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Como documento regulador da rede federal, nossa pesquisa trouxe para a discussão os PCNs, os PCNEM e as OCNs. Direcionando nossa busca para os documentos norteadores do ensino no Colégio Pedro II, já que nosso corpus contará com a experiência de professores dessa instituição, obtivemos acesso a um Projeto Político Pedagógico (PPP) confeccionado por seu próprio corpo docente. Sua última versão publicada foi elaborada no ano 2000 e baseou-se nos parâmetros curriculares emanados da Lei de Diretrizes e Bases. Esse material traz reflexões sobre o papel da escola na sociedade atual, ressaltando que o aluno deve ser capaz de construir sua “identidade pessoal, suas relações sociais e apropriar-se do saber historicamente construído”.14

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Rico em detalhes, o PPP apresenta uma análise sociocultural e socioeconômica do corpo discente, traz à tona os fundamentos legais, teórico-filosóficos e metodológicos da escola e descreve sua proposta curricular organizada por disciplina. Examinaremos os textos com vistas ao ensino de Língua Francesa e, para efeito comparativo, ilustraremos o que é previsto para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, assim como fizemos com a análise do material produzido pela Secretaria de Estado de Educação e pela Secretaria Municipal de Educação. A diferença é que no decorrer do PPP, são elencados os objetivos gerais, mas cada disciplina encontra uma seção à parte para fazer suas considerações e enfatizar suas prioridades e particularidades dentro do que é previsto na filosofia da escola.

Iniciando nosso trajeto pelo Ensino Fundamental no que tange ao ensino da Língua Francesa, notamos novamente uma preocupação em fazer da língua estrangeira um instrumento de tomada de consciência de sua própria cultura e a formação de sua consciência crítica através da leitura de textos que abarquem os diferentes aspectos de organização cultural, social e política dos diferentes povos que tenham o francês como língua de comunicação. Revela-se ainda que o foco inicial será colocado sobre o conhecimento de mundo que os alunos trazem e sobre a organização textual com que estão familiarizados em sua língua materna. Daí surgirão as estratégias de compreensão global e construção de significados. O conhecimento sistêmico será deixado para a etapa posterior, sendo apresentado gradativamente e de acordo com as necessidades que a execução das tarefas comunicativas orais e escritas impuser. Como plano de trabalho, há uma orientação sobre as competências gerais a serem desenvolvidas, tais como:

• Conhecer e usar a língua francesa como instrumento de comunicação atual e de

acesso a bens culturais da humanidade e a informações científicas e tecnológicas num mundo plurilingüe;

• Produzir textos orais e escritos de estrutura simples que permitam agir

discursivamente no mundo e interagir com ele;

• Compreender pequenos textos simples orais ou escritos, identificando o sentido

global da mensagem através de inferências, palavras-chaves e dos elementos não verbais, sabendo recorrer ao dicionário quando for indispensável;

• Saber selecionar os vocábulos e as estruturas lingüísticas gramaticalmente

adequadas para produção de enunciados escritos ou orais simples;

• Identificar as diferenças e semelhanças na estrutura lingüística entre o português e

o francês;

• Reconhecer a importância do uso da língua francesa e servir-se dela para divulgar a

cultura brasileira em outros países;

• Conhecer e valorizar as diferentes culturas dos povos francófonos como forma de

melhor percepção de sua própria cultura e de aprimoramento da compreensão das várias maneiras de se viver a experiência humana;

• Perceber e aceitar as diferenças de expressão e de comportamento entre o povo

Lembramos que essas orientações estão estritamente relacionadas ao trabalho do professor, pois ele deverá fazer com que o aluno saiba acionar as diversas competências acima implicadas, ou seja, produzir e compreender textos orais e escritos, utilizar vocábulos e estruturas linguísticas adequadas à situação de comunicação, conhecer um pouco da cultura francesa, reconhecer sua própria cultura e as diferenças em relação a outras culturas.

