Para ajudar a desenhar o panorama da Extensão no IFCE, também é importante conhecer como as ações de extensão estão distribuídas por macrorregião. Dessa forma, pode- se identificar a vocação das macrorregiões na oferta de Cursos, Eventos, Programas ou Projetos. A Tabela 23 mostra essa distribuição.
Tabela 23 - Distribuição de tipo da ação por macrorregião cearense
Macrorregião Curso (%) Evento (%) Programa (%) Projeto (%) Total (%)
Cariri 16,39 16,39 13,11 54,10 100 Centro-sul 28,09 32,25 4,49 34,83 100 Grande Fortaleza 15,97 21,01 11,76 51,26 100 Litoral Leste 16,87 48,19 2,41 32,53 100 Litoral Norte 22,73 32,95 4,55 39,77 100 Litoral Oeste 25,93 24,07 0 50,00 100 Maciço de Baturité 21,05 42,11 2,63 34,21 100 Serra da Ibiapaba 23,73 37,29 1,69 37,29 100 Sertão Central 8,51 36,17 4,26 51,06 100 Sertão de Canindé 14,44 11,11 5,56 68,89 100 Sertão de Sobral 12,16 47,30 10,81 29,73 100
Sertão dos Crateús 35,29 17,65 11,76 35,29 100
Sertão dos Inhamuns 0 34,78 4,35 60,87 100
Vale do Jaguaribe 24,70 48,19 1,20 25,90 100
Começando pela macrorregião do Cariri, observa-se que o maior número de ações (54,10%) se concentra sob o tipo Projeto, sendo esse tipo de ação a vocação da referida macrorregião.
Seguindo a tendência da macrorregião anterior, a Centro-sul também se destaca na oferta de projetos de extensão. Os projetos representam 43,83% da Extensão ofertada pelos campi que compõem essa macrorregião, mostrando ser esse tipo o preferido pelos extencionistas do Centro-sul do estado.
Situação semelhante ocorre na macrorregião Grande Fortaleza. A segunda em número de ações de extensão, essa macrorregião oferta 61 Projetos de extensão aos habitantes da capital cearense e sua área de influência. Constata-se, assim, que os Projetos ocupam mais da metade (51,26%) do espaço que a Extensão do IFCE possui na macrorregião em análise, sendo essa sua vocação.
O Litoral Leste cearense difere das macrorregiões antecessoras. Sua vocação é focada em ações do tipo Eventos. A representatividade dos Eventos na referida macrorregião chega a quase metade de toda a sua Extensão (48,19%).
A macrorregião do Litoral Norte, por sua vez, concentra suas ações de extensão sob o tipo Projetos, 35, que corresponde a 39,77% das ações de extensões desenvolvidas na referida macrorregião.
Igualmente, a macrorregião Litoral Leste/Vale do Curu oferta mais ações de extensão do tipo Projeto se comparado com os demais tipos. São 27 Projetos que correspondem a exatamente a metade (50%) da Extensão oferta por essa macrorregião composta por 3 (três) campi.
Já a macrorregião Maciço de Baturité se aproxima da macrorregião Litoral Oeste/Vale do Curu quando concentra suas ações no tipo Eventos. São 16 Eventos que correspondem a 42,11% da Extensão ofertada pelo IFCE no Maciço.
Situação peculiar é observada na macrorregião Serra da Ibiapaba. Os dados disponibilizados pela PROEXT do IFCE mostram que a macrorregião em questão tem vocação tanto para Eventos quanto para Projetos, ambos com 22 ações cada, ou 37,29%.
A macrorregião denominada Sertão Central, por sua vez, oferta 51,06% de ações de extensão sob o tipo Projeto, sendo esse tipo de ação o predominante. O Campus de Quixadá, único representante da referida macrorregião cearense tem mais da metade de suas ações classificadas como sendo do tipo Projetos, colocando esse tipo como vocação da Extensão do IFCE para a macrorregião Sertão Central.
Continuando a análise, chega-se ao Sertão de Canindé. Tal macrorregião apresenta 62 ações do tipo Projetos, mostrando ser esse tipo a vocação dela, com 68,89% das ações ofertadas pelo IFCE no Sertão de Canindé classificadas como Projeto, conforme dados da PROEXT do Instituto.
Em relação ao Campus de Sobral, único representante do IFCE na macrorregião Sertão de Sobral, os dados mostram que, a exemplo das macrorregiões Litoral Oeste/Vale do Curu e Maciço de Baturité, a predominância das ações de extensão em Sobral é classificada como sendo do tipo Eventos e não Projetos. A macrorregião cadastrou na PROEXT do IFCE 35 Eventos, mostrando ser essa a vocação apresentada pela Extensão para o Sertão de Sobral.
