Assim como na arte este processo de iluminação conhece um longo trajeto em sua afirmação enquanto tal, de igual modo, para que o espírito finito se desprenda da sua finitude imediata e se lance no reino do pensamento conceitual, ele atravessa diversas esferas que, como degraus, a cada passo o lançam ao livre pensamento. Este é o progresso do espírito finito rumo à sua infinitude, a possibilidade de contemplar o Absoluto dentro de si e, na arte, ver refletido aquilo que constitui a sua essência, que permanecia oculta aos
seus olhos meramente sensíveis e presos na existência imediata. Trata-se da liberdade do ser que atinge a consciência de si e produz na arte a representação desse Conteúdo, que na forma artística adquire aparência, cores, tons e formas, de modo a iluminar a visão até então obscurecida pela existência puramente imediata. É assim que a existência finita caminha rumo ao infinito: a consciência de sua liberdade. Este é o segundo momento apresentado na dinâmica do pensamento de Hegel, no tocante a discussão entre arte e liberdade, quando o espírito finito cansado de buscar satisfazer-se nas querelas da finitude, lança-se a procura de satisfações mais plenas.
Na esfera das necessidades finitas o espírito finito ainda não conhece a liberdade enquanto sua essência, e conserva a visão confusa da vontade, a aspiração e as paixões. Nesta esfera, o espírito apreende a própria finitude como algo negativo e como uma carência. Erguem-se os impulsos, os sentimentos, as inclinações, e tudo o que o coração do homem como um ser singular contém em si mesmo, gerando certa nostalgia pela ausência de uma plena satisfação, segundo Hegel, “este é o ponto de vista do espírito apenas finito, temporal, contraditório e, por isso, passageiro, insatisfeito não beato. Pois as satisfações que esta esfera oferece são na forma de sua finitude” (HEGEL, 2001, p. 109).
No conteúdo total da existência encontra-se uma diversidade de interesses e de insatisfações. Podemos descrevê-las do seguinte modo, temos inicialmente o amplo sistema das necessidades físicas, as insatisfações e carências da existência imediata. Como tentativa de solucionar essas necessidades imediatas da existência sensível, surge a indústria em sua larga produção e conexão, o comércio, a navegação, as artes técnicas, o direito, as leis, a vida em família, a divisão de classes, e todo o âmbito que compõe o Estado. Também aparece a necessidade da ciência enquanto conjunto dos conhecimentos adquiridos. Estas atividades podem ser vistas como círculos, momentos do desenvolvimento da consciência que caminha a fim de atingir o ápice, a consciência de sua liberdade. Neste domínio, imperam as necessidades finitas ou físicas que correspondem à insuficiência e carência de satisfações.
De início, apresentam-se as inquietações que se manifestam como uma limitação, tais como uma dor, um incômodo, como algo negativo que precisa ser superado para remediar a deficiência sentida. Essas inquietações impulsionam para a transposição das
restrições puramente naturais, tais como: comer, dormir, organizar-se em comunidade para garantir a sobrevivência. Tal é a deficiência do espírito finito que é uma totalidade composta por uma forma e um conteúdo: matéria e espírito, mas que na efetividade finita, apenas enxerga as determinações da existência enquanto uma separação do que é espiritual, como uma contradição entre natureza e espírito. Isso se explica a partir da seguinte compreensão:
O indivíduo se encontra imediatamente emaranhado em um sistema de relações no qual ele se vê obrigado a servir como meio para fins estranhos a ele, ou seja, no qual ele ainda não é um fim em-si-mesmo. O conceito de necessidade exterior pode ser traduzido ainda como necessidade contingente, já que [...] baseia- se em uma relatividade presente na vida mundana imediata, a qual Hegel denomina prosaica, e na qual as relações se fundam tão- somente nos impulsos e nos interesses imediatos, que são obviamente sempre contingentes (GONÇALVES, 2001, p. 34-35). Em meio a inúmeras necessidades e insatisfações, o espírito finito tende a procurar formas de suprir suas carências e começa a criar mecanismos que lhe possibilite a obtenção de certa satisfação frente à necessidade sentida. Assim como podemos observar com o surgimento da unidade simples da família, ao passo que esta, por sua vez, suscita o surgimento da sociedade civil, que se revela insuficiente e requer o surgimento da indústria, do comércio, da navegação, do direito, das leis, e todo o aparato de instituições que formam o Estado. Este último pode ser visto como a “substância ética [...] a reunião do princípio da família e da sociedade civil; a mesma unidade que está na família como sentimento de amor é a essência do Estado” (NICOLA, 2005, p. 365).
