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A supervisão é um processo em que o professor orienta um outro professor ou um candidato a professor no seu desenvolvimento humano e profissional, ou seja, surge para uma orientação profissional. A supervisão é realizada num tempo continuado e apresenta como principal objetivo o desenvolvimento profissional do professor.

Alarcão e Tavares (2003) defendem nove cenários de supervisão possíveis e que estes se relacionam com frequência. Os cenários, como os autores os denominam, são tratados por outros autores por modelos de supervisão. Por conseguinte, os cenários apresentados apesar de possuírem características próprias coexistem uns com os outros.

6.1. Modelos e abordagens de supervisão

Um modelo, no contexto de supervisão, não tem o significado de paradigma, ou seja, não é uma teoria, não é um enfoque, não é um padrão, não é uma família de regras, não é uma categoria, não é um «cenário», embora também possa ser isso tudo depen- dendo das «lentes» usadas e do objetivo pretendido. Tracy (cit. por Oliveira- Formosinho, 2002) refere que o termo modelo tem sido alvo de várias contestações o que conduziu à sua indiscriminada substituição por palavras relacionadas com ele.

Mas o conceito parece ser melhor vislumbrado se considerarmos que se refere a um conjunto de estruturas interpretativas e procedimentos standards de organização que facilitam a implementação de uma supervisão pedagógica dirigida a professores em carreira ou a candidatos a professores. Para Pajak (1993, cit. Tracy in Oliveira- Formosinho, 2002) e para a Association of Super-vision and Development (ASCD) as palavras abordagem e modelo significam o mesmo. Nesta investigação, não pretende- mos fazer grandes considerações sobre estes dois termos ou, quando muito, considera- remos que abordagem é mais abrangente que modelo.

Por modelo deve entender-se a estrutura que nos ajuda a operacionalizar uma teo- ria, entende-se que é no desenvolvimento da teoria que reside a fundamentação da ação adotada. A teoria que dá vida ao projeto funciona com o alicerce sem o qual, o modelo tenderá a desmoronar-se com alguma facilidade.

A práxis, isto é, o modo como se operacionaliza a supervisão pedagógica está atribuída a um modelo que deverá ser consubstanciado por pelo menos uma teoria. A

teoria adotada condiciona o estilo do supervisor e terá em conta os enfoques pretendidos e a direção a tomar no processo de supervisão.

Tal como referem vários autores, «os modelos projetam as teorias e, simultanea- mente, resultam dela» (Maccia e Jewett, 1963, cit. Oliveira-Formosinho, 2002, p. 22). Tracy chama a atenção para o facto de que «A teoria em que um modelo se baseia não é, frequentemente, articulada de forma clara por quaisquer daqueles que descrevem ou utilizam o modelo» (cit. por Oliveira-Formosinho, 2002, p. 24) daí que possam existir falhas de interpretação e, consequentemente, na sua implementação.

Figura 1 – Edifício da Supervisão Pedagógica

Na linha das conhecidas metáforas das janelas e dos muros de Sergiovanni e Star- ratt (1993, cit. Oliveira-Formosinho, 2002, p.27), representadas na figura 1, um modelo pode constituir a abertura que permite ver melhor a forma de implementação da Super- visão Pedagógica, mas também pode funcionar como um obstáculo, caso não seja apli- cado de forma conveniente por não ter em conta os diversos fatores imprevisíveis e anárquicos inerentes à organização escolar.

Inspirando-nos, sobretudo, no trabalho de Tracy (in Oliveira-Formosinho, 2002) tentaremos resumir algumas das variáveis recorrentes desses modelos de forma a clari- ficar a sua classificação. Para que se possa considerar um modelo como tal, há que cumprir algumas premissas que o identificam e distingam dos restantes, por referência ao seu quadro concetual de suporte.

Assim, têm que estar bem definidos: i) os objetivos;

ii) a teoria e os conceitos que o sustentam; iii) as normas/planificação dessa implementação.

