixa salinidade, não tolera locais com amplas flutuações no nível das preamares. Os propágulos são viáveis por cerca de 30 dias (Novelli & Lacerda, 1994).
• Hibiscus tiliaceus L. Família: Malvaceae
Nomes vulgares: Hibisco, Algodão da praia
Hábito: Arbustivo (com 3-5m de altura; é comum ramificar-se muito a curta distância do solo).
Florescimento: ao longo de todo ano.
Ocorrência: espécie pantropical das ilhas do Pacífico, regiões tropicais e subtropicais do mundo; comum na arborização urbana; algumas vezes é invasora. Apresenta folhas e flores grandes e raízes adventícias bastante ramificadas, finas e de pouca penetração no solo.
• Acrostichum aureum L. Família: Polypodiaceae.
Nome vulgar: Avencão, Samambaia do mangue Hábito: Herbáceo (1,0m de altura).
Ocorrência: regiões tropicais e sub-tropicais.
Erva terrestre com folhas compostas em forma de penas e sistema radicular superficial, constituído por raízes adventícias.
• Spartina brasiliensis Família: Poaceae
Nome vulgar: Espartina Hábito: Herbáceo
Ocorrência: cosmopolita