A liberdade na ação é a razão da vontade que se efetiva no Estado, “um organismo inteiro, acabado, completo e realizado” (HEGEL, 2001 p. 114), organizado segundo a razão, no qual as leis e instituições são a realização da liberdade, segundo sua determinação na esfera finita. Em seu todo, constitui uma totalidade em si mesma completa, formada por governo, exército, instituições, sociabilidade. Desse modo, embora as necessidades físicas sejam supridas, mesmo que de forma imediata, o conteúdo de tal satisfação permanece ainda limitado e a liberdade mantém o aspecto da finitude, haja vista que, a satisfação é unilateral e relativa a uma determinada necessidade e, conseqüentemente, outras necessidades sempre tendem a surgir.
De igual modo, no direito, o reconhecimento da liberdade se restringe a aspectos singulares relativos a determinados objetos: a casa, a lei, a propriedade, o dinheiro, enquanto efetividades singulares, como é possível observar na seguinte citação:
Por exemplo, minha racionalidade, minha vontade e sua liberdade são de fato reconhecidas, valho como pessoa e sou respeitado enquanto tal; possuo propriedade que deve permanecer como minha; caso ela corra perigo, a justiça outorga o direito. Mas [...] o que a consciência neste caso tem à sua frente são singularidades [...] apenas categorias relativas e submetidas a condições variadas, em cujo domínio a satisfação pode igualmente num momento acontecer como também noutro não acontecer (HEGEL, 2001 p. 114).
Todavia, com a necessidade científica busca-se conhecer a conexão e a necessidade recíproca dessas esferas, porque o surgimento da ciência possibilita ao homem começar a pensar um conteúdo que seja inerente a todas as esferas. Segundo esse conteúdo, cada esfera, ou seja, cada domínio apresentado na finitude impele para além de si à satisfação de interesses mais profundos, de modo a se obter a satisfação que no âmbito anterior não se pôde conseguir, logo, “é isso que fornece a necessidade de uma conexão interior” entre essas esferas (HEGEL, 2001, p. 110). Já que elas não se restringem à mera utilidade de umas em relação às outras, antes, se completam, pois a cada nova esfera surge um modo de atividade mais alto do que o existente na esfera precedente. Ocorre que cada esfera impele para além de si, em busca de uma satisfação mais plena, de modo a completar o que não se pôde realizar no âmbito anterior.
Desse modo, as leis do direito, os impulsos dos homens, os sentimentos, as inclinações e paixões, e todas as esferas que compõem a finitude, têm o seu ponto de origem na ânsia por uma satisfação mais plena, isso porque, na verdade, o que se busca é a liberdade, embora nesta esfera, não se tenha consciência disto. Esta é a conseqüência do pressuposto de uma conexão entre as esferas da finitude, o aproximar-se crescentemente da consciência da liberdade.
O ímpeto de atingir a plena satisfação de suas necessidades move constantemente o espírito finito a uma esfera mais alta que o conduz ao conhecimento de sua liberdade que é um reflexo da essência do Absoluto. Por esta razão, o espírito finito aspira à satisfação e a
liberdade no saber e no conhecimento: a ciência, posto que, “aquele que não sabe não é livre, pois diante dele se coloca um mundo estranho [...] do qual ele depende (HEGEL, 2001 p. 113). Assim, o saber representado no conceito possui um conteúdo, uma finalidade e um significado, os quais se encontram interpenetrados de tal modo que, por exemplo na arte: “o exterior e particular aparecem exclusivamente como exposição do interior. Na obra de arte nada está presente que não tenha relação essencial com o conteúdo e o exprima” (HEGEL, 2001, p. 110-111).
