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METODE FOR INNSAMLING AV DATA

durante a introdução de políticas de sustentabilidade.

Introduzir a sustentabilidade nas organizações quer dizer cuidar de aspectos econômicos, sociais e ambientais de um jeito integrado (ELKINGTON, 1997), além de agir de forma responsável perante os stakeholders da organização (FREEMAN, 2004). Além de ser suportado pela produção acadêmica, essa visão foi confirmada no ponto 6.1, no qual é discutido que as organizações analisadas, que se declaram engajadas em sustentabilidade, divulgam seu compromisso nessa crença. Essa visão de sustentabilidade implicaria que as empresas ajam para que sejam implantadas melhorias sistêmicas e equilibradas/integradas em seus aspectos. Engajadas na sustentabilidade, as

organizações estão introduzindo essa questão através de departamentos dedicados, ou áreas específicas em departamento já existentes, e através de meios organizacionais que permitam o seu desdobramento em toda a empresa até a operação. Nesta passagem das políticas estratégicas até a sua difusão na organização demonstra, por um lado, a intenção de se considerar os três aspectos do TBL e, por outro, a dificuldade de garantir que os aspectos da sustentabilidade sejam difundidos com a mesma prioridade e de uma forma integrada. Ambas as proposição (6.2 e 6.3) reconhecem a intenção de divulgar a sustentabilidade como TBL, mas mostram também que as empresas falham em conseguir dar a mesma prioridade a todos os aspectos e a integração entre eles. Em particular, foi demonstrado que, nas realidades empresariais, o aspecto ambiental é o predominante, o social é incluído principalmente em trabalhos desenvolvidos com a comunidade onde a organização atua, e que as questões de trabalho não fazem parte das questões prioritárias de sustentabilidade. O trabalho parece entrar na temática de sustentabilidade mais como questão de complience e de governança, do que para ser um objetivo prioritário a ser melhorado. Entrando mais em detalhe em relação ao papel da questão do trabalho na temática da sustentabilidade corporativa e a partir da visão de engenharia de produção, foi analisado o processo de definição das tarefas de trabalho. O processo de design de novos projetos de mudança até a definição de tarefas é o instante no qual o trabalho a ser desenvolvido pelos trabalhadores é definido, representando um instante crucial no alcance do bem-estar dos trabalhadores previstos para atuar no processo modificado. Foi almejado, assim, verificar se o discurso de sustentabilidade trouxe maior inclusão de cuidados sobre o stakeholder "trabalhador", não somente em termos de saúde e segurança. A partir dos estudos de caso, percebeu-se como esse discurso vai se diluindo em seu desdobramento, sendo as questões de trabalho sempre menos consideradas como prioritárias, e menos integradas com outros aspectos de sustentabilidade, ao descer em direção aos níveis mais baixos da pirâmide organizacional. Essa afirmação pode ser confirmada nos departamentos responsáveis pelo projeto de trabalho, no qual as tarefas são projetadas independentemente da discussão de sustentabilidade, como discutido na proposição 6.4. Essa proposição se conecta à proposição 6.5, onde o envolvimento dos trabalhadores da área operacional na tomada de decisões sobre seu trabalho não é uma política explicita de sustentabilidade. O caso do projeto de trabalho é um caso claro da falta em se considerar a interdependência entre questões de sustentabilidade ambiental (introduzidas), e as sociais (desconsideradas). O conceito de sustentabilidade deveria ser introduzido de

forma integrada (GIBSON, 2006). Discutido como as empresas estão agindo em relação à temática de sustentabilidade e às questões de trabalho, outros elementos foram levantados neste projeto de pesquisa. Como colocado na proposição 6.6, políticas de sustentabilidade trouxeram mudanças nas tarefas dos trabalhadores sem que a sustentabilidade tenha considerado este aspecto de forma explícita. Além disso e segundo a proposição 6.7, as empresas não estão considerando q ue quem constrói a sustentabilidade é o trabalhador.

Conectando todas essas proposições intermediárias (Ilustração 14), é permitido chegar à conclusão que não foi possível identificar evidências de que as empresas incluem efetivas melhorias nas questões de trabalho como consequência da introdução da sustentabilidade na organização. Além disso, não é claro para as empresas o papel dos trabalhadores para tornar a empresa mais sustentável e qual a importância do trabalho dentro da sustentabilidade. Assim, existe o grande risco das empresas conduzirem diversas ações de sustentabilidade, sem levar em consideração os trabalhadores.

Não existem evidências explícitas de que mudanças no trabalho sejam consideradas na introdução de políticas de sustentabilidade. Na empresa BDC, por exemplo, fica claro que as estratégias de sustentabilidade não foram introduzidas para mudar a tarefa em si, mas para mudar a produção de uma forma mais ampla voltada para uma política geral de sustentabilidade. Nesse caso, a sustentabilidade é relacionada com a economia local, com a preservação da floresta amazônica, com a introdução de uma cultura de respeito ambiental nas comunidades onde a empresa atua, etc. Do ponto de vista do trabalhador, verifica-se que ele possui uma alternativa de renda em determinados períodos do ano e a rotina de trabalho mudou, já que foram adicionadas novas atividades e novos processos, foram introduzidas questões de saúde e segurança, etc. Essas mudanças de processo podem ter causado melhorias nas atividades dos trabalhadores. Porém, essas melhorias não foram algo pensado previamente durante o planejamento das melhorias no contexto da sustentabilidade, mas sim foram consequência. O trabalho não entra como questão explicita. Não se pensa no trabalho nas políticas estratégicas corporativas; existem políticas gerais que caem em cascadas impactando questões relativas ao trabalho.

Todas estas considerações levam a confirmar a tese inicial da pesquisa: Embora sejam divulgadas como incluídas, não existem evidências explicitas de que mudanças no trabalho sejam conside radas durante a introdução de políticas de sustentabilidade.

A temática da sustentabilidade ligada ao trabalho não deve ser restrita aos indicadores de iniciativas globais, como aconselhado por Norman e MacDonald (2004) e Tullberg (2012). A questão de sustentabilidade traz novos desafios. É preciso estender a discussão para uma maior consideração do papel do trabalho nessa temática. Acredita-se que as premissas da sustentabilidade têm em sua origem questões axiológicas (BOLIS; MORIOKA; SZNELWAR, 2014), que vão além do uso funcional dos recursos para aumentar o desempenho econômico-financeiro das organizações.