5. DISCUSSION
5.2 Methodological considerations
Ser socialmente justo significa oferecer, através do design, recursos para superar as barreiras da desigualdade social, resgatando assim a cidadania e a dignidade através de oportunidades de desenvolvimento. Ou seja, é aí que entra a responsabilidade social citada por Lipovetsky (2007) e Alledi (2002).
Entre as criações dos designers, foi possível observar que alguns deles acharam importante pensar socialmente. Os designers da “Colecção Armorial”, dos “Sneakers LOVIM” e da “DIY Marc Bag” citaram o facto de que os materiais utilizados em seus produtos servirão para gerar renda para pequenas comunidades o que deixa claro que houve uma preocupação neste aspecto.
Houve uma inquietação maior, neste sentido, por parte dos designers da “Colecção Armorial” (Figura 20) que pesquisaram de uma forma mais profunda uma maneira do seu trabalho ser socialmente sustentável e acabaram encontrando um projecto que, além de gerar rendas para
costureiras de cidades pequenas, também oferece capacitação para que elas possam aprender mais sobre o próprio ofício. Deste modo, esta informação mostrou-se bastante relevante para o processo de criação dos designers e adicionou mais um quesito sustentável ao trabalho deles.
Figura 20 – Coordenados da Colecção Armorial
Por fim, é indispensável relatar que apesar dos designers do “Ray Ban – Gaudí Collection” e da lingerie “Cleópatra” não terem mencionado aspectos sociais em seus trabalhos, eles também podem ser socialmente justos, na medida em que, por exemplo, a reciclagem pode ajudar muitas famílias que vivem, principalmente, de recolher lixo em aterros sanitários, no caso do Ray Ban, enquanto que a seda orgânica utilizada na lingerie também gera renda para pequenas comunidades, como bem lembraram os designers da “Colecção Armorial”.
4. O consumidor
Com o intuito inicial de fazer com que os designers pensassem no consumidor, foi pedido que eles pudessem fazer uma colecção em que o público alvo fosse baseado nas respostas dos entrevistados do estudo 1. Assim, apesar de todos terem, obviamente, pensado em um consumidor específico para cada tipo de produto, eles tinham também que pensar nas respostas previamente analisadas dos consumidores entrevistados.
Nos depoimentos sobre o workshop, apenas dois designers mencionaram a importância das entrevistas para o processo de criação:
“O resultado das entrevistas, que foi um grande orientador para a nossa criação, pois nos inspiramos nelas que diziam que queriam usar produtos sustentáveis que fossem bonitos e que fizessem com que estes produtos aumentassem a sua auto-estima”. (Designer 6)
“Foi interessante entender o que os consumidores pensam sobre estes assuntos, principalmente na parte sobre sustentabilidade em que a maioria parece não saber muito ou ignoram completamente o assunto, o que, ao meu ver, é horrível para o futuro do planeta”. (Designer 10)
Contudo, com o resultado das criações, percebe-se que, mesmo não tendo sido apontados os resultados das entrevistas nos depoimentos dos designers, este facto não foi esquecido pelos mesmos. Isto porque estão implicitamente representados nos produtos todos os aspectos citados pelos entrevistados. Desde a qualidade do produtos, que foram pensados com boas matérias-primas; a beleza e elegância da “Colecção Armorial”, o conforto, no caso dos sneakers e
da lingerie; a distinção, na bolsa “DIY Marc Bag” que poderia ser personalizada e no Ray Ban mosaico que sempre terá um design diferente, além de todos os aspectos sustentáveis dos produtos que foram discutidos anteriormente e que corroboram a opinião dos entrevistados.
Deste modo, a hipótese deste estudo, que diz que através da compreensão dos motivos e significados que envolvem o consumo de bens de luxo, os designers, especificamente os de moda, poderiam criar produtos que sejam mais adequados aos desejos destes consumidores, tem fortes indícios para tornar-se válida.
SUMÁRIO
Para a análise dos resultados, que foi feita separadamente com os dois estudos, utilizou o método de Análise de Conteúdo de Bardin (1977).
Na análise do Estudo 1, ou seja, os resultados dos questionários realizados, foram expostos, através das falas dos inquiridos, inúmeras questões primordiais para o desenvolvimento do trabalho. Primeiro, foi abordado o conceito e os atributos de luxo e em seguida, as motivações e os significados que incentivam o consumo de bens de luxo, como a qualidade, o hedonismo, a beleza e a distinção, assim como as influências envolvidas nesse consumo. Por fim, foi discutido o conhecimento desses respondentes acerca da sustentabilidade, assim como os seus hábitos de consumo e a forma como relacionam o luxo com a sustentabilidade.
No caso do Estudo 2, que apresenta os resultados da análise do workshop, identificou-se quatro aspectos importantes a serem analisados: os três primeiros dizem respeito às características dos produtos sustentáveis, que devem ser ecologicamente correctos, economicamente prósperos e socialmente equitativos; e o último apoia-se na preocupação dos designers com a opinião do consumidor de seus produtos.
Ao final destas análises, foi possível mostrar que há fortes indícios de se confirmar a hipótese de que os designers são capaz de criar produtos que estejam de acordo com os desejos do consumidor.
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