Cenário próximo ao da macrorregião Serra da Ibiapaba se repete na macrorregião Sertão dos Crateús. Aqui, 2 (dois) tipos de ação empatam em número de frequência e porcentagem. Os Cursos e Projetos apresentam 6 ações cada um (35,29%). Somando os 2 (dois) tipos, chega-se a mais de 70% das ações de Extensão. Assim, o Sertão de Crateús mostra vocação para ações de Extensão dos tipos Cursos e Projetos.
A macrorregião Sertão dos Inhamuns, por sua vez, reforça a tendência encontrada na maioria das macrorregiões cearenses, concentrando suas ações de extensão sob o tipo Projetos. São 14 ações correspondendo a 60,87% da Extensão ofertada pelo IFCE ao Sertão dos Inhamuns.
Por fim, a macrorregião Vale do Jaguaribe apresenta 80 ações classificadas como Eventos cadastradas na Pró-reitoria de Extensão do IFCE. Assim, com quase metade (48,19%) das ações sendo Eventos, os campi que compõem a macrorregião Vale do Jaguaribe ditam que a vocação para tal região é ações do tipo Eventos.
Diante do exposto, chega-se à conclusão de que a vocação geral do IFCE é ofertar ações de extensão do tipo Projetos, uma vez que em oito das quatorze macrorregiões cearenses são ofertadas mais ações desse tipo do que Cursos, Eventos ou Programas. São elas: Cariri, Centro-Sul, Grande Fortaleza, Litoral Norte, Litoral Oeste/Vale do Curu, Sertão Central, Sertão de Canindé e Sertão dos Inhamuns. Das 6 (seis) macrorregiões restantes, os Projetos dividem a primeira colocação com outro tipo de ação. São os casos da macrorregião Serra da Ibiapaba e da macrorregião Sertão dos Crateús. Somente em 4 (quatro) macrorregiões as ações do tipo Projetos não são destaques. São as macrorregiões Litoral Leste, Maciço de Baturité, Sertão de Sobral e Vale do Jaguaribe.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A revisão de literatura permite afirmar que o sistema de ensino superior brasileiro passou por constantes mudanças, sendo hoje caracterizado pelo modelo norte-americano. Em sua concepção, tal modelo funciona como um corpo composto por três partes intimamente interligadas: o Ensino, a Pesquisa e a Extensão. Dentre os três elementos que compõem o ensino superior, a Extensão, tal qual é conhecida hoje, foi o elemento mais recente a ser incorporado na tríade universitária. Dessa forma, o Ensino e a Pesquisa gozam de mais estabilidade no que diz respeito a conceitos, atuação, dotação orçamentária, dentre outros fatores, que a Extensão.
Felizmente, uma série de investidas ocorreu no país no sentido de determinar o espaço de atuação da Extensão e inseri-la de fato como elemento atuante e não apenas figurativo no sistema de ensino superior brasileiro. Nesse cenário, o Fórum de Pró-reitores de Extensão teve papel crucial, sendo condutor das discussões e fomentando o progresso experimentado pela Extensão nas últimas décadas.
A Rede Federal de Educação Científica e Tecnológica aparece como importante impulsionador da Extensão Universitária no Brasil. Dentro da Rede Federal, destacam-se os Institutos Federais, 38 instituições que atendem todos os estados do país. Ofertando Ensino, Pesquisa e Extensão, o IFCE representa a Rede Federal no Ceará. O Instituto Federal do Ceará está presente em todas as macrorregiões, sendo assim a maior instituição de ensino superior em número de campi do estado.
O Instituto Federal do Ceará apresenta números consideráveis. Até o semestre 2017.2, o Instituto Federal do Ceará ofertou 247 cursos entre técnicos, bacharelados, licenciaturas, especializações e mestrados. Os alunos de cursos de licenciatura são a maioria, 6.015 matriculados. Grandioso também é o quadro de pessoal, que conta com 3.323 servidores entre técnicos e docentes.
No tocante à Extensão, até julho de 2017 a Pró-reitoria de Extensão do IFCE contabilizou 1008 ações de Extensão, que estão distribuídas entre Cursos, Eventos, Programas e Projetos. Dentre eles, o tipo Projeto tem destaque com 418 ações cadastradas, o que significa 41,47% de todas as ações de Extensão do Instituto Federal do Ceará. A grande percentagem de ações do tipo Projeto é creditada à familiaridade com o mesmo termo usado no elemento Pesquisa do tripé universitário. Assim, docentes, que são os servidores que mais coordenam ações de extensão no IFCE, tendem a nomear as ações pela similaridade entre os
termos Projeto de Extensão e Projeto de Pesquisa, uma vez que esses mesmos servidores também atuam no elemento Pesquisa da tríade universitária.