Deste modo, no momento em que o espírito finito adentra no âmbito espiritual, ao produzir obras de arte, ele lança-se em busca das necessidades espirituais, as quais não dizem respeito às querelas da finitude, mas fitam o reino do infinito, dos pensamentos e da contemplação do Absoluto. A arte assim compreendida se afirma, no pensamento de Hegel, como: “a primeira etapa de libertação do espírito, de sua elevação acima das relações contingentes e não-livres do mundo finito, posto que ela é a primeira forma espiritual efetiva de produção de si mesmo (GONÇALVES, 2001, p. 61).
Neste ponto, surge a questão da necessidade interna da arte no contexto dos restantes âmbitos da vida e do mundo, pois o espírito finito se sente sufocado na finitude e procura uma satisfação e uma verdade mais alta e mais substancial, na qual as contraposições e as contradições da finitude possam ser solucionadas e a liberdade possa enfim encontrar sua completa satisfação.
A necessidade universal e absoluta, a ânsia por uma satisfação mais plena é aquilo que leva o homem a produzir obras de arte, já que a busca pelo conhecimento emana da aspiração de superar a não-liberdade e de se apropriar do mundo através da representação e do conceito (HEGEL, 2001 p. 113). Esta é a liberdade no pensar, mas ainda não de modo pleno, pois este saber se dá a conhecer, neste estágio, por meio de uma representação sensível: o belo artístico.
4.3 A ARTE LIVRE COMO RECONCILIAÇÃO ENTRE ESPÍRITO E NATUREZA
O processo do desenvolvimento lógico do espírito finito também pode ser pensado em relação à arte, na possibilidade de resolver as contradições entre espírito e natureza. O Espírito insere a necessidade de projetar-se para o infinito, libertando o espírito finito de suas necessidades imediatas para lançar-se em direção ao puro pensamento. Essa liberdade subjetiva procura uma forma de se tornar concreta na esfera do infinito, por esta razão, quando o espírito finito se volta para a arte, está à procura de sua liberdade. Esta consiste na conexão necessária que liga todas as esferas e as impele para além de si, em busca da satisfação no infinito.
A arte é o momento inicial de unidade entre estas duas dimensões: espírito e natureza, pois o conteúdo supremo da arte é a liberdade, conteúdo subjetivo que implica ir além daquilo que se destina unicamente as necessidades imediatas. Não se trata mais, tão somente, de garantir a possibilidade da existência física através das instituições, da saciação de necessidades imediatas, da legitimação do direito, mas de um tipo de necessidade do infinito, da própria razão de ser, daquilo que corresponde à identidade: a idéia de liberdade.
Assim, a satisfação impulsionada pela racionalidade possibilita ao espírito finito apreender-se como objeto do saber, pois segundo Hegel, a liberdade é a determinação suprema do espírito. Segundo seu aspecto formal, a liberdade consiste “no fato de que o sujeito não tem nada de estranho, nenhuma fronteira e limite naquilo que se lhe defronta, mas se encontra a si mesmo no que se lhe defronta” (HEGEL, 2001, p. 112). Isso ocorre porque o Espírito gera a partir de si mesmo a arte em suas manifestações fenomênicas, como o primeiro elo intermediário entre o que é meramente exterior e sensível e o puro pensar, entre a natureza e a liberdade infinita do pensamento conceitual. Neste sentido, na arte é possível contemplar os dois domínios, a natureza e o espírito, reconciliados no fenômeno que aponta para uma esfera superior, nascida do Espírito: a Liberdade.
A arte brota do espírito e também pertence ao terreno espiritual, ela “foi batizada pelo espiritual e somente expõe aquilo que é formado em sintonia com o espírito”
(HEGEL, 2001 p. 51). Por esta razão, a obra de arte situa-se acima dos produtos naturais, tendo em vista que o espírito expressa na arte o conteúdo que retira de seu próprio interior, conferindo-lhe uma duração exterior na forma da arte bela. Já a natureza, apresenta-se como mutável e efêmera, pois a pior apreensão para o espírito e a menos adequada é a meramente sensível, como o mero escutar, ver e tocar, o conduz á compreensão de que “o espírito não se limita à mera apreensão das coisas externas por meio da visão e do ouvido, ele as transforma para o seu interior” (HEGEL, 2001, p. 57).
