A utilização do submarino como plataforma de lançamento e recolha de AUV´s permite aumentar a sua capacidade de permanência no mar, contribuindo eficazmente para a manutenção da postura covert do submarino durante a missão.
Na última década têm vindo a ser testadas formas de lançamento (launch) e recolha (recovery) de AUV´s a partir de submarinos. A Marinha dos EUA verifica um dos maiores avanços nesta área, tendo este conceito desenvolvido e testado com a cooperação da Boeing Defense, Space & Security16.
O AN/BLQ-11 LMRS (Long Term Mine Reconnaissance System) é o AUV utilizado pela Marinha dos EUA (desenvolvido pela empresa Boeing) para os testes de lançamento e recolha a partir do submarino (submarinos da Classe Los Angeles, Virginia e Seawolf)17. Este apresenta um formato tipo torpedo e tem 6,1 metros de comprimento e 0,53 metros de diâmetro, constituindo um AUV de grandes dimensões. O AUV é vocacionado para missões de MCM, tendo sido desenvolvido para operar a partir do submarino.
Na operação com o AUV o submarino utiliza um sistema desenvolvido pela Marinha dos EUA, o torpedo tube launch and recovery system, que consiste na implementação de uma estrutura no tubo lançador de torpedos para lançamento e recolha do AUV.
O lançamento e início do seguimento do AUV são efetuados de modo semelhante ao dos torpedos: lançamento, por impulsão, e monitorização pelos sistemas de bordo do submarino. Quanto à recolha é efetuada a partir de um braço robótico instalado no tubo (desenvolvido também pela empresa Boeing) que encaminha o veículo para o interior do tubo do submarino.
O lançamento do AUV pelo tubo lança torpedo foi testado pela primeira vez em 2005, a partir do submarino USS Oklahoma City. A recolha pelo tubo lança torpedos apenas foi testada com sucesso em 2007, a partir do submarino USS Hartford (SSN-768).
16 Unidade da Boeing Company responsável pelos produtos e serviços de defesa (armamento) e estudo do
espaço aéreo.
17 Três classes de submarinos nucleares da Marinha dos EUA.
A empresa BMT Group (BMT Defence Services)18 desenvolveu um conceito de recolha de AUV´s a partir do submarino, tendo em conta a fixação de uma estação de docking cónica (semelhante à desenvolvida pela MBARI) num Dry Deck Shelter (DDS) (Fedor, 2009).
O DDS é um módulo que pode ser adicionado ao submarino para entrada e saída de mergulhadores, quando este se encontra em imersão. Esta estrutura é considerada uma doca “seca” (dry) pois possui um compartimento estanque no seu interior. É utilizada por alguns dos submarinos da Marinha dos EUA (e.g. Classe Ohio19), sendo aplicada no lançamento e recolha de AUV´s. Esta operação com os AUV´s pode ser assistida por mergulhadores ou forças especiais que embarcam no DDS.
A fixação da estação de docking à entrada da DDS confere uma maior proteção ao AUV e permite alinhar o veículo para transferência de dados e carregamento de baterias.
A Marinha Real Britânica utiliza um sistema semelhante de lançamento e recolha de AUV´s, também desenvolvido pela BMT Defence Services.
18
Empresa sediada no Reino Unido que desenvolve projetos em várias áreas (marítima, comercial e energética) e apoia os clientes em todo o ciclo de vida do projeto.
19 Classe de submarinos nucleares da Marinha dos EUA que possui a capacidade de lançamento de misseis
balísticos (SSBN - Ship Submersible Ballistic missile Nuclear powered) ou de misseis guiados (SSGN – Ship Submersible Guided missile Nuclear powered). Os SSGN permitem também o embarque e apoio a forças de operações especiais (SOF - Special Operations Forces) a partir do DDS.