O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará é uma instituição centenária. Nasceu em 1909, como Escola de Aprendizes e Artífices, passando por várias identidades até se tornar o segundo Instituto Federal do país em número de campi. Os registros das ações de Extensão iniciaram, em 1982, quando o Campus de Fortaleza registrou sua primeira ação de Extensão. O ápice de registros, no entanto, ocorreu em 2016, quando 502 ações foram cadastradas na PROEXT do IFCE. Os campi que nasceram no final da chamada segunda fase da expansão da Rede Federal, compreendida entre 2011 e 2014, e no início da terceira fase da expansão, iniciada em 2015, foram os responsáveis pelo recorde de registros no ano de 2016, representando 49,80% de toda a Extensão do IFCE.
No IFCE, as ações de Extensão Universitária são divididas em 9 áreas temáticas. São elas: Comunicação, Cultura, Desporto, Direitos Humanos e Justiça, Educação, Meio Ambiente, Saúde, Tecnologia e Produção e Trabalho. A área temática "Educação" é a mais contemplada no IFCE, com 411 ações. O número representa 40,77% da Extensão do Instituto. Tal cenário ocorre pela ampliação de atuação dos Institutos Federais, antes focados quase que exclusivamente na área de Tecnologia. Com a passagem de Centros Federais para Institutos Federais, as instituições absorveram também a responsabilidade de atuar em cursos de Licenciatura. A área “Tecnologia e Produção”, por sua vez, ocupa hoje o segundo lugar em número de ações de Extensão no IFCE.
Ainda analisando o tempo de funcionamento dos Campi, ficou evidente que somente o tipo Programa está ligado diretamente à idade do Campus, ou seja, quanto mais antiga for a unidade mais programas de extensão ela oferta.
Dando prosseguimento ao design do panorama da Extensão no IFCE, constatou-se que o total de alunos de cursos regulares está correlacionado com todas as ações de extensão. A análise mostrou que quanto mais alunos no campus, mais ações de Extensão a unidade oferta.
O mesmo ocorreu quando se observou a relação entre servidores e número de ações de Extensão. Quanto mais servidores na unidade, mais ações de Extensão ela desenvolve.
A presente pesquisa também analisou a atuação do Instituto Federal do Ceará nas macrorregiões do estado. Das 14 macrorregiões administrativas que compõem o Ceará, o IFCE tem maior atuação em Extensão na região Vale do Jaguaribe. Composta pelos campi de Jaguaribe, Limoeiro do Norte, Morada Nova e Tabuleiro do Norte, a macrorregião em questão
segue a tendência observada no IFCE e tem foco em ações ligadas à área Educação. Os dados mostraram que a área temática Educação lidera em número de ações em todas as macrorregiões.
No cenário regional há diversos tipos de ação, constatando-se que a maioria das macrorregiões do Ceará oferta ações do tipo Projeto. Em 8 (oito) das 14 macrorregiões cearenses, os Projetos são maioria. Das 6 (seis) macrorregiões restantes, os Projetos dividem o primeiro lugar com outros tipos e somente em 4 (quatro) das macrorregiões as ações do tipo Projeto não estão no topo. Diante desta realidade, observa-se que Projeto na área temática Educação é ação típica de extensão no IFCE.
A apresentação do panorama da extensão no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará contida nesta pesquisa pretende contribuir para que o IFCE verifique a importância desta dimensão de ação e que aprimore sua Extensão Universitária, seja melhor distribuindo as ações entre as diversas macrorregiões do estado equilibrando áreas temáticas com realidade local, seja equilibrando a distribuição entre os tipos de ações, seja fomentando ações de Extensão de acordo com demandas relevantes de regionais ou de coletivos específicos. A pesquisa também pode contribuir para que outras instituições de ensino superior reflitam sobre suas atuações na dimensão Extensão identificando possíveis ajustes e melhorias. Deseja-se ainda que este trabalho incentive novas investigações científicas a respeito da Extensão relacionando-a, por exemplo, à Responsabilidade Social, ou ao Desenvolvimento Local, ou, ainda, suscitando benchmarking entre instituições interessadas em aprimorar sua Extensão Universitária.
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