Desta forma, o que o Espírito produz o seu objeto, é ele mesmo. É um diferenciar- se trazendo à existência para ser por outro, mas permanecendo idêntico consigo mesmo. Esta é a potência para regressar a si, e a finalidade mais elevada dessa evolução do pensamento que tem como finalidade a consciência da liberdade. Neste momento, a ideia que se alienou de si ao tornar-se por si na natureza, volta a encontrar-se consigo mesma, mediante o movimento da consciência rumo à liberdade, finalidade absoluta que o espírito alcança através do desenvolvimento do pensar, pois somente o pensar é que liberta o espírito finito da alienação para tornar-se livre em si mesmo. De acordo com Hegel: “alcançar esta finalidade é o interesse da ideia, do pensar e da filosofia” (HEGEL, 1976 p. 43).
A arte é uma expressão do pensamento, de modo que o Espírito se vê na arte, nesse sentido, se dentro do sistema filosófico cada parte constitui uma disciplina e se o pensamento carece de uma existência concreta, a arte surge para conferir existência material à ideia, isso porque no reino da liberdade que é também do infinito, quando o pensamento se volta para a arte manifesta uma forma de relacionar-se com o Absoluto. O reino da liberdade seria a expressão mais pura do Espírito Absoluto, segundo Hegel, por estarem inseridas no contexto do infinito: “a arte e as obras artísticas são de natureza espiritual, até quando oferecendo a representação uma aparência sensível [...] por isso, a obra de arte [...] pertence ao domínio do pensamento conceitual (HEGEL, 2001 p. 38). Portanto, interessa destacar que a arte enquanto produção do espírito consiste num conteúdo que busca uma forma. Esta forma se apresenta no belo artístico, a manifestação sensível da unidade entre espírito e natureza. Esta unidade acontece na arte porque ela é
essencialmente arte livre, e sendo livre é também infinita, mas para esclarecermos um pouco melhor esse conceito de liberdade na arte, analisemos as palavras de Lacoste:
Um objeto, um ser, uma ação são belos quando são livres, independentes, infinitos [...] quando estão em conformidade com a necessidade única de seu conceito. Um belo objeto é verdadeiro porque é o que deve ser [...] A verdadeira beleza encontrar-se-á, portanto, no belo artístico (LACOSTE, 1986, p. 50).
Enquanto consciência pensante, ao criar a arte, o espírito finito representa para si mesmo o que ele é, o que constitui a sua essência enquanto um ser livre. Ele tem em si tanto a natureza quanto o espírito, tem a possibilidade de se intuir, se representar e pensar sobre si mesmo e sobre tudo o que existe. Logo, a ânsia por uma satisfação no infinito instaura a possibilidade de solução da não-liberdade, pois o espírito ao se tornar objeto do saber, coloca-se como objeto para a consciência e se sabe livre. Neste sentido, o espírito finito adquire a consciência de si de dois modos, pela teoria, na medida em que precisa intuir e representar aquilo que o pensamento toma por essencial, e pela atividade prática, quando a partir do impulso de produzir obras de arte, ele se reconhece no que produz, na medida em que imprime o selo de seu interior nas produções exteriores.
Na arte a consciência passa a se ocupar e a pensar a verdade na forma da intuição sensível. Esta unidade entre forma e conteúdo é representada na sua aparição artística, de modo que segundo Hegel: “a unidade do conceito com o fenômeno individual é a essência do belo e de sua produção pela arte” (HEGEL, 2001 p. 116). A arte possui o Absoluto como seu objeto, e desse modo oferece a intuição de tal conteúdo por meio do conceito da beleza enquanto criação do espírito, e como tal, reflete em sua aparição fenomênica:
A necessidade racional que o homem tem de elevar a uma consciência espiritual o mundo interior e exterior, como se fora um objeto no qual ele reconhece o seu próprio si-mesmo. A necessidade desta liberdade espiritual ele satisfaz na medida em que [...] traz à intuição e ao conhecimento o que nele existe. Esta é a livre racionalidade do homem. (HEGEL, 2001 p. 53).
