Os animais da exploração Natuurboerderij Het Bolhuis, gerida por Kurt Sannen, pertencem à raça Kempens Roodbont Koe, ou seja, vaca de pele vermelha da região da campina.
4.5.1. Raça Kempens Roodbont Koe – vaca campestre vermelha
35 Figura 11. Pintura de vaca tipo da raça Kempens Roodbont
Fonte: (Delin, 1958) Belgium Royal Institute of Natural Sciences
Figura 12. Principais componentes analíticos que demonstram a relação entre a população da raça Kempens e nove outras raças bovinas; Fonte: Genomics of a revived breed: Case study of the Belgian campine cattle, 2017
Belgium blue Black Holstein Kempens Deep Red EBRW Flemish Red Improved Red MRY Red Holstein Rouges des Prés
36 A raça apresenta um largo espectro de variabilidade, com um sub grupo próximo da raça Holstein e um grupo mais pequeno próximo às raças de produção de carne. Pode identificar-se um grupo central da população da raça Kempens aparentado com as raças Improved Red, Deep Red e EBRW (figura 12).
O gado Kempens é muito precoce, com uma vaca leiteira robusta, com boa conformação e qualidade de carne ligeiramente pronunciadas. A cor do pelo é vermelho e branco, em que as malhas vermelhas são claramente distinguíveis em relação às partes brancas. O gado Kempens tem um corpo bem desenvolvido. O traseiro é suficientemente longo, reto e bem musculado. A cruz é suficientemente ampla e bem musculada. Os membros são curtos, fortes, secos e moderadamente grosseiros. O úbere deve ser longo, largo e profundo o suficiente, suave e macio.
As vacas apresentam boa fertilidade, parto fácil e têm boas características maternas, que permitem criar os seus bezerros. Os touros adultos têm um peso entre 900 e 1.400 kg com uma altura média de 142 cm e as vacas adultas pesam entre 600 e 700 kg com altura média de 128 cm (Sannen, 2016).
Não havendo selecção para produção leiteira, a produção média do efectivo actual consta entre os 4.000 e 5.000 kg de leite por lactação (305 dias).
Em 2012 foi criado um novo livro genealógico para se recuperar a raça primordial, antes de ter sido cruzada com a raça Holstein.
Em 2015 foi formalizado um pedido de ajuda para a protecção da raça à Comissão Europeia, o qual foi concedido em 2016 a todos os animais em linha pura ou pelo com menos 75% de sangue Kempens, conforme o regulamento em anexo, e desde que devidamente registados no livro genealógico da raça.
4.5.2. Efectivo pecuário e maneio
A constituição do efectivo animal é dinâmica, pese embora, ao longo do ano, ronde os 55 animais, distribuídos da seguinte forma: 25 vacas adultas, 3 toiros de linhagens distintas, 8 novilhos dos 6 aos 12 meses, 8 novilhas de substituição com 6 a 18 meses, 10 vitelos com menos de 6 meses e um ou outro animal adulto à engorda para descarte.
Os vitelos são amamentados directamente pelas progenitoras, com as quais permanecem até aos 10 meses de idade, para permitir que a mãe se encontre seca durante dois meses antes de voltar a parir. A cobrição é efectuada por monta natural, segundo um plano de cruzamento previamente estabelecido conforme a linhagem da fêmea e dos toiros presentes na exploração, com vista a cruzar animais o menos aparentado possível, dada a pequena dimensão do efectivo em linha pura da raça (cerca de 300 animais). É tido o cuidado de cruzar vacas com maior aptidão leiteira com toiros com melhor conformação da carcaça e o oposto, procurando-se, assim, fêmeas com boa capacidade leiteira e de parto fácil mas que transmitam aos filhos qualidades da carcaça que são valorizadas e que permitem tirar mais valor
37 comercial da carne. Devido a esta selecção efectuada na exploração, têm-se vindo a obter animais com carcaças classificadas, segundo a classificação oficial SEUROP, com U e R em vez dos O e P obtidos antes desta selecção. Piedrafita et al. (2003) constataram que numa exploração, ¾ dos novilhos apresentavam classe R assim como as novilhas. Contudo, o crescimento diário de novilhos e novilhas era bastante díspar, alcançando ganho médio diário (GMD) de 1000 g e 830 g, respectivamente, com rendimento de carcaça a rondar os 58,3%.
Em termos reprodutivos, as vacas são juntas ao toiro o mais cedo possível para que sejam fecundadas no primeiro cio pós-parto no sentido de melhorar a eficiência da exploração, ao conseguir um parto a cada 365 dias ou menos. É efectuada palpação rectal para despiste de gestação e, assim, controlo das fêmeas que não ficarem gestantes a fim de serem descartados por não serem tão produtivos e rentáveis como os demais. As primíparas são separadas da manada de novilhas com a idade de 18 meses e juntas a uma das sub-manadas com macho, a fim de terem o primeiro parto antes dos 2,5 anos.
Ao nível do maneio alimentar, os animais pastoreiam em prados de vegetação espontânea de Maio a Novembro, apenas recebendo suplementação mineral através de blocos minerais. De Dezembro a Abril são mantidos em estabulação e são alimentados com feno ou silagem da seguinte forma:
Vacas no meio e final de lactação e touros – feno ad libitum e dois quilos de MS de silagem de erva por dia;
Vacas em início de lactação – feno e silagem de erva ad libitum e dois quilos de MS de triticale (x
Triticosecale Wittmack);
Novilhas – feno ad libitum e dois quilos de MS de silagem de erva por dia;
Novilhos e animais de descarte – feno e silagem de erva ad libitum, dois quilos de MS de triticale e um quilo de MS de semente de linho (Linum usitatissimum) extrudido.
Estando as parcelas em estudo inseridas numa reserva ecológica, a entrada e saída dos animais nestas, assim como o início dos cortes da erva, são definidos pelo gestor da exploração, sendo que o início de pastoreio se dá apenas a 1 de Maio de cada ano, dia esse em que foi iniciada a recolha de dados. A saída dos animais está dependente das condições do solo no final do Outono, sendo que entre Novembro e Dezembro, os animais regressam ao estábulo. Contudo, a retirada dos animais das pastagens também tem em conta o nível da sua condição corporal, ou seja, são verificados a cada 2 ou 3 dias o estado de saúde e a condição corporal dos animais, optando-se pela estabulação quando esta se verifica em decréscimo.
Este condicionalismo, para além de ter em conta o já exposto, é imposto pela necessidade de preservação do solo durante os meses de Inverno, ou seja, devido à maior precipitação e temperaturas inferiores, ocorre um cessar do crescimento herbáceo e, juntando-se a isso, o risco de erosão devido ao pisoteio
38 efectuado pelos animais, aspecto mais importante ainda do que o valor nutritivo e a quantidade de alimento disponível não serem suficientes para suprir as necessidades dos animais. De acordo com Jacob (1987), a pegada de uma vaca 600 kg causa uma pressão de 4 a 5 kg/cm2 de solo.