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Em relação ao fenômeno da exclusão digital, uma corrente alternativa de estudos, vem se dedicando a identificar como se dá a distribuição dos recursos tecnológicos entre a população, visando identificar quais são os elementos que mais condicionam ao uso e não uso (caracterizando uma barreira de acesso) das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Uma análise da literatura identifica alguns elementos considerados como barreiras à inclusão digital: (i) renda; (ii) grau de instrução; (iii) idioma; (iv) raça/etnia entre outros. Todavia, apesar da diversidade de fatores, existe certo consenso entre os estudiosos de que os atributos relacionados ao grau de instrução e nível de escolaridade são os elementos que mais segregam grupos de incluídos e excluídos digitalmente. Apesar deste consenso é fundamental analisar o impacto dos demais fatores condicionantes em relação ao processo de inclusão digital (WINKLER, 2005).

Alinhado a essa corrente de estudos, Castells (2003) realiza uma análise sobre a divisão digital nos Estados Unidos, buscando compreender cada um dos aspectos relacionados à exclusão digital naquele país. Segundo o autor fica evidente que quanto maior a renda da família ou do indivíduo, maior será a chance que este tenha acesso à Internet.

Conforme os dados apresentados por Castells (2003) das pessoas com renda acima dos $75.000 (anualmente) a taxa de acesso estava em torno de 70,1%, contrastando com aqueles que ganham até $15.000, cuja taxa ficava em torno dos 18,4%.

A educação ou nível de escolaridade também é um fator discriminante, a taxa de acesso do grupo de indivíduos com curso superior ou nível mais elevado era de 74,5%, distinguindo do grupo de indivíduos que não tinham concluído o Ensino Médio, no qual a taxa de acesso à Internet ficava em 21,7%. A faixa etária, também se mostrou um elemento fortemente discriminador, demonstrando que os adolescentes tinham quase duas vezes mais chances de acesso, quando comparados à pessoas com mais de 50 anos de idade. Analisadas as faixas etárias, demonstra-se que entre o grupo de 9 a 17 anos, a taxa de acesso à Internet fica em 53,4%, este percentual eleva-se para 56,8% quando analisados indivíduos com idade entre 18 e 24 anos; apresenta uma leve redução para 55,4% no grupo etário de 25 a 49 anos e cai drasticamente (a taxa de acesso à Internet) para 29,6% no grupo composto por pessoas com mais de 50 anos.

A situação do emprego também se mostrou um fator discriminador, no qual os indivíduos que se declaram empregados, possuem uma taxa de acesso à internet de 56,7%, em contraste com os indivíduos desempregados cujo percentual cai para 29%. Em relação à etnia, os dados apontam haver uma desigualdade no acesso. A taxa de acesso entre os indivíduos que se declararam como brancos, ficou em 50,3%, essa taxa tem uma leve redução para 49,4% entre membros asiático-americanos (amarelo) e cai para 29,3% entre os afro-americanos (negros) e fica em 23,7% entre os hispânicos.

O fator área geográfica também apresentou uma grande disparidade, no que se refere à taxa de acesso à internet. Indicando que indivíduos que residem em áreas urbanas apresentam maiores chances de terem acesso à internet do que indivíduos situados na zona rural. Um último aspecto apontado por Castells (2003) refere-se à questão da deficiência física. A taxa de acesso à Internet entre os indivíduos sem nenhuma deficiência era de 43,3%, em contraste com os 71,6% dos indivíduos que declaram possuir alguma deficiência. Quando segmentados por tipo de deficiência, evidenciava- se que entre as pessoas com problemas de visão, o percentual de acesso fica em 78,9%, enquanto que pessoas com problemas de locomoção tinham uma taxa de acesso à Internet de 81,5%.

Embora os dados apresentados, permitam retratar um esboço da distribuição dos recursos tecnológicos na sociedade americana, Castells (2003) ressalta a limitação na comparação da realidade dos Estados Unidos em relação aos demais países. Pois, visto que o país foi pioneiro na inovação e produção de diversos recursos tecnológicos, naturalmente a taxa de difusão das TICs entre a população americana é maior do que em relação aos demais países.

No intuito de compreender como se dá a distribuição do acesso à Internet, Fernandes e Dutt-Ross (2006) se utilizaram dos dados do PNAD, referente aos anos de 2001 e 2002 para identificar as principais barreiras de inclusão digital. Todavia, na análise desenvolvida pelos autores foram considerados apenas os seguintes fatores: (i) Idade; (ii) Nível de Escolarização; (iii) Sexo; (iv) Etnia; (iv) Região. Segundo Fernandes e Dutt-Ross (2006) o atributo de Gênero (Sexo), não se mostrou um elemento discriminador, de modo que as chances de acesso à Internet entre homens e mulheres são praticamente uniformes.

Em relação à etnia, nota-se que as pessoas de cor amarela (origem asiática) possuem no mínimo duas vezes mais chances de ter acesso à Internet, quando comparadas às pessoas de cor Branca. Em contrapartida, pessoas de cor branca possuem mais propensão a serem incluídas digitalmente do que pessoas que se declararem de cor negra, evidenciando desigualdade de acesso, quando analisado em relação ao atributo cor/etnia.

O aspecto referente à região geográfica também se mostrou elemento de forte discriminação, refletindo as desigualdades existentes entre as regiões geográficas do país. As regiões geográficas, cujos indivíduos possuem maior probabilidade de terem acesso à Internet são o (i) Centro Oeste e o (ii) Sudeste. Em contrapartida, a região Norte, apresenta a menor chance de acesso à Internet, quando comparada às demais regiões do país.

Em relação ao elemento idade, nota-se que as faixas etárias que mais contribuem para inclusão (com maior taxa de acesso à Internet) são os indivíduos na faixa etária dos 15

aos 19 anos idade e dos 20 aos 25 anos, contrastando com os indivíduos com idade igual ou acima aos 65 anos, que apresentaram a menor taxa de acesso.

Em consonância aos princípios acima discutidos, a discussão empreendida nesta investigação se enquadra dentro da temática de inclusão digital. Porém, não explorando as questões relativas ao acesso versus não acesso ao computador e internet, mas analisando como os usuários se utilizam dos recursos disponibilizados na Internet (padrões de uso da internet), tendo como foco deste trabalho os serviços de governo eletrônico. Embora, a literatura anteriormente discutida demonstre uma série de fatores (barreiras) que discriminem o acesso aos diversos recursos de TIC, para fins desta dissertação optou-se por fundamentar às análises nas diferenças entre classes socioeconômicas.