A aspiração universal da arte pela liberdade no espírito é justificada porque ela situa-se entre a sensibilidade imediata e o pensamento, ainda não é puro pensamento, mas
também não é mera existência material. Ela enfeita a sensibilidade com o pensamento racional, revelando em sua configuração artística a contraposição reconciliadora entre o espírito e a natureza, de tal modo que possui seu fim em si mesma, de modo a conduzir a finitude ao pensamento conceitual. A arte, compreendida nessa sua dimensão sublime e livre, é diferenciada da simples aparência dos fenômenos naturais, pois segundo Hegel:
O aloé, que somente floresce por uma noite, murcha sem ser admirado nos ambientes mais selvagens das florestas do sul; e estas florestas, constituídas de densas aglomerações das mais belas e exuberantes vegetações, do mesmo modo desaparecem e se estragam sem serem fruídas com seus aromas os mais suaves e ricos em odores. No entanto, a obra de arte não é tão despreocupada por si, mas é essencialmente uma pergunta, uma interpelação ao coração que ressoa um chamado (HEGEL, 2001 p. 87).
A Ideia enquanto o belo artístico é a determinação do verdadeiro: o Absoluto na efetividade. Assim, a consideração científica do objeto da estética, parte da universalidade do belo artístico em sua aparição fenomênica, pois ele pertence ao âmbito espiritual. O conceito do belo e da arte, possuem um duplo aspecto, um conteúdo: a finalidade e seu significado, e uma expressão: o fenômeno em sua aparição artística, realizando a unidade dos “dois aspectos de tal modo interpenetrados que o exterior e particular aparecem exclusivamente como exposição do interior” (HEGEL, 2001 p. 110-111). A aparência sensível da arte está intimamente imbricada com o conteúdo, na medida em que por meio de sua aparência contingente, a arte se abre para o infinito.
Esses dois aspectos, forma e conteúdo, não permanecem indiferentes e exteriores um ao outro, mas apenas indicam que o conteúdo se objetiva como uma determinação de si mesmo, e perpassa as esferas da existência finita, caminhando até a esfera que melhor elucida a sua liberdade absoluta. O que significa dizer que o pensamento penetra na profundidade do mundo supra-sensível e o apresenta inicialmente como um além para a consciência imediata, na contemplação da arte como possibilidade de ascensão ao
Absoluto. E, assim, o espírito gera a arte a partir de si mesmo como o primeiro elo
Da mesma forma que a Ideia tem em si a potência de determinar-se e objetivar-se na concretude do mundo para rever-se através de suas criações e, assim, poder contemplar- se no outro de si, não como algo que seja estranho ou diferente, mas como ela mesma em uma esfera distinta, de igual modo, também na arte o Espírito contempla-se em suas produções e a arte, neste contexto, tem como finalidade exprimir os interesses mais profundos do Espírito.
Ademais, a arte tem a tarefa de revelar em sua configuração artística a verdade, a reconciliação da natureza e do espírito. O seu conteúdo deve ser adequado à sua exposição, ou seja, ele necessita de uma forma, para que não seja em si mesmo abstrato, mas tenha concreção. Assim, a exigência de concreção da arte se explica porque, segundo Hegel (2001, p. 86) a universalidade apenas abstrata não possui em si mesma a determinação de progredir para a particularização. Ao conteúdo deve corresponder uma forma, configuração sensível, de modo que ambos coincidam e se correspondam, pois no conteúdo concreto reside o fenômeno. A arte é um elo intermediário entre a esfera finita e o infinito, tendo em vista que:
O verdadeiro que enquanto tal é, também existe. Na medida em que o verdadeiro nesta sua existência exterior é imediatamente para a consciência e o conceito permanece imediatamente em unidade com seu fenômeno exterior, a Idéia não é apenas verdadeira, mas é bela. O belo se determina, desse modo, como aparência sensível da Idéia. Pois o sensível e objetivo em geral não guardam na beleza nenhuma autonomia em si mesmos, mas têm de