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Após a caracterização do APL de TIC é possível esquematizar o circuito de retroalimentação em que dois tipos de forças atuantes se confrontam e determinam à dinâmica e a estrutura do APL. O primeiro grupo de forças são as forças centrípetas desempenhadas pelos agentes que se beneficiam da centralização do poder. O objetivo desse movimento é restringir a entrada de novas empresas, limitando o crescimento a do número de empresas ao crescimento dos integrantes do conjunto de atores centralizadores, um tipo de taxa de crescimento populacional apenas desses atores.

A força contrária, chamada de centrífuga, é desempenhada pelos agentes interessados na descentralização dessas atividades e na entrada de novos agentes, entre os quais estão as empresas entrantes e o governo em todas as esferas com políticas de incentivo ao surgimento de novas empresas.

A entrada de novas empresas permite o crescimento da variedade, sendo essa força centrífuga uma força no sentido de promoção do mecanismo de diversificação. Já a força centrípeta atua como mecanismo de seleção, excluindo as empresas que menos se adaptaram ao arranjo, as empresas que conseguirem fixar-se no centro se beneficiaram do processo de retroalimentação. Desta forma, as duas forças como mecanismo de diversificação e seleção são importantes para a evolução do APL, elas moldaram a trajetória tecnológica do arranjo. Neste sentido, o governo atua ora através potencializando as forças centrípetas (mecanismo de seleção), ora potencializando as forças centrifugas (mecanismo de diversificação).

De acordo com o que foi apresentado na tipificação do APL de TIC de Campina Grande, este possui em média, com tendência estacionária, de 100 empresas desde no mínimo 2004 onde o PaqTc apresentou estudo mostrando a existência das 100 empresas. Assim como o APL de TIC possui forte ligação com o poder político hegemônico local. Portanto, os mecanismos de seleção através das forças centrípetas realizam forte influência na configuração do APL. Que por sua vez pode estar comprometendo a capacidade inovativa do APL e o direcionando para uma trajetória menos promissora, assim sendo, políticas de diversificação devem ser intensificadas.

O poder econômico e político global são influenciados pela OMC que determina as regras de comércio internacional, bem como a OECD que determina as regras dos incentivos para a inovação. A OECD e a OMC são arenas políticas que refletem os interesses dos grupos mais fortes, que são as EMNs líderes de cada indústria e os governos nacionais dos países centrais. Portanto, é nesta partição do poder econômico e político global que é determinado o

modo de compatibilização entre o APL e o Sistema. No nível nacional as empresas Estatais possuem enorme poder de influenciar o APL mesmo após o processo de privatizações que desarticulou a Telebrás (uma importante estatal para o desenvolvimento de TICs), principalmente através da demanda de soluções de TICs, que ocorre mais fortemente no setor de software.

Figura 06 – Círculo de retroalimentação e forças atuantes

Poder Econômico e Político Nacional Poder Econômico e Político Global Regulação e Fiscalização Política Produção e Comercialização Mercado Financiamento Conhecimento Poder Local EMN OMC Es ta ta is GOVERNO FEDERAL UFCG SF N FINEP M C T M EC M D IC GOVERNO ESTADUAL EM P R EE N D ER P B SEMARH PaqTc UEPB SE B R A E Docentes e ex-alunos Comerciantes Pa q Tc Estatais/UFCG Grupo s políticos OECD

Fonte: Elaboração própria.

As empresas do APL de TIC, sobretudo, as inovativas, são spin-offs acadêmico, portanto, os docentes e ex-alunos possuem papel determinante na formação de novas empresas. São deles que emana a principal força que gera a diversificação, são os empresários, por tentaram unir conhecimento e capital para inserir uma inovação no mercado de acordo com Schumpeter, e por realizar atividade de busca segundo Nelson e Winter.

Já os comerciantes locais não inovativos, dependem do apoio de uma EMNs para se estabelecer no APL. A Schneider32 de capital francês, por exemplo, apoiou a INOVAR33 uma

32 Schneider Electric. Disponível em: http://www.schneider-electric.com. Acesso em: 16 ago. 2013. 33 InovarMP. Disponível em: http://www.inovarmp.com.br/. Acesso em: 16 ago. 2013.

empresa de Campina Grande que surgiu há pouco tempo e que comercializa bens de TIC de automação. A parceria com a Schneider permite à empresa um suporte fundamental no quesito de divulgação e treinamento dos consumidores, sem o qual não seria possível entrar em mercado com presença forte de outras marcas como a SIEMENS.

