A informação referente a esta capela é escassa, não se sabendo o propósito da sua construção, nem como é que esta se interliga com o forte. Poderá ser, inicialmente, ser um ponto de vigia e batalha, quando exercia a função de defesa, ou poderá mesmo sido construída quando se abate a praga da colora na madeira.
A verdade é que a capela de S. João baptista é dedicado ao seu padroeiro e pouco mais sabemos da sua existência, pois os registos de construção, até mesmo fotos referenciadas a mesma são quase nulas e o que existe, apenas demonstra a sua fachada frontal (Figura 20). Também não existe imagens da mesma visto do interior para perceber algo mais sobre a tipologia.
As características desta capela, assemelham-se ligeiramente à Capela do Senhor dos Milagres, relativamente à fachada frontal, de estilo gótico.
A fachada frontal, é composto por um portal centralizado que estava antigamente torneado por cantaria de cor vermelha de igual modo que a porta de entrada e algumas janelas pertencentes ao forte, como é perceptível na imagem. Este portal também tem a forma de um arco quebrado, enquadrado numa empena triangular e ainda coroado por um óculo redondo centrado com um vitral colorido e também coroado com cantaria vermelha como a igreja matriz, e a Capela do Senhor dos Milagres como referida já anteriormente.
Na fachada Sul, duas janelas permitem a entrada de luz para o interior da capela juntamente com uma porta de entrada secundária
No topo da fachada persistia uma cruz de Cristo de cantaria cinza, tal como no campanário, também é torneado pela mesma cantaria cinza triangular.
A cobertura de duas águas era composta por telha de meia cana, tal como todas as capelas e Igrejas locais.
Quanto a tipologia arquitectónica, a capela apresenta uma planta longitudinal, orientada Ocidente/Oriente (orientação oposta a capela apresentada e a Igreja Matriz), formada por uma nave central ampla e a capela-mor rectangulares.
2.1.1. Materiais Utilizados na época
Cantaria Vermelha – Torneamento de Portas e o óculo existente na fachada principal.
Cantaria cinza – Torneamento de portas e janelas laterais, soleiras de portas , a cruz existente na fachada e ainda no topo do campanário de forma triangular.
Alvenaria de cantaria regional rebocada – Material utilizado durante muitos anos, como material de construção, logo o seu uso designa-se ao regulamento do pavimento e posteriormente para a construção das paredes do edificado.
Madeira – Utilizado em elementos de adorno no interior, portas de entrada e no caixilho das janelas.
Vidro – Utilizado nas janelas e no óculo da entrada.
Amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro – Armações de coberturas, asnas e no interior das paredes.
Telha de meia cana – Cobertura da capela pertencente ao forte.
Ligantes minerais com base em cimento cal de cor Azul – Revestimentos das paredes da capela.
No início do século XX, como apresentado ao longo deste capítulo, as necessidades apresentadas foram-se alternando aos poucos, e como tal, os edifícios foram-se adaptando as necessidades da época. Surge as alterações a nível estrutural e a partir de 1910, adapta – se com anexos exteriores servindo funções de hospital de coléricos devido a razões de doença que assolara a ilha, e logo depois, 1919 fora adaptado para uma colónia de férias de crianças do convento de Santa clara do Funchal. Por fim, foi-se instalando um grupo de ex-colonos no local que mantiveram-se até meados de 2001.
Machico é uma cidade extremamente rica a nível histórico por ser um dos pontos mais importantes nos descobrimentos, como tal, juntamente com todo o conceito turístico em volta da região, demarca-se aqui um elo de ligação entre ambos, Madeira, Machico, turismo, edifício histórico. Logo, é importante fazer um pequeno estudo a nível turístico geral e local de modo a perceber como estão os níveis turísticos como também os focos de visita para este sector, turismo-cultural, verificando a necessidades, vantagens e desvantagens de tornar o forte não só em mais um ponto turístico mas sim como o ponto importante de visita reforçando a cultura.
Capitulo III
A avaliação turística é um ponto imprescindível perante uma região que se subsiste quase unicamente do mercado turístico. É importante fazer o fazer uma pequena exploração neste mercado tanto a nível generalizado, a nível regional, como também mais pormenorizado na cidade em questão. Após explorados os conceitos segundo a organização mundial do turismo (OMT), seria relevante elaborar um estudo delimitando os motivos de visita importantes em Machico, aumentando o crescimento turístico e responder a uma pequena recepção económica e histórica que se faça sentir.
1. Turismo Segundo Organização Mundial do
Turismo (OMT)
O turismo é um fenómeno humano amplamente difundido no espaço e de crescente importância na economia mundial. Como tal, tem sido objecto de um interesse cada vez maior por parte da sociedade, razão pela qual, foram sendo identificados os seus impactos. Desta forma, definições mais precisas de turismo e de viagens foram surgindo, baseadas sobretudo na distância, na duração da estadia, no propósito da viagem e nas despesas, permitindo que actualmente o turismo seja encarado como um sistema.
O conceito de turismo, surge pela primeira vez, com o termo "tour-ist", em Inglaterra no ano 1800, o qual foi introduzido no vocabulário. Posteriormente, em 1811 surge a palavra
“tour-ism‖ que define o comportamento de um indivíduo ou um conjunto deles, os quais são
externas à sua cultura, assim sendo, o termo "touri-ism" caracteriza os comportamentos do turista. A palavra turismo foi utilizada, pela primeira vez em Inglaterra, para descrever os jovens aristocratas ingleses do sexo masculino, que foram educados para carreiras de política, governo e diplomacia. De forma a alcançarem os seus estudos, eles embarcavam numa ―grand-tour‖ com duração de três anos no continente europeu, regressando a casa, quando a sua educação cultural estivesse completa.
Nas últimas décadas, com maior pesquisa e com as mudanças que ocorreram a nível global (políticas, sociais, económicas), novas dimensões do turismo foram sendo estudadas, e novas interpretações do fenómeno turístico foram surgindo. Actualmente e segundo a OMT, a definição de turismo (…) ―compreende as actividades de viagens de pessoas e alojamento em locais fora do seu ambiente normal durante não mais do que um ano consecutivo, por lazer, negócios e outros‖ (OMT/WTO, 1991). Esta organização classifica, também, o turismo de variadas formas tais como, o Turismo internacional (feito pelos nacionais de um país exterior ao seu); turismo interno (feito pelos nacionais do próprio país); o Turismo doméstico (turismo praticado dentro do próprio país) e o Turismo nacional (turismo praticado pelos próprios nacionais do seu país). Assim sendo, "a soma dos processos, actividades, resultados, que advêm das interacções entre turistas, entre as organizações privadas, entre as organizações não-governamentais e entre os governos que os acolhem, e os governos de origem, (incluindo- se nesta definição as universidades e demais níveis de ensino), e que lidam com a área do turismo no processo de atraírem, transportarem, acolherem e gerirem turistas e outros visitantes" (weaver e Lawton, 2006:3). Embora exista uma definição pré-estabelecida pela OMT, não está isenta de controvérsias, porque esta fortemente dependente da definição de turista e esta pode variar muito.