Duma forma geral todos os modelos absorvem alguns conceitos de uma diversi- dade de teorias, sendo que os pressupostos teóricos subjacentes à supervisão assentam nas teorias: i) da liderança; ii) da comunicação; iii) das organizações; iv) da mudança e, v) na psicologia tradicional (Tracy, 2002). Embora as teorias apontadas para suportar os modelos não sejam apresentadas duma forma direta por nenhum dos autores, importa referir as suas bases teóricas que dão pistas para o entendimento do processo de desen- volvimento adotado.

De acordo com a Association of Supervision and Curriculum Development (ASCD) podem definir-se, grosso modo, três abordagens da supervisão:

i) O modelo científico de que nos fala John McNeil (1982); ii) O modelo clínico iniciado com Garman (1982);

iii) O modelo artístico de Eisner (1982);

que se distinguem entre si através da significação que atribuem ao ensino, particular- mente, o ensino eficaz.

A definição de ensino eficaz que é consensualmente aceite na abordagem científi- ca provém de McNeil e consiste na verificação do nível de qualidade do ensino, sendo que os critérios de análise são externos ao processo da supervisão.

Já na supervisão clínica, a conceção de ensino eficaz está centrada na qualidade das interações colaborativas entre o professor e o supervisor, porque assentes numa relação de confiança e de utilidade recíproca entre as pessoas envolvidas.

Finalmente, no modelo artístico, o conceito de eficácia do ensino está sustentado nas características individuais do professor e no seu carácter expressivo, assumindo o supervisor o papel de conhecedor e de crítico que auxilia o professor na exploração de todo o seu potencial.

De entre os vários autores que classificam os modelos de supervisão, MGreal (1983) estabelece cinco famílias de modelos que variam entre a avaliação e a assistên- cia, a seguir listados em progressão: i) modelos de normas comuns – cujo enfoque é o processo de ensino, tendo como objetivo a tomada de decisões administrativas sobre o desempenho; ii) modelos de estabelecimento de objetivos – onde existe uma natureza individualizada do estabelecimento de objetivos dando flexibilidade ao professor e ao

supervisor; iii) modelos de produto – que se baseia nas medidas de desempenho dos alunos para descrever a eficácia do ensino; iv) modelo de supervisão clínica – que se centra no processo de ensino tendo em vista a assistência e não a avaliação de desempe- nho dos professores; v) modelos artísticos ou naturalistas – defendem o princípio de que o ensino é incerto e complexo cujo enfoque está em resultados não especificados que são utilizados para ajudar o professor a desenvolver os próprios talentos.

A supervisão, tradicionalmente ligada à formação inicial, adquire atualmente uma importância fulcral no quadro de avaliação e desempenho do docente, particularmente na observação de aulas cujas hipóteses são variadas. Destacamos neste estudo o uso de grelhas de observação, pois para além de constituírem uma das suas técnicas de recolha de dados para posterior análise de conteúdo, podem objetivar o enfoque dado à observa- ção criando assim uma base de reflexão para os professores pois nelas estão explícitas as teorias de ensino aprendizagem aplicadas em cada agrupamento de escolas ou escola não agrupada.

De acordo com o Decreto-Regulamentar n.º 2/2010, é ao relator que cabem as funções de supervisão de toda a atividade docente. Wiles e Bondi (2000) afirmam que para o exercício das funções de supervisão é fundamental ter conhecimentos nessa área da especialidade, bem como ter competências para as tomadas de decisão, de gestão e de investigação e ainda capacidades de discussão e aconselhamento, assim sendo, a formação não poderá estar ausente neste processo pois constitui um eixo estratégico com o objetivo de preparar avaliadores e avaliados e dos apoiar durante o processo de avaliação. Este Decreto regulamenta o que o relator/professor avaliador deve observar em contexto de sala de aula, recaindo essa supervisão na dimensão do «Desenvolvimen- to do Ensino e da Aprendizagem». Nessa dimensão, onde a planificação, a operacionali- zação e a regulação do ensino e das aprendizagens devem estar assentes num conheci- mento científico e pedagógico-didático profundo e rigoroso, o professor avaliador deve- rá verificar quatro domínios: i) preparação e organização das atividades letivas; ii) reali- zação das atividades letivas; iii) relação pedagógica com os alunos; iv) processo de ava- liação das aprendizagens dos alunos.