A Universidade Federal de Campina Grande - UFCG e Universidade Estadual da Paraíba - UEPB com seu novo curso de licenciatura em informática criam os recursos humanos necessários para as atividades de TICs. O PaqTc por possuiu a Incubadora Tecnológica de Campina Grande - ITCG é responsável pela aproximação do conhecimento das universidades com as empresas nascentes, sendo o PaqTc o ambiente no qual as empresas inovadoras buscam se instalar na fase inicial da sua vida. Ao todo já foram mais de 80 empresas graduadas pelo PaqTc. Embora o APL esteja estagnado em aproximadamente 100 empresas desde 2004, o que sugere uma alta taxa de mortalidade desses empreendimentos. Portanto, a ampliação da capacidade de instalação de empresas no PaqTc é fundamental para o surgimento de novos empreendimentos inovadores, e por isso, o CITTA é tão importante.

Como já foi mostrado, o PaqTc é o principal ambiente ao qual as EBTs campinenses recorrem, pois além de apoiar na fase de desenvolvimento, aproximando o conhecimento das ICTs com a empresa, ele possui a função de apoiar as empresas a entrarem no mercado via disponibilização de um espaço físico empresarial, de facilitação na participação de feiras e eventos. O SEBRAE também possui um programa que facilita o acesso ao mercado das EBTs de TIC, o Empretec, que possui um banco de dados com as empresas que oferecem serviços de TIC para programas de apoio a empresas de outros setores no Estado da Paraíba, o que facilita o enraizamento dos serviços de TICs para outras áreas.

Foi demonstrado que as empresas Estatais possuem papel fundamental na demanda de produtos e serviços de TICs. Por meio de convênios com a UFCG, as Estatais criam demandas para os produtos de TICs. Nota-se que a forte presença do Estado atuando nas várias fontes de recurso de poder do APL, é definida através fiscalização e regulação da política, nas quais os ministérios de educação (MEC), ciência e tecnologia (MCT), desenvolvimento, indústria e comércio exterior (MDIC). Que por meio de suas diretrizes determinam os objetivos e os meios de desenvolvimento das atividades de TICs.

Tendo em vista a grande participação do Estado moldando o desenvolvimento do APL de TIC por meio de várias instâncias, se faz necessária uma articulação maior, como mostrou Gadelha (2001), pois a política de industrial deve ser vista de modo amplo e envolvendo todo o poder do Estado. É necessária uma maior sinergia entre as políticas para

que as forças não se anulem por serem contrárias, mas se aglutinem, ora para ampliar a entrada de novos agentes, ora para selecionar os agentes mais competitivos.

A FINEP tem sido o principal instrumento para aumentar a variedade de empresas no APL, em 2009 o PRIME selecionou aproximadamente 2 mil empresas no em todo o Brasil, em sua maioria EBTs de TICs, em Campina Grande foram apoiadas 35 empresas de TICs. Esta política teve um efeito de força centrífuga facilitando o surgimento de novas empresas no APL, embora tenha conseguido cumprir o objetivo da primeira fase de criar produtos e serviços inovadores, deixou de atuar no financiamento a produção e comercialização, que dependia da participação do Governo Estadual. Este fato revela a falta de interação entre as instâncias do governo, que de resulta em perda da força centrífuga, tão necessária para a expansão e inovação no APL de TIC de Campina Grande. O Programa PRIME será melhor discutido posteriormente.

No entanto, é fundamental para as empresas o financiamento de suas atividades, sobretudo as EBTs, que realizam esforços tecnológicos. Neste caso, assim como colocado por Cavalcanti Filho (2011 apud SAMPAIO 2011), no Brasil as instituições financeiras estão fortemente concentradas em São Paulo, e por isso a maioria dos APLs não possui a dimensão financiamento endogeneizado. Esse é também o caso do APL de TIC, embora o Governo do Estado possua um programa chamado de Empreender PB, que fornece empréstimos para novos negócios, mas que não possui uma linha específica para TICs e é pouco utilizado por essas empresas. As empresas de modo geral financiam suas atividades mediante as instituições financeiras tradicionais do Sistema Financeiro Nacional, o que limita a realização de atividade de alto risco tecnológico. Essa lacuna de falta de investimento para atividades de alto risco tecnológico vem sendo preenchida pela FINEP, o que tem levado à implantação de rotinas empresariais de captação de recursos desta fonte, a exemplo da APEL que possui um departamento só para atividades de P&D de projetos financiados pela FINEP.