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Este trabalho de investigação tem como objectivo último desenvolver uma proposta de um guião orientador da prática pedagógica, o que após finalizadas todas as fases que compõem esta investigação, julgamos ter reunido as condições e os conhecimentos necessários para o fazer.

Assim, o guião (Anexo 8) enumera um conjunto de etapas (cinco) decorrentes das estratégias apresentadas nas conclusões, que detêm como objectivo principal acolher e integrar o aluno estagiário da formação inicial na prática pedagógica. São também anunciados objectivos específicos, cujo alcance está intrinsecamente ligado a cada uma das etapas e que procuram incentivar novos caminhos que promovam o processo de acolhimento e integração de maior qualidade, de interacção com todos os seus intervenientes, valorizando a formação do aluno. Assim os objectivos específicos são:

• Definir normas orientadoras da prática pedagógica; • Desempenhar um papel formativo, normativo e regulador;

• Proporcionar a perspectiva global do trabalho a desenvolver na prática pedagógica; • Desenvolver uma visão partilhada da dinâmica organizacional da instituição de

educação;

• Acolher e integrar na dinâmica da sala de aula;

• Definir o modelo de monitorização, acompanhamento e avaliação;

• Promover experiências de partilha reflexiva e proporcionar o feedback adequado sobre o desempenho.

Como tal, é fundamental que o desenvolvimento do guião seja um trabalho perspectivado de forma partilhada, de encontro ao objectivo comum, apelando às capacidades dos responsáveis pela sua execução e procurando sempre alcançar melhores resultados ao nível das competências relacionais e comunicacionais e do desenvolvimento pessoal e profissional do aluno estagiário.

Cada responsável (professor orientador da prática pedagógica) pela execução das actividades a realizar, deve colocar ênfase nos aspectos processuais e decisivos, assume um papel comunicador, facilitador, motivador, identifica, acompanha e resolve as adversidades que vão surgindo e assegura um conjunto de condições que torna possível a prossecução do guião.

No entanto, deve existir um elemento – coordenador – que procurará garantir a viabilização do guião, organizando, coordenando e acompanhando as acções estratégicas. Esta função de coordenação do projecto poderá estar a cargo do órgão de gestão ou de um dos professores orientadores do centro educativo onde será implementado o guião orientador.

Também é importante referir a existência da figura do tutor que deverá ser um dos professores orientadores da prática pedagógica, que passarão a acompanhar anualmente o aluno estagiário a partir do seu 3.º ano de curso, altura em que este realiza o seu estágio formativo de contacto com a realidade educativa (prática pedagógica), sempre no mesmo centro educativo.

A equipa de supervisão faz o acolhimento do aluno estagiário na instituição de educação, sendo responsável pela unidade curricular – Prática Pedagógica e respectivo regulamento, onde estão definidas as formas de organização, bem como os critérios de avaliação. A este papel formativo, normativo e regulador acresce ainda a função de acompanhamento da prática pedagógica, através da calendarização de actividades/aulas, sendo algumas delas visualizadas e reflectidas e avaliadas pela equipa.

O guião orientador da prática pedagógica deve ser um instrumento de trabalho flexível e articulado em etapas com a respectiva calendarização, para as quais são enumeradas as principais actividades a serem realizadas, construindo-se progressivamente o acolhimento e a integração do aluno estagiário na prática pedagógica, através da estimulação, da reflexão e da valorização do trabalho desenvolvido.

Na viabilização deste guião é imperativa a relação interpessoal estabelecida entre os seus intervenientes e o recurso a processos de comunicação autêntica, que permitam criar espaços de conhecimento de experiências, sem negar a partilha de valores e a expressão de afectos e de emoções, tão necessárias à estruturação da identidade e ao reforço da auto-estima, isto é, ao equilíbrio do professor orientador e do aluno estagiário.

Quer a qualidade desses contactos, quer os seus resultados dependem de múltiplos factores, de entre os quais a pessoa do professor e a pessoa do aluno são determinantes, envolvendo a subjectividade, as interpretações (individuais e partilhadas) em torno das situações e vivências da sala aula e do centro educativo, os trajectos de vida e os projectos pessoais. É esta combinação de subjectividades que torna fundamental a exigência de uma ética que mantenha o professor orientador em alerta para a sua responsabilidade como “mediador” na construção do “itinerário” do aluno estagiário, enquanto autoridade nos planos cognitivo, moral e afectivo. Uma responsabilidade que se alarga para além da construção de cada rumo particular e que atinge a sociedade e o futuro.

A relação interpessoal e comunicacional entre professor orientador e aluno estagiário depende, fundamentalmente, do clima estabelecido pelo professor orientador, da relação empática com aluno estagiário, da sua capacidade de comunicar, ouvir, reflectir e discutir o nível de compreensão dos alunos estagiários e da criação das pontes entre o seu conhecimento e o deles. Deve ser uma relação entre diferenças de competências e, por via disso, uma relação de confiança que pressupõe um alargamento da experiência e essa diferença de experiências possibilitam a aprendizagem.

No entanto, esta relação está revestida de uma certa particularidade, onde se procura manter uma certa distância, mas também a condescendência pela individualidade e personalidade de cada um dos seus intervenientes e pelas suas atitudes, comportamentos, opiniões e perspectivas. A relação interpessoal e comunicacional caracteriza-se pois pela unicidade na diversidade.

Desta forma, apresentamos, de seguida, a figura relativa aos membros relacionados com a implementação do guião orientador da prática pedagógica, bem como as diferentes funções exercidas e as palavras-chave deste processo, espelhando esquematicamente o processo de acolhimento e integração do aluno estagiário na prática pedagógica.

Figura 15 – Processo de acolhimento e integração do aluno estagiário na prática pedagógica

Resta-nos acrescentar que ao abordarmos todos os aspectos envolvidos na temática da supervisão e mais concretamente da realidade da orientação da prática pedagógica desenvolvida pelo supervisor, relativamente ao acolhimento e integração dos alunos estagiários, estes constituem na sua grande maioria uma preocupação comum dos supervisores da prática pedagógica, sendo ainda um ponto de partida para futuras reflexões e pesquisas.

2. Limitações do estudo

O percurso desenvolvido para a elaboração do nosso estudo não escapou à existência de determinados factores limitativos à realização do mesmo.

Assim uma das limitações prende-se com o facto de ser a primeira vez que nos propomos concretizar um estudo desta natureza, com a sua complexidade própria e metodologia específica.

Este estudo, que se traduz no relatório final do Mestrado em Ciências da Educação - Supervisão Pedagógica, um relatório a concluir até Julho de 2010, o factor tempo constitui um condicionante deste trabalho de investigação.

Convém ainda sublinhar, que este estudo apenas irá reflectir a opinião e a experiência de um grupo de professores orientadores da prática pedagógica, o que não se pode generalizar a

Aluno estagiário (executar) Instituição educativa - equipa de supervisão - Centro educativo - órgão de gestão - Professor orientador (ajudar) Tutor (orientar) Atmosfera envolvente Relação interpessoal Comunicação Reflexão dialogada Avaliação