Del II Teori og metode
3. Metode for verdsettelse
O CRACAS e as cooperativas as quais estão integradas a ele são um importante veículo de mediação entre bordadeiras e consumidores. Embora o número de associados ativos não coincida com os registros, portanto, não tendo um número tão expressivo de bordadeiras, não podemos deixar de destacar as novas formas de relações que tais instituições inseriram no contexto artesanal do município.
O que me chamou a atenção na Escola Profissional Júlia Medeiros, em primeiro momento, foi por se tratar da única escola que oferta cursos para bordadeiras ininterruptamente ao longo dos anos, diferentemente dos cursos esporádicos ofertados pelo CRACAS. Esse foi o motivo que me levou a conhecer a escola.
A Escola Profissional está localizada no bairro Paraíba, distante do centro da cidade. Dificilmente encontrava com a coordenadora do local Rita Fernandes, apenas uma única vez na qual me foi concedida uma entrevista.
Segundo informações de Rita, à frente da gestão da escola há oito anos, a mesma foi fundada em abril de 1975, há trinta e oito anos. Mantida pela prefeitura do município, no local são oferecidos os cursos profissionalizantes de bordado clássico, bordado industrial, bordado fauna e flora, rebordado com pedraria (sandálias e roupas), ponto cruz, crochet, pintura em tecido e tela (frutas, flores e recém-nascido), corte e costura em malha, corte e costura em tecido, redender (bordado à mão usando bastidor), flores artificiais, culinária, digitação, informática e capitunê para fazer almofada e colcha de cama. Os cursos são realizados semestralmente, abrindo duas turmas por ano em cada uma dessas modalidades.
O curso gratuito é realizado por etapas em que, semestralmente, são formadas novas turmas de alunos. O que não é disponibilizado pela instituição para os alunos é o material usado nos cursos, ficando o aluno responsável por adquiri-lo, ao ter em mãos a lista que a Escola orienta comprar. A Escola Profissional Júlia Medeiros atende a um público de trezentas e cinquenta pessoas por semestre, normalmente são pessoas residentes no município
de Caicó. Essas pessoas buscam participar dos cursos oferecidos pela Escola Profissional, visando desenvolver alguma atividade que lhes possam gerar renda no futuro.
É importante mostrar que a Escola Profissional tem uma ligação com o primeiro grupo de bordadeiras que foi formado na década de 20 por um dos grandes nomes do bordado em Caicó: Eunice Vale Monteiro. Esse grupo visava à confecção dos bordados – ainda feitos à mão – para atender a um público crescente que estava surgindo. Quem nos conta melhor essa história é a bordadeira Iracema Batista:
Eunice Vale Monteiro trabalhava com a mãe e vendo esse trabalho, essa demanda, ela fundou um pequeno grupo de bordadeiras à mão que se encontravam na casa dela - na praça da Liberdade – isso foi por volta da década de 20, essas pessoas começaram a trabalhar, a bordar à mão, e Dona Maria Vale acoplou essa arte, a costura dela e na Festa de Sant'Ana elas faziam uma exposição na Escola Municipal Senador Guerra e expunha as peças mais bonitas para os turistas para conhecerem a arte. Então, esse pequeno grupo deu origem a primeira escola profissional feminina de bordado aqui de Caicó. Depois, ela se mudou para a Escola Profissional Júlia Medeiros – encontra-se na lateral do Hospital do Seridó – além do bordado à máquina, lá são desenvolvidos outras atividades como a pintura, tapeçaria, etc. A prefeitura que mantém. (Informação Verbal)
Percebemos que esse grupo formado pela bordadeira Eunice Vale Monteiro e auxiliado por sua mãe Dona Maria Vale, cresceu e deu origem à primeira escola feminina de bordado de Caicó. Na década de 70, esse grupo instalou-se junto à Escola Profissional Júlia Medeiros, onde desenvolve suas atividades até os dias atuais, oferecendo ainda o curso de bordado, porém, não mais o bordado feito à mão, como era no princípio, sendo agora bordados feitos à máquina.
Na Escola também conversei com duas professoras de bordado: Lucineide e Gorete, muito ocupadas, entre uma explicação e outra para suas alunas procuravam dar-me atenção. Ambas falam da satisfação em ensinar o bordado e de como essa prática foi significativa em suas vidas. Lucineide, gentilmente me concedeu uma entrevista falando dos bordados em sua vida, no entanto, essa foi uma das entrevistas que perdi em decorrência de problemas técnicos com o gravador, de modo que muitos dados por ela citados não me recordo tão bem, exceto as anotações que fiz em meu diário. O que destaquei em sua história foi a importância que o bordado ocupa em sua vida, principalmente, por ter sido possível através dele a compra de sua casa: “o responsável por tudo o que eu conquistei, principalmente a compra da minha casa foi o bordado”.
Gorete31, mais tímida e introspectiva diante de minhas perguntas não quis ceder entrevista e se manteve mais reservada, muito embora, fosse a primeira pessoa a convidar-me para juntar-se ao grupo para tomar um cafezinho, pontualmente, às dezesseis horas da tarde. Foi assim nas três tardes em que visitei a Escola.
Com relação à turma que estava aprendendo a bordar no turno da tarde era bem heterogênea quanto a faixa etária e os objetivos: as mais jovens disseram-me que tinha como finalidade aprender uma profissão e objetivavam ganhar dinheiro. Não disponho de mais dados sobre as alunas (nomes, idades, ocupação profissional), pois o momento em que eu as abordava não era interessante, uma vez que elas estavam em aula e eu, inconvenientemente, ficava distraindo-as com minhas perguntas que pouco foi dado importância da parte delas.
Uma senhora chamou-me a atenção, Dona Maria32, que em suas mais de setenta décadas de idade vê no bordado uma forma de terapia, conforme me falou. Casada, aposentada e com os filhos criados, ela disse que o bordado é um meio de passar o tempo, “se distrair para não ficar em casa sem fazer nada”.
Em um mesmo ambiente os objetivos em aprender o bordado se configuram de formas distintas: seja pela questão mercadológica ou simplesmente como atividade para “passar o tempo”.
Figura 21 e 22: Lucineide ensinando a bordar e Dona Maria – “o bordado como terapia”
31 Gorete tem 54 anos e borda há 25 anos. Após ter “se profissionalizado” no bordado, como se auto define,
Gorete é professora de bordado e há dezenove anos ensina na Escola Profissional Júlia Medeiros.
Figura 23: Escola Profissional Júlia Medeiros (fachada)