O Casing Mounted Hangar é utilizado nos submarinos convencionais, contrariamente ao DDS na Marinha dos EUA, e é um módulo “molhado” (wet) adicionado ao submarino e
equipado com uma estrutura para lançamento e recolha do AUV (Hardy & Barlow, 2008). Este conceito é aplicado ao AUV HUGIN 1000, que é um AUV de grandes dimensões. Como este módulo é utilizado por submarinos convencionais (mais pequenos que os nucleares) existe a possibilidade de o AUV ser lançado mais próximo de costa, maximizando a eficácia da sua operação.
Outro sistema utilizado pela Marinha dos EUA é o Universal Launch and Recovery Module (módulo universal de lançamento e recolha) desenvolvido pela empresa General Dynamics20.
Este sistema é standard e permite o lançamento de AUV´s a partir do tubo lançador de misseis dos submarinos SSGN.
20 Companhia americana principal fornecedora dos navios da Marinha dos EUA (empresa Electric Boat) que
projeta e constrói navios de superfície e também submarinos.
O módulo é constituído por um mastro extensível e um berço para recolha do AUV, que quando este se encontra fixo adota a posição vertical e recolhe ao tubo. O berço possui um cone para docking com 0,90 metros de diâmetro e transponders (faróis) acústicos para posicionamento do AUV. O Universal Launch and Recovery Module (ULRM) é alojado dentro de uma estrutura, posteriormente colocada dentro do tubo de lançamento dos misseis.
Este módulo de lançamento e recolha do AUV apresenta algumas vantagens relativamente a outros sistemas, principalmente no que diz respeito à estrutura incorporada na configuração já existente do submarino (i.e. tubo de lançamento dos misseis). Os tubos possuem uma escotilha superior (para saída do míssil/AUV) e uma inferior, onde são carregados os misseis e que permite a manutenção do AUV (Stewart & Pavlos, 2006).
Em 2003 foram realizados testes com o UUV Seahorse, a partir do submarino USS Florida21. Este UUV é considerado um veículo de grandes dimensões, mas foi testado com sucesso no lançamento e recolha a partir do ULRM, confirmando a viabilidade deste módulo.
No que diz respeito a veículos de menores dimensões, o ULRM permite o armazenamento e operação até seis veículos em cada tubo (e.g. AUV Bluefin-21).
21 Integra a Classe Ohio dos submarinos da Marinha dos EUA.
Outro conceito de lançamento e recolha de AUV´s a partir do tubo lança torpedos do submarino foi desenvolvido pela empresa Saab Underwater Systems22 e tem em conta a operação do AUV com auxílio de um ROV.
O sistema SUBROV consiste num ROV que opera a partir do submarino utilizando o tubo lança torpedos e numa consola de operação instalada a bordo do submarino. Este ROV encontra-se ligado ao submarino por intermédio de um cabo que permite o envio de comandos e o carregamento de baterias (pode operar com a energia de bordo ou proveniente do submarino).
Este sistema possui a capacidade de executar missões de inspeção submarina e de MCM, funcionando como plataforma para comunicações underwater, à superfície (equipado com uma antena) e estação de docking ativa (não fixa) para AUV´s. (Bremer, Cleophas, Fitski & Keus, 2007).
O SUBROV está equipado com um cabo que envolve o AUV e com um instrumento de fixação que permite ao AUV acoplar-se ao ROV. Depois procede ao encaminhamento para o tubo lança torpedos e o AUV é recolhido, enquanto o ROV recua e é recolhido por outro tubo, se for caso disso. Todo o processo é auxiliado e monitorizado por duas camaras e um sonar instalados no ROV. O SUBROV permite também a transferência de dados e carregamento de baterias do AUV quando este se encontra fixo ao SUBROV (Siesjö, J).
22 A Saab Underwater Systems é um ramo da empresa Saab destinado à underwater security (segurança
debaixo de água) que promove vários projetos no âmbito dos veículos submarinos e plataformas de apoio. Figura 13 - Recolha do AUV pelo SUBROV.
O AUV testado com este sistema foi o AUV62-MR (Mine Reconnaissance), também desenvolvido pela empresa Saab, com 6,5 metros de comprimento e 0,53 metros de diâmetro.