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A motivação para esta tese surgiu em função de trabalhos anteriores efetuados pelo pesquisador, nos quais se chegou à conclusão que diversos temas relacionados com a engenharia de produção, como a melhoria contínua ou kaizen, programas seis sigmas, gestão da qualidade total, manufatura enxuta e grupos semi-autônomos de produção, apóiam-se em conceitos referentes à GC e a aprendizagem organizacional para seus respectivos desenvolvimentos. Autores como Ahanotu (1998), Beckett et al. (2000), Caffyn e Bessant (1996) e Kumar e Antony (2008) chegaram à conclusão que as organizações mais maduras em programas de melhoria como kaizen e seis sigma ou ainda aquelas com maior habilidade em organizar seus trabalhos por meio de grupo semi- autônomo apresentam evidências de processos de desenvolvimento e transferência de conhecimento. Ahanotu (1998) destaca que a excelência da manufatura depende da forma como a empresa gerencia seu conhecimento. Acerca deste assunto o autor descreve:

The primary point is that knowledge-based manufacturing practices are key for taking the next step in freeing up the factory floor to exercise its highest of potential. They are key to supporting the empowered, innovative production worker(1998, p. 183)25.

Tendo em vista a importância da GC como sustentador da vantagem competitiva e da excelência organizacional por meio da inovação e do aprimoramento contínuo, esta tese tem por motivação estudar os fatores contextuais intrínsecos às empresas, que possibilitam o efetivo gerenciamento do conhecimento. Ainda sobre os motivadores para este trabalho, é evidente nos trabalhos sobre este tema a lacuna existente entre a elaboração de

25 O ponto principal é que as práticas de manufatura baseadas no conhecimento são fundamentais para o chão de

fábrica exercer todo seu potencial. Estas práticas são essenciais para apoiar a autonomia e inovação por parte dos operadores (Traduzido pelo autor).

modelos para GC e o estabelecimento de características organizacionais que realmente sustentem a prática destes modelos.

Deve-se também ressaltar a dificuldade atrelada ao tratamento e gerenciamento de um recurso organizacional intangível como o conhecimento e, a partir desta prerrogativa, emerge uma questão: ‘Como uma empresa se mobiliza e se organiza internamente, seja de forma voluntária quanto involuntária, a fim de gerenciar tal recurso, dadas as características que a cerca’? A questão em torno da voluntariedade acerca da prática da GC deve-se ao fato de que enquanto algumas empresas adotam rotinas estruturadas para o gerenciamento do conhecimento, outras compreendem a importância do conhecimento e até mesmo mobilizam- se em função do seu tratamento, porém de forma não estruturada, ou até mesmo involuntária.

Depois de identificada tal motivação, elaborou-se as questões e os objetivos que orientam a pesquisa, presentes no capítulo 1 deste trabalho, que, em linhas gerais, tangem a definição de fatores contextuais organizacionais que promovem a GC, bem como a identificação de uma tipologia em relação ao desenvolvimento destes fatores em empresas do setor automobilístico.

A identificação de grupos distintos deve-se, como premissa fundamental desta pesquisa, ao fato de que os fatores contextuais da organização são desenvolvidos e tratados de forma diferente pelas empresas pesquisadas e, portanto, contribuindo de forma mais ou menos positiva para o êxito da GC.

Este trabalho ainda leva em consideração que grande parte da empresas pesquisadas não possui um setor responsável pela GC e nem mesmo possui ciência dos processos que sustentam tal prática. Contudo, as etapas que compreendem o processo de GC (aquisição, armazenamento, distribuição e utilização do conhecimento) estão implícitas na rotina de muitas organizações do setor automobilístico e podem explicar parcialmente o êxito conquistado por determinada empresa em seu setor.

Para alcançar os objetivos propostos e responder as questões que estimulam este trabalho, iniciou-se o referencial teórico pelo entendimento do conhecimento no contexto organizacional, buscando uma resposta para o papel de destaque que é condicionado a ele. Em seguida, estudou-se os modelos de GC e, a partir destes, identificou-se quatro processos elementares que os explicam (aquisição, armazenamento, distribuição e utilização). A partir desta visão da GC como um processo e das condições que sustentam cada uma de suas fases, identificou-se macroconstructos organizacionais (desenvolvimento de recursos humanos, cultura organizacional, trabalho em equipe, estrutura organizacional e desenvolvimento e absorção de conhecimento) intervenientes à GC.

Durante o levantamento dos objetivos da pesquisa e do referencial teórico, pode-se concluir que este trabalho possui um caráter exploratório, em função de existirem lacunas de compreensão entre a GC e os fatores contextuais que a delineia no ambiente organizacional. Segundo Kerlinger (2003), a pesquisa exploratória tem por objetivo descobrir variáveis significativas em relação ao tema de estudo e descobrir as relações existentes entre as variáveis identificadas a fim de propor soluções aos problemas delineados.

O presente trabalho tem por objetivo avaliar uma tipologia quanto à prática da GC a partir do desenvolvimento de cinco macroconstructos, identificados e comentados no capítulo anterior, estabelecendo uma relação entre os mesmos, o que caracteriza uma pesquisa do tipo exploratória (FORZA, 2002; HAIR JR. et al., 2005).

A pesquisa exploratória pode assumir uma abordagem qualitativa ou quantitativa (BRYMAN, 1989). Como o interesse deste trabalho é caracterizar um setor a partir de uma tipologia, uma pesquisa de natureza quantitativa apresenta maior robustez por abranger uma amostra maior de organizações. As principais características, levantadas Bryman, para esta abordagem de pesquisa são:

− Mensurabilidade: medir o comportamento de um evento;

− Casualidade: estabelecer uma relação de causa e efeito entre variáveis;

− Generalização: utilização de mesmo experimento em relação aos casos em estudo;

− Replicação: utilização do mesmo experimento em outros estudos.

Este tipo de pesquisa é erroneamente interpretado como o desenvolvimento de um teste de hipóteses. A presente pesquisa possui um caráter exploratório, tendo como objetivo estabelecer uma relação entre macroconstructos organizacionais, bem como entre os casos estudados, gerando uma tipologia (BRYMAN, 1989).

Segundo o mesmo autor, a performance deste modelo de pesquisa é condicionada à revisão da literatura e à especificação de variáveis. A literatura é a ferramenta fundamental para a análise do contexto.