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3.4.1. Mapas de Isobases

Os Mapas de Isobases são mapas elaborados a partir do ordenamento da rede de drenagem, segundo Strahler (1952), e da obtenção de pontos de suas confluências. Para isso é feito o adensamento dos canais de drenagem, com o objetivo de se alcançar tanto os canais perenes como os intermitentes. Essas confluências são então posteriormente classificadas segundo níveis de base e divididas em ordens, tais como segunda ordem, terceira ordem, etc, seguindo do menor nível de base para o maior, seja no continente ou no litoral.

Nos Mapas de Isobases se põem as costas fixas da linha costeira de uma mesma idade, e logo os pontos de alturas equivalentes se unem por meio de isolinhas (isobases), que mostra como estava deformado o plano horizontal inicial da linha costeira depois da sua formação. Com suas cotas e desenho as isobases refletem exatamente a morfologia e as dimensões das estruturas tectônicas (Spiridinov, 1981).

Segundo Hernández (1994), para se obter os mapas de isobases se leva em conta a seguinte ordem: na base topográfica se levantam todas as interseções dos vales das ordens correspondentes. Como nos mapas não aparecem os valores absolutos do corte das águas dos rios, se tomam as interseções dos vales com as curvas de nível. Colocam-se uma série de pontos no sítio de interseção das curvas de nível com os vales dos rios. Estes pontos de interseção se unem mediante isolinhas denominadas isobases, ou seja, linhas de base de erosão.

Para a elaboração dos mapas é necessário que se tenham dados referentes à hidrografia e à altimetria (cotas) da área estudada. A partir daí são determinados os pontos de confluências e as suas cotas, resultando num mapa de isolinhas que apresentam níveis altimétricos, representado por escalas de cores. Cada ponto de confluência possui um valor em UTM (x e y) e a cota (z). As isobases possuem as mesmas propriedades que as curvas de nível; elas não podem cortar-se e nem tocar umas às outras e têm a finalidade de se tentar reconstruir parte da paisagem pretérita, através da elaboração de mapas baseados nas

confluências dos rios, o qual mostra a possível evolução da paisagem formada pelos processos endógenos e exógenos (Lisboa, 2007).

Do mesmo modo, Guimarães (2007) explica que as isobases objetivam mostrar a evolução temporal da paisagem, mostrando suas modificações ao longo do tempo, dando a idéia das ações sofridas pelas coberturas de alteração intempéricas, bem como, dos possíveis movimentos neotectônicos, que levam ao aparecimento de novos elementos da paisagem, como falhas e planalto, além de evidenciarem a dissecação e os soerguimentos sofridos pelo relevo.

Assim, a partir do mapa de 2° ordem, o qual representa um momento não muito distante da atualidade, até o mapa da última ordem encontrada, é possível se fazer uma reconstrução da paisagem pretérita da área, em um determinado período de tempo.

É importante salientar que o uso da metodologia das Isobases com a finalidade de evolução da paisagem é relativamente nova, e apesar de ser uma tentativa de representar ambientes pretéritos, não se pode afirmar precisamente até quanto anos antes do presente elas podem representar. A interpretação das Isobases permite chegar à estimativas de modelos evolutivos da paisagem pretérita, através da correlação destas com dados existentes no presente.

A elaboração dos Mapas de Isobases foi feita utilizando-se carta topográfica digitalizada da área de estudo, obtida do trabalho de Wieczorek (2006), cujos dados foram transformados em arquivos shapefile e tratados com o software ArcGis, da ESRI, versão 9.2. Foi utilizado os dados cartográficos pontos cotados, hidrografia, curvas de nível e limite de área.

Após a separação dos dados, foi realizado o adensamento da rede de drenagem da área a partir das curvas de nível. Pupim (2007) cita que as cartas topográficas apresentam uma série de informações e para que essas não fiquem ainda mais saturadas, são representados apenas os principais canais de drenagem. No entanto, o autor salienta que existem muitos outros canais de drenagem que apresentam escoamento superficial apenas em épocas de chuva, os quais representam a maior parte das drenagens de primeira e segunda ordem, o que explica a necessidade de fazer o adensamento da drenagem. O esquema com a hierarquia de canais e confluências está representado na Figura 7.

Figura 7 – Esquema de Hierarquia de Canais e Confluências (Fonte: Pupim, 2007)

O adensamento foi realizado não somente para a Ilha do Cardoso como também em parte do entorno com o intuito de melhor avaliar/ entender o modelo evolutivo da área, uma vez que esse se dá em conjunto e não separadamente. A partir do adensamento da malha de drenagem foi possível fazer a ordenação dos pontos de confluência da mesma. A cada ponto de confluência foi feita a identificação, hierarquização (em ordens de drenagem) e valoração (cota de altitude). As ordens foram divididas em 2°, 3°, 4° e 5°, 6° e 7° ordens. As linhas de litoral foram consideradas como linhas de base maior e, portanto, de ordem superior.

Após a definição das diferentes ordens de confluência e suas altitudes, são gerados os modelos, utilizando os módulos Spatial Anlyst e Topo to Raster. Foi gerada uma carta de isobases para cada ordem de drenagem. Foram identificadas confluências na ilha de até 7° ordem, porém como o número de pontos identificados para as confluências de 6° e 7° ordens foram insuficientes para se fazer a modelagem, optou-se por agrupá-los no modelamento de 5° ordem. Dessa maneira foram elaborados quatro mapas de isobases, divididos em 8 figuras, sendo um mapa representado em escalas de cores e outro escala de cores e isolinhas. Nos mapas gerados, a figura que representa a área pretérita é confrontada com a linha de costa atual, que se encontra representada em todos os mapas. Os pontos de confluência também representam somente as áreas amostradas, podendo distingui-las das áreas geradas pela extrapolação do modelo geoestatístico do programa utilizado. Foram identificadas 1.923 confluências de 2° ordem, 435 confluências de 3° ordem, 97 confluências de 4° ordem, 23 confluências de 5° ordem, 3 confluências de 6° ordem e 1 confluência de 7° ordem. O Mapa com a representação das confluências identificadas na área encontra-se representado na Figura 8.

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