Há ainda uma orientação para as competências discursivas a serem desenvolvidas (ex. dar informações sobre si mesmo, cumprimentar o interlocutor...), descrição dos conteúdos a serem abordados (ex. l´adjectif qualitatif) bem como dos temas de destaque (ex. as preferências dos jovens...) e sugestão de material a ser utilizado (ex. canções, livro didático, sites...). Encontraremos essas listas na íntegra na seção dos anexos (ANEXO A). Não há descrição por série nesse material, mas a equipe de professores se reúne a cada início de ano nos famosos colegiados, avalia o trabalho do ano anterior, e faz a distribuição de conteúdos por série. Devido a essas recorrentes modificações, preferimos não expor nenhuma versão dessa seleção de conteúdos por acreditarmos que essa nunca seria a mais atualizada.

Para o Ensino Médio, foi elaborado um texto em comum para as disciplinas de francês e espanhol. Vale lembrar que o ensino de inglês e francês é obrigatório para os alunos do Ensino Fundamental. No Ensino Médio, os alunos podem escolher uma dentre as línguas estrangeiras ofertadas (inglês, francês e espanhol) para cursarem ao longo dos três últimos anos. A ênfase para o ensino das línguas espanhola e francesa continua sendo a mesma do que foi pensado para o Ensino Fundamental. O aluno deve ser levado a repensar sua própria cultura e sua própria língua através da aprendizagem da língua estrangeira, conscientizando-se de seu papel de cidadão do mundo. E, respeitando o que é prescrito pelos PCNs, o departamento de línguas neolatinas prioriza o trabalho voltado para a leitura. Não excluem o papel do ensino de gramática ou de léxico, mas entendem que esses são secundários e servem de ferramentas para a compreensão dos textos abordados em sala de aula. Para saciar nossa curiosidade, vejamos a seguir a tabela com as competências que exemplificam o que estamos comentando.

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Com o objetivo de atingir o desenvolvimento dessas competências gerais, é preciso que sejam combinadas a elas as funções discursivas e os conteúdos, as estratégias de compreensão e de expressão oral e escrita, a definição dos temas e o material a ser utilizado.

Segue abaixo uma ilustração de como o trabalho é descrito pelos professores e para os professores:

Como visualizamos acima, o trabalho é geralmente proposto (pelo professor) a partir de um suporte oral ou escrito em que o aluno reconhecerá o gênero discursivo em questão e suas particularidades e será submetido à produção de um documento semelhante ao estudado. É latente a intenção de promover um trabalho que envolva a compreensão oral e escrita bem como a produção escrita e oral, o que não representa qualquer discordância com as prescrições dos PCNs uma vez que elas orientam para o desenvolvimento das habilidades de leitura, mas não excluem o ensino de outras competências. Não podemos nos esquecer da implicação dessas “recomendações” na construção dos traços da identidade social do professor, visto que ele é o sujeito que possui as competências do saber e do saber-fazer.

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Nos documentos norteadores do ensino nas redes municipal e estadual do Rio de Janeiro, há um espaço reservado para a língua estrangeira. No entanto, em momento algum nos deparamos com um capítulo específico contendo as orientações para o trabalho com cada língua estrangeira. A conclusão a que chegamos é que o trabalho nas diferentes línguas deve contemplar objetivos comuns, priorizando a compreensão leitora e utilizando-se de ferramentas lingüísticas, lexicais, etc para atingir o objetivo almejado. Baseando-se nesses documentos balizadores, caberá a cada escola elaborar seu Projeto Político Pedagógico e elencar o que será priorizado em cada disciplina adequando-se à filosofia da escola.

Correspondendo a esse anseio, vimos no Projeto Político Pedagógico do Colégio Pedro II uma seção à parte para abordar as especificidades da disciplina de Língua Francesa. Nela estavam discriminadas não somente as competências, mas também os conteúdos e os temas de destaque. Esse documento facilita o trabalho do professor que, ao consultá-lo, encontrará uma lista de recomendações a serem seguidas e se sentirá amparado ao preparar suas aulas.